Mostrando postagens com marcador Jornalismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jornalismo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Jornalismo baseado em fatos reais

Nada é mais brochante para jornalistas do que cobrir um fato que simplesmente não existe, a popular “pauta que não rende”. Para quem (tem sorte e) não é do mundo jornalístico, talvez, essa frase não esteja perfeitamente clara. Explicando, de uma forma bastante sintética, tais missões inglórias ocorrem em duas situações: (1) quando a matéria é “indicada” pelo dono do jornal ou (2) quando se trabalha numa assessoria de comunicação. No primeiro caso, a desventura é algo mais eventual; já no segundo, parece rotina. Na faculdade ­­– ainda nas cadeiras introdutórias –, os professores ensinam os famosos “Critérios de Noticiabilidade”, que integram a parca bagagem adquirida nos quatro (e torturantes) anos do curso de Jornalismo. Com o tempo, se o foca for esperto, perceberá que teoria e prática são coisas distintas. Fora das CNTP, a questão ideológica e financeira costuma falar alto demais. Nas assessorias, por exemplo, só há um critério: o que é bom para o cliente (!). Na caça dessas pautas, os assessores assumem desafios dantescos. Cabe a eles transformar entrevistas sem conteúdo e coletivas infrutíferas em textos com apenas uma função: agradar e promover a clientela. Tudo baseado no real, mas com pouca verossimilhança. Sem contar as cenas incrivelmente bizarras que presenciam e os “detalhes” que lhes aconselham a omitir. Um dia se irritam e batem a porta.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Profissão Repórter

Hoje, após enfrentar o sol quente do meio-dia e receber vários "não", consegui apurar informações suficientes para fazer metade da minha reportagem sobre o comércio ambulante na Avenida Conde da Boa Vista. Além de não ter o perfil de uma grande (né?) repórter, minha pauta exigia conversar com pessoas que vivem desconfiadas por conta do caráter ilegal da atividade o comércio ambulante é proibido em toda a extensão da avenida citada e o comerciante está sujeito à punição ou à apreensão do seu material. Assim, minha missão foi um tanto difícil, mas não impossível. Com o meu caderninho tímido de estudante de jornalismo, fui à avenida sem medo. Contando apenas com a companhia da minha caneta Bic, tentei entrevistar, em vão, vários vendedores. O primeiro que abordei, um vendedor de falsos perfumes da Boticário, disse que as mercadorias não pertenciam a ele e apontou para o suposto dono, que devolveu a responsabilidade dos produtos para o outro cara. Logo desisti de ficar de "moleque de recado" e fui em busca de outras pessoas. Assim, encontrei uma mulher, identificada somente como Mônica, que vendia óculos de sol. Ela dizia não saber muito coisa sobre sua atividade, pois o dono mesmo era o marido. Por outro lado, Duda (tudo o que sei sobre ele), o marido, disse, de pronto, que não responderia nada. Dessa forma, ficou impossível conseguir alguma informação. Resolvi , portanto, conversar com outra vendedora de óculos metros adiante. Miriam foi bastante simpática e, junto com o seu marido, contou-me bastante coisa. Foi possível, inclusive, pegar o depoimento de uma cliente dela, que, na pechincha, levou um óculos da "Kevin Klain" por dez reais (custava 13). Enquanto conversava com esse casal, avistei um vendedor de DVDs piratas que acabava de montar seu tabuleiro, então, assim que terminei a entrevista na barraca dos óculos, fui conversar com ele. Sem qualquer simpatia, disse que estava ocupado. Insisti assim mesmo e, em seguida, arrependi-me. Na minha primeira pergunta, o cara mandou um: "Você não bota DVD, você bota brinquedo. DVD é ilegal". Fiz mais algumas perguntas e fui embora, claro. Não adiantava explicar, ele não me incitava a mentir. Segui adiante, meio cabisbaixa por não ter conseguido grandes coisas, eis que ouço "40 'nego-bom' é um real" e resolvo parar. Ainda titubeei, é verdade, mas não demorei a abordar a dona do bordão. Ela disse que conversaria comigo, mas que antes iria beber água. Fiquei esperando e quase fui embora por não acreditar que ela voltaria. Sempre desconfio dessas histórias de "vou ali e já volto". Ela demorou um pouco, mas manteve a palavra e voltou cheia de vontade de falar. Conversamos durante bastante tempo, o que me rendeu boas informações. Entre uma pergunta e outra, ela não deixava de gritar "40 'nego-bom' é um real". Quase que eu compro, mesmo sem gostar do doce. Em seguida, caminhei até o Shopping Boa Vista para encontrar as demais integrantes do grupo de reportagens sobre A Avenida Conde da Boa Vista. Elas tinham chegado há pouco tempo, mas logo se movimentaram para entrevistar as pessoas. Éramos quatro garotas, cada uma com uma pauta diferente sobre a mesma avenida. Eu resolvi dar uma parada na minha apuração, estava cansada, nem tinha almoçado. Então, fiquei, basicamente, acompanhando elas e tirando algumas fotos para a minha reportagem. Resolvi parar, contudo, quando avistei uns hippies vendendo brincos e afins. Recordei-me de um dia, ano passado, em que sentei, com uma amiga, para conversar com eles naquele mesmo lugar. Eles haviam sido bastante simpáticos naquela ocasião. Hoje, no entanto, meu papo não conquistou a simpatia deles. Ao dizer que estava fazendo uma reportagem sobre pessoas que realizam comércio naquela avenida, levei um super fora: "Então vá falar com eles ali, nós somos artesãos!". Tentei explicar um pouco, mas não cativei, só me restou ir embora mesmo. Desisti de vez de entrevistar mais gente e fiquei só acompanhando as demais integrantes do grupo. No cruzamento da Rua Sete de Setembro, demos uma parada, porque uma das meninas estava colhendo o depoimento de um taxista acerca da obra do Corredor Leste-Oeste. Assim, o resto do grupo ficou na esquina esperando, inclusive eu. Estávamos conversando e, de repente, ouço um grito. Sem que ninguém visse qualquer coisa, um sujeito furtou o colar (de prata) de uma das companheiras que estavam do meu lado. Foi tudo muito rápido, quando fui olhar, o cara já estava há mais de cinco metros de distância e as pessoas ao redor também não tinham entendido o que havia ocorrido. Um momento de tensão tomou conta do grupo. A garota furtada chorava de raiva e de tristeza, pois o colar era um presente da avó, enquanto as demais estavam assustadas. Vale citar que isso foi em frente a um posto policial, algo que, sinceramente, não me surpreende, mas não deixa de ser "irônico". Depois desse fato, metade do grupo resolveu ir embora e a outra metade ficou na avenida. Eu resolvi permanecer para entrevistar mais gente e fazer companhia para a outra integrante que não tinha conseguido apurar muita coisa. No fim das contas, não entrevistei mais ninguém. Metros e metros de caminhada e entrevistas deixaram-nos com fome. Resolvemos dar as atividades por encerradas e ir almoçar, já eram mais de 15h. Fomos ao shopping e dividimos uma pizza grande. Durante o almoço, conversamos bastante sobre questões extra-trabalho. O papo estava tão interessante que, distraídas, esquecemos de pagar a conta e saimos da praça de alimentação. Tempos depois, quando já estávamos indo embora, lembrei-me desse "detalhe" e voltamos para o restaurante. Ao chegar no lugar, percebemos o clima tenso. Os funcionários estavam reunidos e o gerente parecia discutir com a garçonete. Apressamos o passo e esclarecemos tudo. A expressão de felicidade da garçonete ao nos ver foi tão incrível. Os demais funcionários olhavam-nos com expressão de surpresa, como se dissessem "nossa! elas voltaram". Então, finalmente, pagamos a conta e fomos embora. Enfim. Vou dormir porque amanhã terei que enfrentar o sol do meio-dia na Avenida Conde da Boa Vista de novo.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Novas páginas

