Está na fala do ex-jogador argentino Diego Maradona, mas acredito que esse é o sentimento de muitos turistas que vieram ao Brasil para assistir aos jogos da Copa do Mundo de 2014: "O que se pintava é que seria um caos. Parecia que teríamos de comprar uma arma ao desembarcar por aqui, mas não foi nada disso".
Sabe-se que, por motivos políticos, descrença ou puro pessimismo, muitos brasileiros desacreditaram o mundial. Não faltaram previsões de que passaríamos um grande vexame diante dos visitantes. O vexame até existiu, mas por motivos exclusivamente futebolísticos, que não vêm ao caso agora.
A má expectativa acerca da sede desta Copa do Mundo também veio de fora. Às vésperas do mundial, os governos de diversos países elaboraram e distribuíram cartilhas que, ao meu ver, mais alarmavam do que alertavam as pessoas dispostas a acompanhar as suas seleções na competição no Brasil. Enumeravam-se vários problemas que poderiam ser encontrados aqui, chamando atenção, principalmente, para a infraestrutura e a questão da violência, inquestionáveis problemas brasileiros.
É possível que o recado tenha sido exagerado e, talvez por isso, agora surjam comentários como o de Maradona. Sem falar que passamos a copa inteira observando, in loco ou pela TV, torcedores e jogadores das mais diversas bandeiras manifestando seus encantos pelo nosso país. Ao que parece, vir ao Brasil foi uma surpresa positiva para gente do mundo inteiro.
Para quem é daqui também foi uma experiência interessante observar tudo isso. Às vezes somos desconfiados, teimando em não acreditar no nosso potencial. Assim, foi bom ouvir dos outros que temos muito do que nos orgulhar. Ao sediar um evento para os quatro cantos do mundo, percebemos que nossas belezas naturais e artísticas encantam os estrangeiros oriundos dos lugares que imaginamos impecáveis e, principalmente, descobrimos que nosso jeito de ser é admirado por pessoas de nações que invejamos.
A Copa do Mundo de 2014 foi uma boa oportunidade de nos valorizarmos mais. Afinal, somos um povo cheio de virtudes. Muitas vezes, não percebemos isso, seja pelo afamado "complexo de vira-latas" ou por nunca termos tido a oportunidade de enxergar o Brasil a partir de um olhar mais distante.
Nas redes sociais, circula uma lista elencando coisas simples do nosso dia a dia que encantaram muitos turistas. Claro que não é apenas cultivando o hábito de aplaudir o pôr-do-sol, citado na tal lista, que melhoraremos o País. É preciso muito mais, desde consciência cidadã até vontade política. Contudo, será importante para esse percurso de desenvolvimento a aquisição de uma autocrítica menos cruel com nós mesmos e mais antenada com o mundo.
Por fim, acredito ser possível dizer que, se não nos engrandeceu enquanto torcedores ansiosos pelo hexacampeonato, esta copa nos serviu de grande lição como povo brasileiro. Que sigamos, cientes das nossas limitações, mas também orgulhosos das nossas qualidades.
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terça-feira, 22 de julho de 2014
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Vai que é tua, Brasil!
Estamos a poucas semanas da Copa do Mundo 2014. Há alguns anos, imaginei que estes dias seriam bem diferentes. Sinto falta de mais verde e amarelo, de mais bandeiras, de muros pintados e de felicidade. Ao menos é assim que costumo lembrar das vésperas das copas anteriores. Em particular a de 1994, que não sai da minha cabeça. Lembro de bastante coisa para alguém que tinha apenas cinco anos. Não me esqueço, por exemplo, de que cheguei a escrever uma cartinha para Dunga. Por algum motivo (este, sim, não lembro), o capitão era o meu jogador predileto naquele time inesquecível. Aquela era, oficialmente, a minha primeira copa. De 1990, não recordo nada.
Apesar dos 24 anos sem conquistar títulos (ou por causa disso), em 1994, notei mais entusiasmo nas ruas, ao menos no Recife, minha cidade. Diversos estabelecimentos comerciais e marcas distribuíam tabelas com os jogos da copa. Até colecionei. Depois elegi a mais bonita para marcar os resultados. Nas ruas, era incontável o número de carros que carregavam a bandeira brasileira flamulante na janela. Na escola, a professora (4ª série) mobilizou toda a turma para montar um mural com as bandeiras das seleções participantes. Coube a mim, pintar a Dinamarca. Os muros também estavam pintados de verde e amarelo. Hoje, em contraste, noto certa apatia, apesar de a Copa 2014 ser no nosso quintal.
