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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Nota sobre John Hughes

Muitos devem estar se perguntando: Quem é esse? Pois é, suas obras são mais famosas do que seu próprio nome. Ele foi o diretor dos filmes, “Clube dos Cinco”, “Curtindo a Vida Adoidado” – que foi alvo de postagem neste blog – e, como produtor e roteirista, do longa “Esqueceram de Mim I e II”. Quem não se lembra desses filmes, principalmente, os três últimos? Enfim, a nota é para dizer que hoje, 06 de agosto, ele faleceu, vítima de um infarto em Nova Iorque aos 59 anos. O idealizador de filmes que estão em nossas memórias de infância se foi, entretanto, suas obras serão eternas.

domingo, 14 de junho de 2009

Futebol: dos primórdios até hoje em dia

Quando eu era criança, só havia uma televisão na minha casa, assim, por várias vezes, fui "aconselhada" pelo meu pai a trocar os desenhos por jogos de futebol. A princípio, eu ficava realmente irritada, achava tudo aquilo bastante sem graça. Depois, ao perceber que não adiantaria reclamar, entrava no espírito do jogo e ficava aperreando meu pai e meu irmão, falando que estava torcendo para o time dos jogadores de preto (o trio de arbitragem). Eu sabia que eles não eram jogadores, falava brincando, e achava graça quando explicavam o meu equívoco.

Meu primeiro contato (relativamente) consciente com o futebol ocorreu na Copa de 1994, da qual lembro muita coisa, ainda que só tivesse cinco anos. Recordo-me dos jogos do Brasil contra Camarões, Holanda... Contudo, a partida que realmente está mais marcada na minha memória é, naturalmente, a final. Naquele dia, minha casa foi o local de encontro de muita gente para assistir a aquele jogo emocionante e bastante tenso. Eu estava cercada de adultos e tinha vergonha de manifestar minha ansiedade e gritar com os gols, mas permanecer calada com o chute mais lembrado (?) da história do futebol mundial, desde que eu me entendo por gente, foi impossível. Gritei mesmo sem saber o que aquela vitória significava, gritei contagiada por aquela alegria de quem não via o Brasil ser campeão do mundo há vinte e quatro anos.

Na Copa seguinte, eu estava mal acostumada com a histeria de Galvão Bueno em 1994 e achava que o Brasil sempre seria campeão. Confesso que lembro bem menos da Copa de 1998, acho que o inconsciente me fez esquecer daquele jogo terrível contra a França. Naquele dia, meu mundo caiu, pensei que a seleção era invencível e ela me decepcionou, não agiu. Eu assisti a aquele jogo sem acreditar que aquilo estava acontecendo e esperei até o último minuto pelo empate e pela virada, que não vieram.

Aos dez anos, conheci um estádio de futebol. Por influência do meu tio — alvirrubro doente, por influência do meu avô — fui ao (Estádio) Eládio de Barros Carvalho, mais conhecido como Estádio dos Aflitos, assistir a um jogo do Náutico. Certamente, não deve ser a mesma emoção de conhecer o Maracanã, mas fiquei bastante emocionada com o tamanho daquele gramado que eu só via pela televisão. O grito da torcida também é bem mais emocionante quando se está lá, gritando com ela. É incrível ver os gols ao vivo e presencialmente, a única desvantagem é não ter direito ao replay.

Acordar de madrugada para ver o Brasil jogar na Copa de 2002 me fez chegar a uma conclusão um tanto contrariada. Assistir a jogos de futebol só vale a pena se o jogo é realmente disputado, partidas que terminam em três a zero não me agradam, prefiro o um a um. O suor dos jogadores para conseguir o empate e tentar ultrapassar toda a "zaga" para chutar no ângulo — sem chances para o goleiro — e virar o placar rende, de fato, um e jogo emocionante. Há um tempo, sempre que televisionavam partidas de futebol, eu perguntava para o meu irmão: Pode ir para os pênaltis? Se pudesse, independente de quais times estivessem jogando, valeria muita a pena ficar acordada até um pouco mais tarde para me emocionar.