O PERIGO DA REVITIMIZAÇÃO NOS DEPOIMENTOS DE MENORES

Até o mês de junho, 377 casos de violência sexual contra menores foram registrados este ano pela Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA), que recebe todos os dias dezenas de menores — vítimas e acusados. Acompanhada pela mãe, Alice (nome fictício), adolescente de treze anos, foi uma das primeiras depoentes a chegar na GPCA na última quinta-feira. Vítima, ela foi à delegacia denunciar o namorado da avó, que, há quatro meses, a abusa sexualmente.
Alice não contou a ninguém sobre as agressões sofridas. Segundo a psicóloga da Unidade de Apoio Técnico (UNIAT) da GPCA, Carolina Costa, é uma atitude normal na idade dela, pois crianças e adolescentes costumam manter a violência em segredo por três motivos: não têm noção da gravidade do que estão sofrendo; sentem-se culpadas e não vítimas da violência; têm medo contar a agressão e serem consideradas mentirosas. “A opinião da criança, em geral, é desvalorizada na sociedade, principalmente nas camadas sociais mais pobres”, explicou Carolina.

A mãe de Alice não desconfiava de nada até o dia em que atendeu uma ligação do padrasto no celular da filha e ouviu algo que a deixou apreensiva. A garota teve medo de contar o que estava acontecendo, mas falou o suficiente para que a mãe decidisse levá-la à delegacia para denunciar o agressor. “Eu não quis deixar isso impune não. Convenci ela a vir para a delegacia, que é o certo, independente de ser meu padrasto”, afirmou a mãe de Alice. “Eu estou agindo com ele como agiria com qualquer pessoa, não é porque ele é um conhecido que eu vou acobertar”, completou.

