domingo, 17 de agosto de 2008

Jornal velho de ontem

Ontem, lendo o Jornal do Commercio, espantei-me com trecho da reportagem de capa do Caderno C (Nem mais tão sério assim), que versava sobre o vocalista de Cordel do Fogo Encantado, Lirinha. O trecho chamou a minha atenção por criticar de forma explícita a revista Veja, mas não gratuitamente, porque fui atrás da tal revista e, ao ler a reportagem (O Antônio Conselheiro dos modernos), tive náuseas com tamanha distorção e piadas infames. Abaixo seguem as reportagem da Veja e do JC, respectivamente. Tirem suas próprias conclusões.

VEJA (06/08/08)

O Antônio Conselheiro
dos modernos
(NA ÍNTEGRA)

Quem é Lirinha, o cantor pernambucano que, com letras
difíceis, se tornou um profeta para os universitários

Julia Moraes

CABEÇA DO CORDEL

Lirinha, com sua barba de beato: "espíritos com ele no palco"

José Paes de Lira, ou Lirinha, é o Antônio Conselheiro dos modernos. Assim como o beato da Guerra de Canudos (1896-1897) arregimentou uma horda de jagunços e despossuídos profetizando que um dia jorrariam leite e mel no sertão nordestino, o cantor e compositor pernambucano seduz a garotada universitária e antenados em geral com promessas de transcendência. Nos shows de sua banda, o Cordel do Fogo Encantado, fãs (sóbrios?) o abordam com as conversas mais malucas. "Já teve gente que jurou ter visto energia emanar de meu corpo. Ou, ainda, espíritos dançando comigo no palco", diz ele. Surgido há nove anos na cidade de Arcoverde, no semi-árido de Pernambuco, o Cordel mescla ritmos nordestinos como o maracatu com guitarras. Mas o que mais chama atenção é a teatralidade de seu vocalista: com os olhos revirados, como em transe, ele declama letras que define como "proféticas" e "apocalípticas". Somadas, as vendas dos três álbuns do Cordel totalizam 80 000 unidades, algo notável para uma banda independente que não toca nas rádios. Graças ao boca-a-boca e à internet, tornou-se popular nos circuitos universitários do Sul e do Sudeste. As novas empreitadas do rapaz reforçam a aura de iluminado. Lirinha cultivou uma barba como a de Conselheiro para protagonizar sua primeira peça, Mercadorias e Futuro (que escreveu e co-dirige ao lado da mulher, a atriz Leandra Leal). No monólogo dramático, ele é um vendedor que faz propaganda de um livro sobre (surpresa!) profecias. Mas a viagem declarada do autor (surpresa de novo!) é questionar as relações entre arte e comércio. Agora, ao mesmo tempo que a peça entra em cartaz em São Paulo, Lirinha estréia na literatura – com o tal livro de que fala o espetáculo.

Divulgação
SERTÃO NA TV A série Hoje É Dia de Maria: o arcaico e o moderno

Lirinha é discípulo de uma vertente que há tempos está presente na cultura nacional: aquela que faz a celebração de um "sertão mítico", por meio de uma estética que "mistura o moderno e o arcaico". Reza por essa cartilha a literatura do paraibano Ariano Suassuna, com seu estilo rebuscado e suas referências ao universo armorial. A tendência está na TV, nas produções dos diretores Guel Arraes e Luiz Fernando Carvalho. O primeiro comandou a série O Auto da Compadecida, baseada no livro de Suassuna. Carvalho esteve por trás de Hoje É Dia de Maria e A Pedra do Reino (também adaptada da obra do escritor). Passa, ainda, pelo cinema de um Glauber Rocha nos anos 60, em filmes como Deus e o Diabo na Terra do Sol. Lirinha bebe também de outra influência: o teatro do diretor José Celso Martinez Corrêa, aquele que transformou a Guerra de Canudos em pretexto para saturnálias em suas montagens baseadas em Os Sertões, de Euclides da Cunha. A ligação do cantor com ele é direta. Lirinha fez a trilha sonora de uma das partes de Os Sertões e, no ano passado, interpretou o secretário do profeta vivido pelo dramaturgo no longa-metragem Árido Movie, filmado em sua Arcoverde natal.

AE
CINEMA VELHO Glauber Rocha: Nordeste "mítico" e vanguardices


Nas letras do Cordel, Lirinha é messiânico. "Os soldados de Sebastião mostrarão o caminho", brada. Nos shows, recita poemas extralongos entre uma música e outra. A nova empreitada literária e teatral representa um passo além em matéria de pretensão. Com 31 anos, ele cria uma peça calcada no próprio passado. O protagonista se chama Lirovsky. "Ele é um pedaço de mim", afirma. A ação se passa num local chamado Interlândia. "É meu eu interior", explica. Falar em "ação", a bem da verdade, é fora de lugar. Não há enredo propriamente – apenas falas fragmentárias costuradas por sons e luzes que ele mesmo dispara, por meio de um sistema intricado de pedais e alavancas. Quanto ao livro Mercadorias e Futuro (Ateliê Editorial; 95 páginas; 25 reais), vejamos uma frase: "Cada câmbio age sobre a própria forma espaço-tempo se expandindo e se contraindo através de um cosmo finito mas sem limites". Entendeu, Ariano? Entendeu, José Celso?

