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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Aquela italiana que faz vestidos*

"Quando o vento arranca o chapéu da sua cabeça e o faz voar cada vez mais longe, é preciso correr mais rápido que o vento para alcançá-lo. Eu sempre soube que para construir mais solidamente, às vezes somos obrigados a destruir, a fim de estabelecer uma nova elegância para as maneiras brutais da vida moderna."
Elsa Schiaparelli


Com tanto burburinho acerca de Gabrielle Bonheur Chanel — devido aos cem anos da França no Brasil e, mais ainda, por causa do lançamento do filme Coco avant Chanel (Coco antes de Chanel) —, este post soará implicante, pois discorre sobre Elsa Schiaparelli, grande rival da estilista francesa. Nunca é demais falar sobre Coco Chanel, ícone da moda do século XX e, sem dúvida, o mais conhecido nome do estilismo até os dias de hoje. Certamente, esses "títulos" foram a razão para o argumento do filme e a força motriz para sua bilheteria. Antes de ser a famosa estilista que ditou moda — dos seus modelos ao próprio corte de cabelo —, ela era apenas Gabrielle, uma costureira e cantora de cabaré que perdeu os pais enquanto ainda era criança. Coco avant Chanel conta, em detalhes, toda a vida pré-fama dessa madeimoselle, talvez por isso algumas pessoas não tenham saído satisfeitas do cinema. Quem achava que, por meio do filme, entenderia por que essa mulher influenciou fortemente a moda, de fato, não atingiu o objetivo. Mas, como disse o jornal The Washington Times, "Se você sai do cinema decepcionado porque o filme não mostra quase nenhum dos projetos brilhantes que tornou famosa sua personagem principal, não se pode dizer que não foi avisado, já que o título é, afinal, 'Coco Antes de Chanel'".

Não tão renomada quanto a rival, Elsa Schiaparelli não foi menos importante. Grande estilista italiana, ela foi responsável por uma verdadeira revolução estética, que fundiu arte e moda. Amiga de vanguardistas como Salvador Dali e Marcel Duchamp, Schiaparelli introduziu conceitos do surrealismo e do cubismo em suas peças, criando modelos, no mínimo, ousados e irreverentes. Diferentemente de Coco Chanel, que criava um vestuário mais contido e funcional, símbolo da mulher moderna, Schiaparelli investia em modelos exóticos. Criadas em parceria com Salvador Dali, suas peças tinham forte influência surrealista e causaram grande polêmica na Europa do entre guerras. A rivalidade e o intriga entre essas duas mulheres era, basicamente, fruto dessa discrepância de perspectiva da moda. Como não se escandalizar os modelos de Schiaparelli? Eu não consegui. Hoje cedo, em conversa com minha tia sobre história da moda, conheci a extravagância e genialidade dessa estilista. Soube, inclusive, que devemos a ela a cor rosa-choque ou rosa-shocking. Abaixo seguem algumas fotos que, de tão "surrealistas", fizeram-me escrever acerca dessa mulher.

Chapéu em formato de sapato.

Vestido com desenho de lagosta.


*Xingamento de Coco Chanel a Elsa Schiaparelli, que revidava referindo-se a Chanel como "a monótona e insignificante provinciana".

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Primeiras páginas

Muitas vezes, a presença rotineira de um cenário faz com que ele passe despercebido para as pessoas que o freqüentam. Assim, é necessário uma data significativa para valorizá-lo: os cem anos de nascimento do paisagista Roberto Burle Marx têm essa função. Com obras mundialmente apreciadas, o artista é pouco conhecido no seu próprio país. Importante devido às suas contribuições ao paisagismo e, principalmente, ao cotidiano das pessoas, através das praças que projetou, Burle Marx criou uma nova concepção de jardim. “Ele desenvolveu a filosofia do jardim moderno que é a de valorizar os atributos nacionais e os materiais regionais da paisagem”, afirma a Coordenadora do Laboratório da Paisagem da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Ana Rita Sá Carneiro.

Burle Marx nasceu em 4 de agosto de 1909 em São Paulo. Filho de alemão e de pernambucana, o artista foi influenciado pelos dois lugares, importantes para a sua carreira paisagística. Ligado a Pernambuco pela mãe, Cecília Burle, ele morou, de 1934 a 1937, na cidade do Recife, onde projetou o seu primeiro jardim público, a Praça de Casa Forte. Com a missão de chefiar o setor de Parques e Jardins do governo do Estado, Burle Marx, aos 25 anos, foi o primeiro paisagista a vir à cidade, trazendo uma forma diferente de ver a paisagem, dissociada dos padrões europeus. O “poeta dos jardins”, como foi apelidado por Tarsila do Amaral, incorporou a vegetação brasileira às suas criações e foi um dos precursores da consciência ecológica, dando palestras sobre o tema ainda na década de 1970. “Ele dizia o tempo todo: o jardim tem que ter uma função ecológica”, completa Ana Rita.

Em sua primeira estadia na capital pernambucana, Burle Marx projetou a Praça de Casa Forte, a Praça Euclides da Cunha (em frente ao Clube Internacional), o Campo das Princesas, a Praça da República e a Praça do Derby. O regresso do paisagista ao Recife se daria em 1957, a convite do então prefeito Pelópidas Silveira. Nessa breve temporada na cidade, ele realizou o projeto de mais duas praças: A Salgado Filho (em frente ao Aeroporto Internacional dos Guararapes - Gilberto Freyre) e a Faria Neves (em frente ao Horto de Dois Irmãos). Outras obras foram projetadas por ele, mas não tiveram construção efetivada ou já foram modificadas, a exemplo da Praça do Arsenal da Marinha, no centro do Recife, cujo projeto realizado por Burle Marx foi alterado em 1970 pela prefeitura.