A história de Alice não é um caso isolado. O chefe da UNIAT da GPCA, José Rinaldo Carvalho, mostra dados estatísticos que apontam familiares e conhecidos como principais agressores, correspondendo a 82,5% de todos os crimes sexuais praticados contra menores de janeiro a junho deste ano. Por se tratar de um caso delicado, em que os depoentes são crianças e adolescentes e devido à proximidade da vítima com o agressor, as denúncias nem sempre chegam à delegacia e muitas vezes os crimes seguem impunes.Para refletir acerca de possibilidades de depoimento de crianças e adolescentes que evitem o risco de um novo constrangimento por parte das vítimas, um debate foi realizado em Brasília, no último mês de agosto. Numa parceria com a organização Childhood Brasil, a Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) promoveu o 1º Simpósio Internacional Culturas e Práticas Não-Revitimizantes de Tomada de Depoimento Especial de Crianças e Adolescentes em Processos Judiciais. Especialistas do mundo todo participaram do evento.

O colóquio é recente e seu resultado ainda não pode ser percebido; é possível notar, contudo, a consciência social de que o momento da denúncia não pode ser um novo constrangimento na vida da vítima. Nesse sentido, o projeto Depoimento Sem Danos (DSD) — implantado no Estado, em junho desde ano, pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco a partir de convênio com a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República — é um avanço. Idealizado pelo juiz José Antonio Daltoé Cezar, da 2ª Vara de Infância e Juventude de Porto Alegre, o DSD tem como principal objetivo promover a proteção psicológica do menor que sofreu violência sexual, impedindo o seu contato com o acusado e a repetição de interrogatórios. Assim, a vítima é ouvida uma única vez em uma sala reservada, evitando o enfrentamento com o acusado e a presença de advogado de defesa ou do próprio juiz.

De acordo com o delegado da GPCA, Reginaldo Gregório, as iniciativas do DSD estão restritas à esfera judiciária. Carolina Costa, lamenta essa situação, “O primeiro lugar que [o Depoimento Sem Danos] deveria ser implantado era a delegacia, que é onde a vítima vai no dia da agressão. Quando o caso vai para a justiça, já faz um ano que ocorreu”. Assim — na tentativa de suprir a não-implementação do DSD —, a GPCA dispõe de seis profissionais capacitados da UNIAT responsáveis por ouvir os depoimentos das crianças e adolescentes e repassá-los, por meio de relatórios, para o delegado responsável, sem que as vítimas precisem repetir o relato e recordar da agressão. A defasagem nesse processo é o fato de que desses seis profissionais da GPCA, apenas a metade possui formação em Psicologia.

A FAMÍLIA COLCHETE
Outra medida do projeto Depoimento Sem Danos para evitar constrangimento das vítimas é a utilização, nas delegacias responsáveis, da Família Colchete, bonecos de pano que dispõe de região genital. Elaborada por agentes do Centro de Referência Interprofissional na Atenção às Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência (Criar), a utilização da Família Colchete é recomendada durante o atendimento às crianças e adolescentes que sofreram abuso sexual. De acordo com os psicólogos da Criar, esse procedimento concede à vítima a liberdade de explicar a agressão por meio de gestos realizados com os bonecos. Carolina Costa, psicóloga da Unidade de Apoio Técnico (UNIAT) da Gerência Policial da Criança e do Adolescente (GPCA) afirma que mesmo dispondo da Família Colchete, não costuma utilizá-la durante os depoimentos. Ela prefere o uso dos próprios bonecos de pelúcia que enfeitam as salas. “Não se sabe o nível de contato que a criança sofreu durante a agressão e de repente os bonecos da Família Colchete podem assustá-la”, afirmou.
------------------------------------------------------------------------------
Gerência Policial da Criança e do Adolescente (GPCA)
Rua Benfica,1008 — Madalena — Recife, PE — CEP 50.720-001
Telefone: 3184.3582

sábado, 4 de julho de 2009

Rondando

Esta semana fiz minha primeira "ronda jornalística". Lá estou eu, discando os números telefônicos e torcendo para alguém atender do outro lado de linha. Isso porque é comum não atenderem; muitas vezes estão em horário de almoço ou a linha está ocupada. Bem, liguei para um celular — às vezes é melhor recorrer direto ao assessor responsável — e dei início ao diálogo:

— Olá, Z. Aqui é Gabriela [...]. Gostaria de saber se houve alguma ocorrência na manhã de hoje [...].
— Oi, Gabriela. Eu não posso te informar nada, não estou mais na empresa.
— Ah, ok, então.
— Ligue para o número XXXX-XXXX, que vão poder te passar essa informação.
— Certo, Obrigada [...].
— [...]

Ou seja, o mailing estava desatualizado e essa pessoa não trabalha mais para a empresa Y.

No fim da tarde, buscando uma informação específica para escrever uma nota, liguei para a empresa Y novamente. Um senhor muito educado atendeu e disse que não podia responder o que eu estava perguntando. porque não estava por dentro do assunto e sugeriu que eu ligasse para Z. Então, expliquei a ele que Z havia me dito, mais cedo, que não estava mais na empresa. Ele ficou bastante surpreso.