Tuca Vieira/Folha Imagem
SATURNÁLIAS O dramaturgo Zé Celso: o profeta que conduziu Lirinha

A família de Lirinha é de classe média. A mãe é professora e o pai, fiscal da Receita Estadual de Pernambuco. Ele estudou em colégios católicos particulares e chegou a cursar a faculdade de letras de Arcoverde. Largou o curso para virar cantor. Aos 12 anos, declamou pela primeira vez em rodas de violeiros. Aos 16, estreou como ator numa peça infantil, O Gato que Virou Gente. "Eu era o gato", lembra. O Cordel do Fogo Encantado foi, na origem, um espetáculo de poesia e música. A descoberta por um empresário ligado ao movimento pop recifense do mangue beat, em 1999, mudou os rumos do grupo. Lirinha tinha acabado de cair nas graças do público universitário quando conheceu Leandra Leal. Os dois estão juntos desde 2002 – e ela tem funcionado como guia em sua carreira. Ajudou-o, por exemplo, a dar alguma coerência aos textos soltos de sua peça. "Eram perguntas básicas que eu lançava a ele: quem é esse personagem? O que você está querendo mesmo dizer?", explica a atriz. Continue, Leandra. Ainda falta um tanto.

*Reportagem sem assinatura.
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JC (16/08/08)

Nem mais tão a sério assim
(TRECHO)
Publicado em 16.08.2008

Lirinha, da Cordel do Fogo Encantado, lança dois livros na Bienal de São Paulo e repensa papel diante do público

Schneider Carpeggiani

carpeggiani@gmail.com

[...] “Essa coisa de profeta rendeu uma matéria desastrosa na revista Veja semana passada”, aponta [Lirinha]. O cantor foi mais um alvo da já previsível metralhadora de ironias da publicação – “O repórter chegou aqui com a pauta pronta, ‘que era o profeta dos modernos’ e fez perguntas do tipo ‘como é comandar o público com letras que ninguém entende?’. O que ele não percebeu é que o cordel utiliza a profecia como discurso poético, como tradição literária. Aquele texto do primeiro disco era discurso poético”.

A reportagem da revista comparava Lirinha a Antonio Conselheiro (pela matemática da revista, barba + Sertão = Canudos), com trechos do tipo: “Assim como o beato da Guerra de Canudos (1896-1897) arregimentou uma horda de jagunços e despossuídos profetizando que um dia jorrariam leite e mel no Sertão nordestino, o cantor e compositor pernambucano seduz a garotada universitária e antenados em geral com promessas de transcendência”.

A matemática da Veja somou errado a maneira como o cantor lida com as expectativas geradas por sua banda. Mercadorias e futuro (também adaptado para o teatro, marcando a estréia de Lirinha como ator) problematiza e (até) debocha do ideal de artista como profeta, do artista como negociante de algo que nem ele muitas vezes sabe o que é. [...]

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Estrangeirismos

Até o final da década de 1980, o termo globalização não era usado e ainda hoje muitas pessoas cometem o erro de ver tal fenômeno exclusivamente pelo âmbito econômico, A globalização é tão política, tecnológica e cultural quanto econômica. O surgimento de identidades culturais locais em várias partes do mundo, por exemplo, não pode ser atribuído a causas tão-somente históricas. À medida que o domínio do Estado enfraquece, o nacionalismo local brota em resposta à tendência globalizante, a exemplo da Escócia (Reino Unido), de Quebec (Canadá) e do País Basco (Espanha).

A difusão do inglês ilustra bem o alcance do processo global. Ao definir “língua como um dialeto sustentado por um exército”, o fato do Reino Unido e dos Estados Unidos, países mais influentes nos últimos 200 anos, terem o inglês como idioma oficial e a língua inglesa ser a mais difundida no mundo não é mera coincidência. A apropriação exagerada e, por vezes, indevida do idioma gerou grande celeuma nos países que possuem outra língua oficial, como França, em 1994, e Brasil, em 1998. O romancista e professor Ariano Suassuna, famoso também por sua defesa inflamada da cultura nacional, afirma que a aquisição de palavras e expressões de outro idioma é legítima e enriquecedora. Destaca, no entanto, o quão imprescindível é a adaptação da palavra estrangeira para a língua que a acolheu, pois só assim a incorporação do vocábulo será saudável para a nossa cultura.




Vídeo no qual Ariano Suassuna versa sobre a questão dos estrangeirismos.

sábado, 9 de agosto de 2008

Vamos discutir imparcialidade!

Lendo, com Diogo, texto para a cadeira de Cultura Brasileira 2: Arte e Comunicação como Prática de Resistência deparamos-nos com o seguinte excerto, com o qual concordamos bastante:

Nesse nível, qualquer mensagem, discurso ou texto se acha trabalhado pelo ideológico e é suscetível, portanto, de uma leitura ideológica, tanto o discurso político como a revista de modas ou o jornal da TV. O ideológico deixa de ser um adjetivo atribuível a certo tipo de discursos (sic), para ser definido como um nível de organização do semântico, um “nível de significação” presente em qualquer tipo de discurso. [MARTÍN-BARBERO, Jesús]

Resumindo nossa conclusão: Não há discurso ideológico, há discurso, que é, necessariamente, ideológico. Se houvesse outros tipos de discursos, haveria, sim, talvez a imparcialidade, que hoje é um mito.


REFERÊNCIA:

MARTÍN-BARBERO, Jesús. Ofício de cartógrafo: Travessias latino-americanas da comunicação na cultura. 1. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2004. p. 56.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Conheça Frida Kahlo

Essa é Frida Kahlo:


Essas são Frida Kahlo por Frida Kahlo:

Mi Nacimiento, 1932

Lo que el Agua me dio, 1938

La Columna Rota, 1944

Essa é Frida Kahlo por Julie Taymor:

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Hey Julian

HEY JUDE (tradução)
The Beatles



Hey Jude, don't make it bad.
Ei, Jude, não fique mal,
Take a sad song and make it better.
Escolha uma música triste e fique melhor.
Remember to let her into your heart,
Lembre-se de deixá-la entrar em seu coração,
Then you can start to make it better.
Então você pode começar a ficar melhor.


