quarta-feira, 26 de março de 2008

O Jogo da Amarelinha - Cap. 07

"Toco a sua boca,
com um dedo toco o contorno da sua boca,
vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão,
como se pela primeira vez a sua boca se entreabrisse,
e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar.
Faço nascer,
de cada vez, a boca que desejo,
a boca que a minha mão escolheu e desenha no seu rosto,
e que por um acaso que não procuro compreender coincide exatamente com a sua boca,
que sorri debaixo daquela que a minha mão desenha em você.
Você me olha,
de perto me olha, cada vez mais de perto,
e então brincamos de cíclope,
olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores,
se aproximam uns dos outros, sobrepõem-se,
e os cíclopes se olham,
respirando confundidos,
as bocas encontram-se e lutam debilmente,
mordendo-se com os lábios,
apoiando ligeiramente a língua nos dentes,
brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio.
Então,
as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo,
cariciar lentamente a profundidade do seu cabelo,
enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes,
de movimentos vivos, de fragância obscura.
E se nos mordemos, a dor é doce;
e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego,
essa instantânea morte é bela.
E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura,
e eu sinto você tremular contra mim,
como uma lua na água."

Júlio Cortázar

domingo, 23 de março de 2008

Evasão

Faz um tempo que eu sumi, inclusive dessas bandas daqui, mas a pedidos, ou não, voltei. O motivo de tanto "descaso" com esse blog não é, necessariamente, proposital. Na verdade, ando numa fase meio "adaptativa", pessoas, assuntos, lugares, livros, tudo novo. Conheci, dia desses, Gabriela Mistral durante uma divertida aula de espanhol. Bem, ainda não li o suficiente para dizer que conheço tal poeta (poeta mesmo, porque poetisa não é nada poético, clichê à parte), mas já fui incubida da tarefa de fazer a sua biografia (bem sintética). A professora pediu, ainda, uma auto-biografia, a seguir, então, lerás sobre as duas Gabrielas. Creio que a coincidência restringe-se ao nome, qualquer semelhança é mera imaginação.

A MISTRAL
Nasció en 7 de abril de 1889, en el Chile y fue la primera mujer latinoamericana a ganar el Premio Nobel de Literatura (1945). Su verdadero nombre es Lucila de María del Perpetuo Socorro Dodoy Alcayaga, pero utiliza el seudónimo Gabriela Mistral, en homenaje a sus poetas favoritos, Gabriele D'Annunzio y Frédéric Mistral, desde que recebió su primer premio. En sus poesías los temas principales hacen referencia al abandono de su padre y la muerte de su amante.

A BEZERRA
Nasció en la guapa mañana de domingo, en 6 de noviembre de 1988, en Recife, ciudad brasileña. Su infancia fue muy graciosa, ella suelava jugar sólo todas las tardes de profesora o presentadora en lo patio trasero de la casa de su abuela. Con el tiempo, ella passó a gustar de leer periódicos por influencia del su abuelo, que suelava leer todos, ciedo por la mañana. Ahora, Gabriela es una estudiante de periodismo muy satisfecha con su elección.

Não postarei nenhuma poesia de Gabriela Mistral, cabe a cada um o interesse ou a falta dele.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Quinta, sexta e sábado.

Nas férias os dias ficam mais longos e sobra tempo para apreciar o que realmente merece apreço. Quinta sai andarilhando, como de costume, pelas ruas da minha amada cidade. O destino foi o Poço da Panela, bairro bastante arborizado com ruas de pedra, onde mora o ilustre Ariano Suassuna. A calmaria do local remete às cidades interioranas, o som máximo é o canto dos pássaros. Os casarões antigos ou novos sugerem um certo ar de riqueza, alertando que se trata de um bairro nobre. Caminhei pelas ruas ladrilhadas durante algum tempo e percebi algumas "pracinhas", um busto de Mané alguma coisa, um campo de vôlei e uma pequena Igreja. Vi, ainda, um pouco do rio Capibaribe que se atreve a passar por lá. Logo na rua Real do Poço, uma perpendicular à avenida Dezessete de Agosto, nota-se o fim do asfalto e o início das ruas de pedras. A quantidade de verde no local também é admirável, algumas casas, inclusive, ostentam palmeiras reais nas calçadas. Fugindo do clima dos casarios, vi dois condomínios fechados, três ou quatro apartamentos, algumas ruas fechadas, uma academia e um colégio, que para não se diferenciar tanto da paisagem, é verde. Há uma realidade contrastante naquela ambientação tão bonita, algumas casas apresentam-se com fachada, digamos assim, não tão nobres. Literalmente às margens do bairro, existe uma parcela populacional de nível financeiro bastante inferior ao dos donos de Hilux que também moram nas redondezas. Depois de "xeretar" a vizinhança e sem obter o sucesso de encontrar a casa do mestre armorial, voltei à movimentada e bastante comercial Avenida Dezessete de Agosto.
Na sexta, ontem, tive um dia mais recluso e musical. Sob o lema de descansar, coloquei as pernas para o ar, como sugeriu Ascenso Ferreira, e permaneci em casa admirando a genialidade de Chico Buarque de Hollanda cantando as músicas que não canso de ouvir. Fiquei, então, a curtir as canções de protesto e deleite-me ao som das faixas do cd O Político. A letra de Acorda Amor, como de costume, chamou minha atenção com seu lirismo e dramaticidade contextual que bate à porta: "Era a dura, numa muito escura viatura".
Hoje, sábado, optei por enclausurar-me no conforto de casa e novamente assistir a Hair, de Milos Forman. O filme do tcheco naturalizado norte-americano foi um sucesso na década de 70 e continua bastante atual, mesmo que seu contexto histórico tenha mudado, afinal o "imperialismo" americano continua em voga. A irreverência do filme ao mostrar os "bastidores" do que foi a Guerra do Vietnã, a popularidade das drogas e o amor-livre dos hippies torna-o muito relevante, inclusive, como referência daquela época. As cenas hilárias, reflexivas e tristes no cenário de Nova Iorque ainda emocionam bastante; ao assistir, fico sempre na expectativa da mudança no desfecho, que me rouba algumas lágrimas.

