
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Jornalismo baseado em fatos reais

segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Profissão Repórter
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Novas páginas
Até o mês de junho, 377 casos de violência sexual contra menores foram registrados este ano pela Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA), que recebe todos os dias dezenas de menores — vítimas e acusados. Acompanhada pela mãe, Alice (nome fictício), adolescente de treze anos, foi uma das primeiras depoentes a chegar na GPCA na última quinta-feira. Vítima, ela foi à delegacia denunciar o namorado da avó, que, há quatro meses, a abusa sexualmente.
A mãe de Alice não desconfiava de nada até o dia em que atendeu uma ligação do padrasto no celular da filha e ouviu algo que a deixou apreensiva. A garota teve medo de contar o que estava acontecendo, mas falou o suficiente para que a mãe decidisse levá-la à delegacia para denunciar o agressor. “Eu não quis deixar isso impune não. Convenci ela a vir para a delegacia, que é o certo, independente de ser meu padrasto”, afirmou a mãe de Alice. “Eu estou agindo com ele como agiria com qualquer pessoa, não é porque ele é um conhecido que eu vou acobertar”, completou.
A história de Alice não é um caso isolado. O chefe da UNIAT da GPCA, José Rinaldo Carvalho, mostra dados estatísticos que apontam familiares e conhecidos como principais agressores, correspondendo a 82,5% de todos os crimes sexuais praticados contra menores de janeiro a junho deste ano. Por se tratar de um caso delicado, em que os depoentes são crianças e adolescentes e devido à proximidade da vítima com o agressor, as denúncias nem sempre chegam à delegacia e muitas vezes os crimes seguem impunes.
O colóquio é recente e seu resultado ainda não pode ser percebido; é possível notar, contudo, a consciência social de que o momento da denúncia não pode ser um novo constrangimento na vida da vítima. Nesse sentido, o projeto Depoimento Sem Danos (DSD) — implantado no Estado, em junho desde ano, pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco a partir de convênio com a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República — é um avanço. Idealizado pelo juiz José Antonio Daltoé Cezar, da 2ª Vara de Infância e Juventude de Porto Alegre, o DSD tem como principal objetivo promover a proteção psicológica do menor que sofreu violência sexual, impedindo o seu contato com o acusado e a repetição de interrogatórios. Assim, a vítima é ouvida uma única vez em uma sala reservada, evitando o enfrentamento com o acusado e a presença de advogado de defesa ou do próprio juiz.
De acordo com o delegado da GPCA, Reginaldo Gregório, as iniciativas do DSD estão restritas à esfera judiciária. Carolina Costa, lamenta essa situação, “O primeiro lugar que [o Depoimento Sem Danos] deveria ser implantado era a delegacia, que é onde a vítima vai no dia da agressão. Quando o caso vai para a justiça, já faz um ano que ocorreu”. Assim — na tentativa de suprir a não-implementação do DSD —, a GPCA dispõe de seis profissionais capacitados da UNIAT responsáveis por ouvir os depoimentos das crianças e adolescentes e repassá-los, por meio de relatórios, para o delegado responsável, sem que as vítimas precisem repetir o relato e recordar da agressão. A defasagem nesse processo é o fato de que desses seis profissionais da GPCA, apenas a metade possui formação em Psicologia.
A FAMÍLIA COLCHETE
Outra medida do projeto Depoimento Sem Danos para evitar constrangimento das vítimas é a utilização, nas delegacias responsáveis, da Família Colchete, bonecos de pano que dispõe de região genital. Elaborada por agentes do Centro de Referência Interprofissional na Atenção às Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência (Criar), a utilização da Família Colchete é recomendada durante o atendimento às crianças e adolescentes que sofreram abuso sexual. De acordo com os psicólogos da Criar, esse procedimento concede à vítima a liberdade de explicar a agressão por meio de gestos realizados com os bonecos. Carolina Costa, psicóloga da Unidade de Apoio Técnico (UNIAT) da Gerência Policial da Criança e do Adolescente (GPCA) afirma que mesmo dispondo da Família Colchete, não costuma utilizá-la durante os depoimentos. Ela prefere o uso dos próprios bonecos de pelúcia que enfeitam as salas. “Não se sabe o nível de contato que a criança sofreu durante a agressão e de repente os bonecos da Família Colchete podem assustá-la”, afirmou.