Quando eu falo isso para o meu pai, ele me chama de louca e confessa que torce para o Santa Cruz fazer dois gols logo no começo do primeiro tempo para ficar com o coração mais tranqüilo. É, às vezes, eu acho que penso desse jeito porque nenhum time conquistou o meu coração e que, por isso, vivo no egoísmo de querer partidas emocionantes. Depois, contudo, lembro que penso da mesma forma quando a amada seleção canarinho está em campo. Sempre espero a escassez de gols e a marcação intensa do time adversário, mas não esqueço de torcer para que no fim a vitória esteja garantida e seja nossa, claro.

Vale ressaltar que não gosto simplesmente de ver dificuldade de um time para vencer o outro, mas a gana desse time pela vitória. Assim, considero o jogo da final da Copa de 1998 patético, quase um sonífero de tão ruim.

Semana passada paguei por tudo o que eu penso e enfrentei uma partida realmente difícil. Como goleira do RYU na Copa Patrícia Poeta/Copa Paulo Francis, vi meu time à beira da derrota numa partida realmente emocionante. (haja emoção!) O jogo da final, contra as calouras do RUN , foi bastante tenso e me fez sentir um pouco da adrenalina que eu gosto de assistir. O primeiro tempo foi bastante tranqüilo, começamos no melhor lado do campo e eu pude defender com força máxima. Durante o segundo tempo, as coisas não permaneceram tão calmas, levamos dois gols logo nos primeiros minutos. Eu olhava para a minha equipe e não conseguia entender o que estava acontecendo, muito menos aceitar.

Pouco antes do fim do jogo, conseguimos o empate e prolongamos a angústia, é verdade, e também a esperança de levantar o troféu. Meu corpo não agüentava mais, pedia descanso após tantas quedas para alcançar a bola. Além do físico, eu estava psicologicamente abalada, foi muita tensão. Ainda que a torcida gritasse "Gabi paredão!", não me animava, sentia-me responsável pelos gols marcado pelo time adversário, porque toquei na bola, nos dois momentos, mas não consegui finalizar a defesa. Assim, preferi passar o "bastão" e, com ele, a responsabilidade de defender os pênaltis para alguém que se sentia mais segura naquele momento para executar essa tarefa, Júlia Arraes.

Foram três cobranças do RUN e duas do RYU. A surpresa da nova goleira somada à sua estatura mais coerente com a função de defesa assustaram o time adversário. A craque do RUN chutou para fora e depois a sua companheira seguiu o “mau exemplo”. Júlia só precisou fazer uma única defesa e fez com maestria. Nós furamos as redes com a primeira cobrança, nos demos o luxo de não acertar o segundo pênalti e, em virtude do desempenho da outra equipe, não precisamos do terceiro chute. Nossa defesa teve gostinho de gol de placa para nós. Foi uma vitória realmente suada, mas se fosse fácil não seria tão emocionante.

Sei que uma citação no término de um texto deve ser interessante, mas falando de futebol e de emoção, de tanto ouvir ao longo dos anos, só lembro das (bregas) palavras de Galvão Bueno, “Agüenta coração!”.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

As frutas lá de casa

Durante grande parte da minha infância, morei com os meus avôs em uma casa de quintal grande e repleta de árvores e plantas frutíferas, que sempre me chamaram atenção. No jardim da casa, junto ao muro que dava para a rua e na beira de um pequeno espelho d'água, havia — na verdade, ainda há — uma robusta mangueira que produzia deliciosas mangas rosas.

Em épocas de safras de manga, "sofríamos" com os vizinhos e desconhecidos que, invariavelmente, tocavam a nossa campainha para pedir alguns daqueles frutos. Certa vez, inclusive, acordei com o barulho de uma pedrada na janela do quarto jogada por garotos que tentavam acertar as mangas e levá-las. Em geral, tirávamos as frutas da árvore antes mesmo delas ficarem completamente maduras para evitar situações como esta e, principalmente, para não deixar que elas caíssem no laguinho, pois se isso acontecesse iríamos perdê-las.

