terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Dando um tempo

Estou dando um tempo deste blog.

Há quem diga que "quem dar tempo é relógio". Seguindo essa idéia, muitos acreditam que quando o companheiro profere o famoso "vamos dar um tempo" o relacionamento não tem volta. Para eles, essa singela frase é o mesmo que um valeu, foi bom, adeus (HAHA), com a diferença de ser em doses homeopáticas; quase que um aviso prévio para o "foi bom enquanto durou" que virá logo mais (ou menos!). Considerando que cada caso tem sua especificidade, não quero dizer que o meu "tempo" é um fim como costuma acontecer nos relacionamentos , mas também não estou disposta a garantir um retorno.

That's all folks!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Aquela italiana que faz vestidos*

"Quando o vento arranca o chapéu da sua cabeça e o faz voar cada vez mais longe, é preciso correr mais rápido que o vento para alcançá-lo. Eu sempre soube que para construir mais solidamente, às vezes somos obrigados a destruir, a fim de estabelecer uma nova elegância para as maneiras brutais da vida moderna."
Elsa Schiaparelli


Com tanto burburinho acerca de Gabrielle Bonheur Chanel devido aos cem anos da França no Brasil e, mais ainda, por causa do lançamento do filme Coco avant Chanel (Coco antes de Chanel) , este post soará implicante, pois discorre sobre Elsa Schiaparelli, grande rival da estilista francesa. Nunca é demais falar sobre Coco Chanel, ícone da moda do século XX e, sem dúvida, o mais conhecido nome do estilismo até os dias de hoje. Certamente, esses "títulos" foram a razão para o argumento do filme e a força motriz para sua bilheteria. Antes de ser a famosa estilista que ditou moda dos seus modelos ao próprio corte de cabelo , ela era apenas Gabrielle, uma costureira e cantora de cabaré que perdeu os pais enquanto ainda era criança. Coco avant Chanel conta, em detalhes, toda a vida pré-fama dessa madeimoselle, talvez por isso algumas pessoas não tenham saído satisfeitas do cinema. Quem achava que, por meio do filme, entenderia por que essa mulher influenciou fortemente a moda, de fato, não atingiu o objetivo. Mas, como disse o jornal The Washington Times, "Se você sai do cinema decepcionado porque o filme não mostra quase nenhum dos projetos brilhantes que tornou famosa sua personagem principal, não se pode dizer que não foi avisado, já que o título é, afinal, 'Coco Antes de Chanel'".

Não tão renomada quanto a rival, Elsa Schiaparelli não foi menos importante. Grande estilista italiana, ela foi responsável por uma verdadeira revolução estética, que fundiu arte e moda. Amiga de vanguardistas como Salvador Dali e Marcel Duchamp, Schiaparelli introduziu conceitos do surrealismo e do cubismo em suas peças, criando modelos, no mínimo, ousados e irreverentes. Diferentemente de Coco Chanel, que criava um vestuário mais contido e funcional, símbolo da mulher moderna, Schiaparelli investia em modelos exóticos. Criadas em parceria com Salvador Dali, suas peças tinham forte influência surrealista e causaram grande polêmica na Europa do entre guerras. A rivalidade e o intriga entre essas duas mulheres era, basicamente, fruto dessa discrepância de perspectiva da moda. Como não se escandalizar os modelos de Schiaparelli? Eu não consegui. Hoje cedo, em conversa com minha tia sobre história da moda, conheci a extravagância e genialidade dessa estilista. Soube, inclusive, que devemos a ela a cor rosa-choque ou rosa-shocking. Abaixo seguem algumas fotos que, de tão "surrealistas", fizeram-me escrever acerca dessa mulher.

Chapéu em formato de sapato.

Vestido com desenho de lagosta.


*Xingamento de Coco Chanel a Elsa Schiaparelli, que revidava referindo-se a Chanel como "a monótona e insignificante provinciana".

