terça-feira, 25 de agosto de 2009

RefletiNDO

Recebi muitas informações hoje. Umas burocráticas e outras sentimentais. Falarei primeiro das burocráticas porque vieram primeiro, porque escrevi muito sobre sentimentos esses últimos dias e porque não quero fazer deste post que está surgindo enquanto digito essa e essa outra e mais essa palavra um diário sentimental. Não que isso seja, necessariamente, ruim, mas não criei este blog (só) para isso. Enfim, à burocracia. Na tarde de hoje, aprendi um pouco mais sobre o mundo burocrático do lead. Nossa, nada mais burocrático (!). E repito "burocrático" de novo porque, também hoje, ouvi dizer que, para Marcuschi, não existem sinônimos. Então, se você pensa em uma palavra, use-a, pois é ela que você quer dizer e, assim, não poderá substituí-la. Espero que eu tenha compreendido bem o que escutei sobre Marcuschi Continuando. Como um sujeito pôde inventar algo tão... tão... tão burocrático?! Não sei. De qualquer forma, volta e meia pergunto-me se a inserção do lead nas redações não desgraçou o Jornalismo. Não tem tempo para ler o bê-a-bá? Então se contente com os vinte minutinhos do telejornal (!). Afinal, não facilitam a vida do jornalista, então por que cargas d'água ele vai facilitar a vida do leitor com pistas do que está por vir? Nossa! Hoje acordei meio radical. Existe essa no Orkut? Voltando (com gerúndio mesmo porque isso não é jornal) à burocracia... Aprendi, na aula, que começar um texto com "Na manhã de ontem" envelhece a notícia. Mermão, mas ela não já é velha mesmo? Que conversa de gente maluca (!). Preocupar-se com o "teria matado" ninguém se preocupa. É nessa horas que reflito se não deveria ser médica, como sugeriu Geraldo Freire. De qualquer forma, achei fantástico discutir, na mesma aula, como o uso de pequenas palavras num texto dizem muito. Dizer que a ex-secretaria da Receita Federal passou o dia no hotel é diferente de dizer que ela ficou confinada no mesmo hotel. Assim como dizer que o presidente não respondeu é diferente de dizer que ele desconversou. Claro como dois mais dois são quatro (matemática para os leigos, eu curto). Mais "fantástico" ainda foi ouvir gente falando "se ele desconversou, ele desconversou e ponto", como se essa palavra não tivesse uma conotação diferenciada e ardil. Assim caminha a humanidade, já dizia o "ilustre" Lulu Santos. Findada a burocracia. Que venha os sentimentos que afloram no coração dos apaixonados! (Haha) Num papo cabeça sobre o que eu era há quatro ou cinco anos e o que sou hoje, percebi que, como Lina, eu passei dias confinada. Quiçá (que palavra cult!) anos. Bem, nessa conversa reflexiva — que deveria ultrapassar quinze minutos, mas se estendeu por noventa e quatro — via msn, cheguei ao auge da minha criatividade: amar, desamar, desarmar e amar de novo. Profundo não? Talvez. De qualquer forma, minutos depois, refletindo sobre a minha "obra", pensei: Porra, por que diabos desamar? Ou seja, já não concordo com a minha criação. Que bom! Afinal, pra quê desamar? Ninguém pediu isso. Pediu? Então que o amor continue (!). Até porque... Quem disse que é possível desamar? E... quem disse que amor existe? Há quem duvide. Que papo de bêbado! Voltando ao raciocínio... Pode-se amar, ninguém proibiu isso. O que talvez não se possa é "efetivar" esse sentimento. Amar todo mundo pode. Decretei! E, como disse, certa vez, uma amiga, um amor não anula o outro e blá-blá-blá, mas isso já é assunto para outro post.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Otorrinolaringologistaeoutrahistória

Por falta de horário, programei-me, desde a semana passada, para faltar a aula de Método de Pesquisa em Comunicação 2 de hoje e ir ao Otorrinolaringologista. Bem, tudo começou há alguns dias com um inchaço inexplicável na garganta. Digo "inexplicável" porque não dói nem incomoda. Na clínica, esperei mais de três horas para ser atendida. Entre um acesso de tédio e outro, vi a entrada triunfal de renomado radialista pernambucano no recinto. Reconheci a figura logo de primeira, apesar de seu semblante não ter a fama que tem a sua voz, mas esperei ele dizer o nome à recepcionista para confirmar minha suposição. Eis que ele disse "Geraldo Freire", então tive certeza. Confesso que fiquei irrequieta com a presença dele tão perto de mim, não por tietagem — de jeito nenhum —, mas porque eu queria ir lá “trocar uma idéia” com ele. E fui. Conversamos alguns minutos, ele foi super simpático e respondeu com atenção às minhas perguntas. Quando disse que sou estudante de Jornalismo, ele, abismado, falou “Como você estuda isso?!” e sugeriu que eu fizesse medicina ou qualquer outro curso que possibilitasse a minha presença naquela clínica, não como paciente, mas como doutora. Entre as coisas ditas por ele, algumas chamaram a minha atenção, como o fato dele usar o termo “formadores de opinião”. Assim, eu discordo do uso desse título e considero presunçoso e prejudicial demais, sobretudo para a sociedade, achar que o jornalista tem essa função e tamanho poder. Posteriormente, ele foi chamado pelo próprio médico para consultar-se; enquanto isso, eu fiquei mais um tempo “mofando” entre uma Caras e outra. Muitos minutos depois, o médico atendeu-me. Após examinar-me, ele — famoso otorrinolaringologista — pareceu não entender muito bem o que se passa comigo e, por isso, não fez um diagnóstico preciso. Receitou dois remédios — um antibiótico e um anti-inflamatório — e disse que eu deveria voltar lá na próxima semana para ser examinada novamente. Ele alertou, contudo, que se a medicação não fizer efeito, é provável que eu precise fazer uma amigdalectomia, ou seja, uma cirurgia para retirada das amígdalas. Na hora, com a minha ignorância, pensei: nossa, minha voz vai mudar, nunca vou poder ser como Geraldo Freire! Posteriormente, o médico explicou-me que não tem nada a ver e que é uma cirurgia comum, sem grandes problemas. Na dúvida, estou torcendo para que os remédios resolvam. Torçam por mim.