*Recomendo o passeio, a música e o filme.
**Créditos a Rafael, sempre presente.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Centenária.

A figura chave do feminismo sessentista nascia, em pleno inverno parisiense, há 100 anos, fruto da decadente aristocracia e da alta burguesia à beira da ruína. A paixão pelos livros foi incutida através do pai, que voltou de uma curta participação na guerra, em 1914, mais dedicado à família. A personalidade audaciosa e o hostil criticismo à sociedade, no entanto, só foram adquiridos mais tarde por influência de amizades. Na adolescência, devido ao desastre econômico da família, a jovem começa a sofrer fortes humilhações advindas de seu próprio pai, que a vê como uma mulher pobre e feia destinada ao fracasso matrimonial e, conseqüentemente, social. Então, sob o lema de "vencer depressa", a fim de livrar-se do conservadorismo da família, Simone de Beauvoir não hesita ao ingressar na Sorbonne estudos filosóficos. Posteriormente, na universidade, conhece Jean-Paul Sartre, com quem fará um curioso "pacto", que consistiu basicamente na supressão da monogamia em prol do maior conhecimento da alma humana. Formaram, assim, o casal mais célebre do século XX, embora morassem em casas separadas. No fim da década de 50, Beauvoir causa grande escândalo na sociedade com a publicação dos dois volumes do livro O Segundo Sexo, que quebra importantes tabus ao falar sobre o corpo da mulher e a sexualidade feminina. As vendas foram um grande sucesso, mas lhe renderam severos ataques, inclusive por parte dos amigos, além do livro ter sido posto na lista do Index pelo Vaticano. A posição favorável à libertação argelina a torna ainda mais vulnerável a observações de caráter ultrajante por parte da parcela social pró-colonização. Na sociedade vigente, Simone de Beauvoir ainda é lembrada como uma grande feminista da década de 60, sendo considerada responsável por uma verdadeira bíblia a favor das mulheres. Nenhuma outra escritora, dita feminista, fez tanto sucesso quanto ela, nem mesmo a inglesa Virginia Woolf. Duramente ofendida após publicação do livro A Mulher Desiludida, Simone deixa uma perspicaz mensagem à sociedade, afirmando que o "mal" não é o casamento, mas sim a mulher submissa: "É preciso que as mulheres trabalhem". Ela dizia que não se nasce mulher, torna-se mulher, explicando a questão da mulher por um viés cultural e não biológico. Há referências à escritora também na questão do aborto, que foi, graças ao Manifesto das 343, assinado por ela, legalizado em 1975, na França. Escreveu, ainda, um ensaio com temática bastante atual e diferente da costumeira, alertando o mundo para a questão dos idosos em A Velhice: "É preciso que todos os homens permaneçam seres humanos durante todo o tempo em que estiverem vivos". Devido à importância para a sua época e para gerações futuras, escrevi sobre a frágil garota, a determinada mulher e a ilustre velhinha, Simone de Beauvoir, que merece a nossa atenção, leitura e homenagem.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Ontem.

Ontem, fui ver uma mostra (gratuita) de documentários em prol da justiça global, na Fundação Joaquim Nabuco. Assisti a apenas um dos documentários (são dois por dia) que versava sobre o impacto da indústria do medo, tratando também do monopólio e do poder dos meios de comunicação. O vídeo, produzido por feministas e ativistas da justiça social, continha depoimentos acerca do mundo de hoje e da possibilidade de um futuro mais justo, com participação de José Saramago, Sami Nair, Gabriel García Marques, Manu Chao, entre outros. Com linguagem bastante simples, deixou a desejar apenas na ausência de legenda em português, os relatos traziam a reflexão do que seria o real terrorismo, além de fazer críticas alusivas e diretas à política de Bush, o 43º. Faz, inclusive, menção à invasão do Iraque, em 2003, não como política de combate ao terrorismo, mas como o próprio terrorismo, suscitando debates sobre o imperialismo e a pretensão norte-americana de dominar o mundo.
Após o documentário, que demorou para chegar ao fim, devido à falhas do DVD, fui a caminho da parada de ônibus, a fim de voltar logo para casa. Ainda em frente ao Quartel da Polícia Militar, no Derby, fomos (eu e Rafael) assaltados por três garotos com aparência de vinte anos de idade. Devido à abordagem cautelosa dos assaltantes, munidos apenas de bicicletas, cada qual na “sua” (bem provavelmente conseguida em situação de roubo), e à nossa distração, não havia possibilidade de escapar. Eles vieram por trás e nos cercaram na calçada da rua mediamente movimentada e ironicamente localizada em frente a um quartel. Não fizeram nada comigo, apenas seguraram Rafael pela camisa e com uma pancada na perna, deixaram-no imóvel e levaram seu celular. Os garotos não estavam interessados em dinheiro, fato que nos leva a crer que já fazem parte de uma “quadrilha” de roubo de celular. Ainda viram a carteira de Rafael e apalparam a minha bolsa, em busca de outro celular, mas não levaram mais nada, nem carteira nem bolsa. Em seguida, foram embora pedalando bicicletas como se nada tivesse ocorrido. Posteriormente, avistamos um policial, já um pouco distante do local do assalto, e fomos falar com ele, não na intenção de reaver o celular, claro; a intenção era, porém, de alertar a polícia para que haja maior segurança no local. O diálogo com “o fardado” foi responsável pela perda de qualquer esperança na polícia:

-Acabamos de ser assaltados em frente ao quartel do Derby
-Roubaram o que?
-O celular.
-Vocês estão com celular ai? Liguem para o 190 e comuniquem isso.

Se roubaram o celular, como poderíamos estar com ele?

*Programação da amostra: http://www.concepto.com.br/cclf/admin/modules/noticia/?id=324

sábado, 12 de janeiro de 2008

Garantia do fim da violência!?

Hoje, recebi um e-mail que comentava a reunião acorrida no Palácio das Princesas, a qual lançou oficialmente o Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) em Pernambuco.O programa tem o objetivo de conseguir uma maior participação das prefeituras do Estado no combate à violência. A cerimônia contou com a presença do polêmico Newton Carneiro, prefeito de Jaboatão dos Guararapes, que expôs dois projetos acerca do tema. Um deles foi a criação de uma secretaria municipal de segurança. O outro, um cemitério exclusivo para bandidos. Havia, ainda, no e-mail, uma entrevista com o autor dos projetos, em que ele explicava a finalidade e importância do cemitério. Desconhecendo a alcunha de louco atribuída por muitos a Newton Carneiro, iludi-me ao pensar que leria não a solução, mas, ao menos, uma medida plausível a fim de realmente diminuir/acabar com a violência. No decorrer da leitura percebi que a intenção do prefeito não é reduzir a criminalidade do Estado, mas tão-somente diminuir os índices de violência em Jaboatão, através do desvio de crimes para as cidades vizinhas, numa atitude puramente eleitoreira. Os meios para alcançar tal meta são ainda mais medonhos, visto que a justificativa é, no mínimo, ingênua (“Bandido tem medo de cemitério, de caixão de defunto!”). Após algumas gargalhadas momentâneas, surgiu a séria preocupação com o futuro do país. Posteriormente, busquei informações a respeito do inusitado prefeito, sem grande dificuldades descobri que ele foi acusado pelo Ministério Público por IMPROBIDADE. Como o próprio Newton Carneiro diz em http://acertodecontas.blog.br/entrevistas/vou-derrotar-doutor-infraero-e-doutor-dancarina/ (vale a pena conferir), que o povo não entende o que é gay, fui em busca de uma explicação sucinta a respeito do termo jurídico (“Improbidade, regra geral, é toda ação ou omissão desonesta do empregado, que revelam desonestidade, abuso de confiança, fraude ou má-fé, visando a uma vantagem para si ou para outrem. Ex.: furto, adulteração de documentos pessoais ou pertencentes ao empregador, etc.”) para que ninguém deixe de entender a gravidade da acusação. Enfim, é com completa desconfiança na redução da violência e com tamanha perplexidade ao "conhecer" tal figura que deixo aqui a entrevista recebida por e-mail (*não tenho as fontes da entrevista, mas deixo claro que tal genialidade do cemitério não é segredo para ninguém.):
- O senhor quer fazer um cemitério?
NEWTON CARNEIRO - Um cemitério pra bandido. Um cemitério especial para sepultar unicamente bandidos e criminosos de toda a espécie.
- E por que um cemitério tão específico assim?
CARNEIRO - Jaboatão tem um milhão e duzentos mil habitantes. De algum tempo pra cá, a violência lá (Jaboatão) aumentou mais do que no Recife. Venho observando que de 30 dias pra cá houve um colapso na Segurança Pública no Grande Recife. Dá pra entender que está havendo uma greve clandestina subterrânea que o governador não sabe.
- E o senhor acha que esse cemitério vai ajudar?
CARNEIRO - Pelo menos espanta os bandidos de lá e eles vão atuar em Olinda, Paulista, no Recife, porque aqui os prefeitos não têm coragem de fazer isso.
- O senhor acha que os bandidos, ao saber que tem um cemitério para eles em Jaboatão, vão fugir?
CARNEIRO - Bandido tem medo de cemitério, de caixão de defunto! Nós vamos inovar um pouco. Vamos enterrar eles normal, horizontal, são 80 centímetros por dois metros. Vai ser enterrado num saco de pano!
- Num saco de pano?
CARNEIRO - Porque com um ano e meio depois nos recolhemos os ossos todinhos pra tocar fogo!"

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Na lama do meu quintal.