— Nossa, mas eu falei com Z hoje. Será que ele foi demitido agora de manhã?
— Não sei [...].
— Poxa, vou ligar para ele e tentar descobrir alguém para te dar essa informação.
— Certo [...].

Depois este homem telefonou para mim e explicou que quando Z disse que havia deixado a empresa, referia-se ao horário de almoço, que tinha saído para almoçar, apenas. Logo, o mailing estava correto, a informação que estava imprecisa.

Moral da história: Houve falha na comunicação.

Em seguida liguei para Z, que me informou o que eu precisava e, no final, perguntou do equívoco. Eu expliquei o que entendi, pedi desculpa e tudo ficou esclarecido.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Ilumina-os

Comecinho de noite, a luz apaga-se e todos ficam no escuro. Sempre se encontram na labuta, sem tempo para delongas, e naquele dia, naquela noite escura, trancados numa sala, a ausência de luz obrigou-lhes a conversar. Por vezes tímidos, por vezes ocupados, só falavam tão-somente o estritamente necessário para uma convivência razoável. Então, cessar o silêncio noturno daquela segunda-feira escura, debandou tempo. Minutos que se estenderam por horas, sem ninguém balbuciar uma única palavra. Naquele momento, percebeu-se a falta de qualquer intimidade entre aquelas pessoas que se encontram todo dia no mesmo lugar, no mesmo horário. A rotina atribulada não foi capaz de forçar a troca de segredos, nem mesmo o diálogo sobre coisas triviais do cotidiano. Em meio a todo o estresse do turbilhão de informações diárias, falar sobre uma dor de cabeça, o fim de um relacionamento, uma doença na família, era quase impossível. O tempo passava, a luz não vinha, aquela sala ficava cada vez mais apertada. Cada passo do ponteiro do relógio obrigava aquelas pessoas, que mal se olhavam, conversar, ainda que sem se verem. As expressões do rosto de cada um ficavam escondidas na penumbra dos feixes de luzes dos celulares. Volta e meia alguém tomava para si a responsabilidade de forçar um diálogo que instantaneamente findava-se, pela grande vontade que cada um estava de fugir daquele ambiente. As conversas davam-se num constante cenóide, em que cada silêncio evidenciava a falta de assunto. O tempo demorava a passar como se quisesse provocar aquelas pessoas, como se desejasse obrigá-las a falar, ainda que sobre a demora do conserto do poste, talvez único assunto que tinham em comum. Quando não havia mais palavras, quando se cessaram todos os diálogos, cansados de esperar, enfadados daquela situação quase claustrofóbica, todos, num uníssono, propuseram o retorno de cada um às suas respectivas casas. Deu-se a alforria.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Primeiras páginas

Muitas vezes, a presença rotineira de um cenário faz com que ele passe despercebido para as pessoas que o freqüentam. Assim, é necessário uma data significativa para valorizá-lo: os cem anos de nascimento do paisagista Roberto Burle Marx têm essa função. Com obras mundialmente apreciadas, o artista é pouco conhecido no seu próprio país. Importante devido às suas contribuições ao paisagismo e, principalmente, ao cotidiano das pessoas, através das praças que projetou, Burle Marx criou uma nova concepção de jardim. “Ele desenvolveu a filosofia do jardim moderno que é a de valorizar os atributos nacionais e os materiais regionais da paisagem”, afirma a Coordenadora do Laboratório da Paisagem da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Ana Rita Sá Carneiro.

Burle Marx nasceu em 4 de agosto de 1909 em São Paulo. Filho de alemão e de pernambucana, o artista foi influenciado pelos dois lugares, importantes para a sua carreira paisagística. Ligado a Pernambuco pela mãe, Cecília Burle, ele morou, de 1934 a 1937, na cidade do Recife, onde projetou o seu primeiro jardim público, a Praça de Casa Forte. Com a missão de chefiar o setor de Parques e Jardins do governo do Estado, Burle Marx, aos 25 anos, foi o primeiro paisagista a vir à cidade, trazendo uma forma diferente de ver a paisagem, dissociada dos padrões europeus. O “poeta dos jardins”, como foi apelidado por Tarsila do Amaral, incorporou a vegetação brasileira às suas criações e foi um dos precursores da consciência ecológica, dando palestras sobre o tema ainda na década de 1970. “Ele dizia o tempo todo: o jardim tem que ter uma função ecológica”, completa Ana Rita.

Em sua primeira estadia na capital pernambucana, Burle Marx projetou a Praça de Casa Forte, a Praça Euclides da Cunha (em frente ao Clube Internacional), o Campo das Princesas, a Praça da República e a Praça do Derby. O regresso do paisagista ao Recife se daria em 1957, a convite do então prefeito Pelópidas Silveira. Nessa breve temporada na cidade, ele realizou o projeto de mais duas praças: A Salgado Filho (em frente ao Aeroporto Internacional dos Guararapes - Gilberto Freyre) e a Faria Neves (em frente ao Horto de Dois Irmãos). Outras obras foram projetadas por ele, mas não tiveram construção efetivada ou já foram modificadas, a exemplo da Praça do Arsenal da Marinha, no centro do Recife, cujo projeto realizado por Burle Marx foi alterado em 1970 pela prefeitura.