Hey Jude, don't be afraid.
Ei, Jude, não tenha medo,
You were made to go out and get her.
Você foi feito para sair e conquistá-la.
The minute you let her under your skin,
No minuto que você deixá-la entrar na sua pele,
Then you begin to make it better.
Então você começará a ficar melhor.


And anytime you feel the pain, hey Jude, refrain,
E sempre que você sentir a angústia, ei, Jude, contenha-se,
Don't carry the world upon your shoulders.
Não carregue o mundo em suas costas.
For well you know that it's a fool who plays it cool
Com razão, você sabe que é o bobo quem mantém a cabeça fria,
By making his world a little colder.
Por deixar este mundo um pouquinho mais frio...


Hey Jude, don't let me down.
Ei, Jude, não me decepcione,
You have found her, now go and get her.
Você encontrou-a, agora vá e conquiste-a.
Remember to let her into your heart,
Lembre-se de deixá-la entrar em seu coração,
Then you can start to make it better.
Então você pode começar a ficar melhor.


So let it out and let it in, hey Jude, begin,
Então coloque prá fora e deixe entrar, ei, Jude, comece.
You're waiting for someone to perform with.
Você está esperando alguém com quem representar,
And don't you know that it's just you,
E você não sabe que é somente você?
Hey Jude, you'll do,
Ei, Jude, serve você mesmo,
The movement you need is on your shoulder.
O movimento que você precisa está em seus ombros.



Hey Jude, don't make it bad.
Ei, Jude, não fique mal,
Take a sad song and make it better.
Escolha uma música triste e fique melhor.
Remember to let her under your skin,
Lembre-se de deixá-la debaixo da sua pele,
Then you'll begin to make it
Então você começará a ficar
Better better better better better better, oh.
Melhor, melhor, melhor, melhor...


Da da da da da da, da da da, hey Jude...
Da da da da da da, da da da, ei, Jude...

[Vagalume]

Hoje, depois da volta às aulas, na fila da xerox fui abordada com um carinhoso (?) tapa na cabeça e, posteriormente, convidada a fazer algo. Sem poder recusar o convite, apesar de um tanto indisposta, lá fomos nós, um quarteto, jogar conversa fora no Habib's, garantindo a barriga cheia e o dinheiro no bolso. A conversa girou em torno das coisas de sempre, papo vai, papo vem, Maíra começa a contar um pouco do que já viu sobre The Beatles nos tantos documentários que já assistiu sobre a banda, eis que descubro algo, que muito já devem saber, mas que eu tinha total desconhecimento: Jude, da música Hey Jude, é filho de John Lennon, Julian. Tal "novidade" foi ratificada pelo, não tão confiável, Wikipédia no seguinte excerto:
A canção, originalmente intitulada "Hey Jules", foi escrita por Paul Mccartney para consolar Julian, filho de John Lennon, na ocasião da separação de seus pais, John e Cynthia Lennon. O próprio John gostou muito da canção, pois estava iniciando um novo relacionamento com Yoko Ono, sua futura segunda esposa. [Wikipédia]

domingo, 27 de julho de 2008

Eleitor do século XXI! (?)

(Reportagem do JC - 26/07/2008)
“Ele arrasa corações aqui. Merece ganhar pela beleza e pelo resto todo”, disse, animada, a estudante Jacilene Araújo, 21 anos, que caprichou no batom para receber o candidato. Mesmo mãe de quatro filhos, a dona de casa Valéria Cavalcanti, 27 anos, também aproveitou a caminhada para garantir a pose ao lado de Raul. “Um homem lindo desse como prefeito vai deixar a cidade bonita como ele. Largava até meu marido”, assegurou, despreocupada com a volta para casa.
FONTE: JC ON LINE
Pasmei ao ler, pensei até em discorrer algumas linhas a respeito, mas uma reuniãozinha com os velhos amigos interrompeu, merecidamente, esse plano. O avançar da hora ("avançar" porque ainda não dormi) também impossibilitam esse intento e, por trata-se de uma notícia de jornal, não é recomendável esperar para depois. Então, sugiro que o excerto da reportagem seja analisado através de uma visão latu sensu, sem ater-se ao candidato, pois minha intenção foi tão-somente incitar um debate sobre a realidade do atual eleitorado brasileiro, não tão diferente de outrora. NÉ?

sexta-feira, 25 de julho de 2008

bezerra diz:

Creio que a indicação de Emily Watson (Bess) ao Oscar de melhor atriz foi bastante merecida, sua atuação pareceu-me belíssima, com as cenas são incríveis. Minhas impressões sobre o filme foram ótimas, mas infelizmente, não consegui dissociá-las das de Dogville, a maior bilheteria do Cinema da Fundação, e é sobre ele que quero escrever.

Dio. diz:

Foi o primeiro filme dela.

Dio. diz:

Diga aí.

bezerra diz:

Não sabiaaa

bezerra diz:

Infelizmente assisti a Dogville (2004) antes de Ondas do Destino (1996), quebrando a cronologia da produção de Lars Von Trier, fato, talvez, decisivo na minha predileção pelo trabalho mais recente. Creio que o diretor ficaria satisfeito em ouvir tal comentário, por sugerir a deixa de que seu trabalho vem aperfeiçoando-se.

bezerra diz:

Acho que se eu tivesse assistido Ondas primeiro teria gostado mais.

Dio. diz:

Tás falando igual falasse com Scoop.