Vida de estudante é andar de ônibus mesmo, mas na minha situação atual, até esse transporte já virou luxo. Então estou tendo o prazer e, talvez, o risco de aproveitar mais o Recife, literalmente com os pés no chão. Essas caminhadas à noite, tarde da noite, pela cidade rendem um certo friozinho na barriga, mas servem para aproveitar melhor a beleza da cidade. Não estranhem se parecer piegas demais, estou ainda mais apaixonada pelo Recife. As aventuras nos bacuraus do Cais de Santa Rita têm sido bastante freqüentes; nem sempre, porém, é possível desfrutar de um ônibus, muitas vezes preciso andar da rua do Parque Treze de Maio até o "encontro dos bacuraus" na madrugada parada de Recife nos "dias de branco". Enfim, acho legal a trilha, inclusive tenho observado que a cidade anda com muito policiamento. O que, de fato, irrita são os amigos (bem intencionados, claro) mandando eu apressar os meus curtos passos. Domingo foi um dos melhores dias vividos nessa parte velha da cidade, que inclusive tem quase uma Champs-Elysées em frente ao famoso Bar Novo Pina, é bom salientar que todos riram muito de mim quando fiz este comentário ufanista ontem. Nas tardes de domingo, é possível encontrar pessoas de todas as partes da "pirâmide social" nas ruas do velho Recife, fato bastante curioso e notório que se tornou ainda mais curioso e notório no dia 6 de janeiro, um domingo. A escassez de dinheiro sempre me leva para a cidade velha na garantia de um programa legal e barato, nesse dia não foi diferente, a surpresa foi o enorme som do maracatu que ecoava de longe. Meus conterrâneos sabem o quão corriqueiro é ouvir o batuque do maracatu nessas ruas; nesse dia, porém, presenciei o som do melhor maracatu que já ouvi. A harmonia era tanta que emocionava ainda mais, cada batuque batia forte no meu coração. Sempre gostei desse som estrondoso, mas domingo ele lavou a minha alma de uma forma que eu pensava que não existia. E era lindo observar todos os estamentos da tal "pirâmide social" vangloriarem o mesmo som da mesma forma, dava a impressão que algo naquele lugar unia as pessoas, pobres e ricos divertiam-se a admirar e curtir a cultura pernambucana. Ontem, preferi ficar pelo Treze de Maio, próximo à Faculdade de Direito do Recife, que tem carimbo do Império e da República, a fim de garantir uma acústica melhor para conversar. A vitrola de ficha dava um aconchego melhor ao lugar, um pouco de Beatles e um pouco de Águas de Março regavam a discussão. Uma modesta exposição fotográfica acontecia no bar, uma das fotos era do majestoso "pau de Brennand", que trouxe o tema (belezas do) Recife à mesa. Uma amiga havia ido ver de perto o monumento no começo do dia de ontem e estava ainda mais fissurada nessa obra ou insulto, segundo a opinião de alguns. Eis que o "pau de Brennand" não queria sair das nossas bocas (risos), passamos bom tempo falando sobre ele, que segundo a constatação visual de um dos integrantes da mesa, está cada dia mais próximo do Marco Zero. A conversa não se restringiu apenas ao plano cultural, divagamos também sobre a política, discutindo o futuro da cidade, Estado e país. Palpitando acerca das próximas eleições e da conduta política de "famosos" vereadores numa discussão bastante produtiva. Depois da quase expulsão do bar, devido à hora, fomos em busca do nosso bacurau Dois Irmãos, percorrendo a pé a longa e admirável rua da Aurora. Ainda arriscamos tirar fotos próximo ao caranguejo gigante e ao lado do ilustríssimo João Cabral de Melo Neto, que sempre está sentado à beira do Rio Capibaribe, assim como Manuel Bandeira. Já próximo de casa, não resistimos ao imenso desejo de imitar os beatles na capa do Abbey Road, a penúltima obra da banda. Após chegar em casa, jogamos Master, numa partida engraçada, em que, inclusive, uma das perguntas era sobre The Beatles e que o Ringo do nosso grupo, que vive querendo ser Lennon, acertou, claro. E assim o dia amanheceu e quem é de ônibus, pegou ônibus e quem é de pé, andou a pé.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Ainda em 2007.