Como vários artistas, Burle Marx foi vítima da incompreensão de sua obra. Ainda quando projetava a Praça Euclides da Cunha — baseada nos estudos deste escritor sobre o sertão —, o paisagista foi alvo de críticas por alguns intelectuais como o jornalista Mário Melo. Os anos passaram, mas a praça, que tem como tema a caatinga, ainda não conquistou a simpatia de todos moradores das redondezas. A estudante universitária Amanda Mello é uma das pessoas que não aprova a estética diferenciada da praça. “Não é vantagem, numa cidade tão calorenta, fazer uma praça com cactos”, afirma a estudante, alegando que a escassa vegetação do lugar torna a praça quente e inviável para passeios. De acordo com ela, as praças públicas devem prezar pela arborização para tornar o ambiente agradável.

Além de obras paisagísticas, o artista realizou trabalhos em outras áreas, como pintura, tapeçaria e escultura. Burle Marx foi, nos fins da década de 1930, assistente do pintor Candido Portinari e, a partir de 1947, chegou a dar aulas à artista Lygia Clark. Algumas das obras plásticas de Burle Marx encontram-se no Recife e podem ser visitadas no Museu do Estado e no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, o MAMAM.

PRESERVAÇÃO
Com a iminência da data do centenário, a Câmara do Recife realizou, sob a coordenação do vereador Eduardo Marques (PTB), audiência pública no último 12 de maio. Objetivando discutir a atual situação das praças projetadas por Burle Marx e viabilizar a criação de um comitê pró-centenário, o presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara, Luciano Siqueira (PC do B), propôs o debate. Segundo ele, “Seria uma miopia não perceber a relação da obra de Burle Marx com o patrimônio cultural da cidade”.

Na ocasião, Luciano Siqueira falou sobre os compromissos da Câmara com a data de nascimento do paisagista. Entre as iniciativas, está o encaminhamento de um ofício ao governador Eduardo Campos (PSB) para viabilizar a nível estadual o processo de tombamento dos jardins de Burle Marx. Tal processo garantirá que as praças tombadas não sejam destruídas, demolidas ou modificadas. Dos sete jardins projetados pelo paisagista na cidade, nenhum é tombado. Ana Rita afirmou que o Laboratório da Paisagem (UFPE) já dispõe de inventário — estudo minucioso do que compõe os jardins —, necessário para a realização do tombamento, que já foi solicitado desde abril de 2008, a nível nacional e estadual, ao IPHAN e à Fundarpe, respectivamente. A diretora de Preservação Cultural da Fundarpe, Neide Fernandes, afirmou que a proposta entregue à fundação está em processo de análise, que pode demorar até dois anos, mas adiantou que “não há dúvidas” quanto à importância do tombamento.

O vereador falou ainda — em nome do prefeito João da Costa (PT) — que a prefeitura dispõe-se a financiar a impressão de cartilhas educativas sobre o paisagista, propostas pelo Laboratório da Paisagem (UFPE), para a população e a realizar uma semana pró-Burle Marx em comemoração ao centenário. A assessoria da prefeitura, contudo, afirmou na manhã de hoje (1º/06/2009) que a “Semana Burle Marx” ainda não tem programação definida, mas que provavelmente será parte da comemoração da “Semana do Meio Ambiente”, programada para esta semana.

Sobre os investimentos da prefeitura para a preservação das praças, o Secretário Municipal de Serviços Públicos, José Humberto Cavalcante, afirmou que 1,5 milhão de reais foram investidos, em 2008, nas praças de toda a cidade, sendo grande parte da verba destinada à Praça do Derby, por ocasião da obra do Corredor Leste-Oeste. A prefeitura do Recife divide a responsabilidade da manutenção das praças com empresas particulares através do Programa Adote o Verde, no qual as empresas se responsabilizam pela preservação do local em troca de espaço de divulgação publicitária.

Para Ana Rita, o Programa Adote o Verde não soluciona os problemas das praças. “Não resolve, em alguns casos funciona”, completou, citando a Praça de Casa Forte como exemplo da falta de cuidado. A coordenadora do Laboratório da Paisagem (UFPE) e membro do Comitê Internacional de Jardins Históricos e Paisagens Culturais (IFLA) afirmou que a praça apresenta árvores cortadas, lago mal conservado, além de calçada comprometida. O calçamento do lugar foi um dos motivos para Humberto Nicodemos, cirurgião-destista, parar de caminhar na praça. De acordo com ele, para desviar dos buracos, as pessoas são obrigadas a arriscarem-se pelo asfalto.

