sexta-feira, 29 de maio de 2009

"Bette Davis Eyes"

Dentre as grandes estrelas do cinema norte-americano, uma possui luz própria. Bette Davis foi modelo para seus colegas na arte da interpretação, e é referência para os amantes do cinema clássico americano. Na vida, era geniosa e temperamental. Criou várias inimizades com os colegas de trabalho. Mas sua personalidade sempre esteve associada a de uma mulher forte, sabedora de suas qualidades, que apostava no seu talento e que não admitia ser tratada como objeto pelos executivos dos estúdios. Para seu tempo, ela conseguiu algo praticamente impensável: ser o símbolo do mais puro feminismo quando nem mesmo o movimento estava consolidado.

Ela ganhou dois Oscars de melhor atriz pelos filmes "Dangerous"(1935) e "Jezebel" (1938), mas para além dos prêmios recebidos, sem dúvida, assistir um filme seu, é proporcionar uma festa para os olhos. Para começo, indico "All About Eve"(1950) e "What Ever Happened to Baby Jane?" (1962).

Tornou-se conhecida do público mais jovem quando, em 1981, a cantora Kim Carnes lançou a canção "Bette Davis Eyes" (não à toa, título do post) que se tornou um sucesso pelo mundo à fora. Nos EUA, ela permaneceu como a mais tocada nas rádios durante dois meses. No vídeo abaixo, você pode conferir o hit. As cenas iniciais são do filme "What Ever Happened to Baby Jane?". E a atriz que aparece é Joan Crawford, umas das atrizes da época que não se dava bem com Bette Davis. Daí a brincadeira de quem fez o vídeo, nas passagens em que Davis aparece, Crawford parece surtar e demonstrar enorme ódio. Aos 33 segundos, é passada uma cena clássica de "All About Eve", na qual a atriz dá um show de interpretação, e diz com todo seu charme e elegância: "Apertem os cintos de segurança. Vai ser uma noite turbulenta."

Além da referência da música de Kim Carnes, outras homenagens estão nas músicas de Madonna - "Vogue", e do Bob Dylan - "Desolation Row". No próprio cinema, em "Todo sobre mi madre", do Almodóvar, é feita uma homenagem ao filme "All About Eve", e claro, à Bette Davis.

Há algum tempo, Bette Davis nos deixou (06/10/1989). No entanto, para os apreciadores do bom cinema, a impressão é que ela está viva, acessível através de seus filmes que nunca deixaram de ser exibidos na televisão, nas coleções de DVD, e nas biografias escritas a seu respeito. Esse culto em torno do nome de um artista é reservado apenas àqueles que aqui pisaram e conseguiram deixar sua marca. E é claro, Bette Davis é um desses mitos da sétima arte. Suas interpretações são altamente recomendadas. Não sem razão, Kim Carnes canta a beleza e expressividade do seu olhar. Pode conferir!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

"Estou chegando quase"

Ontem assisti a Budapeste, adaptação cinematográfica do aclamado (terceiro lugar no Prêmio Jabuti de 2004) e debochado livro homônimo de Chico Buarque, que dispensa qualquer apresentação. Deixando de lado qualquer juízo de valor sobre a literatura e sobre o filme, dirigido por Walter Carvalho, comentarei alguns detalhes bobos com os quais me identifiquei. José Costa, brasileiro boêmio e escritor anônimo, desviado da rota de sua viagem — assim como Cabral, tal qual a historiografia oficial faz-nos crer — foi parar em outro lugar: Budapeste, capital húngara. Às margens do rio Danúbio, o escritor, que a essa altura do romance já é Kósta Zsoze (seu nome em húngaro), aprende o único idioma que o diabo respeita com uma interessante budapestina, Kriska. A árdua tarefa de aprendizagem do húngaro pela qual o protagonista passa, lembrou-me a minha dificuldade com a língua inglesa. Senti-me José Costa (!) por alguns instantes. Algumas situações engraçadas e até gafes cometidas por ele assemelharam-se às grandes bobagens que escrevo ou aventuro-me a falar no idioma britânico. Claro que ele tem como desculpa a imensa diferença entre o húngaro e o português, mas, para o meu próprio bem, não posso deixar de concordar com a sua lição: Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

