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domingo, 28 de março de 2010

Agradecida e encantada

Pode parecer ignorância, mas, até um dia desses, eu só conhecia o Mário Lago ator. Lembrava dele apenas por meio de suas participações em algumas novelas. E mesmo cantarolando bastante Ai que saudade da Amélia, não imaginava que tal música consistia numa composição sua com o saudoso Ataulfo Alves. Contudo, não faz muito tempo, e eu fui apresentada à faceta poética desse homem. Alguns de seus textos, muitas vezes considerados pedantes, utilizam o requinte para falar sobre coisas simplórias, mas não se pode dizer com isso que ele não sabe traduzir bem os sentimentos. Constatei isso ao ler Devolve, poema pelo qual me apaixonei à primeira olhadela. Como não se encantar com versos que traduzem com exatidão e tom sublime sentimentos tão cáusticos e dores tão latejantes? Não poderia deixar de encantar-me com palavras tão passíveis de serem ditas, com composição tão verossímil. Assim, por ontem ter emocionado-me novamente ao ouvir a recitação de Devolve, resolvi compartilhar um pouco de Mário Lago. Eis o poeta que eu não conhecia e agora faço questão de ler e ouvir.


*Créditos ao romântico que me apresentou ao poeta Mário Lago.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Mudanças

Vocês já tiveram a impressão que estão mudados? Quem não pensou que em quatro anos sua vida/jeito de pensar deu uma reviravolta? Bom, sem dúvida as estrofes a seguir são mais profundas do que os meus comentários, mas me fez mais uma vez pensar sobre mudanças. Uma coisa eu digo, viver estaticamente, em inércia é fácil, o problema é a mudança de hábitos. Ahh, o poema é o seguinte:

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?

Cecília Meireles

quarta-feira, 11 de março de 2009

"Vazio agudo ando meio cheio de tudo"

Relendo, hoje, um velho bloco de notas, de uns dois ou três anos atrás, deparei-me com a frase acima e identifiquei-me de pronto. Viva Leminski!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Para sempre?

Dando continuidade ao tema da postagem passada, amor, compartilho aqui um poema de Ernesto Cardenal, poeta nicaragüense. Eu sou bastante leiga (e um tanto desinteressada) no âmbito poético - tanto que "conheci" Cardenal através de um bloquinho de notas de uma tia há algum tempo (anos!) - mas gostei dos versos, ainda que contenha um tom pedante de "meu amor é o melhor", por eles encaixarem-se bem na minha fase de "João amava Teresa que amava Raimundo..." Posto-os agora sem algum motivo especial, apenas por ter lembrado do poema esses dias e por ele aludir a um amor fracassado, tônica da postagem anterior, a qual me reporto.

Epigramas
Ernesto Cardenal

Ao perder-te eu a ti, tu e eu perdemos:
Eu, porque tu eras o que eu mais amava
e tu porque eu era o que te amava mais.
Mas de nós dois tu perdes mais que eu:
porque eu poderei amar a outras como te amava a ti,
mas a ti não te amarão como te amava eu.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

20. Plátano

A professora do curso de espanhol disse para fazermos uma poesia falando sobre algum alimento, dai escolhi a famosa banana a fim de fazer uma "análise sociológica" da fruta. Tentar, eu tentei, mas não ficou muito bom não. O pior foi ter que ler isso na sala.

ODA AL PLÁTANO
Un platanero,
vários racimos de plátano dulce.
Fruta común en todas las mesas brasileñas,
pobre o rica.
Casa de buena gente, plátano siempre tiene.
“A precio de plátano”,
una fruta que no hace distinción monetaria.
En el desayuno,
plátano con miel.
En la comida,
plátano en la ensalada de frutas para postre.
En la cena,
plátano frito.
Plátano,
una fruta tropical de origen asiática,
que macacos adoram y la gente reverencia.
-
(tradução)
ODE À BANANA
Uma bananeira
vários cachos de banana doce.
Fruta comum em todas as mesas brasileiras,
pobre ou rica.
Casa de gente boa, banana sempre tem.
"A preço de banana",
uma fruta que não faz distinção monetária.
No café-da-manhã,
banana com mel.
No almoço,
banana na salada de fruta para sobremesa.
No jantar,
banana frita.
Banana,
uma fruta tropical de origem asiática,
que os macacos adoram e as pessoas reverenciam.