Eu e meu irmão, às vezes, escalávamos o tronco daquela árvore para ver o que acontecia por trás daquele imenso muro. Lembro-me do dia em que nós estávamos pendurados nos galhos da mangueira, observando o movimento da rua, e fomos surpreendidos pela sirene da polícia que passava naquele momento. Assustada com o barulho e imaginando muitas bobagens, comecei a chorar e, num (raro) gesto de fraternidade, meu irmão prontificou-se a me defender de qualquer mal que pudesse ocorrer.

Muito tempo depois — quando eu já nem era mais uma criança e estava prestes a me mudar daquela casa —, resolvi, mesmo contrariando vovó, relembrar como era subir na mangueira. Já em cima da árvore, observando as pessoas passarem na rua, ouvi a voz da minha avó, temendo receber uma reclamação, desci e tentei correr para dentro da casa, mas caí no laguinho. Ensopada de água, foi difícil esconder de vovó que a desobedeci, levei uma bronca, mas a aventura valeu a pena, foi a última vez que subi naquela árvore.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Rá-Tim-Bum!

Hoje, a capa do Caderno C (Jornal do Commercio) versou sobre o livro que o ex-presidente da Fundação Padre Anchieta, Jorge da Cunha Lima, lançou esses dias sobre a TV Cultura, cujo título é Uma história da TV Cultura. Entre as coisas interessantes da reportagem, o que mais me chamou atenção foi a transcrição de um trechinho do livro, falando sobre a origem — que pouca gente conhece — do nome do programa Castelo Rá-Tim-Bum, há anos produzido pela emissora.

"Quem deu o nome foi o Edu Lobo. Nós fomos almoçar, o Fernando Meirelles foi o diretor do Rá-Tim-Bum, e nós fomos no almoço onde estávamos o Edu Lobo, acho que a Célia Marques, o Fernando e eu. E a gente contando para eles que a festa mais importante na vida da criança (...) é o dia do seu aniversário. É aquilo que ela espera o ano inteiro, o grande momento da festa, o cantar parabéns é um dos pontos altos da vida da criança. E a gente estava sem o nome do programa, aí o Edu Lobo falou: 'A, o momento do parabéns, então por que não 'Rá-Tim-Bum'?'; então ele deu o nome por causo do 'É pique, é pique... Rá-Tim-Bum'"

Célia Regina Ferreira Santos, produtora do Rá-Tim-Bum.
Que criança da década de 1990 não assistiu, ao menos uma vez, ao Castelo Rá-tim-bum? Mesmo sendo considerado um dos melhores programas da televisão brasileira destinado ao público infanto-juvenil, confesso que não era muito fã das aventuras de Nino; impossível, contudo, é não reconhecer o caráter pedagógico dessa série.
Bum, Bum, Bum, Castelo Rá-Tim-Bum!

terça-feira, 31 de março de 2009

Ciranda, cirandinha...

"O anel que tu me deste era vidro e se quebrou,
o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou."

quarta-feira, 25 de março de 2009

Arte em Lego

Criadas, na década de 1930, por uma pequena empresa de uma família dinamarquesa, as pecinhas de Lego popularizaram-se em todo o mundo a partir de 1950, quando começaram a ser produzidas em larga escala. Baseando-se no encaixe, o brinquedo chama atenção das crianças através das suas cores vibrantes e das infinitas possibilidades de brincadeiras que permite, sendo, portanto, um grande estímulo à criatividade.
Durante a minha infância, eu brinquei bastante de Lego com o meu irmão e o meu primo, construindo desde casas a naves espaciais. Um dia desses, eu atrevi-me a montar algumas coisinhas para relembrar a infância e foi muito divertido. As pecinhas de Lego são realmente uma diversão garantida e devem continuar presentes nas brincadeiras das próximas gerações.
Navegando na internet esta semana, achei algo bem engraçado: bonequinhos de Lego que simulavam fotografias consagradas como Behind the Gare Saint Lazare, de Henri Cartier-Bresson. Abaixo estão algumas reproduções (cliquem nelas para ampliar) dessas fotos que foram montadas por Mike Stimpson e foram disponibilizadas pelo site bf2brasil.
Reprodução de Behind the Gare Saint Lazare, de Cartier-Bresson.