Claro que a minha visão acerca de 1994 pode estar superdimensionada, afinal, como disse, tinha apenas cinco anos. Depois que a cresci, percebi que a casa de vovó não é tão grande quanto imaginava na minha infância, por exemplo. Sem falar que aquela Copa mexeu demais comigo. Tudo novo e muita emoção. Aprendi sobre prorrogação e pênalti. E que pênaltis aqueles da final! É verdade que detalhes pequenos (!), como regra de impedimento, só aprendi anos depois. Enfim, 1994 é mais especial para mim do que 2002, mesmo com todos os "R" em campo. Taffarel é um ídolo até hoje (inclusive porque joguei como goleira no time da faculdade).
Dos jogos mesmo, lembro muito pouco. Recordo que achei engraçado o nome "Camarões" e o apelido "Laranja Mecânica", alguns dos adversários do Brasil. Só lembro uns flashes desses jogos e, claro, da (incrível) final. Recentemente, revi o duelo contra os italianos. É aquela mesma história sobre a casa de vovó acima, percebi que a seleção não era tão espetacular assim. Mas, se faltava técnica, sobrava garra. E amor. A união e sintonia entre os jogadores era realmente contagiante. E isso até hoje me emociona. A final foi de ameaçar os cardíacos de plantão. A bola não queria entrar de jeito nenhum! Eu não entendia direito como funcionava os pênaltis, mas ficava aflita a cada cobrança. Agradeço demais a Roberto Baggio por ter encerrado aquilo da melhor forma possível. No dia seguinte, fiquei desfilando na rua com uma bandeira do Brasil de plástico, brinde de um jornal local.
Somente há dois anos, conversando com um amigo italiano, descobri que Baggio era ídolo. Muitos garotos italianos aderiram ao seu look na época, à semelhança do que fizeram aqui em 2002, imitando o cabelo à Cascão, de Ronaldo Fenômeno. Sempre me coloquei no lugar do jogador italiano, refletindo acerca da tristeza de ser, ainda que injustamente, a principal lembrança da derrota da Itália naquele ano. Outro fato que só me dei conta (muitos) anos depois, revendo vídeos, foi a homenagem a Ayrton Senna. Afinal, em 1994, ganhamos um título, mas perdemos um ídolo.
Se adoro forçar a memória para lembrar da conquista do tetracampeonato, não preciso me esforçar para esquecer 1998. Não sei se em função do desfecho, mas realmente lembro pouco dessa Copa, embora a partida entre Brasil e França, claro, seja difícil de esquecer. E de engolir.
Em 2002, o Brasil se reergueu com o obstinado Felipão. Mesmo sem Romário. Não faltaram televisões ligadas e a "lei do silêncio" foi rompida. A torcida não parava nem de madrugada.
Enfim, nasci numa época em que Copa virou, praticamente, sinônimo de "Brasil na final", ainda que nem sempre campeão (malditos franceses!). Fiquei mal acostumada. Sofri nas Copas seguintes com a ausência das cores verde e amarela nas finais de 2006 e 2010. E me enchi de esperança quando descobri que, em poucos anos, o Brasil jogaria no Brasil a próxima Copa do Mundo. Não recordo quando me dei conta disso, mas os planos foram muitos desde então. Meu desejo era ver todo o espetáculo de perto e, principalmente, sentir a mobilização de todo o País para esse grande evento.
Eis que chego no hoje e encontro um cenário diverso dos sonhos. Afinal, a seleção não jogará tão no meu quintal assim. Para ver o Brasil jogar, precisaria me deslocar, no mínimo, uns 700 quilômetros. O jogo mais próximo ocorrerá em Fortaleza, onde encontraria hospedagem por preço elevado, se me dispusesse a pagar por passagens de valor considerável. Lógico que a Copa não é para todos. E não seria diferente justamente no Brasil, um país repleto de desigualdade. Mas o que me entristece não é isso.