As frutas lá de casa

Durante grande parte da minha infância, morei com os meus avôs em uma casa de quintal grande e repleta de árvores e plantas frutíferas, que sempre me chamaram atenção. No jardim da casa, junto ao muro que dava para a rua e na beira de um pequeno espelho d'água, havia — na verdade, ainda há — uma robusta mangueira que produzia deliciosas mangas rosas.

Em épocas de safras de manga, "sofríamos" com os vizinhos e desconhecidos que, invariavelmente, tocavam a nossa campainha para pedir alguns daqueles frutos. Certa vez, inclusive, acordei com o barulho de uma pedrada na janela do quarto jogada por garotos que tentavam acertar as mangas e levá-las. Em geral, tirávamos as frutas da árvore antes mesmo delas ficarem completamente maduras para evitar situações como esta e, principalmente, para não deixar que elas caíssem no laguinho, pois se isso acontecesse iríamos perdê-las.

Eu e meu irmão, às vezes, escalávamos o tronco daquela árvore para ver o que acontecia por trás daquele imenso muro. Lembro-me do dia em que nós estávamos pendurados nos galhos da mangueira, observando o movimento da rua, e fomos surpreendidos pela sirene da polícia que passava naquele momento. Assustada com o barulho e imaginando muitas bobagens, comecei a chorar e, num (raro) gesto de fraternidade, meu irmão prontificou-se a me defender de qualquer mal que pudesse ocorrer.

Muito tempo depois — quando eu já nem era mais uma criança e estava prestes a me mudar daquela casa —, resolvi, mesmo contrariando vovó, relembrar como era subir na mangueira. Já em cima da árvore, observando as pessoas passarem na rua, ouvi a voz da minha avó, temendo receber uma reclamação, desci e tentei correr para dentro da casa, mas caí no laguinho. Ensopada de água, foi difícil esconder de vovó que a desobedeci, levei uma bronca, mas a aventura valeu a pena, foi a última vez que subi naquela árvore.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Que livro você é?

Esses dias, fiz o teste Que livro você é? e descobri que sou Antologia Poética, de Carlos Drummond de Andrade. O resultado completo dizia:
"O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua". Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz.
"Antologia poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.
De fato, não sei se concordo com o que diz o resultado, mas ele bem que se assemelha à minha pessoa, sentimental.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

"Até o fim um amador"

Certa vez, eu vi um amigo queimar-se com cigarro para não esquecer a lição que aprendeu com aquela cicatriz. Hoje eu escrevo com o mesmo intuito.

Esses dias estive pensando algo bastante óbvio: Na vida só se aprende vivendo! Conselhos são realmente valorosos, mas são ineficazes enquanto não se acredita que eles são possíveis, enquanto não se aprende que eles são certos. Antes disso, infelizmente, eles entram por um ouvido e saem pelo outro. Pensei também outra coisa bastante óbvia, mas que, quando estamos do outro lado da moeda, esquecemos e/ou ignoramos: Cada pessoa aprende em um espaço de tempo diferente e é necessário paciência para entendê-las. E ainda que o mundo gire cada vez mais veloz, como diz Lenine, é preciso ter paciência. Os "aprendizes", contudo, também não podem esquecer e/ou ignorar o outro verso da mesma música, "A vida é tão rara", e deixar para amanhã o que podem e devem resolver hoje.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Um bom motivo para dar adeus ao amigo trema

As alterações advindas da “reforma” já foram alardeadas aos quatro cantos, mas pouco se disse sobre o motivo político que torna essas mudanças relevantes.