Adotante da praça de Casa Forte, o Sindicato de Empresas de Transporte (SETRANS) recebeu com estranhamento a informação de queixas sobre os cuidados com o local. Segundo Carina Albuquerque, coordenadora de Projetos Especiais, a SETRANS não recebeu nenhuma reclamação oficial a respeito da má conservação da praça. Ela falou ainda sobre o prêmio Adote o Verde que o sindicato recebeu da prefeitura por dois anos consecutivos (2007 e 2008) pela preservação, sugerindo que falta diálogo entre o governo municipal e as empresas adotantes. De acordo com as atribuições previstas no Programa Adote o Verde, cabe à prefeitura orientar as empresas e fiscalizar a manutenção das praças adotadas. Até o fechamento desta reportagem, a assessoria da prefeitura não se posicionou a respeito dessas ações. ■

terça-feira, 24 de março de 2009

Vibe Telejornalística

Estou numa vibe telejornalística e o estágio no Nosso Jornal (Assistam!), da TV Universitária, tem muita influência nisso. Quem me conhece há algum tempo, certamente, ouviu meus pré-conceitos a respeito do jornalismo de televisão; minha postura em relação a essa prática, contudo, tem mudado bastante nas últimas semanas. A oportunidade de estar numa redação telejornalística fez-me perceber certas sutilezas que ainda não haviam sido percebidas, inclusive por eu não ter estudado nada sobre televisão na faculdade até o presente momento. A riqueza dessa oportunidade a mim consentida é dupla, pois além de estar em contato com o jornalismo de televisão, estou tendo a (rica) experiência de entender como funciona uma TV pública. Se vou trabalhar com telejornalismo, ainda não sei, é muito (!) cedo para dizer, mas estou aproveitando este momento para aprender.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Só no sapatinho (parte 3)

Nesta quinta-feira, Muntazer al-Zaidi, o jornalista iraquiano que arremessou, sem sucesso, os próprios sapatos contra o então presidente George W. Bush, foi condenado a três anos (a condenação máxima prevê quinze anos) de prisão pelo juiz da Corte Criminal Central de Bagdá. Muntazer al-Zaidi, que estava preso na "zona verde", área protegida de Bagdá, desde o incidente, declarou, novamente, a sua inocência, alegando que sua reação foi "natural, como a de qualquer iraquiano".

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Só no sapatinho (parte 2)


Há pouco mais de um mês, o jornalista iraquiano Muntazer al-Zaidi tornava-se conhecido no mundo inteiro através do ato, símbolo árabe de ofensa grave (atirar solas de sapatos), que cometeu com o então presidente George W. Bush. Esta semana, seu gesto foi imortalizado com uma estátua, esculpida pelo artista iraquiano Laith al-Ameri, em Tikrit, a aproximadamente 180km de Bagdá, capital do Iraque.
A escultura representa - em bronze e com 3 metros de altura - o sapato utilizado pelo jornalista e faz parte do jardim de uma fundação iraquiana de apoio a crianças que tiveram seus pais mortos em decorrência da invasão norte-americana, em 2003. Shaha al-Juburi, fundador da organização, garante que a escultura não tem qualquer ligação com entidades políticas.
Sem a finalidade de encorajar atos semelhantes, vale ressaltar que, desde o dia em que atirou os sapatos no ex-presidente Bush, o jornalista está preso e seus parentes temem represália.

FOTO: JC (30/01/2009)

sábado, 10 de janeiro de 2009

Náutico X Cabense

Minha primeira tentativa no Jornalismo Esportivo.
---------------------------------------------------------

ESTRÉIA SEM REFORÇOS

A estréia do Timbu no Campeonato Pernambucano amanhã (11), contra o Cabense, não contará com o reforço Johnny, ex-Vasco. O equívoco na data de rescisão do contrato, por parte do Corinthians-AL — detentor dos direitos do jogador — adiou a sua liberação para o primeiro jogo. Por decisão da diretoria do Náutico, o jogador fica de fora da partida para evitar perdas de ponto. O gerente de futebol do clube, Vulpian Novaes, acredita na regularização até o jogo contra o Serrano, na próxima quarta-feira (14).
Entre os confirmados para a estréia, está o volante Eduardo Eré, que improvisará como lateral-direito, uma vez que nem Carlinhos Bala, nem Ângelo estão regularizados.
A novidade nos Aflitos é a volta de Roberto Fernandes ao gramado. O treinador, que foi penalizado pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), no jogo contra o Santos, ainda no Brasileirão, livrou-se dos 30 (trinta) dias de suspensão, substituídos por doações de cestas básicas.
O Cabense, adversário do jogo de amanhã, também não contará com o reforço Fabinho, que se recupera de lesão no joelho. Caso participe, só deve jogar no segundo tempo.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Só no sapatinho


Sentiu inveja do jornalista iraquiano (informe-se aqui)?
"Seus problemas acabaram!" Jogue o sapato você também!
Neste link, você mesmo pode arremeçar sapatos em Bush. Divirtam-se!