Frustante mesmo é não ver hoje o que elenquei no primeiro parágrafo deste texto, cheio de tergiversações e memórias. Os brasileiros não estão satisfeitos com a forma como as coisas foram conduzidas, com os elevados e inflacionados (!) gastos com os estádios. Também entristece a nação observar que os estrangeiros questionam (com razão) a infraestrutura que temos para oferecer. Os governos de seus países promovem alertas sobre a falta de segurança no Brasil. Os turistas têm medo de vir para cá. Contudo, imensamente mais duro é perceber que nós, brasileiros, temos cada vez mais medo por viver aqui. Cadê o verde e amarelo nos muros e as bandeiras nas ruas? E, principalmente, cadê a felicidade de estar sediando o que poderá se traduzir no hexacampeonato da seleção brasileira? Que as reflexões acerca do momento que estamos vivenciando no País e as ações efetivas para solucionar tudo isso sejam o grande troféu que conquistaremos nesta Copa. Vai que é tua, Brasil!
Apesar dos 24 anos sem conquistar títulos (ou por causa disso), em 1994, notei mais entusiasmo nas ruas, ao menos no Recife, minha cidade. Diversos estabelecimentos comerciais e marcas distribuíam tabelas com os jogos da copa. Até colecionei. Depois elegi a mais bonita para marcar os resultados. Nas ruas, era incontável o número de carros que carregavam a bandeira brasileira flamulante na janela. Na escola, a professora (4ª série) mobilizou toda a turma para montar um mural com as bandeiras das seleções participantes. Coube a mim, pintar a Dinamarca. Os muros também estavam pintados de verde e amarelo. Hoje, em contraste, noto certa apatia, apesar de a Copa 2014 ser no nosso quintal.
Claro que a minha visão acerca de 1994 pode estar superdimensionada, afinal, como disse, tinha apenas cinco anos. Depois que a cresci, percebi que a casa de vovó não é tão grande quanto imaginava na minha infância, por exemplo. Sem falar que aquela Copa mexeu demais comigo. Tudo novo e muita emoção. Aprendi sobre prorrogação e pênalti. E que pênaltis aqueles da final! É verdade que detalhes pequenos (!), como regra de impedimento, só aprendi anos depois. Enfim, 1994 é mais especial para mim do que 2002, mesmo com todos os "R" em campo. Taffarel é um ídolo até hoje (inclusive porque joguei como goleira no time da faculdade).
Dos jogos mesmo, lembro muito pouco. Recordo que achei engraçado o nome "Camarões" e o apelido "Laranja Mecânica", alguns dos adversários do Brasil. Só lembro uns flashes desses jogos e, claro, da (incrível) final. Recentemente, revi o duelo contra os italianos. É aquela mesma história sobre a casa de vovó acima, percebi que a seleção não era tão espetacular assim. Mas, se faltava técnica, sobrava garra. E amor. A união e sintonia entre os jogadores era realmente contagiante. E isso até hoje me emociona. A final foi de ameaçar os cardíacos de plantão. A bola não queria entrar de jeito nenhum! Eu não entendia direito como funcionava os pênaltis, mas ficava aflita a cada cobrança. Agradeço demais a Roberto Baggio por ter encerrado aquilo da melhor forma possível. No dia seguinte, fiquei desfilando na rua com uma bandeira do Brasil de plástico, brinde de um jornal local.
Somente há dois anos, conversando com um amigo italiano, descobri que Baggio era ídolo. Muitos garotos italianos aderiram ao seu look na época, à semelhança do que fizeram aqui em 2002, imitando o cabelo à Cascão, de Ronaldo Fenômeno. Sempre me coloquei no lugar do jogador italiano, refletindo acerca da tristeza de ser, ainda que injustamente, a principal lembrança da derrota da Itália naquele ano. Outro fato que só me dei conta (muitos) anos depois, revendo vídeos, foi a homenagem a Ayrton Senna. Afinal, em 1994, ganhamos um título, mas perdemos um ídolo.
Se adoro forçar a memória para lembrar da conquista do tetracampeonato, não preciso me esforçar para esquecer 1998. Não sei se em função do desfecho, mas realmente lembro pouco dessa Copa, embora a partida entre Brasil e França, claro, seja difícil de esquecer. E de engolir.