Antes, é preciso esclarecer o equívoco de que se trata de uma reforma, quando, na verdade, o que se pretende é um acordo. Ao contrário de alterações substanciais na ortografia, tal acordo tem como conseqüência a mudança de somente — segundo o professor da UNB, Marcos Bagno — 0,5% das palavras escritas em “português brasileiro”.

Durante anos, Portugal transformou a duplicidade de ortografias em embargo às nossas pretensões internacionais. Sob tal pretexto, por exemplo, a nossa emissão de certificados de proficiência em português não é ratificada em Portugal e a livre circulação dos nossos livros é impedida em países lusófonos.

Como disse Alberto Faraco, professor da USP, por motivos econômicos, sociais e, sobretudo, educacionais, a ortografia de um idioma deve manter-se o mais estática possível. No contexto atual, entretanto, defender a validade do acordo é de grande relevância para firmar o nosso papel no cenário mundial e, principalmente, para unificar o idioma português — e não a língua portuguesa.

Referências:
Não é reforma, minha gente, é só um acordo! - Marcos Bagno
Uma mudança necessária - Alberto Faraco
E agora, Portugal? - José Luiz Fiorin

domingo, 3 de maio de 2009

Em tempos de gripe suína...

Várias são as histórias feitas a partir de releituras dos clássicos infantis, um exemplo é a evidente versão de Chapeuzinho Vermelho produzida por Chico Buarque, em 1997, sob o título de Chapeuzinho Amarelo. Ontem, foi a vez do chargista Miguel dar um novo rumo à história dos Três Porquinhos com uma charge cômica, embora trágica.

FONTE: Jornal do Commercio (02 de maio de 2009).

sábado, 2 de maio de 2009

Adeus, Boal

Coincidentemente, depois de voltar de uma peça, recebi, de uma amiga, a triste notícia da morte do embaixador mundial do teatro. Na madrugada de hoje (02/05), Augusto Boal, que sofria de leucemia, foi internado, em hospital no Rio de Janeiro, com quadro de infecção respiratória e não resistiu, falecendo aos 78 anos. Como legado, Boal deixa toda a sua trajetória teatral e uma grande lição:
Todos os seres humanos são atores - porque atuam - e espectadores - porque observam. Somos todos "espect-atores" .

Outras referências do blog ao dramaturgo:
1976--Chico Buarque e Augusto Boal
O Caráter Cênico VI: Sobre Augusto Boal

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Pra comemorar!

Ontem, o Secretário Executivo do Ministério da Cultura (MinC) e a secretária de Articulação Institucional do MinC vieram a Pernambuco entregar o primeiro kit da iniciativa Ponto de Leitura.

Criado por iniciativa do Ministério da Cultura, em 2008, o Ponto de Leitura é uma ação que tem como objetivo apoiar projetos de leitura desenvolvidos por pessoas físicas e jurídicas, sem fins lucrativos, em todo o Brasil. Visando melhorar a infra-estrutura de bibliotecas já existentes, o Ministério da Cultura disponibilizou, no fim do ano passado, edital (I Concurso Pontos de Leitura 2008) para, através das ações do Ponto de Leitura, beneficiar tais projetos com kits compostos de livros, computador, mobiliário, além de gibis.

A Livroteca Brincante, antiga "Os Guardiões", na Comunidade do Bode, no bairro do Pina, foi o primeiro projeto contemplado pela iniciativa e além do kit, conta agora com nova sede - uma casa de verdade -, custeada pela Prefeitura da Cidade do Recife. Idealizada por Ricardo Gomes Ferraz, mais conhecido como Kcal Gomes, a Livroteca existe há mais de um ano e é motivo de orgulho para a comunidade, que só aparecia nos noticiários “policialescos”.

Ao todo, mais 513 projetos, de todo o país, serão beneficiados, sendo 30 deles (incluindo a Livroteca Brincante) localizados no Estado de Pernambuco. Além do Ponto de Leitura, o MinC está investindo na campanha "Cada Município, Uma Biblioteca”, que tem como objetivo zerar, até metade deste ano, o número de municípios, de todo o país, desprovidos de biblioteca.