Como vários artistas, Burle Marx foi vítima da incompreensão de sua obra. Ainda quando projetava a Praça Euclides da Cunha — baseada nos estudos deste escritor sobre o sertão —, o paisagista foi alvo de críticas por alguns intelectuais como o jornalista Mário Melo. Os anos passaram, mas a praça, que tem como tema a caatinga, ainda não conquistou a simpatia de todos moradores das redondezas. A estudante universitária Amanda Mello é uma das pessoas que não aprova a estética diferenciada da praça. “Não é vantagem, numa cidade tão calorenta, fazer uma praça com cactos”, afirma a estudante, alegando que a escassa vegetação do lugar torna a praça quente e inviável para passeios. De acordo com ela, as praças públicas devem prezar pela arborização para tornar o ambiente agradável.

Além de obras paisagísticas, o artista realizou trabalhos em outras áreas, como pintura, tapeçaria e escultura. Burle Marx foi, nos fins da década de 1930, assistente do pintor Candido Portinari e, a partir de 1947, chegou a dar aulas à artista Lygia Clark. Algumas das obras plásticas de Burle Marx encontram-se no Recife e podem ser visitadas no Museu do Estado e no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, o MAMAM.

PRESERVAÇÃO
Com a iminência da data do centenário, a Câmara do Recife realizou, sob a coordenação do vereador Eduardo Marques (PTB), audiência pública no último 12 de maio. Objetivando discutir a atual situação das praças projetadas por Burle Marx e viabilizar a criação de um comitê pró-centenário, o presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara, Luciano Siqueira (PC do B), propôs o debate. Segundo ele, “Seria uma miopia não perceber a relação da obra de Burle Marx com o patrimônio cultural da cidade”.

Na ocasião, Luciano Siqueira falou sobre os compromissos da Câmara com a data de nascimento do paisagista. Entre as iniciativas, está o encaminhamento de um ofício ao governador Eduardo Campos (PSB) para viabilizar a nível estadual o processo de tombamento dos jardins de Burle Marx. Tal processo garantirá que as praças tombadas não sejam destruídas, demolidas ou modificadas. Dos sete jardins projetados pelo paisagista na cidade, nenhum é tombado. Ana Rita afirmou que o Laboratório da Paisagem (UFPE) já dispõe de inventário — estudo minucioso do que compõe os jardins —, necessário para a realização do tombamento, que já foi solicitado desde abril de 2008, a nível nacional e estadual, ao IPHAN e à Fundarpe, respectivamente. A diretora de Preservação Cultural da Fundarpe, Neide Fernandes, afirmou que a proposta entregue à fundação está em processo de análise, que pode demorar até dois anos, mas adiantou que “não há dúvidas” quanto à importância do tombamento.

O vereador falou ainda — em nome do prefeito João da Costa (PT) — que a prefeitura dispõe-se a financiar a impressão de cartilhas educativas sobre o paisagista, propostas pelo Laboratório da Paisagem (UFPE), para a população e a realizar uma semana pró-Burle Marx em comemoração ao centenário. A assessoria da prefeitura, contudo, afirmou na manhã de hoje (1º/06/2009) que a “Semana Burle Marx” ainda não tem programação definida, mas que provavelmente será parte da comemoração da “Semana do Meio Ambiente”, programada para esta semana.

Sobre os investimentos da prefeitura para a preservação das praças, o Secretário Municipal de Serviços Públicos, José Humberto Cavalcante, afirmou que 1,5 milhão de reais foram investidos, em 2008, nas praças de toda a cidade, sendo grande parte da verba destinada à Praça do Derby, por ocasião da obra do Corredor Leste-Oeste. A prefeitura do Recife divide a responsabilidade da manutenção das praças com empresas particulares através do Programa Adote o Verde, no qual as empresas se responsabilizam pela preservação do local em troca de espaço de divulgação publicitária.

Para Ana Rita, o Programa Adote o Verde não soluciona os problemas das praças. “Não resolve, em alguns casos funciona”, completou, citando a Praça de Casa Forte como exemplo da falta de cuidado. A coordenadora do Laboratório da Paisagem (UFPE) e membro do Comitê Internacional de Jardins Históricos e Paisagens Culturais (IFLA) afirmou que a praça apresenta árvores cortadas, lago mal conservado, além de calçada comprometida. O calçamento do lugar foi um dos motivos para Humberto Nicodemos, cirurgião-destista, parar de caminhar na praça. De acordo com ele, para desviar dos buracos, as pessoas são obrigadas a arriscarem-se pelo asfalto.

Adotante da praça de Casa Forte, o Sindicato de Empresas de Transporte (SETRANS) recebeu com estranhamento a informação de queixas sobre os cuidados com o local. Segundo Carina Albuquerque, coordenadora de Projetos Especiais, a SETRANS não recebeu nenhuma reclamação oficial a respeito da má conservação da praça. Ela falou ainda sobre o prêmio Adote o Verde que o sindicato recebeu da prefeitura por dois anos consecutivos (2007 e 2008) pela preservação, sugerindo que falta diálogo entre o governo municipal e as empresas adotantes. De acordo com as atribuições previstas no Programa Adote o Verde, cabe à prefeitura orientar as empresas e fiscalizar a manutenção das praças adotadas. Até o fechamento desta reportagem, a assessoria da prefeitura não se posicionou a respeito dessas ações. ■

sexta-feira, 29 de maio de 2009

"Bette Davis Eyes"

Dentre as grandes estrelas do cinema norte-americano, uma possui luz própria. Bette Davis foi modelo para seus colegas na arte da interpretação, e é referência para os amantes do cinema clássico americano. Na vida, era geniosa e temperamental. Criou várias inimizades com os colegas de trabalho. Mas sua personalidade sempre esteve associada a de uma mulher forte, sabedora de suas qualidades, que apostava no seu talento e que não admitia ser tratada como objeto pelos executivos dos estúdios. Para seu tempo, ela conseguiu algo praticamente impensável: ser o símbolo do mais puro feminismo quando nem mesmo o movimento estava consolidado.

Ela ganhou dois Oscars de melhor atriz pelos filmes "Dangerous"(1935) e "Jezebel" (1938), mas para além dos prêmios recebidos, sem dúvida, assistir um filme seu, é proporcionar uma festa para os olhos. Para começo, indico "All About Eve"(1950) e "What Ever Happened to Baby Jane?" (1962).