*Créditos a Diogo Madruga, que me passou o link.

sábado, 1 de novembro de 2008

Conhecimento Jornalístico e a obrigatoriedade do diploma

A partir de um breve panorama histórico da prática jornalística e vislumbrando uma nova abordagem do Jornalismo enquanto forma de conhecimento, defendo a concepção jornalística dissociada da visão do senso comum, mas imbricada a um respaldo teórico, dando visibilidade à discussão da obrigatoriedade ou não do diploma na profissão.

Antes das Revoluções Burguesa e Industrial, o conhecimento que se tinha do mundo era bastante genérico e universal, baseado na realidade imediata, exemplificada por Eduardo Meditsch1 pela preocupação com a própria casa e com os vizinhos. O Jornalismo surge no contexto do desenvolvimento industrial e do capitalismo, sendo, inclusive, atribuído como conseqüência do modo de produção capitalista, em que as relações passaram a ter caráter universal e dinâmico, permitindo o conhecimento da humanidade a nível internacional.

Assim, diferentemente do que ocorria na Idade Média, o mundo não mais é baseado em relações singulares, como as com o vizinho. A partir da Revolução Industrial, as relações no mundo passam a exigir um caráter universal, em que todos podem, efetivamente, relacionar-se com todos. É diante de tal necessidade que o Jornalismo surge como forma de conhecimento capaz de possibilitar a interação do indivíduo com o mundo. Para Adelmo2, “o Jornalismo é uma forma de conhecimento baseado no singular, surgido a partir da Revolução Burguesa e que atingiu a maturidade com a industrialização.”

Sylvia Moretzsohn3, em Pensando Contra os Fatos, traz a importante lembrança de que, mesmo sendo considerado um pilar da democracia pela Constituição americana, o Jornalismo era, naquela época, alvo de contestações por parte da elite intelectual, por considerarem-no superficial e efêmero, rejeição que perduraria até o século XIX.

Sobre o Jornalismo como produção de conhecimento, Adelmo Genro Filho refuta as orientações funcionalistas de conhecimento de — atrelado ao uso familiar e ao hábito, sem corresponder à produção sistematizada — e conhecimento acerca de — produto formal e criterioso de conhecimento, formulado teoricamente —, baseadas na filosofia de William James4 e proferidas por Robert E. Park5, por considerá-las reducionistas.

Discordando das diversas concepções teóricas existentes sobre o Jornalismo — desde as que consideram-no puramente comunicacional às que o vêem como meio de integração dos indivíduos à sociedade —, Adelmo propõe, através da filosofia hegeliana, a construção de um novo conceito de Jornalismo, distante do modo de pensamento positivista e próximo do marxismo, elucidando uma teoria marxista de Jornalismo.

Diferentemente do senso comum, o Jornalismo não deve ser considerado tão-somente uma atividade prática; pois, embasa-se teoricamente em estudos antigos que discutem o seu papel enquanto forma de conhecimento. E é através de um ensino superior alçado nesse propósito que o Jornalismo deixará, então, de ser visto como uma necessidade técnica e passará a ser reconhecido como teoria, partindo de conhecimento coeso e não de “achismos” redacionais.

Além proporcionar condição mais coerente de trabalho para os profissionais da área, pautando-se em um reconhecimento digno de qualquer ciência, o Jornalismo necessariamente vinculado ao ensino superior garante à sociedade uma prática jornalística mais responsável, que partirá da cotidianidade, será fundamentada na academia e retornará enriquecida à cotidianidade, desenvolvendo, assim, importância de ciência.


Notas:

[1] Professor-doutor em Ciências da Comunicação que tem se dedicado a estudos sobre a teoria do conhecimento em Jornalismo, autor de O Conhecimento do Jornalismo.

[2] Adelmo Genro Filho foi professor e mestre da UFSC, responsável por trabalho de referência na teoria do Jornalismo, posteriormente publicado na forma de livro, sob o título O Segredo da Pirâmide - Para uma teoria marxista do jornalismo.

[3] Especialista em modernas tendências da mídia e professora da UFF

[4] Psicólogo e filósofo norte-americano.

[5] Sociólogo norte-americano e um dos fundadores da Escola de Chicago que exerceu durante muito tempo a atividade jornalística.


Referências Bibliográficas:

GENRO FILHO, Adelmo. O Segredo da Pirâmide: por uma teoria marxista do jornalismo. Porto Alegre: Tchè, 1987. p. 54-68.

MEDITSCHI. Eduardo. O Conhecimento do Jornalismo. Florianópolis: Editora da UFSC, 1992. p. 23-34.

MORETZSHOHN, Sylvia. Pensando Contra os Fatos. Rio de Janeiro: Revan, 2007. p. 52-53; 122-130.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A notícia

Entre trabalhos e mais trabalhos para a faculdade, hoje fiz o mais importante, até agora, para a minha vida profissional. Diferentemente dos trabalhos acadêmicos, como resenhas, resumos e apresentações no velho Power Point, deparei-me com a notícia.