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Fui à China-na

"Espere o melhor, prepare-se para o pior e aceite o que vier."
Provérbio Chinês


*Créditos a Davi Barbosa, sempre paciente.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Xau, 2009

Cara, ainda bem que o ano está acabando Nesses vinte e um anos, não me recordo de ter vivido dias tão tristes. Logo nos primeiros meses, uma grande dor no meu coração; a pessoa que eu mais amei na vida disse que seu amor chegara ao fim. E, mesmo sem querer, precisei dizer adeus aos meus sonhos e seguir. Cada fluxo de memória doía imensamente. Desta forma, ainda que pareça extremamente piegas, eu só pedia para que fosse possível fazer o mesmo tratamento ao qual Clementine foi submetida. Posteriormente, quando achei que as lágrimas haviam cessado, o fel da decepção. Inerte, pensei, por dias, que não podia confiar em ninguém e, de novo, chorei. Metade do ano foi riscada do calendário. Assim, resolvi seguir em frente e disfarçar a tristeza; a mágoa havia passado, mas a dor não. Durante esses últimos meses, tentei provar para mim mesma que posso amar outras pessoas. Nada, contudo, brotou no meu coração. Para piorar, cruzei com pessoas frívolas que, seguramente, não valorizariam quaisquer dos meus sentimentos. Por isso e por vezes, embriaguei-me para fingir felicidade, mentindo para mim mesma sobre o significado da alegria. Risos e gargalhadas não faltavam, mas bastava uma noite de sono para que eu percebesse o quão volátil era tudo aquilo. No dia seguinte, qual não era a minha decepção ao me olhar no espelho e não me reconhecer? Papai Noel, dias melhores.

domingo, 29 de novembro de 2009

Sua drágea!

Hoje dormi fora de casa e - como na maioria das vezes que isso acontece - acordei com uma crise de rinite maior do que o normal. A questão é que, quando passo a madrugada exposta ao ventilador, acordo espirrando muito, ou como costumo dizer (ainda que sem qualquer lógica), espirrando feito um boi. Nessas horas, só há uma coisa a ser feita: tomar Claritin D. Não estou fazendo qualquer propaganda, mesmo porque desta vez o efeito está vindo a passos de tartaruga. Enfim, este post não foi escrito para contar as minhas lamúrias, então vamos ao que interessa. Conheço esse remédio há anos e, ao ler a palavra "drágeas" na caixa, sempre me perguntei "o que diabo é isso?" Hoje, finalmente, desvendei o mistério (!). Fui ao Google e escrevi a palavra no navegador de busca. Qual não foi a minha surpresa ao deparar-me com o seguinte link: Qual a diferença entre comprimidos, drágeas e pílulas? Assim, descobri que a drágea é, simplesmente, um comprimido revestido com açúcar, tal como Neosaldina e Benegripe. Pelo que li, a adição dessa camada serve, em geral, para evitar a desagregação do medicamento ou facilitar a sua ingestão.

Vivendo e aprendendo (e ensinando).

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Podia ter dormido sem essa, Gabriela!

Certo dia, numa conversa com um amigo, rolou (mais ou menos) o seguinte diálogo:

As mulheres são muito complicadas.
Eu não acho, inclusive não me considero complicada.
Vou ficar calado em nome do cavalheirismo.

Na hora ignorei, mas depois pensei um pouco e cheguei à conclusão de que devo ser medianamente complicada, ok? No mais, quem ouvia Mulher de fases até acha graça dessa adjetivação.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Cara, cadê as minhas férias?*

Esses dias estão incrivelmente cansativos e longos. Como todo fim de semestre na faculdade, há milhares de trabalhos para fazer e calendários torturantes para cumprir. Noites trocadas pelo dia e dias que não se recompõem, resultado: sono acumulado e todos os males que ele acarreta. Nessas condições tenho vivido as últimas semanas, com o desejo de que o ano termine o quanto antes. Devo dizer, contudo, que o agito deste fim de ano tem deixado-me bastante satisfeita (ainda que cansada). Os últimos trabalhos do semestre e as horas dedicadas a eles pareceram verdadeiramente úteis. Afinal, dificilmente eu pesquisaria tanto ainda mais até às cinco da manhã (!) sobre a SUDENE se não exigência de um dos trabalhos que fiz. Isso me deixou feliz, até porque, vergonhosamente, meu conhecimento sobre essa superintendência ERA deveras escasso. Assim, mesmo indo para a cama com o canto dos passarinhos e a claridade do sol, dormia com a certeza de que estava valendo a pena.


*Inspiração no livro de Michael Moore Cara, cadê o meu país?