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Gerência Policial da Criança e do Adolescente (GPCA)
Rua Benfica,1008 — Madalena — Recife, PE — CEP 50.720-001
Telefone: 3184.3582
sábado, 4 de julho de 2009
Rondando
— Olá, Z. Aqui é Gabriela [...]. Gostaria de saber se houve alguma ocorrência na manhã de hoje [...].
— Oi, Gabriela. Eu não posso te informar nada, não estou mais na empresa.
— Ah, ok, então.
— Ligue para o número XXXX-XXXX, que vão poder te passar essa informação.
— Certo, Obrigada [...].
— [...]
Ou seja, o mailing estava desatualizado e essa pessoa não trabalha mais para a empresa Y.
No fim da tarde, buscando uma informação específica para escrever uma nota, liguei para a empresa Y novamente. Um senhor muito educado atendeu e disse que não podia responder o que eu estava perguntando. porque não estava por dentro do assunto e sugeriu que eu ligasse para Z. Então, expliquei a ele que Z havia me dito, mais cedo, que não estava mais na empresa. Ele ficou bastante surpreso.
— Nossa, mas eu falei com Z hoje. Será que ele foi demitido agora de manhã?
— Não sei [...].
— Poxa, vou ligar para ele e tentar descobrir alguém para te dar essa informação.
— Certo [...].
Depois este homem telefonou para mim e explicou que quando Z disse que havia deixado a empresa, referia-se ao horário de almoço, que tinha saído para almoçar, apenas. Logo, o mailing estava correto, a informação que estava imprecisa.
Moral da história: Houve falha na comunicação.
Em seguida liguei para Z, que me informou o que eu precisava e, no final, perguntou do equívoco. Eu expliquei o que entendi, pedi desculpa e tudo ficou esclarecido.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Ilumina-os
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Primeiras páginas
Burle Marx nasceu em 4 de agosto de 1909 em São Paulo. Filho de alemão e de pernambucana, o artista foi influenciado pelos dois lugares, importantes para a sua carreira paisagística. Ligado a Pernambuco pela mãe, Cecília Burle, ele morou, de 1934 a 1937, na cidade do Recife, onde projetou o seu primeiro jardim público, a Praça de Casa Forte. Com a missão de chefiar o setor de Parques e Jardins do governo do Estado, Burle Marx, aos 25 anos, foi o primeiro paisagista a vir à cidade, trazendo uma forma diferente de ver a paisagem, dissociada dos padrões europeus. O “poeta dos jardins”, como foi apelidado por Tarsila do Amaral, incorporou a vegetação brasileira às suas criações e foi um dos precursores da consciência ecológica, dando palestras sobre o tema ainda na década de 1970. “Ele dizia o tempo todo: o jardim tem que ter uma função ecológica”, completa Ana Rita.
Em sua primeira estadia na capital pernambucana, Burle Marx projetou a Praça de Casa Forte, a Praça Euclides da Cunha (em frente ao Clube Internacional), o Campo das Princesas, a Praça da República e a Praça do Derby. O regresso do paisagista ao Recife se daria em 1957, a convite do então prefeito Pelópidas Silveira. Nessa breve temporada na cidade, ele realizou o projeto de mais duas praças: A Salgado Filho (em frente ao Aeroporto Internacional dos Guararapes - Gilberto Freyre) e a Faria Neves (em frente ao Horto de Dois Irmãos). Outras obras foram projetadas por ele, mas não tiveram construção efetivada ou já foram modificadas, a exemplo da Praça do Arsenal da Marinha, no centro do Recife, cujo projeto realizado por Burle Marx foi alterado em 1970 pela prefeitura.