Dio. diz:

Como se Scoop continuasse Match Point, e Ondas do Destino continuasse Dogville

bezerra diz:

não, não falei isso não.

bezerra diz:

não foi assim não

bezerra diz:

não foi

bezerra diz:

asjkdhsajkdhaksjkjsads

bezerra diz:

achei Scoop fraquinho

Dio. diz:

Mas foi praticamente única justificativa que desse pra Scoop.

bezerra diz:

comparado com outros de Allen

bezerra diz:

é o mesmo diretor e tal

Dio. diz:

hhehehe

Dio. diz:

Eu analiso o filme. Odeio comparar.

bezerra diz:

de qualquer forma, não desgostei deles, só acho que Match e Dogville são melhores

bezerra diz:

também odeio, mas não consigo.

Dio. diz:

Tipo, penso assim: O diretor não faz um filme para ser melhor que outro, ele faz dois filmes, sem associá-los. Porém, obviamente, suas marcas sempre acabam aparecendo, pois são vícios que nem mesmo ele percebe, ou que ele gosta de usar mesmo, pra dar a marca dele.

Dio. diz:

Entende?

bezerra diz:

eu sei disso

Dio. diz:

hihihi

Dio. diz:

Mas sério, essa é uma dica: Quando tu for falar de um filme, não fala "po, não gostei, 'tal filme' é bem melhor". Porque se não o povo vai achar que tu não tá

bezerra diz:

só penso que com o passar dos "filmes" eles fiquem melhores e tal.

bezerra diz:

e é isso que eu espero quando vejo um filme do mesmo diretor e tal

bezerra diz:

tal qual se faz com livros...

bezerra diz:

não espero a continuação da história, mas uma sacada mais interessante, uma elaboração mais bem feita... um aperfeiçoamento...etc...

Dio. diz:

Hmm... mas é que assim fica parecendo que todos os filmes do diretor têm uma mesma base. Assim, como se a pessoa fosse ver dois filmes com a mesma cabeça, só por serem do mesmo diretor.

bezerra diz:

não comparando um filme com o outro, de fato, até porque são 2 filmes diferentes, com conteúdos diferentes, elenco diferente... bláblá

Dio. diz:

Tipo, veja Kubrick. Barry Lyndon foi depois de Laranja Mecânica e é muuuuuito bom. Mas Laranja é muuuuito bom também, melhor, na minha opinião, mas é impossível compará-los meeesmo.

Dio. diz:

Eu te entendo. Só falei aquela dica porque fiquei preocupado por que da outra vez tu falou que não tinha gostado de Scoop por que "Match Point é bem melhor", e tinha medo que tu falasse isso de Ondas do Destino, e ficasse algo superficial, sabe?

bezerra diz:

mas não foi isso, é que achei a abordagem de Scoop forçadinha

Dio. diz:

Hmm... olha aí.

bezerra diz:

coisa com o espírito do cara, bláblá... ficou diferente de Melinda and Melinda e Match por não tá tão real, tão parecido com o cotidiano como geralmente são os filmes de Allen. não viajei por causa disso, achei forçada as sacadas e tal..

Dio. diz:

É, ficou meio bizarrinho isso.

bezerra diz:

mas perceba que nem comparei Match com Melinda...

Dio. diz:

Pronto, é disso que to falando.

bezerra diz:

foi só um comentário e tal..

Dio. diz:

É porque no dia tu não falou nada disso, aí fiquei meio preocupado...

bezerra diz:

claro que dá pra rir em Scoop, dá pra se divertir e tal, mas não tem o caráter de "cotidiano" que os demais filmes de Allen (os que eu assistir) tem.

Dio. diz:

Também não achei isso muito bom não. Mas gostei, no geral.

bezerra diz:

eu ri e sofri com Bess e tal.

bezerra diz:

gostei do filme

bezerra diz:

o que eu tava querendo dizer quando inclui Dogville no comentário foi que ele me emocionou mais... e que eu gostei mais..

bezerra diz:

afinal foi um dos filmes que mais me emocionou.

Dio. diz:

E, no caso, os filmes de Lars são até bem comparáveis, afinal o tema central é "o ser humano em seu estado mais sofrível".

Dio. diz:

Basicamente.

bezerra diz:

claro que o tema é outro, os personagens são outros... mas Dogville me tocou muito mais. era disso que eu queria falar

Dio. diz:

Acho digno.

bezerra diz:

assim como o assunto central de Allen é o cotidiano

bezerra diz:

os de Kubrick que estávamos falando são completamente incomparáveis, até porque tive a sensação de está com outro diretor que não o loucão de Laranjas e de Olhos..

Dio. diz:

É verdade.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O caráter cênico VI.

SOBRE AUGUSTO BOAL

Carioca do bairro da Penha, Augusto Pinto Boal nasceu em 1931, filho da dona de casa Albertina Pinto e de José Augusto Boal, padeiro português.

Desde cedo mostrou aptidão para as artes, tendo por costume brincar de teatro quando criança, escrevendo e montando peças durante os encontros familiares. Na juventude, entretanto, apaixonou-se pelos cálculos, formando-se engenheiro químico pela atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na década de 1950, por ocasião de um Ph.D na Universidade de Columbia, Boal reencontra a arte e torna-se aluno de John Gassner na School of Dramatics Arts (Universidade de Columbia).

Ao retornar ao Brasil, em 1956, é convidado por Sábato Magaldi e José Renato para dirigir o Teatro Arena, fundado em 1953, na cidade de São Paulo. Sob o mote de nacionalizar o teatro brasileiro, realizando espetáculos de baixos custos e incentivando os artistas nacionais, o Teatro Arena surgia como alternativa às práticas do Teatro Brasileiro de Comédia, renomado por possuir produções sofisticadas e repertórios internacionais.

Sua primeira direção rendeu-lhe o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) como diretor-revelação, em 1956, com a peça de John Steinbeck, Ratos e Homens. O primeiro texto não tardou, afinal, a crise do Teatro Arena agravava-se e obriga a companhia a investir em textos nacionais. No ano seguinte, então, Boal encenou a peça Marido Magro, Mulher Chata, uma comédia de costumes, cujo cenário era Copacabana, marcando sua estréia como autor.