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Profissão Repórter

Hoje, após enfrentar o sol quente do meio-dia e receber vários "não", consegui apurar informações suficientes para fazer metade da minha reportagem sobre o comércio ambulante na Avenida Conde da Boa Vista. Além de não ter o perfil de uma grande (né?) repórter, minha pauta exigia conversar com pessoas que vivem desconfiadas por conta do caráter ilegal da atividade o comércio ambulante é proibido em toda a extensão da avenida citada e o comerciante está sujeito à punição ou à apreensão do seu material. Assim, minha missão foi um tanto difícil, mas não impossível. Com o meu caderninho tímido de estudante de jornalismo, fui à avenida sem medo. Contando apenas com a companhia da minha caneta Bic, tentei entrevistar, em vão, vários vendedores. O primeiro que abordei, um vendedor de falsos perfumes da Boticário, disse que as mercadorias não pertenciam a ele e apontou para o suposto dono, que devolveu a responsabilidade dos produtos para o outro cara. Logo desisti de ficar de "moleque de recado" e fui em busca de outras pessoas. Assim, encontrei uma mulher, identificada somente como Mônica, que vendia óculos de sol. Ela dizia não saber muito coisa sobre sua atividade, pois o dono mesmo era o marido. Por outro lado, Duda (tudo o que sei sobre ele), o marido, disse, de pronto, que não responderia nada. Dessa forma, ficou impossível conseguir alguma informação. Resolvi , portanto, conversar com outra vendedora de óculos metros adiante. Miriam foi bastante simpática e, junto com o seu marido, contou-me bastante coisa. Foi possível, inclusive, pegar o depoimento de uma cliente dela, que, na pechincha, levou um óculos da "Kevin Klain" por dez reais (custava 13). Enquanto conversava com esse casal, avistei um vendedor de DVDs piratas que acabava de montar seu tabuleiro, então, assim que terminei a entrevista na barraca dos óculos, fui conversar com ele. Sem qualquer simpatia, disse que estava ocupado. Insisti assim mesmo e, em seguida, arrependi-me. Na minha primeira pergunta, o cara mandou um: "Você não bota DVD, você bota brinquedo. DVD é ilegal". Fiz mais algumas perguntas e fui embora, claro. Não adiantava explicar, ele não me incitava a mentir. Segui adiante, meio cabisbaixa por não ter conseguido grandes coisas, eis que ouço "40 'nego-bom' é um real" e resolvo parar. Ainda titubeei, é verdade, mas não demorei a abordar a dona do bordão. Ela disse que conversaria comigo, mas que antes iria beber água. Fiquei esperando e quase fui embora por não acreditar que ela voltaria. Sempre desconfio dessas histórias de "vou ali e já volto". Ela demorou um pouco, mas manteve a palavra e voltou cheia de vontade de falar. Conversamos durante bastante tempo, o que me rendeu boas informações. Entre uma pergunta e outra, ela não deixava de gritar "40 'nego-bom' é um real". Quase que eu compro, mesmo sem gostar do doce. Em seguida, caminhei até o Shopping Boa Vista para encontrar as demais integrantes do grupo de reportagens sobre A Avenida Conde da Boa Vista. Elas tinham chegado há pouco tempo, mas logo se movimentaram para entrevistar as pessoas. Éramos quatro garotas, cada uma com uma pauta diferente sobre a mesma avenida. Eu resolvi dar uma parada na minha apuração, estava cansada, nem tinha almoçado. Então, fiquei, basicamente, acompanhando elas e tirando algumas fotos para a minha reportagem. Resolvi parar, contudo, quando avistei uns hippies vendendo brincos e afins. Recordei-me de um dia, ano passado, em que sentei, com uma amiga, para conversar com eles naquele mesmo lugar. Eles haviam sido bastante simpáticos naquela ocasião. Hoje, no entanto, meu papo não conquistou a simpatia deles. Ao dizer que estava fazendo uma reportagem sobre pessoas que realizam comércio naquela avenida, levei um super fora: "Então vá falar com eles ali, nós somos artesãos!". Tentei explicar um pouco, mas não cativei, só me restou ir embora mesmo. Desisti de vez de entrevistar mais gente e fiquei só acompanhando as demais integrantes do grupo. No cruzamento da Rua Sete de Setembro, demos uma parada, porque uma das meninas estava colhendo o depoimento de um taxista acerca da obra do Corredor Leste-Oeste. Assim, o resto do grupo ficou na esquina esperando, inclusive eu. Estávamos conversando e, de repente, ouço um grito. Sem que ninguém visse qualquer coisa, um sujeito furtou o colar (de prata) de uma das companheiras que estavam do meu lado. Foi tudo muito rápido, quando fui olhar, o cara já estava há mais de cinco metros de distância e as pessoas ao redor também não tinham entendido o que havia ocorrido. Um momento de tensão tomou conta do grupo. A garota furtada chorava de raiva e de tristeza, pois o colar era um presente da avó, enquanto as demais estavam assustadas. Vale citar que isso foi em frente a um posto policial, algo que, sinceramente, não me surpreende, mas não deixa de ser "irônico". Depois desse fato, metade do grupo resolveu ir embora e a outra metade ficou na avenida. Eu resolvi permanecer para entrevistar mais gente e fazer companhia para a outra integrante que não tinha conseguido apurar muita coisa. No fim das contas, não entrevistei mais ninguém. Metros e metros de caminhada e entrevistas deixaram-nos com fome. Resolvemos dar as atividades por encerradas e ir almoçar, já eram mais de 15h. Fomos ao shopping e dividimos uma pizza grande. Durante o almoço, conversamos bastante sobre questões extra-trabalho. O papo estava tão interessante que, distraídas, esquecemos de pagar a conta e saimos da praça de alimentação. Tempos depois, quando já estávamos indo embora, lembrei-me desse "detalhe" e voltamos para o restaurante. Ao chegar no lugar, percebemos o clima tenso. Os funcionários estavam reunidos e o gerente parecia discutir com a garçonete. Apressamos o passo e esclarecemos tudo. A expressão de felicidade da garçonete ao nos ver foi tão incrível. Os demais funcionários olhavam-nos com expressão de surpresa, como se dissessem "nossa! elas voltaram". Então, finalmente, pagamos a conta e fomos embora. Enfim. Vou dormir porque amanhã terei que enfrentar o sol do meio-dia na Avenida Conde da Boa Vista de novo.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Numa relax, numa tranqüila, numa boa*