Em 2002, o Brasil se reergueu com o obstinado Felipão. Mesmo sem Romário. Não faltaram televisões ligadas e a "lei do silêncio" foi rompida. A torcida não parava nem de madrugada.
Enfim, nasci numa época em que Copa virou, praticamente, sinônimo de "Brasil na final", ainda que nem sempre campeão (malditos franceses!). Fiquei mal acostumada. Sofri nas Copas seguintes com a ausência das cores verde e amarela nas finais de 2006 e 2010. E me enchi de esperança quando descobri que, em poucos anos, o Brasil jogaria no Brasil a próxima Copa do Mundo. Não recordo quando me dei conta disso, mas os planos foram muitos desde então. Meu desejo era ver todo o espetáculo de perto e, principalmente, sentir a mobilização de todo o País para esse grande evento.
Eis que chego no hoje e encontro um cenário diverso dos sonhos. Afinal, a seleção não jogará tão no meu quintal assim. Para ver o Brasil jogar, precisaria me deslocar, no mínimo, uns 700 quilômetros. O jogo mais próximo ocorrerá em Fortaleza, onde encontraria hospedagem por preço elevado, se me dispusesse a pagar por passagens de valor considerável. Lógico que a Copa não é para todos. E não seria diferente justamente no Brasil, um país repleto de desigualdade. Mas o que me entristece não é isso.
Frustante mesmo é não ver hoje o que elenquei no primeiro parágrafo deste texto, cheio de tergiversações e memórias. Os brasileiros não estão satisfeitos com a forma como as coisas foram conduzidas, com os elevados e inflacionados (!) gastos com os estádios. Também entristece a nação observar que os estrangeiros questionam (com razão) a infraestrutura que temos para oferecer. Os governos de seus países promovem alertas sobre a falta de segurança no Brasil. Os turistas têm medo de vir para cá. Contudo, imensamente mais duro é perceber que nós, brasileiros, temos cada vez mais medo por viver aqui. Cadê o verde e amarelo nos muros e as bandeiras nas ruas? E, principalmente, cadê a felicidade de estar sediando o que poderá se traduzir no hexacampeonato da seleção brasileira? Que as reflexões acerca do momento que estamos vivenciando no País e as ações efetivas para solucionar tudo isso sejam o grande troféu que conquistaremos nesta Copa. Vai que é tua, Brasil!
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Há controvérsias!
A edição (de aniversário) da revista Rolling Stones deste mês traz uma lista com as cem melhores músicas brasileiras. Surpreendi-me um pouco com o primeiríssimo lugar — fisgado por Construção, de Chico Buarque — e confesso que não esperava Anna Júlia (centésima posição), dos barbudos do Los Hermanos, na lista. Ao contrário do que se pode pensar com a notícia da minha surpresa, eu gosto bastante de Chico e, durante muito tempo, fui considerada uma "hermaníaca". Impressionei-me, contudo, por dois motivos: (1) não considero Construção a melhor música de Chico Buarque, tampouco a melhor do Brasil, e (2) dificilmente eu imaginaria — em sã consciência — que a canção que virou um tormento para a banda Los Hermanos figuraria numa lista assim. Contudo, não fiquei insatisfeita com o resultado. Zeca Camargo (sim, aquele do Fantástico), por outro lado, mostrou-se, em seu blog, bastante descontente com a relação proposta pela Rolling Stones. Para ele, as canções enumeradas na lista entram em completa incoerência com a linha editorial da revista, que segue uma postura mais "rock'n roll". Entendo a argumentação de Zeca, mas concordar com a lista dele é demais. Entre as trinta canções selecionadas, uma música de Kelly Key (!) na vigésima terceira posição: A loirinha, o playboy e o negão. A lista dele contempla algumas músicas realmente memoráveis — Não quero dinheiro, Gita, Você não soube me amar, etc —, mas também traz incoerência ou, até mesmo, loucura; afinal deixar qualquer canção de Marisa Monte, Chico Science e Caetano — só para citar alguns — atrás de qualquer sucesso de Kelly Key soa como insanidade para mim. Julgamentos à parte, não tenho dúvidas de que qualquer lista — ainda que seja realizada com a melhor das intenções — comete injustiças e rende críticas. Talvez quem teve paciência de ler até aqui esteja esperando a MINHA lista; não a fiz, contudo, por um único motivo: preguiça de pensar nas centenas de milhares de músicas brasileiras boas para selecionar apenas algumas para um trabalhoso escalonamento. De qualquer forma, para não ficar a (falsa) impressão de que escrevi este post para falar mal de Zeca Camargo, devo encerrar dizendo que estou ouvindo, neste momento, uma canção que não deveria ficar de fora de nenhuma lista das melhores músicas brasileiras: Canto de Ossanha, de Baden Powell e Vinícius de Moraes.