A companhia reergue-se com o sucesso da renomada peça de Gianfrancesco de Guarniere, Eles Não Usam Black Tie, e durante as décadas de 1950 e 1960, através do Seminário de Dramaturgia, proposto por Augusto Boal, o Teatro Arena consegue firmar-se como dramaturgia genuinamente brasileira, sendo de essencial conhecimento para os apreciadores da arte cênica. O embrião do grande trabalho de Boal, o Teatro do Oprimido, começa a surgir na década seguinte, através do Teatro-Jornal, iniciado a partir de experimentos do Núcleo Dois do Arena.

O Brasil já amargurava a ditadura militar quando Boal, junto a Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, Paulo Pontes e Armando Costa, dirigiu o show Opinião, que daria início ao Grupo Opinião, numa proposta de resistência através da arte. Com o AI-5, promulgado nos idos de 1968, no entanto, os artistas passaram a ser perseguidos, tendo o Teatro Arena, inclusive, excursionado durante um ano por alguns países da América, na tentativa de dar continuidade aos seus ideais.

Em fevereiro de 1971, Augusto Boal teve a liberdade tolhida, sendo seguidamente preso, torturado e exilado. Durante o exílio, morou em vários países, permanecendo por dois anos em Portugal, onde recebeu a famosa carta, posteriormente musicada (Meu Caro Amigo), de Chico Buarque. Lá também escreveu e montou, sob o título de Mulheres de Atenas e com músicas de Chico Buarque, uma adaptação da peça grega Lisístrata, uma comédia anti-guerra, de Aristófanes. Posteriormente, estabeleceu-se na França, a partir de 1978, onde desenvolveu, com ajuda de sua esposa, as técnicas introspectivas da arte cênica publicadas no livro Teatro do Oprimido: o Arco-Íris do Desejo, tendo na capital francesa, inclusive, criado o Centre du Théatre de l´Opprimé-Augusto Boal, em 1979.

O objetivo do Teatro do Oprimido, inspirado na proposta de Paulo Freire para a educação, era democratizar o acesso de todas as camadas sociais às produções teatrais, através de novas técnicas e novos exercícios, formulados por Augusto Boal, para a preparação dos atores. A metodologia proposta pelo dramaturgo brasileiro é, hoje, uma realidade, tendo seus conceitos praticados em todos os continentes.

"O Teatro do Oprimido é o teatro no sentido mais arcaico do termo. Todos os seres humanos são atores - porque atuam - e espectadores - porque observam. Somos todos "espect-atores" . [BOAL, Augusto]

A convite de Darcy Ribeiro, então Secretário de Educação do Rio de Janeiro, Boal volta ao Brasil, em 1986, com a missão de dirigir o projeto Fábrica de Teatro Popular, que tem por objetivo tornar a linguagem teatral mais acessível ao público. Posteriormente, ele tenta difundir o Teatro do Oprimido no Brasil através da criação de um centro homônimo na capital carioca, o CTO-Rio.

Provavelmente, na intenção de difundir o projeto de forma mais acelerada, Augusto Boal entra na política e consegue eleger-se vereador da cidade natal em 1992, pelo Partido dos Trabalhadores. E como conseguiu, através do Teatro dos Oprimidos, tornar o espectador um ator, ousou tentando transformar o eleitor em legislador, praticando o Teatro como Política.

Dando continuidade ao seu trabalho de tendência nacionalista, transformou, em 1999, a ópera Carmem, de Bizet, em SAMBÓPERA, traduzindo as músicas originais para ritmos brasileiros.

Hoje, em virtude do Teatro do Oprimido, com obras traduzidas em mais de vinte idiomas, Augusto Boal é um dos indicados ao Prêmio Nobel da Paz de 2008 e, ainda assim, infelizmente, poucos brasileiros conhecem sua obra.


REFERÊNCIAS:

Augusto Boal in CURRICULO BOAL. Disponível em:
http://www.ctorio.org.br/CURRICULO%20BOAL.htm
Acessado em 21/07/08

Boal, Augusto (1931) in Enciclopédia Itaú Cultural. Disponível em: http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=personalidades_biografia&cd_verbete=703
Acessado em 21/07/08

Augusto Boal in Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_Boal
Acessado em 21/07/08

segunda-feira, 21 de julho de 2008

1976 -- Chico Buarque e Augusto Boal


Chico Buarque compôs MULHERES DE ATENAS para peça homônima de Augusto Boal, sugerindo a metáfora da submissão feminina, não só no mundo grego, mas no próprio Ocidente.
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas

Quando amadas se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas, cadenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Guardam-se pros seus maridos
Poder e força de Atenas

Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obscenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas

Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar um carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos
Os novos filhos de Atenas

Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não têm sonhos, só têm presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas, morenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas

As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas, não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
As suas novenas
Serenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos
Orgulho e raça de Atenas


Chico Buarque musicou, com
Francis Hime, a carta destinada ao dramaturgo Augusto Boal, exilado em Lisboa, sob o título de MEU CARO AMIGO.
Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita

Aqui na terra tão jogando futebol

Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando e também sem a cachaça

Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol


Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol


Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho

Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco


Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças

O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Cadê a apuração?

No mesmo dia em que o Jornal do Commércio (JC) publica, através da Agência O Globo, o texto de Ancelmo Gois comentando, em “xará inocente”, a gafe do jornal italiano La Stampa, comete a grosseria de confundir a nova Miss Universo.

O caso Daniel Dantas (banqueiro) tem gerado polêmica para além do âmbito político, fãs desavisados do ator homônimo têm desesperado-se com as denúncias nos noticiários, gerando equívocos quanto à identidade do verdadeiro acusado.