Tornou-se conhecida do público mais jovem quando, em 1981, a cantora Kim Carnes lançou a canção "Bette Davis Eyes" (não à toa, título do post) que se tornou um sucesso pelo mundo à fora. Nos EUA, ela permaneceu como a mais tocada nas rádios durante dois meses. No vídeo abaixo, você pode conferir o hit. As cenas iniciais são do filme "What Ever Happened to Baby Jane?". E a atriz que aparece é Joan Crawford, umas das atrizes da época que não se dava bem com Bette Davis. Daí a brincadeira de quem fez o vídeo, nas passagens em que Davis aparece, Crawford parece surtar e demonstrar enorme ódio. Aos 33 segundos, é passada uma cena clássica de "All About Eve", na qual a atriz dá um show de interpretação, e diz com todo seu charme e elegância: "Apertem os cintos de segurança. Vai ser uma noite turbulenta."

Além da referência da música de Kim Carnes, outras homenagens estão nas músicas de Madonna - "Vogue", e do Bob Dylan - "Desolation Row". No próprio cinema, em "Todo sobre mi madre", do Almodóvar, é feita uma homenagem ao filme "All About Eve", e claro, à Bette Davis.

Há algum tempo, Bette Davis nos deixou (06/10/1989). No entanto, para os apreciadores do bom cinema, a impressão é que ela está viva, acessível através de seus filmes que nunca deixaram de ser exibidos na televisão, nas coleções de DVD, e nas biografias escritas a seu respeito. Esse culto em torno do nome de um artista é reservado apenas àqueles que aqui pisaram e conseguiram deixar sua marca. E é claro, Bette Davis é um desses mitos da sétima arte. Suas interpretações são altamente recomendadas. Não sem razão, Kim Carnes canta a beleza e expressividade do seu olhar. Pode conferir!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O Jayminho de hoje


Quem acompanhou a minissérie Maysa, pôde perceber o quanto o filho da cantora sofreu. Perdeu o pai, quando ainda tinha oito anos, e teve que conviver com a ausência da mãe, que optou por uma vida "transgressora", como o próprio Jayme Monjardim, hoje, classifica a escolha de Maysa.
Em resposta à pertinente frase de André Matarazzo à Maysa - que se julgava uma boa mãe - na qual ele disse que quando o garoto crescesse iria julgar a boa mãe que ela foi ou deixou de ser, a Veja desta semana trouxe Jayme Monjardim para dizer o que pensa sobre a mãe e mulher Maysa.
Nas páginas amarelas (Entrevista) de Veja, o outrora Jayminho, esquecido entre um show e outro, responde quais as suas impressões sobre tudo o que viveu ao lado e na ausência dessa mulher tão polêmica que foi Maysa. Alguns trechos da entrevista foram selecionados por mim e podem ser lidos abaixo.
Depois da morte de seu pai, sua mãe o deixou num internato na Espanha. O senhor ficou lá dos 7 aos 17 anos. Qual foi o peso dessa experiência? Em quase dez anos, minha mãe nunca me visitou e me mandou apenas duas cartas. Nas vezes em que saí do colégio para encontrá-la, fui incorporado à equipe que a acompanhava em seus shows. Fiquei noites intermináveis sentado em banquinhos, esperando o fim de uma apresentação. Ou então trancado num quarto de hotel. Lembro de dizerem: "Fechem a porta para o Jayminho não fugir". Foi um período terrível, de muita angústia.

Sua mãe chegou a lhe explicar a razão de um afastamento tão prolongado? No fim da vida de minha mãe, toquei nesse assunto. Ela não soube responder. Disse que já não lembrava o motivo de me deixar na Espanha, longe da família e do Brasil. Ela mesma, quando criança, foi para um colégio interno – mas por apenas dois anos. Gosto de pensar que entre as motivações, fossem quais fossem, houve algumas positivas. Minha mãe queria que eu tivesse uma cultura europeia para, quem sabe, assumir a administração dos negócios deixados por meu pai. Suponho que também quis, de alguma forma, me preservar de seus próprios problemas – com álcool, por exemplo.

O senhor chegou a odiar sua mãe? Ódio é uma palavra forte demais. Houve um período na infância em que o sentimento dominante foi de rejeição. Eu me perguntava cotidianamente o que havia feito de errado para ser esquecido tão longe, num colégio interno em outro país. Depois veio a revolta. A gota d’água se deu em 1970, quando voltei ao Brasil – e ela não foi me buscar no aeroporto. Fui para a casa dela e tivemos uma briga homérica. Tempos depois, fui morar em São Paulo com os meus tios. Nosso afastamento parecia irremediável. Mas então, cerca de dois anos antes de sua morte, fui visitá-la em sua casa em Maricá, no litoral do Rio de Janeiro, e criamos um novo laço.

[...]

Há um momento da infância que o senhor relembre com carinho? A melhor lembrança que tenho é de quando ela cantava para mim. Eu estava ali, sentado na coxia de um teatro, e de repente minha mãe saía do palco e cantava A Noite do Meu Bem olhando para mim. Ela me encarava de tal maneira que eu ficava numa confusão de sentimentos. Muito emocionado – a tal ponto que, às vezes, chegava a sentir medo.

É verdade que sua iniciação sexual ocorreu com a ajuda de sua mãe? A escola em que estudei era extremamente rigorosa. Era simpática ao ditador espanhol Franco e os professores nos batiam por qualquer motivo. Nesse ambiente repressor, era difícil até olhar para uma mulher. Para dar uma ideia da situação, nós íamos à loucura ao ver os joelhos das meninas que arrumavam nossos quartos e limpavam nossos sapatos antes da hora de dormir. Então, aos 13 anos, eu fiz uma das minhas visitas ao Brasil. Numa conversa, minha mãe me perguntou se eu já tinha tido alguma espécie de contato com uma mulher. Eu disse que não. Ela então me disse: "Tenho uma amiga que quer te levar para passear, conhecer os lugares bonitos do Rio". Saí com essa mulher e aconteceu. Não foi uma relação profissional. E também não foi uma atitude constrangedora por parte de minha mãe. Foi uma das boas coisas que ela fez por mim.