Eu andei, a "pedido" do vestibular, pesquisando bastante sobre a obra de Clarice Lispector e vi-me encantada com a literatura clariceana. Evidente que o conhecimento sobre a renomada autora era anterior; a leitura de seus clássicos, porém, iniciou-se a partir de A Hora da Estrela, livro recomendado pela UFPE, o qual me foi bastante útil, inclusive, nas provas. Ainda nas primeiras páginas, deparei-me com meu pensamento recorrente sobre a essência humana explícito no livro. A partir de então, senti-me mais à vontade na leitura, sem intimidações, pois percebi que corroborávamos de uma idéia. Enquanto Rodrigo S.M. (Clarice) descrevia a ingênua Macabéa e fazia uma "análise" da própria análise acerca da protagonista, ele proferiu a seguinte frase que, parafraseando Clarice, soou como uma "explosão" dentro de mim:
"Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isto é ser uma pessoa?" Tal frase suscita a especulação paradoxal entre Hobbes e Rousseau, que nos impulsiona a refletir se o homem é essencialmente mau ou se é a sociedade que o corrompe. Além de recordar aos leitores o quão cruel e mesquinho é o ser humano, quando o compara com um monstro. O brilhantismo da ucraniana quase pernambucana (risos) torna-se ainda mais evidente na percepção da linguagem extremamente simples e eficiente utilizada pela autora, que não escraviza o leitor ao dicionário. A dificuldade encontrada ao ler Clarice está na complexidade do conteúdo e não na erudição vocabular, pois são textos repletos de psicologia, que, ao meu ver, muito lembra as análises psicológicas de Machado de Assis. Este ano, várias referências à autora foram feitas nos meios comunicativos, em virtude dos 30 anos de sua morte. Em função da admiração pela escritora e da celebração dessa data, não poderia deixar de homenageá-la ainda em 2007, ano em que, inclusive, tive a grande oportunidade de “conhecê-la” mais profundamente. No ensejo de tal homenagem, cito os versos proferidos por Chico Buarque durante uma das entrevistas que integram o livro Clarice Lispector: Entrevistas. Na ocasião, a entrevistadora (Clarice) havia pedido, num clima de informalidade, alguns versos ao músico.
"Como Clarice pedisse
Um versinho que eu não disse
Me dei mal
Ficou lá dentro esperando
Mas deixou seu olho olhando
Com cara de Juízo Final"

*Recomendo o livro Clarice Lispector: Entrevistas, que atualmente integra minha mesinha de cabeceira.
**Créditos a Luciana e a Rafael Martins pelo livro emprestado e pelos conselhos na contrução deste texto, respectivamente.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

XXVIII. Melinda e Melinda - Woody Allen.

Assisti ao filme há algum tempo e, posteriormente, li críticas a respeito, a (imensa) maioria eram negativas. Aqui nessa comunidade (Doutrina dos Filmes Certos), inclusive, muitos demonstraram-se "insatisfeitos" com o desempenho do Woody Aleen nesse trabalho. Eu penso que o filme é de boa qualidade, não um excelentíssimo filme, mas bastante satisfatório. Não tenho muito conhecimento sobre filmes do Woody Allen, na verdade nem entendo muito de filmes; logo não sou a pessoa mais indicada para dá um veredito. Enfim, hoje achei uma crítica positiva sobre o filme e considerei-a bastante válida, ela expressa bem o que eu senti ao assistir a Melinda e Melinda. Deixo aqui o link para vocês avaliarem:

domingo, 23 de dezembro de 2007

XXVII. Recife


Ontem, andando pelas ruas do mangue do meu quintal, aperriei meus companheiros andarilhos ao proferir diversas vezes frases de louvor à cidade do Recife. A "revolta" deles não se devia ao fato de não sermos conterrâneos, afinal somos, mas ao fato da insistência retórica de vangloriar a minha cidade natal em todas as vezes que presto visita ao velho Recife. As belíssimas pontes, as construções antigas e a grandiosidade do rio Capibaribe inspiram e insuflam um enorme espírito recifense que se torna explícito no primeiro batuque do maracatu ou no ritmo exalado das bandas de frevo. Enfim, a partir de então, pensei que essa foto seria excelente para mostrar a beleza das pontes. Alerto, ainda, que não se trata de um nacionalismo aos moldes do major Quaresma, pois além do orgulho exprimido ao passear pelo Recife antigo, há uma imensa tristeza por ver que tal patrimônio histórico-artístico não é suficientemente cuidado e por saber da tamanha violência e criminalidade na nossa capital. Na noite passada mesmo, próximo a uma das pontes, abordaram-nos numa ameaça de assalto, mas resolvemos ignorar e seguir adiante (corajosos!?). Posteriormente, já no bacurau, ao temer uma provável briga entre um cara que pulou a catraca do ônibus e outro cheirando o popular "sucesso", decidimos descer em plena Conde da Boa Vista a fim de encontrar um transporte mais tranqüilo para voltar para casa. A periculosidade da noitada não findava, já na rua da minha casa, enquanto caminhávamos para alcançar o portão, avistamos dois caras de bicicleta (clichê de ladrões da região) que nos fizeram correr a partir do ato rápido de um dos garotos ao pular da bicicleta de repente. Felizmente, por estarmos já próximo de casa, numa rua movimentada, fomos mais uma vez poupados da provável tentativa de assalto. Tal episódio ocorreu no sábado à noite(22/12), enquanto havia show de Nação Zumbi no Marco Zero. E, finalmente em casa, pudemos descansar.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Será que todos os políticos são realmente iguais?

Esta reflexão surgiu de um recado recebido de uma amiga. Dizia-me o seguinte:

Gabriela:
Asclépio: O "Pedro Simon" se revelou um petista no ultimo instante votando a favor do PT e do Lula. Justo ele, que tanto brigou contra o PT e o Lula.Para mim foi um decepção!Será que todos os politicos são realmente iguais?
Responder


Isso é um verdadeiro absurdo Gabi. O que tenho para dizer a você é q não confie, nem acredite em todas as notícias veiculadas pela imprensa escrita ou televisiva. Muitas das informações são altamente vazias, quando não, são falsas inversões ou interpretações q n condizem com os verdadeiros fatos. Um dos mecanismos que ajudam os cidadãos a escolherem os seus representantes é a boa informação n só dos fatos, como e principalmente, de análises mais sofisticadas de dadas realidades. Infelizmente, nossa Ciência Política ainda é muito vã, se comparada a de outros países a começar pela dos EUA. Digo mais, não só nossa Ciência Política, como também a nossa própria democracia.