La Stampa publicou a notícia da prisão do banqueiro, capa, inclusive, dos semanários brasileiros mais lidos do país, mas errou na foto, exibindo, erroneamente, a foto do ator Daniel Dantas, que atualmente atua na novela global Ciranda de Pedra. A confusão foi comentada pelo colunista Ancelmo Gois, em coluna no jornal O Globo, também publicada no JC de hoje.

Quem ler o mesmo jornal, perceberá gafe semelhante no caderno cultural do JC, quando se refere à Miss Universo eleita no último domingo, a venezuelana Dayana Mendoza, e publica foto da vice, a colombiana Taliana Vargas.

Claro que a proporção do equívoco é bem menor que a cometida pelo jornal italiano, mas fica a crítica e o clamor por maior apuração.


*Mudando de assunto, recomendo o vídeo, cujo tema foi reportagem do NE TV, Jornal Hoje e Jornal Nacional de ontem (15) e chamou-me bastante atenção pela grande força de vontade de um ex-morador de rua recifense.
*Novamente, créditos a Ana Gabriela López, pela disposição em ajudar.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Política(gem)

A proximidade eleitoral já é notória nas ruas, cobertas por bandeirolas e fotos dos candidatos. Na programação da TV e do rádio, algumas conversas com prefeituráveis acontecem em clima de camaradagem, debates e diálogos mais eleitoreiros só surgirão a partir do Horário Eleitoral, com início em agosto.

Conforme sugere a reportagem do JC de hoje, as animosidades começam a ficar latentes. Na última sexta-feira (11), o polêmico Newton Carneiro (PRB), prefeito-candidato à prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, já gerou balbúrdia ao, abertamente, pedir votos aos delegados do Orçamento Participativo em reunião. Paulo Rubem (PDT), deputado federal e candidato, pede investigação do caso à Polícia Federal, o também prefeiturável André Campos (PT) ainda não definiu ação.

(REPORTAGEM NA ÍNTEGRA)
Newton enfrenta ações do PT e PDT
Publicado em 15.07.2008

O pedetista Paulo Rubem pede à Justiça Eleitoral investigação sobre a reunião do prefeito-candidato com delegados do OP, quando Newton pediu votos. Já o petista André Campos está definindo a ação

O prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Newton Carneiro (PRB), virou alvo na Justiça ap
ós pedir votos para a reeleição em um evento realizado pela prefeitura. O deputado federal e prefeiturável, Paulo Rubem (PDT), entrou ontem com um pedido de investigação eleitoral para verificar se houve ou não uso da máquina na reunião com delegados do Orçamento Participativo (OP), na última sexta-feira. Na ação, o parlamentar pede a impugnação da candidatura do prefeito, caso a infração seja comprovada. O deputado estadual e também prefeiturável André Campos (PT) anunciou que também vai acionar Newton, mas ainda não definiu o tipo da ação.

Além de querer a impugnação do prefeito-candidato, Paulo Rubem pede ainda a inegibilidade do secretário municipal de Cultura, Amaury Cândido. Na reunião do OP, ele pediu votos aos delegados. A ação foi protocolada na 147ª zona eleitoral. Newton e Amaury ainda não foram notificados.

A assessoria jurídica de André Campos informou que vai entrar na Justiça até amanhã, mas não quis dar mais detalhes. O petista adiantou que vai questionar o possível uso da máquina, mas não vai se ater aos ataques pessoais proferidos por Newton. “Só lamento que ele tenha se referido a uma pessoa que não pode mais responder, que é meu pai (Wilson Campos, já falecido)”, disse.

Na reunião com delegados do OP, num hotel, Newton pediu votos abertamente. “Vim aqui pedir votos e apoio de vocês nessa campanha”, disse. O prefeito também acusou André de “participar de uma quadrilha” e disse que a gestão de Carlos Wilson, irmão de André, na Infraero foi “corrupta” e que o pai deles deu início à “quadrilha” na década de 1970, quando presidiu o Bandepe.

FONTE: JC ONLINE

Newon Carneiro é famoso por medidas de caráter esdrúxulo (cemitério para bandido como proposta para o fim da violência - leia aqui) e acusações de improbidade administrativa, mantendo o eleitorado através de melhorias sociais que promoveu, em mandatos anteriores, na cidade, como construção de casas para população carente. O canditado declarou, há alguns dias, que não fará campanha, provavelmente apostando nos fiéis eleitores; a disputa, nesta eleição, com renomados candidatos (André Campos e Paulo Rubem), porém, parece ameaçar a continuidade de Newton na prefeitura.


*Créditos a Ana Gabriela López pelo fornecimento da reportagem em formato digital.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

O caráter cênico V.

"TEATRO É AO VIVO, VÁ VER"

A programação teatral da cidade parece esconder-se do público. Com várias peças acontecendo na cidade, sites como o "pe360graus" só divulgam o Balé de São Petersburgo, custando nada mais nada menos que cinqüenta reais (R$50) para estudantes. A crítica, proferida aqui, não se destina ao Balé, que, com composição de Tchaikovsky, certamente é belíssimo, mas à má divulgação dos programas culturais. Combatendo-a, há a
Agenda Cultural, divulgada pela Prefeitura da Cidade do Recife, que teve a sua primeira publicação no ano de 1995, com distribuição gratuita em locais de acesso público, além de possuir uma versão online.

Medéaaponto, peça conhecida por mim através de tal agenda, chamou a minha atenção por tratar-se de uma personagem curiosa e complexa da mitologia grega. Medéia exala um quê de feminismo e leva ao extremo o ciúme, com requintes de crueldade. Além de ser uma adaptação da obra de Eurípides, um dos grandes
tragediógrafos da Grécia Antiga, sendo Medéia uma de suas grandes peças.