Sua mãe foi uma transgressora? Sim. E essa foi uma das características de sua história que me motivaram a fazer a minissérie. Maysa foi transgressora porque ousou viver com prazer e sofreu profundamente. Muitas pessoas sonham em ser como ela, mas lhes falta coragem para isso. Minha mãe falava o que pensava, nunca teve meias palavras e foi intensa em todos os sentidos. Isso é raro. Todo mundo se esconde atrás de uma máscara. Maysa, não. Nunca teve vergonha de assumir o que era e sabia que despertava nas pessoas à sua volta uma sensação de preocupação e medo.

Qual a importância musical de Maysa? Ela representou a transição do período das cantoras do rádio para a bossa nova. Começou como uma mulher que, ousadamente, despejava seus sentimentos na canção. Quando a bossa surgiu, aderiu ao novo gênero. O disco Barquinho, de 1961, foi um dos primeiros lançamentos de uma grande cantora a trazer compositores de bossa nova. Ela também foi a primeira artista a levar a bossa nova para os palcos internacionais. No exterior, era acompanhada pelo Tamba Trio. O escândalo é que os artistas de bossa nova mal tocam no nome da minha mãe. Somente o Roberto Menescal lhe dá o devido valor. A maioria se refere a ela como "a cantora que namorou o Ronaldo Bôscoli". Ninguém diz que Barquinho teve uma repercussão maior do que a de qualquer outro disco de bossa nova lançado naquele momento, muito menos que foi ela quem levou João Gilberto para cantar na televisão pela primeira vez. Minha mãe foi injustiçada.
*A Entrevista na íntegra pode ser lida no site da Veja.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O caráter cênico VI.

SOBRE AUGUSTO BOAL

Carioca do bairro da Penha, Augusto Pinto Boal nasceu em 1931, filho da dona de casa Albertina Pinto e de José Augusto Boal, padeiro português.

Desde cedo mostrou aptidão para as artes, tendo por costume brincar de teatro quando criança, escrevendo e montando peças durante os encontros familiares. Na juventude, entretanto, apaixonou-se pelos cálculos, formando-se engenheiro químico pela atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na década de 1950, por ocasião de um Ph.D na Universidade de Columbia, Boal reencontra a arte e torna-se aluno de John Gassner na School of Dramatics Arts (Universidade de Columbia).

Ao retornar ao Brasil, em 1956, é convidado por Sábato Magaldi e José Renato para dirigir o Teatro Arena, fundado em 1953, na cidade de São Paulo. Sob o mote de nacionalizar o teatro brasileiro, realizando espetáculos de baixos custos e incentivando os artistas nacionais, o Teatro Arena surgia como alternativa às práticas do Teatro Brasileiro de Comédia, renomado por possuir produções sofisticadas e repertórios internacionais.

Sua primeira direção rendeu-lhe o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) como diretor-revelação, em 1956, com a peça de John Steinbeck, Ratos e Homens. O primeiro texto não tardou, afinal, a crise do Teatro Arena agravava-se e obriga a companhia a investir em textos nacionais. No ano seguinte, então, Boal encenou a peça Marido Magro, Mulher Chata, uma comédia de costumes, cujo cenário era Copacabana, marcando sua estréia como autor.

A companhia reergue-se com o sucesso da renomada peça de Gianfrancesco de Guarniere, Eles Não Usam Black Tie, e durante as décadas de 1950 e 1960, através do Seminário de Dramaturgia, proposto por Augusto Boal, o Teatro Arena consegue firmar-se como dramaturgia genuinamente brasileira, sendo de essencial conhecimento para os apreciadores da arte cênica. O embrião do grande trabalho de Boal, o Teatro do Oprimido, começa a surgir na década seguinte, através do Teatro-Jornal, iniciado a partir de experimentos do Núcleo Dois do Arena.

O Brasil já amargurava a ditadura militar quando Boal, junto a Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, Paulo Pontes e Armando Costa, dirigiu o show Opinião, que daria início ao Grupo Opinião, numa proposta de resistência através da arte. Com o AI-5, promulgado nos idos de 1968, no entanto, os artistas passaram a ser perseguidos, tendo o Teatro Arena, inclusive, excursionado durante um ano por alguns países da América, na tentativa de dar continuidade aos seus ideais.

Em fevereiro de 1971, Augusto Boal teve a liberdade tolhida, sendo seguidamente preso, torturado e exilado. Durante o exílio, morou em vários países, permanecendo por dois anos em Portugal, onde recebeu a famosa carta, posteriormente musicada (Meu Caro Amigo), de Chico Buarque. Lá também escreveu e montou, sob o título de Mulheres de Atenas e com músicas de Chico Buarque, uma adaptação da peça grega Lisístrata, uma comédia anti-guerra, de Aristófanes. Posteriormente, estabeleceu-se na França, a partir de 1978, onde desenvolveu, com ajuda de sua esposa, as técnicas introspectivas da arte cênica publicadas no livro Teatro do Oprimido: o Arco-Íris do Desejo, tendo na capital francesa, inclusive, criado o Centre du Théatre de l´Opprimé-Augusto Boal, em 1979.

O objetivo do Teatro do Oprimido, inspirado na proposta de Paulo Freire para a educação, era democratizar o acesso de todas as camadas sociais às produções teatrais, através de novas técnicas e novos exercícios, formulados por Augusto Boal, para a preparação dos atores. A metodologia proposta pelo dramaturgo brasileiro é, hoje, uma realidade, tendo seus conceitos praticados em todos os continentes.