Explicarei. Para muitos seria um absurdo o que irei dizer. No entanto, há provas e estudos empíricos que apontam que o Brasil é um país governável e que a nossa democracia está em vias de consolidação. Para afirmar tal coisa, os analistas apontam que mecanismos como, fragmentação partidária, baixa disciplina, fisiologismo, estão presentes no nosso desenho institucional, mas não da forma como muitos acreditam. Ou seja, a relação entre Executivo e Legislativo vai muito bem obrigado e não há tanta fragmentação partidária, indisciplina e fisiologismo, muito pelo contrário.

Assim, a impressão que quiseram passar nessa notícia em relação ao Pedro Simon é falsa. Sua atitude é altamente compreensível por aqueles que têm acesso a informações mais refinadas sobre o jogo político saudável, e bom para a democracia. Toda a disputa política no Congresso ocorre perante a Instituição Partido Político. Logo, o razoável seria a identificação do candidato com o programa partidário. Via de regra, nosso sistema presidencialista é de um "presidencialismo de coalização". O que caracteriza tal desenho institucional é que em essência, os partidos proporcionam o respaldo parlamentar necessário e, em contrapartida, participam do governo. Por isso, como o PMDB faz parte da coligação governista, é mais do que claro, que Pedro Simon vote com a bancada governista, e que assim, votasse pela prorrogação da CPMF, já que esse provavelmente foi o voto defendido pelo seu líder. Já que ele possui alta identificação com o partido, ele segue, como todos deveriam, o voto do líder de sua bancada. Aqui, entram dois conceitos, o de disciplina partidária e o de líder do partido.

Para JAIRO NICOLAU, a disciplina partidária no Parlamento contribui para dar previsibilidade ao processo de produção legislativa. Por disciplina entende-se a fidelidade de um deputado à posição do líder da bancada nas votações nominais em plenário. E para FABIANO SANTOS, há no nosso Congresso a existência de líderes parlamentares em detrimento dos deputados como conjunto que legisla. Logo, infere-se daí de que se os líderes partidários têm poder efetivo, há realmente poder no Congresso, e poder disperso se o número de partidos expressivos for alto.

Enfim, a conclusão que chego é que não há nada de estranho na atitude do Senador Pedro Simon. Mas, muito pelo contrario, ele agiu da forma como todos nossos Excelentíssimos Parlamentares deveriam agir, respeitando a decisão do líder da bancada, e fazendo valer a disciplina partidária. Só um parêntese. Nesse caso, um Senador que agiu errado, foi o Senador Jarbas Vasconcelos, que votou contra a prorrogação da CPMF. (No entanto, até para essa atitude há uma explicação plausível, mas fica para um próximo texto).

Por fim, deixo para quem se interessar pelo debate alguns links, onde se poderá encontrar bons textos sobre esse debate iniciado aqui.

1) AMORIM NETO, Octavio. Presidential cabinets, electoral cycles, and coalition discipline in Brazil. Dados , Rio de Janeiro, v. 43, n. 3, 2000 . Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=s0011-52582000000300003&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 15 Dec 2007. doi: 10.1590/S0011-52582000000300003. (Há uma versão em português)

2) NICOLAU, Jairo. Disciplina partidária e base parlamentar na Câmara dos Deputados no primeiro governo Fernando Henrique Cardoso (1995-1998). Dados, Rio de Janeiro, v. 43, n. 4, 2000. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=s0011-52582000000400004&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 15 Dez 2007. doi: 10.1590/S0011-52582000000400004

3) PERFORMANCE PARTIDÁRIA E INCENTIVOS ELEITORAIS: DESVENDANDO OS MISTÉRIOS DOS LÍDERES - Dalson Britto Figueiredo Filho e José Alexandre da Silva Júnior. In: http://www.seminariopolitica.t5.com.br/docs/Papers/ST552.pdf. Acesso em: 15 Dec 2007.

4) Prestígio e Credibilidade na Seleção dos Líderes no Congresso Nacional - José Alexandre da Silva Júnior e Dalson Britto Figueiredo Filho. In: http://201.48.149.89/anpocs/arquivos/15_10_2007_10_43_36.%20e%20Dalson%20Britto.pdf. Acesso em: 15 Dec 2007.

5) PALERMO, Vicente. How to govern Brazil? The debate on political institutions and the policy-making process. Dados , Rio de Janeiro, v. 43, n. 3, 2000 . Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0011-52582000000300004. Acesso em: 15 Dec 2007. doi: 10.1590/S0011-52582000000300004. (Há uma versão em português)


segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O Voto na Educação

Eu já tinha escrito o texto que segue a um tempo atrás. No entanto, me lembrei dele ao ouvir o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, se referindo, provavelmente, ao Lula. O que ele disse foi o seguinte:
- Aqui é assim, gente acadêmica, aaahh, não tenho porque esconder isso, e nos orgulhamos disso! Assim, gente que sabe falar mais de uma língua, e não temos vergonha disso! E falamos bem a nossa língua, e não temos vergonha disso! E também sabemos, e também sabemos, que muitos brasileiros ainda não puderam saber falar bem a nossa língua e muito menos as outras. E nós faremos o possível e o impossível para que eles saibam falar bem a nossa língua. É por isso que em MG o estudo hoje é de 9 anos e não de 4. É que queremos brasileiros melhor educados e não brasileiros liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria.
Primeiro eu vou tentar mostrar, de maneira resumida como 4 nações distintas, de 3 continentes obtiveram sucesso por meio da mesma receita: investimentos maciços na EDUCAÇÃO.