Dor latejada

Não quero cultivar, mas pontuar o que estou sentindo neste momento. É uma dor que, infelizmente, não cessa com morfina e dói demais. Talvez uma canção de Chico Buarque explique melhor o sentimento.

E os olhos marejados já molham o rosto.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Refletindo

Contaram-me uma história mais ou menos assim:

Pessoa A — Ei, boy, me dá esse cachorro-quente. Tô com fome.
Pessoa B — Hum. Tá bem, toma.
Pessoa A — Eita, deixa, quero não. Tem catchup e maionese e eu não gosto não.

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Personagens:
Pessoa A - Menino de rua
Pessoa B - Estudante de escola particular

domingo, 9 de agosto de 2009

Me ensina a fazer canção com você

Fim de semana passado, tive uma experiência incrível (!). Quem me conhece há mais tempo sabe do meu interesse por instrumentos de corda e, certamente, já deve ter ouvido algo sobre a minha vontade de aprender a tocar violão, violino, cavaquinho ou bandolim. Tudo começou com o desejo de ser uma violonista, mas como me sentia desconfortável com o tamanho do instrumento, bem além dos meus abraços, hesitei aprender a tocá-lo. Eis que desviei meus olhares para o violino, vendo nele uma solução para os meus braços curtos, ao mesmo tempo em que me encantava a sua aparência doce. Toda a história clássica deste instrumento, contudo, não me deixava muito à vontade ao imaginar os sons que gostaria de compartilhar com ele. Sentia-me como se quisesse dançar valsa em ritmo de forró. Assim, pensei em enveredar-me pelas raízes do samba e achei por bem tocar cavaquinho. E já me imaginava na mesma pose de Marisa Monte em uma foto com o instrumento (Haha). Bem, acabei na dúvida entre este e o bandolim, cujo som do choro encantava-me. Durante certo tempo, o segundo dominou a minha preferência e estava certa de que ele seria, finalmente, o meu melhor amigo. Ledo engano. No fim de semana passado, tive algumas "aulas" de violão e tudo o que eu pensei durante anos caiu por terra: o violão não é tão grande assim. Apaixonei-me. Bem, não sei se foi o momento, o “método” do professor ou ambos, mas, pela primeira vez, consegui segurar direito o violão e até extrair alguns acordes. Sim, fiz, a princípio, com que as cordas vibrassem um lindo LÁ (A), um esquisito RÉ (D), um simpático MI (E). Posteriormente, num lapso entre um RÉ e outro, descobri o SI BEMOL DIMINUTA COM GRAVE EM LÁ (Bbº/A). É provável que um outro professor simplesmente apontasse o erro e não me felicitasse com a descoberta. Isso, talvez, contribuísse para a realização efetiva do RÉ, mas, certamente, suprimiria o estímulo à criação e não teria tornado possível todo o ensinamento sobre os meio-tons — bemol e sustenido. Descobri, ainda, que "traste" não é dos piores xingamentos e que os dedos nem doem tanto quanto eu pensava e quanto doíam anteriormente. Conforme o meu desempenho com as cordas evoluía, novos acordes eram ensinados. Assim, com mais um ou dois dias de “aulas”, eu estava compondo uma canção (com letra!) formada por MI (E) e MI MENOR (Em). E tive a oportunidade de conhecer o RÉ COM SÉTIMA AUMENTADA (D7M), bem mais divertido do que o RÉ MAIOR. O violão possibilitou um passeio, realmente, rico pelos ensinamentos da Teoria Musical, rendendo grandes lições. Agora, quando eu ouvir falar sobre tempo de uma música, não vou mais pensar somente nos minutos e segundos de sua duração, mas também na lógica da batida que ela possui — se é binária, terciária ou quaternária. Foram dias de grande aprendizado e eu, realmente, não imaginava que fosse possível uma evolução tão rápida. Bem, de tudo o que aprendi, solfejar ainda me parece uma missão complicada e até engraçada, mas prometo que vou treinar. Que venha o violão.


Um grande beijo para o professor.

sábado, 8 de agosto de 2009

Não poderia ser outra coisa

Começo de período todo mundo fica assíduo na xerox do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e sai correndo no final da aula para garantir lugar na fila, que nesta época do ano é enorme. Pois bem, como toda boa aluna que promete, no fim do período anterior, ler todos os textos do período seguinte, gastei meus tostões no primeiro capítulo de Raízes do Brasil (1936), de Sérgio Buarque de Holanda. Bem, o professor da cadeira intitulada Realidade Sócio-econômica-política-cultural Brasileira (quase perco o fôlego!), Dacier Barros, já garantiu que essas aulas tendem a ser bem mais instigantes que os silenciosos debates unilaterais da disciplina de Ciência Política, que mediou no semestre passado. Ao que tudo indica, será mesmo, afinal, como o próprio nome diz, trata-se da Realidade [...] Brasileira e se os (futuros) jornalistas não se interessarem por ela, Triste Fim de Policarpo Quaresma (!). Também como reza a cartilha dos primeiros dias de aula, li o texto antes do professor iniciar o assunto e, óbvio, pude compreendê-lo muito melhor. Hoje, contudo, extrapolei as promessas de começo de período e acordei cedo (fato relevante, afinal eu SEMPRE hiberno e, principalmente, porque hoje é sábado) para estudar. É verdade que não faço isso desde os tempos do vestibular e, assim, não é impossível a comparação do vestibulando com o "trabalhador aventureiro", realizada por Dacier. De qualquer forma, vim até aqui — aproveitando o intervalo entre um capítulo e outro — para escrever algumas linhas que li no prefácio do livro supracitado. As palavras são de Antonio Candido (sim, sem acentos) e remontaram-me às saudosas (por que não saudosíssimas?) aulas de História do Brasil ministradas professor José Carlos da Mata no colégio NAP. Incrível como, invariavelmente, lembro-me desse professor quando leio sobre o Brasil; seja em livro de Manuel Correia de Andrade, de Gilberto Freyre ou no prefácio de Raízes do Brasil, escrito por Antonio Candido (!). E tenho certeza de que a leitura desse clássico de Sérgio Buarque de Holanda trará, muitas vezes, a figura de Senhor Wilson (Da mata é muito igual ao velhinho do desenho Dennis, o pimentinha) à minha memória. Voltando ao que interessa (?), lá vai um pouco do significado de Raízes do Brasil, que remonta às aulas de História porque esta ciência, na MINHA opinião, tem muito do que Candido escreveu.
Uma das forças de Raízes do Brasil foi ter demonstrado como o estudo do passado, longe de ser operação saudosista, modo de legitimar as estruturas vigentes, ou simples verificação, pode ser uma arma para abrir caminho aos grandes movimentos democráticos integrais, isto é, os que contam com a iniciativa do povo trabalhador e não o confinam ao papel de massa de manobra, como é uso. [A. Candido, 1986]