" Todos nós estamos sentados na lama,
mas alguns de nós estão olhando as estrelas. "
Kcal Gomes

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Felicidade Rubro-Negra em 1962

Estou fazendo uma pesquisa aonde diariamente vou ao Arquivo Público do Estado. Até ai, nada de excepcional. Porém, ao mesmo tempo em que estou de olho no objetivo do trabalho, acompanho o dia-a-dia do nosso grande SPORT. Dentre campeonatos pernambucanos e excursão aos EUA, uma reportagem chamou-me a atenção. Nela, duas figuras do Clube, Severino Albuquerque e Marcelino Lopes falam sobre as dificuldades da construção e do resultado final do “Palácio do Leão”. Esse artigo foi publicado no dia 11/01/1962 pelo Diário de Pernambuco.

1. Antes
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2. Depois
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Obs.: PARABÉNS pelo nosso 38º título estadual! O 4º título invicto! Que venha o Colo-Colo...

Libra explica

Desde muito tempo, eu leio e escuto sobre astrologia, mas sempre sem levar muito a sério, ainda que concorde com várias das informações. Nos últimos meses, tenho convivido com pessoas que vêem na astrologia grande sentido, assim, acabei descobrindo mais características do meu signo e entendendo sobre ascendente, lua, vênus, etc. Sou escorpiana e isso deveria significar que conservo grande orgulho; quem me conhece, contudo, sabe que não consigo levar esse orgulho às últimas conseqüências, de forma que sempre tendo a ceder ou a perdoar com relativa facilidade. Em conversa com os meus borbotões, via-me como uma pessoa besta e até volúvel, pois, diferentemente dos meus "irmãos de escorpião", não sou uma autêntica orgulhosa, não que isso seja uma qualidade. Esta semana, ainda que continue sem acreditar muito na astrologia, entendi sobre a minha lua, que é em Libra, e descobri por quê funciono dessa maneira. Na astrologia, a posição da lua indica a forma que a pessoa relaciona-se com as demais. Ter lua em Libra, segundo meus "amigos da astrologia", significa ter tendência a ser apaziguador nos relacionamentos interpessoais, funcionando como diplomata, buscando sempre o equilíbrio e a resolução dos conflitos. Assim, muitas vezes — ainda que demore — o meu orgulho é suplantado pela balança libriana que, ao contrário do que eu pensava, não me transforma numa pessoa besta ou volúvel, mas em alguém que busca uma relação equilibrada com as outras pessoas.

*Créditos a João e Yuri.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Rá-Tim-Bum!

Hoje, a capa do Caderno C (Jornal do Commercio) versou sobre o livro que o ex-presidente da Fundação Padre Anchieta, Jorge da Cunha Lima, lançou esses dias sobre a TV Cultura, cujo título é Uma história da TV Cultura. Entre as coisas interessantes da reportagem, o que mais me chamou atenção foi a transcrição de um trechinho do livro, falando sobre a origem — que pouca gente conhece — do nome do programa Castelo Rá-Tim-Bum, há anos produzido pela emissora.

"Quem deu o nome foi o Edu Lobo. Nós fomos almoçar, o Fernando Meirelles foi o diretor do Rá-Tim-Bum, e nós fomos no almoço onde estávamos o Edu Lobo, acho que a Célia Marques, o Fernando e eu. E a gente contando para eles que a festa mais importante na vida da criança (...) é o dia do seu aniversário. É aquilo que ela espera o ano inteiro, o grande momento da festa, o cantar parabéns é um dos pontos altos da vida da criança. E a gente estava sem o nome do programa, aí o Edu Lobo falou: 'A, o momento do parabéns, então por que não 'Rá-Tim-Bum'?'; então ele deu o nome por causo do 'É pique, é pique... Rá-Tim-Bum'"