Como vários artistas, Burle Marx foi vítima da incompreensão de sua obra. Ainda quando projetava a Praça Euclides da Cunha — baseada nos estudos deste escritor sobre o sertão —, o paisagista foi alvo de críticas por alguns intelectuais como o jornalista Mário Melo. Os anos passaram, mas a praça, que tem como tema a caatinga, ainda não conquistou a simpatia de todos moradores das redondezas. A estudante universitária Amanda Mello é uma das pessoas que não aprova a estética diferenciada da praça. “Não é vantagem, numa cidade tão calorenta, fazer uma praça com cactos”, afirma a estudante, alegando que a escassa vegetação do lugar torna a praça quente e inviável para passeios. De acordo com ela, as praças públicas devem prezar pela arborização para tornar o ambiente agradável.
Além de obras paisagísticas, o artista realizou trabalhos em outras áreas, como pintura, tapeçaria e escultura. Burle Marx foi, nos fins da década de 1930, assistente do pintor Candido Portinari e, a partir de 1947, chegou a dar aulas à artista Lygia Clark. Algumas das obras plásticas de Burle Marx encontram-se no Recife e podem ser visitadas no Museu do Estado e no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, o MAMAM.
PRESERVAÇÃO
Com a iminência da data do centenário, a Câmara do Recife realizou, sob a coordenação do vereador Eduardo Marques (PTB), audiência pública no último 12 de maio. Objetivando discutir a atual situação das praças projetadas por Burle Marx e viabilizar a criação de um comitê pró-centenário, o presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara, Luciano Siqueira (PC do B), propôs o debate. Segundo ele, “Seria uma miopia não perceber a relação da obra de Burle Marx com o patrimônio cultural da cidade”.
Na ocasião, Luciano Siqueira falou sobre os compromissos da Câmara com a data de nascimento do paisagista. Entre as iniciativas, está o encaminhamento de um ofício ao governador Eduardo Campos (PSB) para viabilizar a nível estadual o processo de tombamento dos jardins de Burle Marx. Tal processo garantirá que as praças tombadas não sejam destruídas, demolidas ou modificadas. Dos sete jardins projetados pelo paisagista na cidade, nenhum é tombado. Ana Rita afirmou que o Laboratório da Paisagem (UFPE) já dispõe de inventário — estudo minucioso do que compõe os jardins —, necessário para a realização do tombamento, que já foi solicitado desde abril de 2008, a nível nacional e estadual, ao IPHAN e à Fundarpe, respectivamente. A diretora de Preservação Cultural da Fundarpe, Neide Fernandes, afirmou que a proposta entregue à fundação está em processo de análise, que pode demorar até dois anos, mas adiantou que “não há dúvidas” quanto à importância do tombamento.
O vereador falou ainda — em nome do prefeito João da Costa (PT) — que a prefeitura dispõe-se a financiar a impressão de cartilhas educativas sobre o paisagista, propostas pelo Laboratório da Paisagem (UFPE), para a população e a realizar uma semana pró-Burle Marx em comemoração ao centenário. A assessoria da prefeitura, contudo, afirmou na manhã de hoje (1º/06/2009) que a “Semana Burle Marx” ainda não tem programação definida, mas que provavelmente será parte da comemoração da “Semana do Meio Ambiente”, programada para esta semana.
Sobre os investimentos da prefeitura para a preservação das praças, o Secretário Municipal de Serviços Públicos, José Humberto Cavalcante, afirmou que 1,5 milhão de reais foram investidos, em 2008, nas praças de toda a cidade, sendo grande parte da verba destinada à Praça do Derby, por ocasião da obra do Corredor Leste-Oeste. A prefeitura do Recife divide a responsabilidade da manutenção das praças com empresas particulares através do Programa Adote o Verde, no qual as empresas se responsabilizam pela preservação do local em troca de espaço de divulgação publicitária.
Para Ana Rita, o Programa Adote o Verde não soluciona os problemas das praças. “Não resolve, em alguns casos funciona”, completou, citando a Praça de Casa Forte como exemplo da falta de cuidado. A coordenadora do Laboratório da Paisagem (UFPE) e membro do Comitê Internacional de Jardins Históricos e Paisagens Culturais (IFLA) afirmou que a praça apresenta árvores cortadas, lago mal conservado, além de calçada comprometida. O calçamento do lugar foi um dos motivos para Humberto Nicodemos, cirurgião-destista, parar de caminhar na praça. De acordo com ele, para desviar dos buracos, as pessoas são obrigadas a arriscarem-se pelo asfalto.