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Nota sobre John Hughes

Muitos devem estar se perguntando: Quem é esse? Pois é, suas obras são mais famosas do que seu próprio nome. Ele foi o diretor dos filmes, “Clube dos Cinco”, “Curtindo a Vida Adoidado” – que foi alvo de postagem neste blog – e, como produtor e roteirista, do longa “Esqueceram de Mim I e II”. Quem não se lembra desses filmes, principalmente, os três últimos? Enfim, a nota é para dizer que hoje, 06 de agosto, ele faleceu, vítima de um infarto em Nova Iorque aos 59 anos. O idealizador de filmes que estão em nossas memórias de infância se foi, entretanto, suas obras serão eternas.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Boas cenas, belas músicas

Hoje, como é terça-feira, é dia de mais um: “Boas cenas, belas músicas”. Dessa vez, o filme escolhido é “Volver (2006)”, do cineasta espanhol, Pedro Almodóvar. Em minha opinião, esta película está longe de ser uma das suas melhores. Bem antes do fim da história, qualquer pessoa, que ficou minimamente atenta à narração, percebe qual é o mistério e qual será o desfecho do longa. Mas mesmo assim, é sempre interessante observar o emaranhado de relações pessoais, e como as histórias de vida, inicialmente, distantes, tornam-se tão próximas aos espectadores, fazendo sentido na trama. E isso, ele faz como ninguém, além de abusar de cores sempre fortes em seus cenários, exaltando o calor latino, do qual nos identificamos logo de cara, mas tudo isso, ele faz sem cansar, nem deixar pesado o entendimento do seu argumento.

Outros temas referentes ao filme poderiam ser levados à tona aqui, mas esse não é o nosso objetivo. Nossa meta é mostrar uma cena que achei bem legal, e que vocês podem ver a seguir. Nela, minha bela Penelópe Cruz interpreta a música de nome que batiza o filme, “Volver”. Falando na canção que por sinal já é belíssima, torna-se mais admirável com a desenvoltura dela que teve seu nome indicado ao Oscar de melhor atriz por essa película. Enfim, pela beleza da música, a leveza de sempre que caracteriza os filmes almodovarianos e a interpretação da Penelópe, essa é a nossa segunda “Boa cena, bela música”.

domingo, 2 de agosto de 2009

Filmes que quero assistir

Na verdade trata-se de três filmes e um documentário. Dos filmes, um já foi lançado, e os outros dois, só no segundo semestre, enquanto que o documentário já não é mais novidade. Falo um pouco sobre eles a seguir.

Documentário:

1. Kurt Cobain - Retrato de uma Ausência. Esse é um documentário elaborado a partir de uma montagem de uma série de entrevistas concedidas pelo músico ao Michael Azerrad.
Informações: Dizem que vendo esse filme muitas coisas sobre a vida do cara começam a fazer sentido. Até porque, é ele, falando dele mesmo! Para os modistas, nem se empolguem, o filme não traz imagens ou shows do Kurt Cobain. Como disse, o filme é uma coletânea de entrevistas, e as imagens são dos lugares citados pelo cantor, ou de paisagens aleatórias.
Direção: AJ Schnack
Nacionalidade: Estados Unidos (2006)

Filmes:

2. Control. Esse mostra a vida do cantor da extinta banda Joy Division, Ian Curtis.
Informações: O filme é em preto e branco e não tem nada a ver com essa história clichê de “sexo, drogas e rock’n’roll”. Quero só ver isso! No mais, tenta conectar a antiga banda “Joy Division” com a criação da banda “New Order”, formada após o término dessa primeira.
Direção: Anton Corbijn
Nacionalidade: Estados Unidos/Inglaterra (2007)
Prêmios: Em Cannes, entre outros prêmios, levou o de melhor filme europeu.

3. Los Abrazos Rotos. Esse não importa nem o enredo, basta saber que é um filme com a marca Almodóvar. Além disso, ainda tem no elenco minha sétima colocada, Penelópe Cruz. Isso basta! O filme estréia por aqui em 20/11/2009.
Informações: Já recebeu boas críticas dos especialistas. Mesmo que não tivesse sido recomendado, que se danem os especialistas!
Nacionalidade: Espanha

4. Paciente 67. Esse é o novo filme do Martin Scorsese. Espero que não seja algo estilo, “A Rocha”. Além disso, o filme é com o pupilo do diretor, Leonardo diCaprio. Mas vamos esperar para conferir. Pelo que li sobre o argumento do filme, ele envolve investigação e uma foragida de um hospital psiquiátrico, e sobre isso, Scorsese entende bem.
Informações: É esperar para ver. Está pelas telas brasileiras em 09/10/2009.
Nacionalidade: Estados Unidos

Se alguém que ler os post tiver alguma sugestão de filmes, documentários ou afins, pode ficar à vontade para indicá-los.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Clichês e outras aspas