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quarta-feira, 4 de março de 2009
Enquanto isso, no plenário do Senado Federal...
"O exercício da política não pode ser transformado em um balcão de negócios. O que se vê hoje no nosso país é um sentimento de descrença, com a impunidade corroendo as bases da democracia". No início da noite desta terça-feira (3), da tribuna do Plenário, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) indicou a aprovação da reforma política como caminho para tirar o país de uma situação considerada por ele como de degeneração.
Ele não defende, no entanto, o texto de reforma política encaminhado recentemente pelo governo federal à Câmara dos Deputados. A reforma pretendida por Jarbas Vasconcelos inclui quatro pontos: financiamento público de campanha, fidelidade partidária, fim das coligações em eleições proporcionais e implantação de uma cláusula de desempenho. Promover uma profunda reformulação no Orçamento Geral da União é outra medida urgente a ser tomada pelo Congresso, na avaliação do senador.
- As distorções começam na elaboração do Orçamento, permanecem na sua aprovação e atingem o auge na hora da liberação dos recursos e quando o dinheiro, que deveria ir para obras prioritárias nos municípios, escorre pelos esgotos da corrupção e dos desvios, muitas vezes com a participação dos ordenadores de despesas do Poder Executivo, indicados pelos partidos - afirmou Jarbas Vasconcelos.
O senador por Pernambuco também anunciou que já tomou uma medida prática: apresentou projeto de lei proibindo que as diretorias financeiras de empresas estatais sejam ocupadas por indicações partidárias. O cargo será exclusivo de funcionários de carreira da empresa ou autarquia. Além disso, os candidatos a diretores deverão ser aprovados pelo Senado, da mesma forma como ocorre com as agências reguladoras.
A questão da impunidade ocupou a parte final do pronunciamento de Jarbas Vasconcelos. Ele apresentou duas propostas, embora, antes de enumerá-las, tenha antecipado que não eram originais. A primeira foi a criação de uma agência anticorrupção com a participação do Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas da União e representantes da sociedade civil para detalhar um Plano Nacional Anticorrupção.
A segunda foi a retomada do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral para acompanhar, junto aos tribunais regionais eleitorais e ao Tribunal Superior Eleitoral, os processos relativos às denúncias de compra de votos e uso eleitoral da máquina administrativa. Também leu texto que defende intervenção enérgica pelo fim da impunidade e requer ampla ação educativa pela afirmação dos valores republicanos e democráticos na vida política.
- Essas duas propostas que acabei de apresentar e também o texto citado constam do documento "Combate à Corrupção - Compromisso com a Ética", parte do "Programa de Governo 2002 Lula Presidente". Tomei a liberdade de incorporá-los ao meu discurso por considerar que trazem abordagens atuais, corretas e, principalmente, por nunca terem sido postas em prática pelo atual governo - declarou Jarbas.
Retaliação
No início do seu discurso, Jarbas Vasconcelos leu o teor de comunicação que encaminhou à Mesa comunicando que não aceita qualquer indicação da Liderança do PMDB para colegiado no Senado. O motivo foi o seu afastamento da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) sem sequer um comunicado oficial. Ele classificou a decisão do partido de "atitude de retaliação mesquinha", que teria ocorrido em virtude de entrevista concedida pelo senador à revista Veja.
Fonte: Agência Senado
Retaliação - Parte II
"Eu queria dizer a esse arapongas que vocês não me amedrontam." Essas palavras proferidas pelo Senador Vasconcelos em seu discurso, é um ataque a varredura que foi feita no intuito de encontrar algo na sua vida e administração. Toda a investigação, especulação e acusação seria proferida por um deputado ligado a Sarney e Calheiros antes do pronunciamento do Vasconcelos.