Adotante da praça de Casa Forte, o Sindicato de Empresas de Transporte (SETRANS) recebeu com estranhamento a informação de queixas sobre os cuidados com o local. Segundo Carina Albuquerque, coordenadora de Projetos Especiais, a SETRANS não recebeu nenhuma reclamação oficial a respeito da má conservação da praça. Ela falou ainda sobre o prêmio Adote o Verde que o sindicato recebeu da prefeitura por dois anos consecutivos (2007 e 2008) pela preservação, sugerindo que falta diálogo entre o governo municipal e as empresas adotantes. De acordo com as atribuições previstas no Programa Adote o Verde, cabe à prefeitura orientar as empresas e fiscalizar a manutenção das praças adotadas. Até o fechamento desta reportagem, a assessoria da prefeitura não se posicionou a respeito dessas ações. ■
terça-feira, 24 de março de 2009
Vibe Telejornalística
Estou numa vibe telejornalística e o estágio no Nosso Jornal (Assistam!), da TV Universitária, tem muita influência nisso. Quem me conhece há algum tempo, certamente, ouviu meus pré-conceitos a respeito do jornalismo de televisão; minha postura em relação a essa prática, contudo, tem mudado bastante nas últimas semanas. A oportunidade de estar numa redação telejornalística fez-me perceber certas sutilezas que ainda não haviam sido percebidas, inclusive por eu não ter estudado nada sobre televisão na faculdade até o presente momento. A riqueza dessa oportunidade a mim consentida é dupla, pois além de estar em contato com o jornalismo de televisão, estou tendo a (rica) experiência de entender como funciona uma TV pública. Se vou trabalhar com telejornalismo, ainda não sei, é muito (!) cedo para dizer, mas estou aproveitando este momento para aprender.quinta-feira, 12 de março de 2009
Só no sapatinho (parte 3)
Nesta quinta-feira, Muntazer al-Zaidi, o jornalista iraquiano que arremessou, sem sucesso, os próprios sapatos contra o então presidente George W. Bush, foi condenado a três anos (a condenação máxima prevê quinze anos) de prisão pelo juiz da Corte Criminal Central de Bagdá. Muntazer al-Zaidi, que estava preso na "zona verde", área protegida de Bagdá, desde o incidente, declarou, novamente, a sua inocência, alegando que sua reação foi "natural, como a de qualquer iraquiano".sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Só no sapatinho (parte 2)

A escultura representa - em bronze e com 3 metros de altura - o sapato utilizado pelo jornalista e faz parte do jardim de uma fundação iraquiana de apoio a crianças que tiveram seus pais mortos em decorrência da invasão norte-americana, em 2003. Shaha al-Juburi, fundador da organização, garante que a escultura não tem qualquer ligação com entidades políticas.
Sem a finalidade de encorajar atos semelhantes, vale ressaltar que, desde o dia em que atirou os sapatos no ex-presidente Bush, o jornalista está preso e seus parentes temem represália.
FOTO: JC (30/01/2009)
sábado, 10 de janeiro de 2009
Náutico X Cabense
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ESTRÉIA SEM REFORÇOS
A estréia do Timbu no Campeonato Pernambucano amanhã (11), contra o Cabense, não contará com o reforço Johnny, ex-Vasco. O equívoco na data de rescisão do contrato, por parte do Corinthians-AL — detentor dos direitos do jogador — adiou a sua liberação para o primeiro jogo. Por decisão da diretoria do Náutico, o jogador fica de fora da partida para evitar perdas de ponto. O gerente de futebol do clube, Vulpian Novaes, acredita na regularização até o jogo contra o Serrano, na próxima quarta-feira (14).
Entre os confirmados para a estréia, está o volante Eduardo Eré, que improvisará como lateral-direito, uma vez que nem Carlinhos Bala, nem Ângelo estão regularizados.
A novidade nos Aflitos é a volta de Roberto Fernandes ao gramado. O treinador, que foi penalizado pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), no jogo contra o Santos, ainda no Brasileirão, livrou-se dos 30 (trinta) dias de suspensão, substituídos por doações de cestas básicas.