Parece que Chico Buarque (Sim, eu pegaria!) escreveu Cotidiano para mim. Só esqueceu que eu costumo dormir (muito) mais. Pois é, os dias têm seguido um após o outro, sempre com a mesma mecânica, como se vivesse nos Tempos Modernos. "Acorda e vai", diz a minha mãe, e eu vou. Feliz. Duas frases representam bem a missão "Todos juntos somos fortes, não há nada a temer" e "Não quero dinheiro, eu só quero amar" (E amo!). Musical demais para ser um jornal, vale ressaltar: um TELEjornal. Quem trabalha em TV sabe os fios brancos a mais que esse "TELE" concede. De qualquer forma, se há músicas, por que não as dizer? Por que não as cantar? O ditado não diz que quem canta os males espanta?! Então, trate de trocar as cordas do violão porque vou soltar o gogó! Bem, a correria termina com um "boa noite" final. É regra. Cessa a correria, mas começa a missão le-en-ta para chegar em casa. "Chamou?", —"Chamei". Isso não diz muita coisa, sempre é por volta das "dez da noite" (preferiria dizer vinte e duas horas, mas são as regras!) que, finalmente, grito "Amigo, cheguei!" E chego mesmo. O tempo passa e (adversativo) ninguém nota. "Caramba, três da manhã!". Isso é bom, mas entre estacas e tijolos, vem a dúvida: Quero mesmo fazer engenharia? É. E quem não faz o que faz? Vegeta? Ah, melhor seguir o conselho de quem toca a viola: ouvir o Canto.

Medo de construir
E medo maior de derrubar.
Vinícius contribui com a lição do amor:
Só é bom quando dói
E pra ser bom tem que viver.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Boas cenas, belas músicas

Aproveitando que irei iniciar um novo ciclo de postagens no blog, vou tentar corrigir um erro cometido quando eu pretensiosamente elegi as mais belas atrizes de todos os tempos. Naquela lista, tinha deixado de fora a Audrey Hepburn. E justifiquei dizendo que não a achava um mulherão, e sim, uma “bonequinha de luxo”, se é que vocês me entendem.

Posteriormente, pensando sobre essa nova postagem, lembrei de uma cena do filme “Breakfast at Tiffany's” de 1961, onde a mesma Audrey Hepburn interpreta a música “Moon River” com muito charme, delicadeza e sentimentalismo. Assim, se ela não é nenhuma Sophia Loren, ela também é bem mais bela que a Demi Moore que ocupava a oitava colocação na ocasião. Então, assédios sexuais a parte, venho ratificar a escolha, e mudar o ranking. Dessa forma, Demi Moore sai da minha lista das eleitas, e na sua posição, entra a Audrey.

Dito isso, a segunda coisa é justificar este ciclo de novas postagens com o mesmo título. Os posts intitulados, “Boas cenas, belas músicas”, vão tratar de passagens do cinema onde a conjunção desses dois elementos (o cinematográfico e o musical) se combinam e transformam o momento em mágico. Inclusive, bons casamentos entre trilha sonora e composições visuais proporcionam cenas inesquecíveis, fazendo algo que seria mais uma tomada, entrar para o imaginário do público e a história da sétima arte.

Como dito anteriormente, a cena a seguir, é do filme “Breakfast at Tiffany's”, em português, Bonequinha de Luxo, que tem como atriz principal a Audrey Hepburn. Entre o desejo de se tornar rica (casando com um milionário) e o risco de viver um verdadeiro amor, ouvimos a canção “Moon River” (vencedora dos Oscars de Melhor Trilha Sonora - Comédia/Drama e Melhor Canção Original) interpretada pela própria Audrey. Pelo conjunto, música, interpretação e cena, essa é a primeira “Boa cena, bela música” da série.



Também vale a pena ouvir as versões da mesma música nas vozes de Frank Sinatra, Louis Armstrong, Michael Stipe (R.E.M.) e Morrissey(ex-Smiths).

sábado, 25 de julho de 2009

Cara, cores, rivalidade, gols e emoções

O que falar sobre dois dos mais antigos clubes de futebol brasileiro? O que falar sobre a paixão de duas torcidas quando seus times estão em campo? Alguém já me disse que certa vez, Nelson Rodrigues falou que dentre as coisas menos importantes da vida, o futebol é a mais importante. De fato, para os brasileiros isso é quase regra, aqui, o estranho é não gostar de futebol.

Como em vários estados pelo Brasil afora, em Pernambuco não é diferente. Aqui é realizado o terceiro mais antigo Clássico de todo o Brasil. Seja na Ilha do Retiro ou seja no Estádio dos Aflitos é possível encontrar a manifestação desse fenômeno: o amor pelo futebol. E esse amor tem cara, cores, rivalidade, gols e emoções. Há exatos 100 anos, no Recife, era escrita a primeira página desse livro. Em 25 de julho de 1909, no campo do British Club, o primeiro “Clássico dos Clássicos” (Sport versus Náutico) era jogado. O placar foi favorável ao time alvi-rubro que ganhou a partida amistosa por 3 x 1. De lá para cá já foram 512 partidas disputadas, com 169 vitórias do Timbu, 197 do Leão e 145 empates.

Um dos ingredientes da rivalidade entre os clubes é saber qual deles possui a hegemonia local. Se pensarmos hegemonia como aquele que possui o maior número de títulos, o Sport está a anos-luz de distância. Entretanto, se o Náutico possui alguma vantagem, é pelos seus seis títulos pernambucanos consecutivos. O que acirra mais os nervos, pois mesmo o Sport possuindo 38 títulos contra 21 do seu rival, seguidamente seu maior triunfo foi um pentacampeonato em 2000. Além de que, as duas vezes que o hexacampeonato ficou ameaçado em cair nas mãos inimigas, o Timbu tratou de ganhar o campeonato e acabar com a felicidade alheia (uma vez tirou das mãos do Santa Cruz, e mais recentemente, do Sport). Em meus registros jornalísticos sobre os triunfos do rubro-negro pernambucano, encontrei uma foto e uma charge, que vocês podem ver a seguir, que demonstra bem o espírito e a mística em torno do maior feito alvi-rubro.