Não tenha dúvida que não acho o Senador Vasconcelos um mártir, mas ele mesmo diz que tudo que está trazendo à tona atualmente, já foi discutido há muito com seus colegas. Mártir ele não é, entretanto, seu mérito está em fazer repercutir temas como: Corrupção, Reforma Política, Fidelidade Partidária e Financiamento Público de Campanha. Coisas importantíssimas para a consolidação democrática e bem-estar republicano.
Ele não defende, no entanto, o texto de reforma política encaminhado recentemente pelo governo federal à Câmara dos Deputados. A reforma pretendida por Jarbas Vasconcelos inclui quatro pontos: financiamento público de campanha, fidelidade partidária, fim das coligações em eleições proporcionais e implantação de uma cláusula de desempenho. Promover uma profunda reformulação no Orçamento Geral da União é outra medida urgente a ser tomada pelo Congresso, na avaliação do senador.
- As distorções começam na elaboração do Orçamento, permanecem na sua aprovação e atingem o auge na hora da liberação dos recursos e quando o dinheiro, que deveria ir para obras prioritárias nos municípios, escorre pelos esgotos da corrupção e dos desvios, muitas vezes com a participação dos ordenadores de despesas do Poder Executivo, indicados pelos partidos - afirmou Jarbas Vasconcelos.
O senador por Pernambuco também anunciou que já tomou uma medida prática: apresentou projeto de lei proibindo que as diretorias financeiras de empresas estatais sejam ocupadas por indicações partidárias. O cargo será exclusivo de funcionários de carreira da empresa ou autarquia. Além disso, os candidatos a diretores deverão ser aprovados pelo Senado, da mesma forma como ocorre com as agências reguladoras.
A questão da impunidade ocupou a parte final do pronunciamento de Jarbas Vasconcelos. Ele apresentou duas propostas, embora, antes de enumerá-las, tenha antecipado que não eram originais. A primeira foi a criação de uma agência anticorrupção com a participação do Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas da União e representantes da sociedade civil para detalhar um Plano Nacional Anticorrupção.
A segunda foi a retomada do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral para acompanhar, junto aos tribunais regionais eleitorais e ao Tribunal Superior Eleitoral, os processos relativos às denúncias de compra de votos e uso eleitoral da máquina administrativa. Também leu texto que defende intervenção enérgica pelo fim da impunidade e requer ampla ação educativa pela afirmação dos valores republicanos e democráticos na vida política.
- Essas duas propostas que acabei de apresentar e também o texto citado constam do documento "Combate à Corrupção - Compromisso com a Ética", parte do "Programa de Governo 2002 Lula Presidente". Tomei a liberdade de incorporá-los ao meu discurso por considerar que trazem abordagens atuais, corretas e, principalmente, por nunca terem sido postas em prática pelo atual governo - declarou Jarbas.
Retaliação
No início do seu discurso, Jarbas Vasconcelos leu o teor de comunicação que encaminhou à Mesa comunicando que não aceita qualquer indicação da Liderança do PMDB para colegiado no Senado. O motivo foi o seu afastamento da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) sem sequer um comunicado oficial. Ele classificou a decisão do partido de "atitude de retaliação mesquinha", que teria ocorrido em virtude de entrevista concedida pelo senador à revista Veja.
Fonte: Agência Senado
Retaliação - Parte II
"Eu queria dizer a esse arapongas que vocês não me amedrontam." Essas palavras proferidas pelo Senador Vasconcelos em seu discurso, é um ataque a varredura que foi feita no intuito de encontrar algo na sua vida e administração. Toda a investigação, especulação e acusação seria proferida por um deputado ligado a Sarney e Calheiros antes do pronunciamento do Vasconcelos.
Não tenha dúvida que não acho o Senador Vasconcelos um mártir, mas ele mesmo diz que tudo que está trazendo à tona atualmente, já foi discutido há muito com seus colegas. Mártir ele não é, entretanto, seu mérito está em fazer repercutir temas como: Corrupção, Reforma Política, Fidelidade Partidária e Financiamento Público de Campanha. Coisas importantíssimas para a consolidação democrática e bem-estar republicano.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Presidência
Atenção: Este post não versa sobre o novo presidente dos EUA.