Sábado (12/julho), portanto, fui ao Teatro
Alfredo de Oliveira, anexo do Teatro Waldemar de Oliveira, assistir à peça, que disputou (?) público com Um Sábado em Trinta, de Luiz Marinho, cujo ingresso estava, instantes antes de começar, custando cinqüenta reais (R$50). Ao perceber a grande quantidade de pessoas na bilheteria e ao ser informada do espetáculo de Luiz Marinho, homenageado do VII Festival Recife do Teatro Nacional, lembrei da minha "teoria" de que o recifense, em geral, só vai aos teatros e aos cinemas ditos culturais quando trata-se de uma apresentação renomada.

Não pensei duas vezes em comprar o ingresso para Medéaaponto, não só pelo meu interesse anterior, como também pelo preço, quase dez (10) vezes mais barato que a peça-alvo (Sábado em Trinta) daquela noite. Ao entrar no teatro, percebi que quase ninguém pensou como eu, pois o "despovoamento" das cadeiras era notório, embora o recinto fosse pequeno (bem pequeno).

Havia apenas uma atriz em cena — o que não significa dizer que era um monólogo — que interpretava e cantava com muito talento, esbanjando experiência. Algumas "inovações tecnológicas" na cena, mesmo bastante ousadas, não me fizeram perder o interesse, quebraram, pois, o clima tenso, confesso que passei boa parte do tempo com medo, de forma interessante. Recomendo.

MEDÉAAPONTO
O espetáculo vai fundo na mitologia grega e exibe de forma visceral um dos mais marcantes trabalhos de valor imaginativo da literatura ocidental. Com direção de Marcondes Lima, a peça mostra a entrega absoluta da atriz ao seu personagem que além de Medéia desempenha a voz da ama, de Creonte e de outros personagens. A música é o elemento dialético mais marcante da montagem já que as falas da protagonista soam como canções de pesar e degredo.
Sab | 21h
Teatro Alfredo de Oliveira
Praça Osvaldo Cruz, Boa Vista, Recife
Tel 3222 1200
R$ 12 e R$ 6

sexta-feira, 27 de junho de 2008

O caráter cênico IV.

Esses dias, eu comecei a pensar na possibilidade de incluir a arte cênica na minha vida, diante disso, fui em busca de pensamentos que convergissem com o meu. O propósito do "tcheco-brasileiro" Yan Michalski agradou-me bastante.

“No precário campo da bibliografia teatral brasileira, tal registro [o livro O Teatro Sob Pressão: Uma Frente de Resistência] talvez seja, no momento, a tarefa mais urgente: ele permite reunir numa publicação única dados que se acham dispersos, esboçar as linhas gerais de um panorama, refrescar uma memória coletiva que, diante da velocidade com que a vida nacional evolui, tende a enfraquecer-se progressivamente e construir uma base factual para futuros estudos.” [MICHALSKI, 1989]

Desde o princípio, o escritor deixa claro seu grande desafio no livro O Teatro Sob Pressão: Uma Frente de Resistência: Mostrar que, apesar da repressão, o teatro realizado durante o período ditatorial brasileiro foi muito influente e bem realizado, sem que isso acarrete afirmar que a censura foi um elemento favorável à criação cênica.

Yan Michalski sugere em 1989, o que hoje é bastante notório: a grande problemática do teatro atual. Em decorrência dos altos custos das produções, prevalecem nos palcos os monólogos, as peças de pequeno porte ou os roteiros ínfimos que só atraem o público médio interessado em ver os atores “globais”, nem sempre talentosos.

“O teatro adquiriu, na vida do país, um destaque que nunca antes lhe coubera, e que voltou a não lhe caber a partir do momento em que a ‘distensão’ e posteriormente a ‘abertura’ começaram a desalojá-lo do espaço excepcional para o qual havia sido projetado e no qual soube firmar-se nos tempos mais duros do regime militar.” [MICHALSKI, 1989]

Diante disso, sem qualquer intuito de apologia à ditadura, muito pelo contrário, sobram questionamentos:
Quais os meios possíveis para reviver a grandeza teatral de outrora? Por que a bilheteria do cinema sobrepõe-se, hoje, à do teatro? Como e quando as produções cinematográficas "roubaram" o público e o glamour das peças teatrais?

Recomendações:
O Teatro Sob Pressão: Uma Frente de Resistência, Yan Michalski

Por Que é Tão Dicífil Gostar de Teatro?, Antro Particular

sábado, 14 de junho de 2008

Pelo MEIO.

A biodiversidade do planeta Terra propicia uma grande luta pelo espaço e pela própria vida. Devido a tal disputa por território e com fins alimentícios, o homem, desde a Pré-História, tolhe as demais espécies consideradas óbices ao desenvolvimento e as necessárias à alimentação humana. Para diferenciar-se de vez dos animais irracionais, o homem classificou-se como “homo sapiens sapiens”, pois julga ser duplamente sábio. Desde então, sob pretexto de melhorar o mundo, a espécie humana, ao definir-se superior, transforma o meio ambiente e provoca grandes desastres na natureza, o que torna inóspito o habitat dos demais seres vivos. Através de desmatamentos, queimadas e capturas, várias espécies tornam-se vítimas do dito desenvolvimento. O homem age, ainda, conforme a vaidade e utiliza pele animal a fim de produzir, irracionalmente, luxuosos acessórios modísticos. Devido à degradação humana, muitos seres vivos encontram-se extintos ou em processo de desaparecimento. Com grande egocentrismo e visando tão-somente o lucro, o homem aproveita-se da indefesa dos animais para lograr o topo do desenvolvimento. Com a ausência de um pensamento a longo prazo, as pessoas provocam a destruição do meio ambiente, sem sequer perceber o mal que causam a elas mesmas. A natureza encontra-se degradada, é mister, portanto, uma rápida conscientização a fim de dar continuação à vida.