Célia Regina Ferreira Santos, produtora do Rá-Tim-Bum.
Que criança da década de 1990 não assistiu, ao menos uma vez, ao Castelo Rá-tim-bum? Mesmo sendo considerado um dos melhores programas da televisão brasileira destinado ao público infanto-juvenil, confesso que não era muito fã das aventuras de Nino; impossível, contudo, é não reconhecer o caráter pedagógico dessa série.
Bum, Bum, Bum, Castelo Rá-Tim-Bum!

sábado, 4 de abril de 2009

Ção

Com “quote musical”, aqui está mais uma postagem introspectiva e de caráter auto-biográfico. Escrevo não como forma de ser ouvida, até porque sem meias palavras tudo o que precisava — e até o que não precisava — ser dito, já foi devidamente falado para a pessoa mais interessada, ou melhor, a única interessada. De qualquer forma, escrevo porque há mais de dois anos este blog tem refletido, explicitamente ou não, momentos que vivi e coisas que pensei e agora, principalmente agora, não poderia ser diferente.

Você me apareceu do nada e você mexeu demais comigo.

Engraçado o modo como as pessoas surgem em nossas vidas e sorrateiramente vão ocupando espaços que nunca demos a outro alguém e que sequer sabíamos que existiam. Eu não tinha nenhuma consciência do quanto eu podia amar, do quanto eu podia ser feliz; e, de repente, quando comecei a ter alguma noção disso, descobri-me completamente apaixonada com apenas uma solução: amar. E amei. Perdi as contas de quantas vezes chorei de felicidade e não há cálculo capaz de mensurar o sentimento que transborda de mim. Ainda que hoje as lágrimas entristeçam os meus olhos, nada no mundo alterará os momentos intensos vividos e nem eu pretendo esquecê-los, porque nada foi em vão.

terça-feira, 31 de março de 2009

Ciranda, cirandinha...

"O anel que tu me deste era vidro e se quebrou,
o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou."

quinta-feira, 26 de março de 2009

Apenas para constar

Apenas para constar a resposta ao meu e-mail do Sen. Jarbas Vasconcelos pode ser visto a seguir. Quem normalmente frequenta o blog, deve ter visto que mandei para ele um e-mail (clique aqui para lê-lo) sobre suas denúncias públicas com relação ao PMDB. Bom, a correspondência não possui nada de espantoso, e também nem sei se foi ele que a escreveu. Mas sei que está em seu nome.


Caro Rodrigo,

Quero apresentar meus agradecimentos pelo email que você me enviou no dia 17 de fevereiro próximo passado. Peço desculpas pela demora em lhe enviar uma resposta, mas o gabinete tem recebido um volume imenso de correspondências de todo o País. Faço questão de ler tudo que me mandam e isso termina atrapalhando a agilidade da resposta. Nesses dois anos em que estou no Senado Federal, tenho buscado fazer o que você defende na sua mensagem, atuando como um opositor correto, responsável e propositivo. A Reforma Política permanece, para mim, como a "mãe de todas as reformas".

Atenciosamente,

Jarbas Vasconcelos

quarta-feira, 25 de março de 2009

Arte em Lego

Criadas, na década de 1930, por uma pequena empresa de uma família dinamarquesa, as pecinhas de Lego popularizaram-se em todo o mundo a partir de 1950, quando começaram a ser produzidas em larga escala. Baseando-se no encaixe, o brinquedo chama atenção das crianças através das suas cores vibrantes e das infinitas possibilidades de brincadeiras que permite, sendo, portanto, um grande estímulo à criatividade.
Durante a minha infância, eu brinquei bastante de Lego com o meu irmão e o meu primo, construindo desde casas a naves espaciais. Um dia desses, eu atrevi-me a montar algumas coisinhas para relembrar a infância e foi muito divertido. As pecinhas de Lego são realmente uma diversão garantida e devem continuar presentes nas brincadeiras das próximas gerações.
Navegando na internet esta semana, achei algo bem engraçado: bonequinhos de Lego que simulavam fotografias consagradas como Behind the Gare Saint Lazare, de Henri Cartier-Bresson. Abaixo estão algumas reproduções (cliquem nelas para ampliar) dessas fotos que foram montadas por Mike Stimpson e foram disponibilizadas pelo site bf2brasil.
Reprodução de Behind the Gare Saint Lazare, de Cartier-Bresson.