O professor de Introdução ao Jornalismo incumbiu os alunos da seguinte tarefa: visitar uma conferência de comunicação (a IV Conferência de Mídia Cidadã) e escrever uma notícia com cerca de 30 linhas sobre o evento.

A princípio, achei bobinha a atividade, mas depois que tive que elencar as informações mais importantes, buscar maiores explicações e estruturar tudo em 30 linhas, senti o peso do jornalismo nas costas. Eis que o pior ainda estava por vir: escolher a manchete. Abaixo segue trecho de uma conversa sobre a dificuldade que senti (Torçam por mim!):

Dio. diz:
Lembre-se: o título faz a notícia.

Dio. diz:
Se o título não for bom, a notícia é péssima, pois não será lida.

gabriela diz:
caramba, como é difícil fazer isso, po.

gabriela diz:
depois que você começa a estudar, você vê que é mais sério do que você pensava.

Se um dia eu criar coragem, posto minha primeira notícia neste blog.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Filosofia jornalística ou do jornalista?

g a b i diz:
acho que me falta o espírito jornalístico
g a b i diz:
da ganância
g a b i diz:
ajdhjkdhajkdhsjd
Dio. "O quanto eu gosto de vocêêê" diz:
Nada disso. Fale mal dele não. Espírito jornalístico é colaborativo.
g a b i diz:
ajshdajsdhjaskdhska
g a b i diz:
não creio
Dio. "O quanto eu gosto de vocêêê" diz:
Espírito de jornalista é uma coisa. Espírito jornalístico é outra.
g a b i diz:
hummm
Dio. "O quanto eu gosto de vocêêê" diz:
:)
g a b i diz:
falo do de jornalista, então
g a b i diz:
:P
g a b i diz:
não tenho esse espírito
Dio. "O quanto eu gosto de vocêêê" diz:
Pronto. Assim tá melhor.
g a b i diz:
:P
Dio. "O quanto eu gosto de vocêêê" diz:
O que é bom.
Dio. "O quanto eu gosto de vocêêê" diz:
Ou seja, não falta. O problema é que sobra no resto.
g a b i diz:
hehe
g a b i diz:
deve ser

sábado, 9 de agosto de 2008

Vamos discutir imparcialidade!

Lendo, com Diogo, texto para a cadeira de Cultura Brasileira 2: Arte e Comunicação como Prática de Resistência deparamos-nos com o seguinte excerto, com o qual concordamos bastante:

Nesse nível, qualquer mensagem, discurso ou texto se acha trabalhado pelo ideológico e é suscetível, portanto, de uma leitura ideológica, tanto o discurso político como a revista de modas ou o jornal da TV. O ideológico deixa de ser um adjetivo atribuível a certo tipo de discursos (sic), para ser definido como um nível de organização do semântico, um “nível de significação” presente em qualquer tipo de discurso. [MARTÍN-BARBERO, Jesús]

Resumindo nossa conclusão: Não há discurso ideológico, há discurso, que é, necessariamente, ideológico. Se houvesse outros tipos de discursos, haveria, sim, talvez a imparcialidade, que hoje é um mito.


REFERÊNCIA:

MARTÍN-BARBERO, Jesús. Ofício de cartógrafo: Travessias latino-americanas da comunicação na cultura. 1. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2004. p. 56.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Cadê a apuração?

No mesmo dia em que o Jornal do Commércio (JC) publica, através da Agência O Globo, o texto de Ancelmo Gois comentando, em “xará inocente”, a gafe do jornal italiano La Stampa, comete a grosseria de confundir a nova Miss Universo.

O caso Daniel Dantas (banqueiro) tem gerado polêmica para além do âmbito político, fãs desavisados do ator homônimo têm desesperado-se com as denúncias nos noticiários, gerando equívocos quanto à identidade do verdadeiro acusado.

La Stampa publicou a notícia da prisão do banqueiro, capa, inclusive, dos semanários brasileiros mais lidos do país, mas errou na foto, exibindo, erroneamente, a foto do ator Daniel Dantas, que atualmente atua na novela global Ciranda de Pedra. A confusão foi comentada pelo colunista Ancelmo Gois, em coluna no jornal O Globo, também publicada no JC de hoje.

Quem ler o mesmo jornal, perceberá gafe semelhante no caderno cultural do JC, quando se refere à Miss Universo eleita no último domingo, a venezuelana Dayana Mendoza, e publica foto da vice, a colombiana Taliana Vargas.

Claro que a proporção do equívoco é bem menor que a cometida pelo jornal italiano, mas fica a crítica e o clamor por maior apuração.


*Mudando de assunto, recomendo o vídeo, cujo tema foi reportagem do NE TV, Jornal Hoje e Jornal Nacional de ontem (15) e chamou-me bastante atenção pela grande força de vontade de um ex-morador de rua recifense.
*Novamente, créditos a Ana Gabriela López, pela disposição em ajudar.