*Redação escrita (em 2007) para o vestibular da UNICAP.

sábado, 7 de junho de 2008

Leão, Nara Lofego.

Filha caçula de capixabas e irmã da, então jornalista, Danuza, Nara Leão nasceu no sábado do dia 19 de janeiro de 1942, também em Vitória. Com um ano, apenas, enraizou-se na zona sul carioca, durante a expansão de Copacabana. Aos 11 anos, conheceu, em tal praia, o seu futuro namorado e amigo de toda a vida, Roberto Menescal, a quem apresentou o jazz.

No apartamento dela, onde sempre havia madrugadas musicais, nasceu a Bossa Nova. Nara participava mais na condição de amadora, desde sempre, porém, ganhou o título inalienável de Musa do movimento. Num dos shows despretensiosos na faculdade, Silvinha Telles chamou Nara para o palco, onde ela cantou de costas para o público, devido a sua timidez.

Sua estréia profissional só ocorreu em 1963, já na segunda fase da Bossa Nova, quando, ao lado de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra, cantou Pobre Menina Rica.

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POBRE MENINA RICA

Eu acho que quem me vê, crê
Que eu sou feliz, feliz só porque
Tenho tudo quanto existe
Pra não ser infeliz

Pobre menina tão rica
Que triste você fica se vê
Um passarinho em liberdade
Indo e vindo à vontade, na tarde

Você tem mais do que eu
Passarinho, do que a menina
Que é tão rica e nada tem de seu

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Nara, ainda, buscou resgatar a música de morro, regravando sambistas como Cartola e Nelson do Cavaquinho, sendo a primeira cantora branca da zona sul a valorizar as raízes do samba.

Durante os anos 1960, já como cantora profissional, Nara adota posturas musicais diferentes, passando a cantar músicas de protesto, embalada com as atividades dos Centros Populares de Cultura da UNE (CPC). Lança, em 1964, seu primeiro disco, Opinião de Nara, cujo nome despertou em Oduvaldo Viana Filho a idéia de intitular um dos shows mais importantes da época de Opinião, que contou, ainda, com a participação de Zé Kéti e deu início à carreira de Maria Bethânia.

01 - Opinião
(Zé Kéti)

02 - Acender as velas
(Zé Kéti)

03 - Derradeira primavera
(Tom Jobim e Vinicius de Moraes)
04 - Berimbau – ritmo de capoeira
(João Melo e Clodoaldo Brito)
05 - Sina de caboclo
(João do Vale e J. B. de Aquino)
06 - Deixa
(Baden Powell e Vinicius de Moraes)
07 - Esse mundo é meu
(Sergio Ricardo)

08 - Labareda
(Baden Powell e Vinicius de Moraes)
09 - Em tempo de adeus
(Edu Lobo e Rui Guerra)

10 - Chegança
(Edu Lobo e Oduvaldo Viana Filho)
11 - Na roda da capoeira
(Folclore baiano)

12 - Malmequer
(Newton Teixeira e Cristóvão de Alencar)

Foi através desse disco que Nara passou a incorporar ao seu canto um clamor à resistência democrática no país. Assim, trocando farpas com o regime militar, ela quase foi enquadrada na Lei de Segurança Nacional, tendo escapado devido à mobilização de intelectuais, Carlos Drummond de Andrade escreveu, inclusive, um poema defendendo-a.

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“...Os militares podem entender de canhão e metralhadora, mas não pescam nada de política.” (Nara Leão)
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Posteriormente, em 1966, na época áurea dos festivais, Nara canta, ao lado de Chico Buarque, A Banda, música, por muitos, considerada o marco da mutação da Bossa Nova para a MPB, vencendo o II Festival de Música Popular Brasileira.VÍDEO

De personalidade crítica, Nara, ainda, foi uma das primeiras cantoras consagradas a aderir ao Tropicalismo, movimento musical que visava a quebra dos preconceitos na música brasileira, tendo participado do LP Tropicália ou Panis et Circenses, em 1968, cantando Lindonéia.

A partir do ano de 1968, com a instituição do AI-5, ainda no governo de Costa e Silva, a repressão aumentou, obrigando-a, já casada com o cineasta Cacá Diegues, a exilar-se na Itália e, depois, na França, onde nasceu sua filha Isabel.

Ao voltar para o Brasil, Nara, após o nascimento do seu filho Francisco, deixa a vida de cantora famosa para prestar vestibular, passando em um dos primeiros lugares no curso de psicologia, Não chegou a concluir a faculdade, pois não resiste e volta à música, gravando vários discos e fazendo shows pelo mundo, acompanhada do grande amigo Roberto Menescal.

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“
Ele [o violão] é como um namorado. Ajuda, aconchega.”
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Em decorrência de um tumor inoperável, no dia 7 de junho de 1989, há exatos 19 anos, na sua quase cidade natal, Rio de Janeiro, Nara Leão morreu prematuramente, aos 47 anos, deixando um grande legado para a música brasileira.



Bibliografia Consultada:

TÁVOLA, Artur de.; Nara Leão: O Canto da Resistência. Revista Contato (Brasília), v. 2, n. 6, p. 145-158, jan. 2000.

Nara Leão. Agenda do Samba e Chora. Disponível em: http://www.samba-choro.com.br/artistas/naraleao
Acesso em: 05 de junho de 2008.

Centro Popular Cultural da UNE. Enciclopédia ITAÚ Cultural. Disponível em: http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=cias_biografia&cd_verbete=459
Acesso em: 06 de junho de 2008.