Fotos do caderno de esportes do Jornal do Commercio de 22 de junho de 2000. Para ampliar qualquer imagem, basta apenas clicar nelas.

Outra curiosidade é que a disputa é levada tão seriamente no clube da Rosa e Silva que eles não põem o escudo do Leão em seu site oficial (como pode ser visto na foto a seguir). Em geral, os sites oficiais dos clubes colocam em suas páginas o resultado do último jogo e o próximo a ser jogado, como pode ser observado no do Sport. Mas como pode ser visto na do Náutico, é visível apenas o escudo do Botafogo-RJ e do Timbu, e nada do Leão.

Como ritual que se repete há tanto tempo, seria impensável não haver aquelas histórias mais marcantes. O breve relato que vou contar se passou em 1975, e obviamente eu não era nascido. Desse modo, essa história chegou a mim através da minha avó (alvi-rubra) e do meu pai (rubro-negro). Em 1975, o Sport amargurava doze anos sem conseguir desbancar seus arqui-rivais. Foi nesse espaço de tempo 1963 a 1974 que o Náutico conseguiu seu hexacampeonato e o Santa Cruz seu penta. Nesse jogo, o time da Rosa e Silva saiu na frente do marcador, e o tempo normal acabou 1 x 0 ao seu favor. Só que esse resultado forçava o jogo ir para a prorrogação. A partida durou quase três horas, e no fim, o Leão do Norte sagrou-se mais uma vez campeão pernambucano acabando o seu jejum. Toda vez que esse jogo volta a discussão é lembrado como “o jogo que terminou no outro dia” e que foi um teste para cardíaco.

Ingresso do último Sport x Náutico que fui. O Leão venceu por 2x0.

Enfim, dia 26 de julho (amanhã), será realizada a partida de número 513. Sem dúvidas, meu coração rubro-negro pede e torce por um massacre leonino para cima dos timbus. Mas, paixões a parte, o que me emociona, é ver duas torcidas que se alegram e se entristecem por times das suas regiões. Que independentemente de que condição esteja, Libertadores, Série A ou B, zona de rebaixamento ou não, lutam com suas equipes, e não se deixam render por times extremamente favorecidos pelas mídias do sudeste do país. Ainda bem que somos um pólo de resistência a essa lógica, e por esse motivo, temos muito a comemorar. Pra cima deles Leão... ops.. Mantendo a neutralidade, bom jogo para todos!

terça-feira, 21 de julho de 2009

As mais belas atrizes de todos os tempos

Sempre é bastante difícil elaborar listas que enumerem de um universo imenso um grupo seleto, neste caso, as mais belas atrizes de todos os tempos. É evidente que as escolhas a seguir estão pautadas a partir de uma elaboração altamente subjetiva, e que provavelmente deverá haver discordâncias dos leitores, tanto com relação às atrizes indicadas, quanto às colocações que elas ocupam. Entretanto, essa foi uma tentativa minha, a partir daquilo que julgo belo, e espero ver nos possíveis comentários, as suas preferidas. Sei que geralmente essas listas são do tipo “Top 10”, mas como foi bastante difícil, ampliei as minhas selecionadas para 15. Elas são em ordem:

1. Sophia Loren
Pela beleza mediterrânea ao mesmo tempo desafiadora e sedutora, do tipo, desvenda-me ou devoro-te!

2. Grace Kelly
Quem não gostaria de possuir uma janela indiscreta para poder espioná-la? Atento a sua beleza, o príncipe de Mônaco não titubeou e casou-se com a moça.

3. Elizabeth Taylor
Nossa eterna Cleópatra é de fato uma gata em teto de zinco quente. A beleza dos seus olhos azul-violeta é de tirar o fôlego. Nem com uns quilinhos a mais e fazendo uma mulher que gosta de jogos psicológicos, em “Quem tem medo de Virgínia Woolf?”, perde o charme e o encanto.

4. Marilyn Monroe
O que falar dela? Que ela foi bastante popular e ícone de sensualidade todos já sabem. O que ninguém sabe, é que ela sempre teve razão. Tudo a seguir é verdade: “Os homens preferem as loiras”, “O pecado mora ao lado” e “Quanto mais quente melhor”.

5. Brigitte Bardot
Símbolo sexual dos anos 60 e 70. Vários artistas prestaram homenagens a ela, dentre eles, Bob Dylan, The Who e Caetano Veloso.

6. Sharon Stone
Apenas uma coisa: Ela provoca instintos selvagens.

7. Penélope Cruz
É uma mulher que pode fazer o papel de uma freira, grávida e com AIDS que ainda assim fica linda. O que é que a espanhola tem? Ela sabe, e Almodóvar ajuda.

8. Demi Moore
Quem não a assediaria? Quem não gostaria de passar o resto do tempo com ela no outro lado da vida?

9. Greta Garbo
O que mais gosto nela é o seu olhar misterioso e intrigante. Assistir a um filme seu da época do cinema mudo é uma experiência impar, graças a beleza da sua expressividade.

10. Julianne Moore
Hannibal não queria fazer mal a ela, queria apenas levá-la para casa. E eu, queria ser seu marido cego, para que ela cuidasse o tempo todo de mim. Uma ruiva autêntica.

11. Nicole Kidman
Seja no Moulin Rouge seja em Dogville sua beleza toma conta da tela e enche nossos olhos de alegria. Outra ruiva autêntica.

12. Julia Roberts
Uma coisa a resume: Pretty Woman!

13. Ava Gardner
É lembrada como “o animal mais belo do mundo”. Não à toa, Frank Sinatra ficou louco por ela.

14. Catherine Deneuve
Nada mais, nada menos que a “Belle de jour”.

15. Ingrid Bergman
Seu olhar é penetrante, tomar um champagne ao som de “As time goes by” ao seu lado seria inesquecível.