"O Teatro do Oprimido é o teatro no sentido mais arcaico do termo. Todos os seres humanos são atores - porque atuam - e espectadores - porque observam. Somos todos "espect-atores" . [BOAL, Augusto]

A convite de Darcy Ribeiro, então Secretário de Educação do Rio de Janeiro, Boal volta ao Brasil, em 1986, com a missão de dirigir o projeto Fábrica de Teatro Popular, que tem por objetivo tornar a linguagem teatral mais acessível ao público. Posteriormente, ele tenta difundir o Teatro do Oprimido no Brasil através da criação de um centro homônimo na capital carioca, o CTO-Rio.

Provavelmente, na intenção de difundir o projeto de forma mais acelerada, Augusto Boal entra na política e consegue eleger-se vereador da cidade natal em 1992, pelo Partido dos Trabalhadores. E como conseguiu, através do Teatro dos Oprimidos, tornar o espectador um ator, ousou tentando transformar o eleitor em legislador, praticando o Teatro como Política.

Dando continuidade ao seu trabalho de tendência nacionalista, transformou, em 1999, a ópera Carmem, de Bizet, em SAMBÓPERA, traduzindo as músicas originais para ritmos brasileiros.

Hoje, em virtude do Teatro do Oprimido, com obras traduzidas em mais de vinte idiomas, Augusto Boal é um dos indicados ao Prêmio Nobel da Paz de 2008 e, ainda assim, infelizmente, poucos brasileiros conhecem sua obra.


REFERÊNCIAS:

Augusto Boal in CURRICULO BOAL. Disponível em:
http://www.ctorio.org.br/CURRICULO%20BOAL.htm
Acessado em 21/07/08

Boal, Augusto (1931) in Enciclopédia Itaú Cultural. Disponível em: http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=personalidades_biografia&cd_verbete=703
Acessado em 21/07/08

Augusto Boal in Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_Boal
Acessado em 21/07/08

sábado, 7 de junho de 2008

Leão, Nara Lofego.

Filha caçula de capixabas e irmã da, então jornalista, Danuza, Nara Leão nasceu no sábado do dia 19 de janeiro de 1942, também em Vitória. Com um ano, apenas, enraizou-se na zona sul carioca, durante a expansão de Copacabana. Aos 11 anos, conheceu, em tal praia, o seu futuro namorado e amigo de toda a vida, Roberto Menescal, a quem apresentou o jazz.

No apartamento dela, onde sempre havia madrugadas musicais, nasceu a Bossa Nova. Nara participava mais na condição de amadora, desde sempre, porém, ganhou o título inalienável de Musa do movimento. Num dos shows despretensiosos na faculdade, Silvinha Telles chamou Nara para o palco, onde ela cantou de costas para o público, devido a sua timidez.

Sua estréia profissional só ocorreu em 1963, já na segunda fase da Bossa Nova, quando, ao lado de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra, cantou Pobre Menina Rica.

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POBRE MENINA RICA

Eu acho que quem me vê, crê
Que eu sou feliz, feliz só porque
Tenho tudo quanto existe
Pra não ser infeliz

Pobre menina tão rica
Que triste você fica se vê
Um passarinho em liberdade
Indo e vindo à vontade, na tarde

Você tem mais do que eu
Passarinho, do que a menina
Que é tão rica e nada tem de seu

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Nara, ainda, buscou resgatar a música de morro, regravando sambistas como Cartola e Nelson do Cavaquinho, sendo a primeira cantora branca da zona sul a valorizar as raízes do samba.

Durante os anos 1960, já como cantora profissional, Nara adota posturas musicais diferentes, passando a cantar músicas de protesto, embalada com as atividades dos Centros Populares de Cultura da UNE (CPC). Lança, em 1964, seu primeiro disco, Opinião de Nara, cujo nome despertou em Oduvaldo Viana Filho a idéia de intitular um dos shows mais importantes da época de Opinião, que contou, ainda, com a participação de Zé Kéti e deu início à carreira de Maria Bethânia.

01 - Opinião
(Zé Kéti)

02 - Acender as velas
(Zé Kéti)

03 - Derradeira primavera
(Tom Jobim e Vinicius de Moraes)
04 - Berimbau – ritmo de capoeira
(João Melo e Clodoaldo Brito)
05 - Sina de caboclo
(João do Vale e J. B. de Aquino)
06 - Deixa
(Baden Powell e Vinicius de Moraes)
07 - Esse mundo é meu
(Sergio Ricardo)

08 - Labareda
(Baden Powell e Vinicius de Moraes)
09 - Em tempo de adeus
(Edu Lobo e Rui Guerra)

10 - Chegança
(Edu Lobo e Oduvaldo Viana Filho)
11 - Na roda da capoeira
(Folclore baiano)

12 - Malmequer
(Newton Teixeira e Cristóvão de Alencar)

Foi através desse disco que Nara passou a incorporar ao seu canto um clamor à resistência democrática no país. Assim, trocando farpas com o regime militar, ela quase foi enquadrada na Lei de Segurança Nacional, tendo escapado devido à mobilização de intelectuais, Carlos Drummond de Andrade escreveu, inclusive, um poema defendendo-a.

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“...Os militares podem entender de canhão e metralhadora, mas não pescam nada de política.” (Nara Leão)
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Posteriormente, em 1966, na época áurea dos festivais, Nara canta, ao lado de Chico Buarque, A Banda, música, por muitos, considerada o marco da mutação da Bossa Nova para a MPB, vencendo o II Festival de Música Popular Brasileira.VÍDEO

De personalidade crítica, Nara, ainda, foi uma das primeiras cantoras consagradas a aderir ao Tropicalismo, movimento musical que visava a quebra dos preconceitos na música brasileira, tendo participado do LP Tropicália ou Panis et Circenses, em 1968, cantando Lindonéia.

A partir do ano de 1968, com a instituição do AI-5, ainda no governo de Costa e Silva, a repressão aumentou, obrigando-a, já casada com o cineasta Cacá Diegues, a exilar-se na Itália e, depois, na França, onde nasceu sua filha Isabel.

Ao voltar para o Brasil, Nara, após o nascimento do seu filho Francisco, deixa a vida de cantora famosa para prestar vestibular, passando em um dos primeiros lugares no curso de psicologia, Não chegou a concluir a faculdade, pois não resiste e volta à música, gravando vários discos e fazendo shows pelo mundo, acompanhada do grande amigo Roberto Menescal.