Ainda que o novo presidente não seja brasileiro, as manchetes dos principais jornais do país trazem sempre o tal Obama, com fotos nas mais variadas poses e ângulos, com notícias desde suas decisões para Guantánamo aos seus passos de dança com a nova primeira-dama. Deixo claro que não se trata de uma crítica à importância dada a um fato de repercussão mundial, ainda mais num momento de crise como este que estamos vivendo; é apenas uma constatação.
Outra observação que tenho feito esses dias é que entre as notícias de Obama parte 1 e 2, estão pequenos quadrículos dedicados à cobertura das eleições para presidência — da Câmara e do Congresso — aqui no Brasil e, infelizmente, pouca gente tem acompanhado. A audiência dessas eleições não se compara nem de longe a nenhuma outra realizada no país que tenha como votantes o povo, claro; seu resultado, no entanto, também é de suma importância para o país.
Em menos de quinze dias, mais precisamente em 2 de fevereiro, nossos deputados e senadores elegerão os presidentes daqueles dois semi-círculos de Brasília. A articulação das candidaturas dessas presidências antecipam o quadro de apoios políticos da próxima eleição majoritária, em 2010, que terá como “ápice” a saída de Lula da presidência — há quem desconfie. É importante ficar atento aos jogos de interesse e acompanhar o que os deputados e os senadores andam confabulando nesse momento, afinal eles são nossos representantes (é um clichê falar isso, mas poucos eleitores recordam-se).
No mais, vamos acompanhar.
Ainda que o novo presidente não seja brasileiro, as manchetes dos principais jornais do país trazem sempre o tal Obama, com fotos nas mais variadas poses e ângulos, com notícias desde suas decisões para Guantánamo aos seus passos de dança com a nova primeira-dama. Deixo claro que não se trata de uma crítica à importância dada a um fato de repercussão mundial, ainda mais num momento de crise como este que estamos vivendo; é apenas uma constatação.
Outra observação que tenho feito esses dias é que entre as notícias de Obama parte 1 e 2, estão pequenos quadrículos dedicados à cobertura das eleições para presidência — da Câmara e do Congresso — aqui no Brasil e, infelizmente, pouca gente tem acompanhado. A audiência dessas eleições não se compara nem de longe a nenhuma outra realizada no país que tenha como votantes o povo, claro; seu resultado, no entanto, também é de suma importância para o país.
Em menos de quinze dias, mais precisamente em 2 de fevereiro, nossos deputados e senadores elegerão os presidentes daqueles dois semi-círculos de Brasília. A articulação das candidaturas dessas presidências antecipam o quadro de apoios políticos da próxima eleição majoritária, em 2010, que terá como “ápice” a saída de Lula da presidência — há quem desconfie. É importante ficar atento aos jogos de interesse e acompanhar o que os deputados e os senadores andam confabulando nesse momento, afinal eles são nossos representantes (é um clichê falar isso, mas poucos eleitores recordam-se).
No mais, vamos acompanhar.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
O pesadelo de Maradona - Publicidade incoerente
Hoje, procurando um recorte de jornal antigo para um trabalho, encontrei um texto de Roberto Pompeu de Toledo que eu havia guardado, há um tempo, por demonstrar o quanto a publicidade cria idéias um tanto incoerentes nas mentes dos destinatários. O trecho abaixo chamou bastante a minha atenção por isso. Antes de lê-lo, assista ao vídeo da propaganda (clique aqui) a qual o texto refere-se.
O campeonato dos comerciais tem momentos intrigantes. O festejado anúncio do guaraná Antarctica em que Maradona aparece com a camisa amarela, cantando o hino com os jogadores brasileiros, rendeu mais um momento de glória a seu criador, Duda Mendonça. Foi seu maior triunfo, depois das contas secretas que tanto lhe abalaram o prestígio. Mas, bem analisado, o que diz o anúncio? Maradona, depois da cena inicial, em que, ao lado de Ronaldo e de Kaká, entoa "e o sol da liberdade em raios fúlgidos", acorda e... "Caramba", diz. "Que pesadelo!" Ele atribui o sonho mau ao fato de estar bebendo muito guaraná Antarctica. Não há como fugir à conclusão de que o guaraná Antarctica dá pesadelos.Texto na íntegra
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