terça-feira, 10 de março de 2009

Querida amiga

Durante a minha infância, uma amiga esteve sempre presente nas minhas longas e pacatas tardes na casa de vovó. Nascida na geração da minha mãe, a boneca Barbie foi a fiel escudeira e companheira para todas as horas desta garota que vos fala, que isolada numa casa grande e com vizinhos adultos, não tinha com quem brincar.

Lembro das minhas Barbies e semi-Barbies (sim, eu tive várias imitações da Barbie) com muito carinho, mas algumas marcaram-me mais. A Barbie Xuxa foi a minha preferida durante anos, trajando um maiôr verde limão, por diversas vezes ela instigou-me a pô-la para "nadar" no laguinho de peixes da casa de vovó, fato que deixou seus cabelos bastante deteriorados. Não satisfeita com tamanha invensão, achei por bem repaginar suas madeixas com um corte bastante ousado, deixei a querida Xuxa praticamente careca, apenas com pequenos tufos de cabelo que a tesoura não mais alcançava.

Certa vez, irritada por não possuir uma Barbie morena e afim de identificar-me mais com a boneca, resolvi improvisar. Com o rímel preto da minha mãe colori todo o cabelo de uma das minhas Barbies. O resultado ficou bastante satisfatório, pena que a "tintura" não fixou tão bem.

Dentre as minhas semi-Barbies, lembro-me bem de uma que só tinha cabelo, numa coloração "amarelo manga", no topo da cabeça, sendo careca nas laterais, característica comum nas imitações da tradicional boneca da Mattel. Aproveitando-me de tal característica inovei um pouco, criando um modelo punk, uma Barbie com moicano.

Esses dias, navegando no Orkut, lembrei bastante dos meus tempos de criança quando vi a comunidade "Minha Barbie era piranha", pois, quase sempre, minhas Barbies tinham affair e relacionamentos abertos. Vale ressaltar que, na falta do Ken e do Falcon (boneco das brincadeiras dos meninos que suas irmãs por vezes utilizavam como namorado da Barbie), as bonecas namoravam umas as outras como se vivessem na ilha de Lesbos. Perto dos oito anos, ganhei, de vovó, o meu tão almejado presente: o namorado da Barbie. Como só era um, a procura ficou maior que a oferta, aumentando os conflitos conjugais.

Nas minhas brincadeiras, algumas Barbies tinham nomes fixos, uma chamava-se Estela por ter cara desse nome e outra chamava-se Alessandra por ser idêntica à atriz Alessandra Negrini. Pouquíssimas vezes alcunhei alguma das minhas bonecas com o meu nome, essa era a hora que eu tinha a chance de assumir outra identidade que não a de uma criança.

Diversas vezes criticadas por feministas e sociólogos e muito querida pela garotada da geração de 1990, esta semana a Barbie completa cinqüenta anos em plena forma física. Aproveitando a ocasião, agradeço a essa querida amiga as várias tardes que passamos juntas.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Meu pé de maracujá

Quando eu era criança e meus pais ainda estavam casados, morávamos numa casa pequena, que eu odiava. O meu ódio pela casa não era por causa do seu tamanho, claro, mas pelo que ela representava para mim: as brigas conjugais dos meus pais. Eu tinha pesadelos todas as noites com aquele lugar e vivia chorando sem algum motivo aparente, hoje até desconfio que tive depressão.