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“
Ele [o violão] é como um namorado. Ajuda, aconchega.”
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Em decorrência de um tumor inoperável, no dia 7 de junho de 1989, há exatos 19 anos, na sua quase cidade natal, Rio de Janeiro, Nara Leão morreu prematuramente, aos 47 anos, deixando um grande legado para a música brasileira.



Bibliografia Consultada:

TÁVOLA, Artur de.; Nara Leão: O Canto da Resistência. Revista Contato (Brasília), v. 2, n. 6, p. 145-158, jan. 2000.

Nara Leão. Agenda do Samba e Chora. Disponível em: http://www.samba-choro.com.br/artistas/naraleao
Acesso em: 05 de junho de 2008.

Centro Popular Cultural da UNE. Enciclopédia ITAÚ Cultural. Disponível em: http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=cias_biografia&cd_verbete=459
Acesso em: 06 de junho de 2008.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

A LÉON WERTH

A LÉON WERTH
Peço perdão às crianças por dedicar este livro a uma pessoa grande. Tenho uma desculpa séria: essa pessoa grande é o melhor amigo que possuo no mundo. Tenho um outra desculpa: essa pessoa grande é capaz de compreender todas as coisas, até mesmo os livros de criança. Tenho ainda uma terceira: essa pessoa grande mora na França, e ela tem fome e frio. Ela precisa de consolo. Se todas essas desculpas não bastam, eu dedico então esse livro à criança que essa pessoa grande já foi. Todas as pessoas grandes foram um dia crianças. (Mas poucas se lembram disso.) Corrijo, portanto, a dedicatória:
A LÉON WERTH QUANDO ELE ERA PEQUENINO
Quem já leu O Pequeno Príncipe, certamente, impressionou-se com a belíssima dedicatória de Antoine de Saint-Exupéry a Léon Werth. Relendo o livro (na versão espanhola, El Principito), esses dias, para um trabalhoso trabalho de espanhol, novamente deparei-me com as palavras emocionantes de tal dedicatória. A leitura de cada frase parece dizer muito mais do que Exupéry explicitamente diz e propociona um choro tímido, por razões talvez não tão óbvias para outras pessoas. Assim, na curiosidade de descobrir quem foi Léon Werth, fui à busca e encontrei um texto bem legal sobre a relação que ele tinha com o grande Exupéry.

"Léon Werth, ensaísta e novelista francês encontrou-se com Saint-Exupery no ano de 1931. Tornaram-se amigos. Eram opostos. Werth era vinte e dois anos mais velho que o amigo, autor de vários livros, tendo sua escrita um estilo surrealista. Nada mais diferente e nada que impedisse essa amizade. Saint Exupery dedicou-lhe dois livros (Carta a um Refém, O príncipe pequeno) e consultou Werth em mais três. Enquanto escrevia "O pequeno príncipe", em New York, Saint-Exupery pensava nos amigos e suas privações por causa da guerra. Teria dito na ocasião que diante da impossibilidade de retirar os amigos da Europa em guerra, preferia juntar-se a eles e assim o fez.
O fim da segunda guerra mundial, Antoine de Saint Exupery não viveu para ver. Em 31 de Julho de 1944, o general Gavoille confia-lhe uma missão. É o seu último vôo. Desaparece sem deixar vestígios.
Leon Werth diria ao fim da guerra: a "paz, sem Tonio (Exupery) não é inteiramente a paz." Leon Werth não leu o livro pelo qual foi em parte responsável senão cinco meses após a morte do seu amigo, quando recebeu edição especial da obra."
Extraído, integralmente, de: Literatus

quarta-feira, 14 de maio de 2008

"As mulheres querem tê-lo, os homens querem ser ele"

Francis Albert Sinatra nasceu em Hoboken, New Jersey, em 12 de dezembro de 1915. E, faleceu em Los Angeles, 14 de maio de 1998. Possui duas estrelas na Calçada da Fama, uma por seu trabalho no cinema e outra por seu trabalho na TV americana.

Frank Sinatra, filho de um bombeiro de origem italiana, foi um dos mais populares artistas e músicos do mundo. Hoje, 14 de maio, faz 10 anos da sua morte. Uma das suas esposas foi aquela que ficou conhecida como o "mais belo animal do mundo" - Ava Gardner. Atuou em filmes como: (1953) - A um passo da eternidade (From here to eternity) onde ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, e também, o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante. E em (1960) trabalhou em - Onze homens e um segredo (Ocean's Eleven), dentre outros. Além das suas atuações, quem não se recorda no mínimo de uma das suas brilhantes interpretações como cantor?
Seja em, As Time Goes By, canção símbolo do filme Casablanca (1942):


Seja em, My Way, canção que se tornaria "marca registrada" da sua personalidade. Visto que "Blue Eyes" como era conhecido, tomava decisões que ninguém ousava questionar.


Outra canção também inesquecível é New York, New York. Música que recebe o nome do filme do premiadíssimo cineatra Martin Scorsese, e que continha no elenco nada mais, nada menos, que Liza Minnelli e Robert De Niro. E claro, a interpretação do brilhante Sinatra.


E por fim, vale lembrar, que nosso cantor homenageado, também conhecido como "The Voice", se encantou pela nossa Bossa Nova. E em 1967, juntamente, a outro gênio, Tom Jobim, canta o estilo "tupiniquim" admirado e ouvido mundo a fora. Irônia do destino, a Bossa Nova, é um estilo musical genuinamente brasileiro, que a população em geral desconhece. Nossa desigualdade é multi-facetada e se mostra de várias maneiras pela realidade social.