P.S.: E que ninguém me diga que a Audrey Hepburn é a mais bela de todas.

domingo, 19 de julho de 2009

Se tudo pode acontecer

Com um cenário simples e sempre com o “três, dois, um” antes de cada canção, o público sentia-se íntimo daquele homem de voz grave e músicas, por vezes, concretistas. Como num consenso para sentir ao máximo a melodia de Arnaldo Antunes, a platéia ouvia as canções em silêncio, como se a voz ainda não existisse. Alguns balbuciavam, outros não se continham e volta e meia cantavam ao ouvir as músicas preferidas. Claro que foi impossível manter o “acordo” ao ouvir hits como O quê, tão conhecido e querido pelos fãs da época do Cabeça de Dinossauro. E foi nesses momentos que Arnaldo convocou Recife para cantar; o público não pôde nem quis negar tal pedido.

Dos sucessos da época de Tribalistas, a expectativa era ouvir Um a um, sétima faixa do Ao vivo no estúdio, mas Arnaldo surpreendeu quando cantou outra canção da tribo que não consta no CD temático do show, Tribalistas. Tal música, que conta um pouco da história do trio que se desintegraria (e se desintegrou) no próximo momento, deixou o público com saudade. Saudosismo que aumentou ao ouvir O pulso, clássico dos Titãs no fim dos anos oitenta. Para fugir um pouco da proposta do show de “relembrar” o passado, Arnaldo Antunes adiantou, com apoio do público, uma canção do novo álbum, Iê-Iê-Iê, que será lançado ainda este ano.

Mesmo os que já estavam cientes do jeito elétrico com que Arnaldo movimenta-se no palco, foi impossível não se encantar com os passos da dança dele. E para os pernambucanos, pensar que entre um passo e outro tudo viraria frevo foi inevitável. Durante o show, não houve quem não pensasse Eu quero que esse momento dure a vida inteira (!). Tanto que foi unânime, no fim do espetáculo, a reclamação de que terminou muito rápido. Não que o show tenha sido efetivamente curto, mas a velocidade com que passou foi enorme, como tudo na vida que se espera demais. E também como tudo que acaba logo, deixou saudade.

Esses dias

Livro: O Veredicto, Franz Kafka
Filme: Kika, Pedro Almodóvar
Música: For no one, The Beatles

segunda-feira, 13 de julho de 2009

One, two, three, four!

Hoje, 13 de julho, é comemorado mundialmente, o dia do rock'n'roll. Aproveitando a ocasião, contarei o que aconteceu no meu fim de semana. Muitos não deviam nem saber o que se celebra hoje, da mesma forma que provavelmente, não sabiam que o baixista da extinta banda de punk rock Ramones, estava no Recife, no último sábado. E mais que isso, que ele fez um show no Clube Português, onde eu estava.

Na precária publicidade que fizeram, estava lá que o show seria em comemoração aos 35 anos de formação da banda, e que se ouviria obviamente, o som dos Ramones e as clássicas do punk rock mundial. Entretanto, havia pouquíssimas pessoas, e o espetáculo não durou nem uma hora. Ou seja, o que deveria ser uma festa, virou uma apresentação quase que particular. Mas, o dinheiro foi bem empregado. C. J. Ramone estava de brincadeira, acho que em decorrência do pequeno público que não chegou a lotar nem o pequeno espaço do Português. Acompanhando C.J., na guitarra estava Daniel Rey, produtor de vários álbuns e co-autor de algumas músicas dos Ramones, e na bateria, Brant Bjork, que pilotou as baquetas do Queens of the Stone Age. Cheio de caras e bocas, C.J. interpretou várias clássicas da banda, tais como, I wanna be sedated, Sheena is a punk rocker, Judy is a punk, Do you remember rock’n’roll radio, Pet sematary, e claro, o quase hino do grupo, Blitzkrieg bop, que pode ser visto no vídeo abaixo. Com um repertório desses, não haveria público que impedisse os caras de fazerem um bom som ficando, para nós espectadores, o gosto do bis.

Para acabar a noitada, terminei indo para o Garagem. Papo vai, papo vem, altas horas aconteceu uma batida policial. Ninguém sabe o que diabos eles estavam procurando, mas estavam armados até os dentes, com direito a cachorros farejadores e policiais encapuzados. Além disso, algumas pessoas foram revistadas, e de longe (como se estivéssemos em um set de filmagem, como figurantes) todos foram fotografados e filmados (por favor, se eu aparecer pelos jornais ou programas televisivos, avisem-me). Mas no fim, eles não saíram com ninguém detido, e o único déficit da noite, foi que o som teve que ser baixado enquanto ocorria a vistoria. Depois dos momentos de tensão tudo voltou a mais perfeita desordem e a noite continuou uma criança. Ainda ao som de muito rock’n’roll, inclusive, What a Wonderful World na versão dos Ramones, e claro, Michael Jackson, além de outros.

Enfim, foi uma noite diferente das outras. Primeiro, um encontro com um som de uma banda histórica, e depois, porque nunca tinha visto tanto policial junto. E eu que pensei que estavam dando uma “festa” na Câmara dos Vereadores ou na Assembléia Legislativa, e eles iriam dar uma olhada por lá.

domingo, 12 de julho de 2009

A África de Malick Sidibé

Lendo sobre a coreógrafa alemã Pina Bausch, que faleceu na semana passada, fui parar em Mali, no norte da África, e conheci Malick Sidibé. Ele é um dos mais conceituados fotógrafos africanos, ganhador de prêmios importantes e recentes da fotografia mundial, como o Leão de Ouro da Biennale di Venezia, em 2007, e o prêmio máximo do Photoespaña do ano passado. Ao contrário do que se pode estar pensando, os artistas não possuem nenhuma relação direta; a referência ao fotógrafo, no texto sobre a Pina Bausch, remontava ao movimento que as obras de ambos apresentam.

Oriundo de um continente financeiramente pobre e de cultura riquíssima, Malick não retratou as mazelas do seu país; ao contrário, inspirou-se na alegria do seu povo. Tal característica rendeu a ele, no Brasil, a alcunha de “antípoda de Sebastião Salgado”, pois segundo o fotógrafo malinês, “fotografia é juventude e alegria”. Não pretendo tecer comentários acerca das particularidades das obras de cada um deles, nem mesmo fazer deste texto uma apologia contrária ao estilo de fotografar do brasileiro, que também me comove, de outra maneira, claro.