A vizinhança também não era das melhores. Seu Calixto, vizinho que morava na casa do lado direito da nossa, criava vários animais, como porcos, galinhas e cachorros e cultivava várias frutas, se achava o granjeiro, mas a casa tava mais para chiqueiro. Eu e meu irmão não gostávamos dele, pois todo o cheiro dos estercos desses bichos iam para a nossa casa; meus pais, entretanto, eram bastantes amigos do velho, a que, inclusive, chamávamos secretamente de Arraes, por parecer com o político. Do lado esquerdo, havia uma casa verde-escura na qual morava uma mulher de meia-idade muito mal-humorada que não gostava de mim por volta e meia eu roubar uma rosa da sua roseira para presentear a minha avó materna. Nessa época, eu era bastante apegada a ela.

Alguns dias, contudo, eram felizes nesse lugar. Um que recordo bem foi quando um grande maracujá — cujo pé ficava no muro entre a minha casa e a de seu Calixto — caiu no meu quintal. Eu e meu irmão estávamos “paquerando” aquele maracujá há alguns dias, mas nossa mãe impedia-nos de pegá-lo, pois o vizinho poderia perceber e ficar chateado. Até que um dia, sem que tivéssemos nos esforçado para isso, o maracujá, que já estava pendendo para o nosso lado, caiu no chão no momento em que eu brincava no quintal com o meu irmão. Corremos, então, felizes ao seu encontro e entregamos a fruta a Mainha para que fizesse um bom suco de maracujá, do qual ela já havia falado muito bem.

Foi o meu primeiro suco de maracujá. E estava delicioso.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Saudade do meu Super Nintendo

Até o começo deste ano, eu fazia parte do grupo de órfãos do Super Nintendo, mas agora volta-e-meia mato a saudade do querido Mário jogando durante horas. Aproveitando o mês das crianças, alerto para a possibilidade de vocês, caros leitores, também desfrutarem novamente dos joguinhos da infância.

Dia desses, nerdando na internet, descobri que eu poderia reaver meu vídeo game e voltar a jogar meus jogos preferidos e tantos outros, caso quisesse, no computador. Numa comunidade do orkut (clique aqui), é possível adquirir tanto o Super Nintendo (e outros vídeo games) quanto as fitas, através de downloads gratuitos. Aproveitem!

Boas partidas de Mário Kart, Superstar Soccer, Donkey Kong, Street Fight, entre outros.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Às Crianças


"Será que desta vez cinco minutos vai ser muito ou pouco?" [Nathalia Pereira, quando criança]

Recomendações sobre o tema:
Filme: Pequena Miss Sunshine
Música: Saiba, de Arnaldo Antunes
Vídeo: Vida da Tamiris

Feliz dia das crianças (ainda que tardio) para todos nós!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Banco Imobiliário