A barriga da minha mãe estava apertada demais para mim, então resolvi sair do seu útero para espreguiçar-me num ambiente maior. Assim, há exatos vinte e um anos, minha mãe ingressava no hospital para me pôr no mundo.

*Trecho da música Guiné Bissau, Moçambique e Angola, de Tim Maia.

sábado, 31 de outubro de 2009

Nenhum

Que mal há em admirar mais o coração do que o rosto das pessoas?

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Há controvérsias!

A edição (de aniversário) da revista Rolling Stones deste mês traz uma lista com as cem melhores músicas brasileiras. Surpreendi-me um pouco com o primeiríssimo lugar fisgado por Construção, de Chico Buarque e confesso que não esperava Anna Júlia (centésima posição), dos barbudos do Los Hermanos, na lista. Ao contrário do que se pode pensar com a notícia da minha surpresa, eu gosto bastante de Chico e, durante muito tempo, fui considerada uma "hermaníaca". Impressionei-me, contudo, por dois motivos: (1) não considero Construção a melhor música de Chico Buarque, tampouco a melhor do Brasil, e (2) dificilmente eu imaginaria em sã consciência que a canção que virou um tormento para a banda Los Hermanos figuraria numa lista assim. Contudo, não fiquei insatisfeita com o resultado. Zeca Camargo (sim, aquele do Fantástico), por outro lado, mostrou-se, em seu blog, bastante descontente com a relação proposta pela Rolling Stones. Para ele, as canções enumeradas na lista entram em completa incoerência com a linha editorial da revista, que segue uma postura mais "rock'n roll". Entendo a argumentação de Zeca, mas concordar com a lista dele é demais. Entre as trinta canções selecionadas, uma música de Kelly Key (!) na vigésima terceira posição: A loirinha, o playboy e o negão. A lista dele contempla algumas músicas realmente memoráveis Não quero dinheiro, Gita, Você não soube me amar, etc , mas também traz incoerência ou, até mesmo, loucura; afinal deixar qualquer canção de Marisa Monte, Chico Science e Caetanosó para citar alguns atrás de qualquer sucesso de Kelly Key soa como insanidade para mim. Julgamentos à parte, não tenho dúvidas de que qualquer lista ainda que seja realizada com a melhor das intenções comete injustiças e rende críticas. Talvez quem teve paciência de ler até aqui esteja esperando a MINHA lista; não a fiz, contudo, por um único motivo: preguiça de pensar nas centenas de milhares de músicas brasileiras boas para selecionar apenas algumas para um trabalhoso escalonamento. De qualquer forma, para não ficar a (falsa) impressão de que escrevi este post para falar mal de Zeca Camargo, devo encerrar dizendo que estou ouvindo, neste momento, uma canção que não deveria ficar de fora de nenhuma lista das melhores músicas brasileiras: Canto de Ossanha, de Baden Powell e Vinícius de Moraes.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