É óbvio que há outros grandes sucessos que levam a marca de Frank Sinatra - Strangers In The Night, I've Got You Under My Skin. No entanto, não estou procurando realizar uma biografia ou discografia, apenas uma homenagem para aquele que não pode, e nem deve, ser esquecido pelas futuras gerações. Tarefa difícil, porém, não impossível. Homenagem mais que válida, pois mesmo depois de 10 anos, ele ainda é um dos maiores intérpretes ouvidos da música pop clássica americana.
Obs.: o título do post foi proferido pela atriz estadunidense Shirley MacLaine.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

EM HOMENAGEM AOS 103 ANOS DO SPORT CLUBE RECIFE


HISTÓRIA - A origem do Sport é semelhante à de alguns clubes brasileiros. Um recifense, Guilherme de Aquino Fonseca, voltou de seus estudos na Inglaterra, onde conheceu o futebol. Encantado com o novo esporte, ele trouxe a modalidade para sua terra e, junto com outros 22 amigos, fundou o clube ao meio-dia do dia 13 de maio de 1905, no salão da Associação dos Empregados do Comércio do Recife, tendo como primeiro presidente Elysio Alberto Silveira.
O fato também pode ser interpretado como o início do esporte bretão em Pernambuco, já que não se tem notícia nem registro de manifestação do futebol anterior ao Sport - o Clube Náutico Capibaribe surgiu em 1901, mas como clube de remo. O primeiro jogo aconteceu quase um mês depois, no dia 22 de maio, no campo do Derby. Os rubro-negros enfrentaram o English Eleven, time formado por funcionários de companhias inglesas do Recife. Com muita raça, o time local arrancou empate por 2x2.
O time disputou amistosos até 1916, quando estreou no Campeonato Pernambucano - cuja primeira edição realizara-se no ano seguinte. E a primeira empreitada foi em grande estilo. Os rubro-negros conquistaram o primeiro de seus 37 estaduais, com uma goleada de 4x1 em cima do Santa Cruz, no dia 16 de dezembro. A dose seria repetida no ano seguinte, novamente diante dos tricolores, com vitória por 3x1.
Em 1919, o Sport realizou sua primeira excursão e que mudaria para sempre a imagem do clube. A delegação rubro-negra foi ao Pará para uma série de jogos. No último deles, contra um combinado Remo-Paysandu estava em disputa o troféu Leão do Norte.
Certos da vitória, os paraenses reagiram com fúria à derrota por 3x2. Depois de muita pancadaria, um torcedor local invadiu o navio em que a delegação retornava para o Recife e, com um cano de ferro atingiu o troféu, danificando a cauda do Leão.
A conquista heróica fez com que a diretoria alterasse o brasão do clube. Antes era uma âncora com um salva-vidas ladeado por um par de remos e, no centro do salva-vidas um pau de críquete, uma raquete de tênis e uma bola de futebol. Em cima, a data de fundação. Para completar, as cores não eram as do clube (vermelha e preta) e sim vermelha e amarela. Armando Vieira dos Santos insipirou-se nas armas escocesas para adotar o leão no novo escudo.
Coincidência ou não, a partir daí o Sport cresceu a passos largos, tendo conquistado seu primeiro tricampeonato em 23/24/25 e a aquisição do terreno de sua sede, no dia 29 de novembro de 1935. Foram pagos 53 contos de réis pela Chácara da Ilha do Retiro. Dois anos depois, o estádio da Ilha do Retiro, mais tarde oficialmente Adelmar da Costa Carvalho, foi inaugurado com uma partida eletrizante, em 4 julho. O Sport venceu o Santa Cruz, por 6x5, com o gol da vitória anotado por Haroldo Praça - pai do atual vice-presidente do Leão, Sílvio Guimarães.
Em 1941, o time da Ilha fez outra vitoriosa excursão, desta vez pelos estados Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Pela primeira vez um time do Norte/Nordeste empreendia tal feito. Em 16 jogos foram 11 vitórias, dois empates e quatro derrotas. Nada menos que seis atletas foram contratados por clubes cariocas, entre eles, Ademir de Menezes, que foi para o Vasco e depois tornou-se artilheiro da Copa de 1950, com nove gols, sendo, até hoje, o maior matador brasileiro numa única Copa do Mundo.
Em 1955, o clube chegou aos seus 50 anos com a conquista do Pernambucano, onde se destacavam o zagueiro Bia, o médio Eli e o atacante Traçaia, maior artilheiro rubro-negro, com 201 gols. Em 1957, nova excursão, desta vez para a Europa, onde o Leão conquistou vitória sobre a seleção de Israel, da Turquia e o Fenerbaçhe.

JEJUM - Mas como toda história gloriosa, a saga leonina também tem tristezas no meio. Após o bicampeonato (61/62), o clube entrou em seu maior hiato de conquistas. Foram amargos 12 anos em que os rubro-negros assistiram, impotentes a um hexacampeonato do Náutico (63/68) e um penta do Santa (69/73). O alívio veio em 1975, com uma vitória sobre o Náutico em pleno Eládio de Barros Carvalho.
A partir daí, o Leão oscilou bons e maus momentos em sua caminhada, mas o ponto alto deu-se em 1987 com a maior conquista da agremiação. Com um regulamento confuso que fez a competição terminar apenas no ano seguinte, o Sport sagrou-se campeão brasileiro depois de dois jogos com o Guarani e um sem-número de embates jurídicos - a questão foi bater até no Supremo Tribunal Federal, que homologou a conquista rubro-negra.
Depois do pentacampeonato, conquistado em 2000, o Leão entrou numa crise política, com dois grupos digladiando-se durante quase dois anos e suas conseqüências quase levando o clube à Terceira Divisão - chegou bem perto em 2004 e 2005, ano do centenário. A recuperação iniciou-se em 2006, com o retorno à Série A depois de cinco anos. Hoje, o Sport vive uma expansão de seu patrimônio caminhando lado a lado com bons resultados no futebol - atualmente é tricampeão estadual.
Fonte: http://jc.uol.com.br/tvjornal/2008/05/12/not_153170.php