O Cabense, adversário do jogo de amanhã, também não contará com o reforço Fabinho, que se recupera de lesão no joelho. Caso participe, só deve jogar no segundo tempo.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Só no sapatinho

Sentiu inveja do jornalista iraquiano (informe-se aqui)?
Neste link, você mesmo pode arremeçar sapatos em Bush. Divirtam-se!
*Créditos a Diogo Madruga, que me passou o link.
sábado, 1 de novembro de 2008
Conhecimento Jornalístico e a obrigatoriedade do diploma
Antes das Revoluções Burguesa e Industrial, o conhecimento que se tinha do mundo era bastante genérico e universal, baseado na realidade imediata, exemplificada por Eduardo Meditsch1 pela preocupação com a própria casa e com os vizinhos. O Jornalismo surge no contexto do desenvolvimento industrial e do capitalismo, sendo, inclusive, atribuído como conseqüência do modo de produção capitalista, em que as relações passaram a ter caráter universal e dinâmico, permitindo o conhecimento da humanidade a nível internacional.
Assim, diferentemente do que ocorria na Idade Média, o mundo não mais é baseado em relações singulares, como as com o vizinho. A partir da Revolução Industrial, as relações no mundo passam a exigir um caráter universal, em que todos podem, efetivamente, relacionar-se com todos. É diante de tal necessidade que o Jornalismo surge como forma de conhecimento capaz de possibilitar a interação do indivíduo com o mundo. Para Adelmo2, “o Jornalismo é uma forma de conhecimento baseado no singular, surgido a partir da Revolução Burguesa e que atingiu a maturidade com a industrialização.”
Sylvia Moretzsohn3, em Pensando Contra os Fatos, traz a importante lembrança de que, mesmo sendo considerado um pilar da democracia pela Constituição americana, o Jornalismo era, naquela época, alvo de contestações por parte da elite intelectual, por considerarem-no superficial e efêmero, rejeição que perduraria até o século XIX.
Sobre o Jornalismo como produção de conhecimento, Adelmo Genro Filho refuta as orientações funcionalistas de conhecimento de — atrelado ao uso familiar e ao hábito, sem corresponder à produção sistematizada — e conhecimento acerca de — produto formal e criterioso de conhecimento, formulado teoricamente —, baseadas na filosofia de William James4 e proferidas por Robert E. Park5, por considerá-las reducionistas.
Discordando das diversas concepções teóricas existentes sobre o Jornalismo — desde as que consideram-no puramente comunicacional às que o vêem como meio de integração dos indivíduos à sociedade —, Adelmo propõe, através da filosofia hegeliana, a construção de um novo conceito de Jornalismo, distante do modo de pensamento positivista e próximo do marxismo, elucidando uma teoria marxista de Jornalismo.
Diferentemente do senso comum, o Jornalismo não deve ser considerado tão-somente uma atividade prática; pois, embasa-se teoricamente em estudos antigos que discutem o seu papel enquanto forma de conhecimento. E é através de um ensino superior alçado nesse propósito que o Jornalismo deixará, então, de ser visto como uma necessidade técnica e passará a ser reconhecido como teoria, partindo de conhecimento coeso e não de “achismos” redacionais.
Além proporcionar condição mais coerente de trabalho para os profissionais da área, pautando-se em um reconhecimento digno de qualquer ciência, o Jornalismo necessariamente vinculado ao ensino superior garante à sociedade uma prática jornalística mais responsável, que partirá da cotidianidade, será fundamentada na academia e retornará enriquecida à cotidianidade, desenvolvendo, assim, importância de ciência.
Notas:
[1] Professor-doutor em Ciências da Comunicação que tem se dedicado a estudos sobre a teoria do conhecimento em Jornalismo, autor de O Conhecimento do Jornalismo.
[2] Adelmo Genro Filho foi professor e mestre da UFSC, responsável por trabalho de referência na teoria do Jornalismo, posteriormente publicado na forma de livro, sob o título O Segredo da Pirâmide - Para uma teoria marxista do jornalismo.