Mudanças

Vocês já tiveram a impressão que estão mudados? Quem não pensou que em quatro anos sua vida/jeito de pensar deu uma reviravolta? Bom, sem dúvida as estrofes a seguir são mais profundas do que os meus comentários, mas me fez mais uma vez pensar sobre mudanças. Uma coisa eu digo, viver estaticamente, em inércia é fácil, o problema é a mudança de hábitos. Ahh, o poema é o seguinte:

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?

Cecília Meireles

terça-feira, 24 de março de 2009

Vibe Telejornalística

Estou numa vibe telejornalística e o estágio no Nosso Jornal (Assistam!), da TV Universitária, tem muita influência nisso. Quem me conhece há algum tempo, certamente, ouviu meus pré-conceitos a respeito do jornalismo de televisão; minha postura em relação a essa prática, contudo, tem mudado bastante nas últimas semanas. A oportunidade de estar numa redação telejornalística fez-me perceber certas sutilezas que ainda não haviam sido percebidas, inclusive por eu não ter estudado nada sobre televisão na faculdade até o presente momento. A riqueza dessa oportunidade a mim consentida é dupla, pois além de estar em contato com o jornalismo de televisão, estou tendo a (rica) experiência de entender como funciona uma TV pública. Se vou trabalhar com telejornalismo, ainda não sei, é muito (!) cedo para dizer, mas estou aproveitando este momento para aprender.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Radiohead em seis clipes

Radiohead que por muitos é considerada uma das melhores bandas da atualidade e um marco dos rock dos anos de 1990, se apresentará no Brasil neste fim de semana. A partir de agora, vamos tentar contar a história da banda surgida em 1988 em Oxford, seguindo seis clipes.

Em 1993, com a música “Creep” (que pode ser vista logo abaixo) a banda chamava a atenção da mídia, e o Radiohead finalmente fazia sucesso. O CD "Pablo Honey" está longe de ser o melhor do grupo, mas como disco de estréia cumpre o papel de mostrar os predicados que seriam tão elogiadas no futuro.

Já com o segundo disco (“The Bends” – 1995), o quinteto não decepcionou e passam pelo “teste do segundo álbum” numa boa. E foi com este CD que o Radiohead alcançou sucesso pelas "terras da rainha". E nele está contido um dos singles mais importantes na carreira dos caras, “Fake Plastic Trees”. Bom, se não for o mais importante, é pelo menos aquele que ajudou bastante a consolidar a carreira deles. Aqui eles deixam de ser promessa e os investimentos da gravadora começam a ser percebidos. O clipe é muito bem produzido, com capricho na edição e explosão de cores. Você pode vê-lo logo abaixo.

Em 1997, veio a consagração definitiva. O videoclipe “Paranoid Android”, que pode ser visto a seguir, é o primeiro single deste terceiro CD que deixou a crítica de boca aberta e o público extremamente entusiasmado, fazendo o disco (OK Computer) conciliar como poucos, grande sucesso comercial e aclamação geral e irrestrita. Aqui é perceptível as influências eletrônicas da banda, mas além disso, o CD conta com letras que falam sobre a alienação moderna. Também vale destaque as músicas “Karma Police” e “No Surprises”. E vale salientar, que o álbum foi responsável por acabar de vez o que se conhecia por “britpop” – a saber, a briga Blur x Oasis - e também carrega nas costas, a responsabilidade de ser um dos três álbuns mais importantes dos anos 90. Atenção para os ratinhos camaradas em uma das cenas do clipe.