Mali é um dos países mais pobres da África, com o terceiro pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo e cuja expectativa de vida não chega aos cinqüenta anos. Como muitos do seu país, que possui taxa de analfabetismo superior a setenta por cento (!), Malick não freqüentou a escola, mas passou as décadas de 1960 e 1970 dedicando-se a um estúdio fotográfico com o seu nome (Studio Malick). Talvez, por tudo isso, ele tenha dedicado-se a retratar os sorrisos malineses, como forma de evadir-se da miséria que assolava o seu povo e de contemplar a beleza daquelas pessoas.

Com câmeras, certamente, rústicas, Malick fotografou o cotidiano da cidade de Bamako, capital de Mali, retratando muito da moda do seu povo. Sem utilizar-se dos ensinamentos bressonianos, afinal trata-se de um retratista de estúdio, ele conseguia deixar seus modelos muito à vontade, a ponto de suas expressões transmitirem que era exatamente daquele jeito que eles queriam estar. As fotos de Malick transformam o colorido africano em preto e branco, algo que eu não conseguia conceber antes de conhecer seus retratos. O colorido da África é algo que realmente me encanta (!), mas o fotógrafo não pôde ou não quis retratá-lo e, ainda assim, suas fotos não me pedem cor e mostram-se exatamente como deviam ser.

sábado, 11 de julho de 2009

"Quem sabe eu ainda sou uma garotinha"

gabi diz:
hoje aprendi uma lição
gabi diz:
não se afaste tanto ao ponto de perceberem que você não faz falta.
Jão. diz:
HAHAHAHAAHAHAHAAHHAAHAHA
gabi diz:
lição do dia: "só caraminhole com amigos, porque os não-amigos podem roubar a sua idéia"
gabi diz:
skdjhskjdhsjkahdsdjks
Jão. diz:
HAHAHHAHAHAHAHHAAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAA
Jão. diz:
Essa é antiga, viiu?
gabi diz:
outra: se quem eu quero não me quer e quem me quer eu não quero, melhor ficar só.
Jão. diz:
Mais velha que eu e tu.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

“Mas eu não quero ver gente maluca”

Você já imaginou um lugar onde flores pensam que você é uma erva daninha, lagarta faz o estilo fumante-intelectual, um coelho apressado corre porque está atrasado, um gato fica sob sua própria cabeça, chaleiras cantam, urubus são guarda-chuvas, corujas tem pescoço de sanfona, cachorros tem cabeça em forma de vassoura e maçanetas falam? Pode acreditar, esse lugar existe! Pelo menos, em “Alice no País das Maravilhas (1951)”.

Esse é um filme clássico que muitos devem ter assistido quando eram crianças. Entretanto, a interpretação que se tem nesse momento, não é a mesma quando se tem um pouco mais de bagagem intelectual. Pelo menos é o que se espera! Sem dúvida, ter contato com essa obra da Disney é submergir e brincar com a imaginação. Contudo, sem leituras ingênuas, proponho uma visão do filme que busca reconstruir conceitos sem se basear na racionalidade típica das sociedades ocidentais.

Alice é uma garota chateada com sua vida sem grandes emoções. Para ela, sua vida é um livro sem figuras. Acredito que os psicanalistas adorariam ter uma paciente aos moldes de Alice. O filme nada mais é do que arte, certa estética, associada à psique da protagonista (que não é tão protagonista). Ou seja, o que vemos é um determinado imaginário extraído de um sonho, sem necessariamente, importar coisas como, coerência, significados racionais e adequação. O problema – se assim o posso chamar – de Alice está na sua dificuldade em resignificar e recodificar estruturas de pensamento já consolidadas em sua ação, sem, contudo, ter a ajuda de claras passagens cognitivas.

Mas nem pense que nesse mundo surreal – literalmente – há apenas devaneios. O real também está no nonsense (Oscilando entre a "ficção" e a realidade). O encontro de Alice com a lagarta é um deles. Incessantemente, a lagarta pergunta à Alice: Quem é você? Ora, em minha perspectiva, isso pode ser interpretado, na passagem, tanto como um artifício para desqualificar a fala da menina, ou seja, um instrumento autoritário de poder, como uma indagação reflexiva sobre a existência dela. Aqui, o autoritarismo perde espaço para uma ação fenomenológica. A lagarta, na verdade, pergunta à Alice, como é que ela se percebe no mundo. E é a própria inquiridora que dá a resposta ao se transformar em borboleta. E agora eu pergunto, de fato, não somos uma eterna mutação? Não estamos em eterna mudança? Não é isso que somos?

Em um caminho tortuoso, regado a explicações incompletas e conclusões precipitadas, temos um segundo momento que merece destaque. O primeiro encontro de Alice com o gato de Cheshire inicia-se com uma pergunta simples: Qual caminho devo tomar? O gato caminha em uma linha tênue entre loucura e lucidez, é ele que alerta a garota da insanidade dos outros, e dá pistas de como sobreviver neste ambiente. Veja se isso não é a vida real. 1) Estar com os outros, e discordar minimamente deles; 2) Tentar não irritar as pessoas; 3) Elogiá-los; e 4) Se adequar ao local, ou seja, nunca tente inovar muito em circunstâncias estranhas. Seguindo essas quatro regras, você sempre será bem quisto. A seguir, você pode ver um trecho dessa conversa de Alice com o mestre gato. Na cena, além da discussão sobre qual rumo tomar, há também, um processo de desconstrução de raciocínio que o gato promove sobre o possível paradeiro do coelho atrasado.



Mas ainda não é esse o ponto. O mais interessante nesse encontro, é como o gato transmite a ideia de escolha associada a de responsabilidade individual. Se não se sabe qual caminho tomar, é porque não se sabe para onde ir, uma ótima definição para o que chamamos de “indecisão”. A seguir, uma pequena transcrição da conversa que se refere a esse debate que estamos tendo.