[3] Especialista em modernas tendências da mídia e professora da UFF
[4] Psicólogo e filósofo norte-americano.
[5] Sociólogo norte-americano e um dos fundadores da Escola de Chicago que exerceu durante muito tempo a atividade jornalística.
Referências Bibliográficas:
GENRO FILHO, Adelmo. O Segredo da Pirâmide: por uma teoria marxista do jornalismo. Porto Alegre: Tchè, 1987. p. 54-68.
MEDITSCHI. Eduardo. O Conhecimento do Jornalismo. Florianópolis: Editora da UFSC, 1992. p. 23-34.
MORETZSHOHN, Sylvia. Pensando Contra os Fatos. Rio de Janeiro: Revan, 2007. p. 52-53; 122-130.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
A notícia
O professor de Introdução ao Jornalismo incumbiu os alunos da seguinte tarefa: visitar uma conferência de comunicação (a IV Conferência de Mídia Cidadã) e escrever uma notícia com cerca de 30 linhas sobre o evento.
A princípio, achei bobinha a atividade, mas depois que tive que elencar as informações mais importantes, buscar maiores explicações e estruturar tudo em 30 linhas, senti o peso do jornalismo nas costas. Eis que o pior ainda estava por vir: escolher a manchete. Abaixo segue trecho de uma conversa sobre a dificuldade que senti (Torçam por mim!):
Dio. diz:
Lembre-se: o título faz a notícia.
Dio. diz:
Se o título não for bom, a notícia é péssima, pois não será lida.
gabriela diz:
caramba, como é difícil fazer isso, po.
gabriela diz:
depois que você começa a estudar, você vê que é mais sério do que você pensava.
Se um dia eu criar coragem, posto minha primeira notícia neste blog.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Filosofia jornalística ou do jornalista?
acho que me falta o espírito jornalístico
g a b i diz:
da ganância
g a b i diz:
ajdhjkdhajkdhsjd
Dio. "O quanto eu gosto de vocêêê" diz:
Nada disso. Fale mal dele não. Espírito jornalístico é colaborativo.
g a b i diz:
ajshdajsdhjaskdhska
g a b i diz:
não creio
Dio. "O quanto eu gosto de vocêêê" diz:
Espírito de jornalista é uma coisa. Espírito jornalístico é outra.
g a b i diz:
hummm
Dio. "O quanto eu gosto de vocêêê" diz:
:)
g a b i diz:
falo do de jornalista, então
g a b i diz:
:P
g a b i diz:
não tenho esse espírito
Dio. "O quanto eu gosto de vocêêê" diz:
Pronto. Assim tá melhor.
g a b i diz:
:P
Dio. "O quanto eu gosto de vocêêê" diz:
O que é bom.
Dio. "O quanto eu gosto de vocêêê" diz:
Ou seja, não falta. O problema é que sobra no resto.
g a b i diz:
hehe
g a b i diz:
deve ser
sábado, 9 de agosto de 2008
Vamos discutir imparcialidade!
Lendo, com Diogo, texto para a cadeira de Cultura Brasileira 2: Arte e Comunicação como Prática de Resistência deparamos-nos com o seguinte excerto, com o qual concordamos bastante:
Nesse nível, qualquer mensagem, discurso ou texto se acha trabalhado pelo ideológico e é suscetível, portanto, de uma leitura ideológica, tanto o discurso político como a revista de modas ou o jornal da TV. O ideológico deixa de ser um adjetivo atribuível a certo tipo de discursos (sic), para ser definido como um nível de organização do semântico, um “nível de significação” presente em qualquer tipo de discurso. [MARTÍN-BARBERO, Jesús]
REFERÊNCIA:
MARTÍN-BARBERO, Jesús. Ofício de cartógrafo: Travessias latino-americanas da comunicação na cultura. 1. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2004. p. 56.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Cadê a apuração?
Quem ler o mesmo jornal, perceberá gafe semelhante no caderno cultural do JC, quando se refere à Miss Universo eleita no último domingo, a venezuelana Dayana Mendoza, e publica foto da vice, a colombiana Taliana Vargas.
*Novamente, créditos a Ana Gabriela López, pela disposição em ajudar.