Programação de Aniversário

06:00 - ALVORADA RUBRO-NEGRA - SPORT
15:00 - ENTREGA DA REVITALIZAÇÃO DAS ARQUIBANCADAS - PÁTIO EXTERNO DO ARCO
16:00 - ENTREGA DO MASTRO RUBRO-NEGRO - ENTRADA DO ARCO18:00 - DESCERRAMENTO DO BUSTO DA MULHER-MÃE, TORCEDORA SÍMBOLO DO SPORT
18:30 - MISSA EM AÇÃO DE GRAÇAS - NICHO NOSSA SENHORA DE FÁTIMA
19:45 - EXECUÇÃO DO HINO NACIONAL, DE PERNAMBUCO E DO SPORT - SALÃO SOCIAL
20:00 - SESSÃO SOLENE DO CONSELHO DELIBERATIVO- SALÃO SOCIAL
APÓS A SESSÃO SOLENE - FESTIVAL PIROTÉCNICO - PÁTIO EXTERNO DO CLUBE
APÓS A SESSÃO SOLENE - CORTE DO BOLO COMEMORATIVO - SALÃO SOCIAL

In: http://www.sportrecife.com.br/ver_destaque.php?id=660

Obs.: este texto não tem nada a ver com Gabriela. Palavras dela, “deixa, antes, bem claro que não se trata de provocação e que eu não tenho nada a ver com o conteúdo”.

domingo, 23 de março de 2008

Evasão

Faz um tempo que eu sumi, inclusive dessas bandas daqui, mas a pedidos, ou não, voltei. O motivo de tanto "descaso" com esse blog não é, necessariamente, proposital. Na verdade, ando numa fase meio "adaptativa", pessoas, assuntos, lugares, livros, tudo novo. Conheci, dia desses, Gabriela Mistral durante uma divertida aula de espanhol. Bem, ainda não li o suficiente para dizer que conheço tal poeta (poeta mesmo, porque poetisa não é nada poético, clichê à parte), mas já fui incubida da tarefa de fazer a sua biografia (bem sintética). A professora pediu, ainda, uma auto-biografia, a seguir, então, lerás sobre as duas Gabrielas. Creio que a coincidência restringe-se ao nome, qualquer semelhança é mera imaginação.

A MISTRAL
Nasció en 7 de abril de 1889, en el Chile y fue la primera mujer latinoamericana a ganar el Premio Nobel de Literatura (1945). Su verdadero nombre es Lucila de María del Perpetuo Socorro Dodoy Alcayaga, pero utiliza el seudónimo Gabriela Mistral, en homenaje a sus poetas favoritos, Gabriele D'Annunzio y Frédéric Mistral, desde que recebió su primer premio. En sus poesías los temas principales hacen referencia al abandono de su padre y la muerte de su amante.

A BEZERRA
Nasció en la guapa mañana de domingo, en 6 de noviembre de 1988, en Recife, ciudad brasileña. Su infancia fue muy graciosa, ella suelava jugar sólo todas las tardes de profesora o presentadora en lo patio trasero de la casa de su abuela. Con el tiempo, ella passó a gustar de leer periódicos por influencia del su abuelo, que suelava leer todos, ciedo por la mañana. Ahora, Gabriela es una estudiante de periodismo muy satisfecha con su elección.

Não postarei nenhuma poesia de Gabriela Mistral, cabe a cada um o interesse ou a falta dele.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Centenária.

A figura chave do feminismo sessentista nascia, em pleno inverno parisiense, há 100 anos, fruto da decadente aristocracia e da alta burguesia à beira da ruína. A paixão pelos livros foi incutida através do pai, que voltou de uma curta participação na guerra, em 1914, mais dedicado à família. A personalidade audaciosa e o hostil criticismo à sociedade, no entanto, só foram adquiridos mais tarde por influência de amizades. Na adolescência, devido ao desastre econômico da família, a jovem começa a sofrer fortes humilhações advindas de seu próprio pai, que a vê como uma mulher pobre e feia destinada ao fracasso matrimonial e, conseqüentemente, social. Então, sob o lema de "vencer depressa", a fim de livrar-se do conservadorismo da família, Simone de Beauvoir não hesita ao ingressar na Sorbonne estudos filosóficos. Posteriormente, na universidade, conhece Jean-Paul Sartre, com quem fará um curioso "pacto", que consistiu basicamente na supressão da monogamia em prol do maior conhecimento da alma humana. Formaram, assim, o casal mais célebre do século XX, embora morassem em casas separadas. No fim da década de 50, Beauvoir causa grande escândalo na sociedade com a publicação dos dois volumes do livro O Segundo Sexo, que quebra importantes tabus ao falar sobre o corpo da mulher e a sexualidade feminina. As vendas foram um grande sucesso, mas lhe renderam severos ataques, inclusive por parte dos amigos, além do livro ter sido posto na lista do Index pelo Vaticano. A posição favorável à libertação argelina a torna ainda mais vulnerável a observações de caráter ultrajante por parte da parcela social pró-colonização. Na sociedade vigente, Simone de Beauvoir ainda é lembrada como uma grande feminista da década de 60, sendo considerada responsável por uma verdadeira bíblia a favor das mulheres. Nenhuma outra escritora, dita feminista, fez tanto sucesso quanto ela, nem mesmo a inglesa Virginia Woolf. Duramente ofendida após publicação do livro A Mulher Desiludida, Simone deixa uma perspicaz mensagem à sociedade, afirmando que o "mal" não é o casamento, mas sim a mulher submissa: "É preciso que as mulheres trabalhem". Ela dizia que não se nasce mulher, torna-se mulher, explicando a questão da mulher por um viés cultural e não biológico. Há referências à escritora também na questão do aborto, que foi, graças ao Manifesto das 343, assinado por ela, legalizado em 1975, na França. Escreveu, ainda, um ensaio com temática bastante atual e diferente da costumeira, alertando o mundo para a questão dos idosos em A Velhice: "É preciso que todos os homens permaneçam seres humanos durante todo o tempo em que estiverem vivos". Devido à importância para a sua época e para gerações futuras, escrevi sobre a frágil garota, a determinada mulher e a ilustre velhinha, Simone de Beauvoir, que merece a nossa atenção, leitura e homenagem.