Alice: Eu só queria saber que caminho tomar.
Gato: Isso depende do lugar onde quer ir.
Alice: Realmente não importa.
Gato: Então não importa que caminho tomar.

Enfim, para além de um filme infantil, “Alice no País das Maravilhas (1951)” traz bons pensamentos nada infantis. Diferentemente, de outros filmes com a marca Disney, este além do seu pouco ou nenhum comprometimento com a realidade, mostra que para um filme ser bom, não é preciso: 1) Que ele gire em torno de um grande propósito ou dilema, e/ou 2) Que haja uma lição de moral a ser apreendida ao longo dele. Quem não o viu depois de adulto, que o veja! Ahhh, e feliz desaniversário para quem nos lê.

domingo, 5 de julho de 2009

O fabuloso destino de uma digressão de domingo

Em geral, sou bastante receptiva em relação aos filmes nacionais; não quero com isso dizer que gosto de todos, nem poderia, afinal não tenho vocação para major Quaresma. De qualquer forma, é melhor alertar, o quanto antes, para a opinião frágil e facilmente rebatida que tenho sobre filmes, já que não entendo sobre arte cinematográfica e pouco (!) conheço do cinema brasileiro de antes da "retomada". Em suma, não tenho bagagem teórica nem prática para dialogar horas a fio sobre o melhor de Truffaut ou mesmo acerca do grande Glauber Rocha.

O desconhecimento que tenho da cena cinematográfica mundial e brasileira não é premeditado, ao contrário, tento findá-lo, pois me agrada entender sobre o tema. Assim, não escrevo como forma de apologia ao "analfabetismo cinematográfico", de jeito nenhum; contudo, não posso negar esse fato, essa minha condição.

Espero que, com o que eu disse, o leitor não pense que meu filme preferido é O Diário de Bridget Jones, a que assisti com asco no auge dos meus treze anos, para satisfazer a vontade de uma amiga. Explico para não pensarem, equivocadamente, que eu gostei de ver O Poderoso Chefão. Não, não gostei. Sei o quanto dizer isso aos quatro ventos é pedir para ser olhada com ar de desprezo — sobretudo, se você estuda no Centro de Artes de Comunicação — mas não escondo.

Lembro que fui sozinha à locadora, ano passado, pegar a trilogia de O Poderoso Chefão e o balconista olhou-me com uma expressão de respeito, como se dissesse "Escolha perfeita!" Certamente, surpreendeu-se com o fato de uma garota com jeito de treze ou catorze anos interessar-se pelo clássico de Coppola. A expectativa pelo filme era gigante, já que o título é presença garantida no top five dos intelectuais de plantão, e eu odeio a "expectativa cinematográfica", que, em geral, transforma-se em decepção para mim.

Decepção foi o que senti quando o cast subiu. Definitivamente, a família Corleone não me agradou (!). Talvez seja necessário frisar que não considero o filme ruim, nem posso, não tenho argumento para sustentar essa tese; também não posso, contudo, afirmar que gostei, porque a história não chamou a minha atenção. Quando falo isso, dizem que eu não estava num bom dia para ver aquele estilo de filme e que por isso não gostei; pode ser, mas não tenho vontade de revê-lo. E para terminar de frustrar qualquer paquera "intelectualóide", eu não só gostei de Titanic, como chorei todas as vezes que revi (sim, eu revi!).

Bem, existem muitos filmes entre O Poderoso Chefão e Titanic e dentre esses títulos, em alguns, compartilho do mesmo posicionamento dos intelectuais de plantão (livrei-me da fogueira!). Recentemente, por exemplo, gostei muito de O Curioso Caso de Benjamin Button, cujos imperceptíveis e nada enfadonhos cento e sessenta e seis minutos também foram elogiados pela crítica.

Folheando a revista Veja, ontem, deparei-me com a história de um pai, crítico de cinema, que, atendendo ao pedido do filho, aceitou que ele parasse de estudar aos quinze anos. A única condição imposta ao garoto foi que ele assistiria aos filmes que o progenitor indicasse. Assim, toda semana, durante três anos, pai e filho compartilharam experiências cinematográficas. A fim de evitar "tendenciosidades", o pai escolhia os filmes aleatoriamente, bons e ruins, antigos ou lançamentos. Óbvio, que foi uma decisão difícil e bastante arriscada, mas deu certo; o garoto decidiu dar continuidade aos estudos e pretende ser cineasta. A trajetória dessa experiência pode ser lida em O Clube do Filme, livro que há três semanas está entre os mais vendidos na lista da Veja.

A história, que ganhou páginas na Veja desta semana, expressa um pouco a influência que os filmes, bons ou ruins, têm nas vidas das pessoas, tais como os livros. Quem nunca sentiu vontade de viver uma passagem cinematográfica? Inúmeros foram os títulos de filme que serviram para a minha construção. Afinal, algumas cenas, realmente, ficam marcadas na cabeça, como trechos de músicas que nunca esqueceremos.

Hoje, uma cena assim veio à minha mente. Quando assisti ao filme Lisbela e o Prisioneiro, a passagem em que o pai da mocinha dá adeus a ela chamou a minha atenção. O delegado, temendo a prisão da filha, aceita que ela fuja com o Leléu — um malandro sem eira nem beira — e despede-se de Lisbela com um grito que nunca esqueci, algo como: Vá e seja feliz! (Na verdade é "Vááááááá e seja filiiiiiiiiiiiiiiiiiix"). A cena marcou-me pelo notório estado de tristeza que ele fica com a partida da filha e, principalmente, pelo amor expressado em tal frase.

O amor é um sentimento tão forte que é capaz de renunciar a presença, ainda que ela seja muito triste, em prol da felicidade de quem se ama; tal despedida expressa exatamente isso e, assim, encanta-me profundamente. Bem, recordei-me dessa cena porque um querido amigo está de malas prontas para viajar. Hoje foi a despedida dele e foi nítido perceber o mesmo amor do pai de Lisbela em cada uma das pessoas presentes, pois ainda que a dor seja grande, o que mais queremos é a felicidade dele.