É (quase) impossível alguém que teve a infância entre os anos 1980 e 1990 não conhecer o Banco Imobiliário, jogo que era obrigatório em toda prateleira de quarto de criança daquela época. Ao jogar, sempre havia os que iam à falência logo no início da partida, por comprar demais, e os que enriqueciam com tantos imóveis. Havia, ainda, quem "roubasse", infringisse as regras ou até mesmo inventasse novas formas de brincar com tal jogo. A compra dos hotéis mesmo até hoje é um mistério para mim, pois cada grupo de amigos jogava de uma forma diferente.
Uma boa estratégia imobiliária era investir nas Companhias, que sempre rendiam grandes lucros, a depender dos números dos dados do adversário que caíam, pois seguia a regra do "pontos dos dados multiplicados por X" (quociente a depender da Companhia).
A parte mais badalada do tabuleiro era a que continha Morumbi, Interlagos, rua Augusta e avenidas Pacaembu e Europa; sendo mais excluída a parte que continha o famoso bairro do Leblon, tão filmado nas novelas de Manuel Carlos. O preço do imóvel era tão irrisório (R$ 100, com aluguel custando R$ 6) que me fazia crer que se tratava de uma favela.
Quem nunca pensou que a nota de quinhentos reais realmente existia que atire a primeira pedra, pois eu acreditava piamente. Apesar de algumas incoerências absorvidas depois de tanto jogar, tenho certeza que aprendi algumas coisas, mas como era difícil vencer o jogo, resolvi não me aventurar pela área de administração.
Alguns motivos levavam os participantes a serem presos. A prisão dos adversários sempre era bem-vinda, mas não muito duradoura, pois talvez alguém tivesse a carta de liberação, adquirida no "sorte ou revés"; quando não, a fiança de R$ 50 resolvia o problema, mas só após três rodadas sem jogar; havia, ainda, a chance de apelar para sorte, tendo que tirar números iguais nos dois dados para se livrar do xadrez. Regalias como o "salário" (R$ 200), recebido a cada rodada no tabuleiro, ajudava a recompor a "fortuna" dos jogadores depois de vários percalços na rodada anterior.
Lá pelo fim do jogo, os números dos dados faziam toda a diferença, um número a mais ou a menos rendia grande perda de dinheiro para os que caiam nos hotéis do adversário. Os “acordinhos” sempre aconteciam nessa fase, a camaradagem do "eu não pago agora e você não paga quando cair no meu hotel" eram freqüentes. Valia tudo para não sair do jogo, lembro que até "emprego" era oferecido, algo como "se andares por mim no tabuleiro, te pago R$ X a cada rodada”. Confesso que já me "humilhei" para receber esse rico dinheirinho, que não fazia ninguém recuperar-se, mas ajudava a manter a brincadeira por mais tempo.

Escrevi sobre o jogo, que me rendeu grandes alegrias e algumas brigas por ultimamente estar sonhando bastante com ele. Os sonhos são os mais absurdos, num, a caixa do Banco Imobiliário ocupava a vaga da minha garagem no prédio que eu morava anteriormente; e em um outro sonho, a caixa estava sob o chão na posição mais difícil de equilíbrio, em pé. A mensagem onírica ainda não foi captada, mas algo me diz que preciso matar a saudade do jogo, quem se candidata a uma partida?

Foto em: gardenal.org

*Um beijinho pro meu amor. :*

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Saudade da boneca Soninho

Soninho era o nome de uma boneca muito querida que eu tive na minha infância, quando tinha cerca de cinco anos de idade. Certo dia, Soninho ficou velha(?) e feia(?), eis que minha mãe decidiu "seqüestrá-la". Os dias passaram, a ausência de Soninho foi sendo percebida, mas ao perguntar sobre o paradeiro da boneca, só ouvia "não sei" como resposta. Meio que já desconfiada que minha mãe faria isso a qualquer momento, não prolonguei as buscas e pus-me a chorar bastante, de saudade e de tristeza, pois nunca mais tornaria a vê-la. E assim os anos se passaram, mas o dia do sumiço da querida Soninho, ainda hoje, permeia a minha memória e com freqüência reaparece em meus pensamentos, pois nunca gostei de nenhuma outra boneca quanto gostei dela.

Hoje, lendo um texto, que versava sobre a Pluralidade de Perspectiva, para a cadeira de Introdução à Filosofia, encontrei algo que minha mãe deveria ter lido antes de tomar a decisão de jogar Soninho no lixo ou tê-la dado a alguma outra criança. Ao ler, senti uma saudade grande da minha companheira de outrora.
"Um velho brinquedo de pelúcia de uma criança que, segundo sua mãe, merece ir para o lixo, pode ter para quem o possui um sentido infinitamente mais rico, em relação ao qual a simples idéia de descartá-lo significa uma agressão."
SOUZA, Ricardo Timm. Sobre a Construção do Sentido: O Pensar e o Agir entre a Vida e a Filosofia. 1. ed. São Paulo: Perspectiva, 2003. p. 17.