Em 2000 e 2001, são lançados respectivamente "Kid A" e “Amnesiac”. Neles, pode ser percebida uma ruptura na carreira do grupo. Após um bloqueio criativo provocado pelo cansaço depois de turnês para divulgar o "OK Computer", Yorke entrou em depressão e mergulhou em sons eletrônicos experimentais. Esse clima pode ser percebido ao longo dos discos. E "Idioteque" tem em sua construção toda a estranheza e angústia que foram o motor do CD. Ahh, além disso, "Kid A" foi o primeiro álbum de uma banda grande a ter seu conteúdo "vazado" na internet. E história com a internet o Radiohead tem.

O lançamento do CD “Hail to the Thief” de 2003 promoveu a "volta" do Radiohead ao rock. Com guitarras distorcidas, sons eletrônicos e letras do Thom Yorke, o álbum veio para ficar. O single “There There” está nesse CD, e o seu clipe teve alta rotação e traz Thom Yorke como um ser bizarro andando por uma floresta escura. Bastante apropriado, você não acha? Atenção para a cena Hitchcock do clipe.

O último álbum lançado da banda (In Rainbows – 2007) traz inovações. Na música "House of Cards" não foi usada nenhuma câmera ou luz. Em vez disso, uma tecnologia 3D coletou informações dos objetos e a distância entre eles. Além disso, o CD podia ser adquirido por download, e o valor de compra seria dado pelo cliente/fã. Salientando, que ele também poderia baixar sem pagar nada. A seguir pode-se ver o clipe de “House of Cards”.

Com influências que vão da música eletrônica ao jazz, e da preferência por bandas como: Queen, Elvis Costello, Joy Division, R.E.M., The Smiths, The Beatles e The Beach Boys, a banda apresenta ao público guitarras distorcidas, influência diversas e letras contemporâneas. Sem dúvida alguma, tudo isso credencia o Radiohead a ser uma das bandas mais importantes da atualidade.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Preciso conhecer a história de Baleia!

Os Retirantes - Candido Portinari

Esses dias, não sei exatamente o motivo, mas deu-me uma vontade louca de ler Vidas Secas. Desde que tive conhecimento da existência do livro, tardiamente no segundo ano, fiquei interessada na leitura que protelei até a presente data. Ontem, acordei decidida: Preciso conhecer a história de Baleia! Então, dirigi-me ao site da Livraria Cultura (sim, eu tenho preguiça) e pedi que me trouxessem o livro em casa.

Cheguei tarde da labuta diária ontem, ainda assim não deixei de dar uma lidinha rápida na mais famosa obra do escritor Graciliano Ramos. E hoje, mesmo bastante cansada e com o adicional "cólica", não posso deixar de escrever as minhas primeiras impressões.

Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.
Depois enxaguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota.
Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer. [RAMOS, Graciliano]
Bem, na capa do livro que comprei tem uma citação muito perspicaz do autor que me rendeu alguns momentos de reflexão. Comparando o ato de escrever com a maneira como as lavadeiras de Alagoas lavam as roupas, Graciliano deixa uma lição aparentemente óbvia, mas muito importante: "A palavra foi feita para dizer."

Pouco li sobre Baleia, mas já deu para perceber que o clima do livro é bem mais pesado do que eu imaginava. Uma passagem do livro remontou-me a uma foto famosa bastante triste e angustiante de uma criança moribunda da África, trazendo grande melancolia para a minha noite, principalmente ao lembrar que o livro é ficção, mas que a foto é uma cruel realidade comum em todos os lugares do mundo.

A catinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O vôo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos. [RAMOS, Graciliano]
Sem mais, pois ainda estou nas primeiras páginas do livro, termino este texto para retornar a minha longa caminhada com os retirantes de Vidas Secas.