If I fell

Às vezes, este blog parece um confessionário, onde despejo meus sentimentos. Nessa tendência, devo confessar que, há algum tempo, tenho sentido certa preocupação com o que tenho carregado cá dentro. Volta e meia, tenho deparado-me comigo mesma rindo pelos cantos e sonhando acordada. E, não raro, tenho ouvido repetidas vezes algumas músicas de temática romântica e lembrado de alguém em todos os filmes aos quais assisti recentemente. Durante esses dias, andei relutando, sem querer acreditar no que pareço sentir. E ainda estou tentando me manter descrente acerca disso. Acho que esqueci como essas coisas desenvolvem-se e, de repente, parece que tudo está acontecendo pela primeira vez. É estranho, como se eu sentisse algo, mas não quisesse ou tivesse medo de sentir; por questões outras, do passado, ou por motivos do presente mesmo.

domingo, 25 de outubro de 2009

Caçulinha do papai

Levantei da mesa e chamei Bruno para passear comigo. Ele jogou-se nos meus braços, para que eu ajudasse-o a descer da cadeira. Assim, segurei firme a sua mão e disse "vamos?". Passo a passo percorremos todo o restaurante, observando cada detalhe do lugar e, volta e meia, rindo um para o outro. Pés gordinhos e dentes, que de tão pequenos, se escondem e só são perceptíveis nas grandes gargalhadas. Ele parecia meio bêbado, andava cambaleando, mas eu com zelo protegia-o do chão. Parávamos quando ele achava por bem paquerar um pouco as meninas do saguão, depois retomávamos a caminhada, atrapalhando os garçons e alegrando nosso pai pela nossa união. Já sabia que Bruno estava andando começou há alguns dias , mas ainda não tinha visto, nem tampouco passeado com ele, segurando a sua mãozinha. Tinha esquecido como tudo é especial e incrivelmente lindo quando se está ao lado de uma criança. No fim do dia, Bruno riu para mim o seu sorriso mais bonito, mostrando os seus dentinhos, que, de tão pequenos, são quase imperceptíveis.

sábado, 24 de outubro de 2009

O tom de Zé

Desconhecia a canção, mas certo dia há uns dois anos recebi um arquivo no MSN que continha um amigo cantarolando seus versos. Trata-se de , de Tom Zé, uma das músicas mais intrigantes na falta de um adjetivo melhor, vai esse mesmo que conheço e que me anima de forma impressionante. Recordo-me do quanto fiquei feliz ao ouvi-la em Fabricando Tom Zé. Por muito pouco não levanto da cadeira para ensaiar alguns passos. Enfim, para não confundir demais, escrevo sobre porque hoje cedinho me peguei balbuciando essa canção.

Um adendo: eu pego sotaque por osmose, por pouco não escrevo "DO Zé" e "DO Tom Zé".

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Cumpleaños feliz

Dei-me conta da proximidade do meu aniversário e fiquei um tanto ansiosa. Quem me conhece sabe que não gosto do dia em que fico mais velha; não pela idade, mas porque é uma data em que, de certa forma, exigem sua felicidade e bom-humor. Assim, sinto-me desconfortável com essa obrigatoriedade. No mais, que venha o "meu dia".


"And in the end, the love you take is equal to the love you make"

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Poker

Madalena levantou-se do sofá com a mente embaralhada, mas não relutou para fechar os olhos e cair de novo no leito. Perguntou-se bastante sobre coisas que não têm respostas e, quando o sono passou, sorriu fingindo entender tudo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O que eu queria falar,

Nunca concordei com Caymmi quando ele dizia "Quem não gosta de samba, bom sujeito não é", até porque ao contrário do que se pode pensar só comecei a ouvir samba em meados deste ano. Então, esses dias, atrevi-me a conversar com um metaleiro e foi verdadeiramente interessante. Sem medir palavras e disposta a ouvir (ler) de tudo um pouco de riff a power chord desfrutei do que eu mais gosto de fazer, conversar. E, inesperadamente, o que menos se falou foi sobre heavy metal, até sobre Novos Baianos falou-se mais. Entre os assuntos mais discutidos, a sétima arte incluindo o clássico O Poderoso Chefão e o novíssimo Bastardos Inglórios. É provável que isso seja inteligível para algumas pessoas, mas o clichê "inteligência é afrodisíaco" faz bastante sentido para mim; diálogo inteligente é algo que, de fato, desperta a minha atenção. Moral da história: diferentemente do cinema na vida, trilha sonora não é assim tão fundamental, basta saber pronunciar Beauvoir.

Mata ciliar

Brincando no Paint, pra variar.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Que tal um cineminha?

Mesmo com dezenas de páginas para ler, eu não tenho dispensado um cineminha à noite. Só esta semana que ainda está na metade , fui ao cinema duas vezes. Na última segunda-feira, assisti a A verdade nua e crua (The ugly truth) e ontem foi a vez do infantil Tá chovendo Hamburguer, (Cloudy with a Chance of Meatballs), ambos produções do cinema estadunidense. Além da coincidência no país de origem algo não muito improvável, tendo em vista a grande produção cinematográfica dos Estados Unidos , a temática dos filmes assemelha-se no tocante ao mote televisivo que ambos apresentam em seus roteiros.

Em A verdade nua e crua, a busca pela audiência leva a produtora Abby Richter (Katherine Heigl) a infringir seus princípios e aceitar as idéias malucas do apresentador Mike Alexander (Gerard Butler). Ele tem uma teoria bastante controversa acerca do mundo masculino, que, como sugere o poster do filme, está mais interessado em sexo e não liga para sentimentos. Mike é considerado, por Abby, um grande machista, mas com suas dicas "preciosas", ela conquista um verdadeiro gentleman e percebe que as teorias do apresentador fazem algum sentido.

O filme não surpreendentemente é repleto de clichês das "comédias românticas norte-americanas" e dos ensinamentos de livros de auto-ajuda, inclusive a impressão que se tem ao assisti-lo é de estar lendo algo como Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? E claro, o desfecho do longa-metragem não poderia ser mais óbvio. Com toda a carga de elementos negativos do filme, contudo, considero-o uma boa pedida para um fim de noite despretensioso, pois dispõe de certa graciosidade.

Acerca da proposta de Tá chovendo Hamburguer adaptação de livro infantil escrito pelos próprios roteiristas do filme, Judi Barret e Ron Barrett é possível tecer comentários mais positivos. Com produção da Sony Pictures, o filme estreou no último fim de semana e já lidera as bilheterias brasileiras, tendo, inclusive, superado o público de Up - altas aventuras, grande aposta dos estúdios Disney / Pixar para este ano.

Assinado por Phil Lord e Chris Miller, que também dirigiram Shrek Terceiro (Shrek the third), o longa conta a história do cientista bem intencionado Flint, capaz de fazer chover comida na sua cidade. Na tentativa de mudar a rotina dos moradores que, há anos, alimentam-se exclusivamente de sardinha, ele cria uma máquina para converter a água das nuvens em deliciosos lanches e guloseimas. A cidade inteira comemora a invenção de Flint, que passa a ser ícone do lugar e alvo dos interesses do ambicioso prefeito.

Com a mirabolante invenção, Flint fica a mercê dos desejos gastronômicos dos cidadãos, que exigem cada vez mais da máquina. A situação modifica o comportamento do clima e traz sérias conseqüências para a cidade. Tal fato atrai a cobertura da mídia, que no filme é representada pela (quase) jornalista Sam Sparks, estagiária de uma emissora de TV. Sam, à princípio vista como destrambelhada pelo âncora do telejornal, revela-se uma "nerd" que entende tudo sobre os fenômenos meteorológicos e a invenção de Flint; ou seja, alguém capaz de ajudá-lo na recuperação da normalidade do lugar. E, claro, ela é a mocinha da história por quem Flint vai nutrir certa paixão.

Mundo infantil à parte, uma visão atenta do filme revela um tom de crítica do roteiro à sociedade vigente que tendendo ao consumo exagerado e à exploração do Meio Ambiente sofre, hoje, com o aquecimento global e as suas conseqüências. Uma inteligente e bem sucedida metáfora da situação do mundo atual que soa como Uma verdade inconveniente destinado ao público infantil. Uma boa sugestão para o Dia das Crianças que se aproxima.