1) ESPANHA
- Graças à educação em pouco mais de 30 anos, passou de uma ditadura de costumes atrasados, para um país de economia forte.
- Na Europa, a Espanha se orgulha de ser o país mais bem educado do continente, pois proporcionalmente ela possui o maior número de universitários.
- Não há analfabetos entre crianças e adolescentes.
- Os deficientes físicos estão integrados ao sistema educacional e recebem um apoio especial para viverem com independência.
- E tudo isso propiciou o surgimento e fortalecimento da classe média já existente, um trabalhador que se mudou, do campo para a cidade, nestes últimos 30 anos, viu seu salário ser sextuplicado.
- O objetivo das escolas espanholas é: a de se transformar em um meio de inclusão social, assim o problema do país, que possui uma taxa de desempregados de mais de 20% entre os recém formados, é arranjar trabalho para tantas pessoas tão qualificadas. Porém, os próprios espanhóis admitem que um povo vive bem mais feliz, quando é educado e consciente de seu papel social, do que desempregados e analfabetos em todos aspectos.

2) CORÉIA DO SUL:

Esses investimentos, que só fazem crescer, resultaram em 98,5% dos adolescentes matriculados para freqüentar o ensino médio.
- As crianças da Coréia são os melhores alunos do mundo, não são superdotados, mas deram à sorte de terem nascido no país que possui o melhor ensino básico do planeta.
- As escolas por fora não têm nada de especial, mas veja o que faz a diferença:
1) A grande parte dos professores coreanos possui mestrado em educação, pois o docente é obrigado a possuir um Curso Superior.
2) A tecnologia associada à motivação são instrumentos para melhor aprender. Os estudantes passam de 8 à 15 horas nas escolas, suas notas são acima de 8,0, pois lá se o aluno não aprende o “culpado” é o professor. Nesse grande período, os alunos têm aulas de japonês, alemão... Ao total são ofertados 7 idiomas, além disso, aprendem a programar computadores, a entender História..., eles falam que os coreanos não querem ser perdedores, assim, o governo dá incentivo a uma educação voltada à economia, ao mercado de trabalho competitivo.
3) Os professores recebem em média, R$ 10.500,00, por mês. Além de serem atualizados e avaliados a cada 2 anos.
Tudo isso em um país que nos anos 50, estava destruído por uma guerra civil que dividiu a Coréia ao meio, e que deixou 1 milhão de mortos e a maior parte da população na miséria.

1/3 dos coreanos do período da guerra eram ANALFABETOS.
Hoje, 4 em cada 5, chegam à universidade.
O fato é que após a reforma na educação a Coréia começou a crescer rápido, em média 9% ao ano, durante mais de 3 décadas. E hoje graças à multidão de cientistas que o país forma todos os anos a Coréia está pronta para entrar no 1º mundo, tendo como cartão de visitas uma incrível capacidade de inovação tecnológica, desde a área de computação até à genética.

3) CHILE:

- A Revolução sem Armas no Chile começou nos anos 90, é verdade que mesmo antes sua economia já crescia, mas depois da consolidação de um projeto nacional de educação, esse crescimento se firmou. Hoje, o país cresce em média 7% ao ano.
- De 1990 a 2005:
1) Triplicou o investimento em educação.
2) Os professores tiveram o maior aumento nos salários, se comparado ao dos outros funcionários público, 140% acima da inflação.
- Para os chilenos que privatizaram suas Universidades, e melhoraram os ensinos fundamental e médio, o sistema brasileiro de Universidades públicas é um “escândalo”, pois este sistema reproduz as desigualdades sociais.
- Número de chilenos nas universidades, mesmo sendo elas pagas:
- No Chile, 90% dos estudantes têm acesso a computadores e 80% a internet.

4) IRLANDA:

Os irlandeses sempre estiveram na periferia da Europa, em termos geográficos e também econômicos. Um dos países mais pobres do continente, vê desde o século XIX, seus habitantes, sempre que podiam, imigravam. Quem vai hoje a Dublin, capital da Irlanda, não reconhece esse passado de tanta dificuldade, pelo contrário essa cidade hoje atrai imigrantes. Hoje, ela tem uma vida cultural rica e o país prosperou a ponto de ser conhecido como um “Tigre Celta”, alusão feita à taxa de crescimento que só se vê em países da Ásia.
Quase mortos de fome com pouca educação, muitas vezes analfabetos, os imigrantes irlandeses no mundo anglo-saxão sempre tiveram uma fama mais para ruim. Na Inglaterra até hoje, existem piadas que mostram os irlandeses como burros, ignorantes, como todo esteriótipo existe um pouco de verdade, afinal eram mesmo os mais pobres, os mais mal-preparados, os que deixavam o país, mas isso é só um lado da história.
Afinal a Irlanda é terra de grandes escritores da língua inglesa, James Joyce, Beckett, Swift, Oscar Wilde, Shaw, três deles ganharam o prêmio Nobel de literatura. O apreço ao saber sempre existiu, tem uma universidade fundada em 1592, onde a tradição de excelência é reconhecida, mas ela era somente para protestantes, que apoiavam a colonização britânica no país, os católicos maioria da população ficavam de fora.
Em um país que só conseguiu sua independência no início do século XX, e que vivia em brigas religiosas, que tanto atrapalhavam mudar esse quadro de pobreza não era nada fácil, mas vários fatores contribuíram: a entrada na União Européia, a aproximação cultural com os Estados Unidos, mas o investimento em educação foi crucial.
Jovens que chegam à Universidade
Antigamente, os jovens que se formavam deixavam o país, pois não havia emprego, hoje, esse pequeno país com 4 milhões de habitantes importa mão-de-obra, os vários descendentes estão voltando para investir no país de seus antepassados. A economia irlandesa está ancorada em alta tecnologia e também na indústria farmacêutica, setores que demandam constante estudo, inovação, imaginação. O investimento em educação rendeu uma revolução no padrão de vida dos irlandeses, hoje eles são mais ricos do que seus vizinhos, os britânicos que os tratavam com desprezo. E a previsão é que em 2 anos superem a renda per capita dos norte-americanos.
Os irlandeses que pareciam retirantes fugindo da seca, hoje educadamente comemoram um novo lugar ao Sol.

O Voto na Educação
Voto na EDUCAÇÃO, porque não quero mais ser assaltado, por alguém que não teve oportunidades. Não quero mais ser alienado, e votar em “sanguessugas”, “mensaleiros”, “vampiros”, ou outros políticos ladrões de dinheiro público. Voto na educação com a esperança de no futuro meus filhos terem um país com menores índices de desemprego, analfabetismo, concentração de terra e renda, exclusão e discriminação social, mas sim, um Brasil que: tenham escolas públicas, gratuitas e de qualidade, melhores hospitais e assim, uma melhoria na saúde. Onde não haja mais semáforos, e faixas de pedestres, pois os motoristas se respeitam no trânsito e entendem que as pessoas querem circular de um lado ao outro das avenidas. Onde haja saneamento que já é básico adequado, com o reaproveitamento da água em estações de tratamento, e não à poluição dos nossos rios. Ou ainda viver numa nação, onde seus cidadãos não sejam obrigados a votar, mas que comparecem espontaneamente e em massa, às suas seções eleitorais, pois reconhecem a importância simbólica e histórica deste ato. Ou ainda, que as pessoas sejam mais conscientes, responsáveis e interessadas com a vida política, pois as vésperas das eleições, o fato de Cicareli, transando, é mais comentado, do que as novas denúncias que margeiam o PT. Ou ainda, que as cidades possam voltar a ter uma vida noturna movimentada, pois hoje saímos à noite, mas não sabemos se vamos voltar bem. Ou ainda, que os pais possam levar no final de semana suas famílias aos campos de futebol com a certeza que retornaram em paz.
Entre tantos outros fatores que passam pela EDUCAÇÃO como força motriz de taxas de qualidade de vida, conforto e prosperidade. É por isso que voto na “REVOLUÇÃO PELA EDUCAÇÃO”, voto em Cristóvam Buarque, 12. E espero que do ponto de vista ideológico, se isso te convenceu, faça o mesmo, vote 12, ao menos para mostrar a sociedade brasileira que mesmo sem ser eleito, houve uma mobilização em torno de um tema importantíssimo, como é a EDUCAÇÃO. Se quiser obter mais informações, sobre a campanha de Cristóvam, ou seja, todos os outros projetos que discorrem da educação, acesse: www.cristovambuarque12.com.br. Obrigado pela atenção. Acredite, essa revolução não é utopia, ela é possível basta você querer.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007


"Eu acho que a música tem uma relação muito forte com o corpo, com essa coisa de você dançar. Você começa a ouvir uma música e já está batendo o pé... A coisa do ritmo, do envolvimento, a pele arrepia... A música produz efeitos físicos muito interessantes. E isso acaba resultando em ondas, modas... A música reflete tipos de comportamento. Por exemplo, a coisa dos punks se automutilarem, ou a coisa do heavy metal se vestir de couro. Todas essas ondas de comportamento estão ligadas aos efeitos que a música também produz. Ela pega numa coisa muito profunda."


Acho que já havia ficado explícito aqui através de Saiba que eu gosto muito do Arnaldo Antunes, mas hoje li uma entrevista bem legal dele numa revista que só é publicada em Sampa. Esse trecho me chamou atenção. Já havia analisado esse pensamento dele em partes, e não completo, gostei muito. E como ele mesmo diria e conforme estou ouvindo: "MÚSICA PARA OUVIR, MÚSICA PARA OUVIR."

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

nããããão

gabi diz:
to entediada de olhar pra esse quadrado
gabi diz:
a vida vai bem
gabi diz:
to boazinha
manuca diz:
eu também ja to ficando entediada!
manuca diz:
e o pior:
manuca diz:
tenho que estudar!;~~~~~~
gabi diz:
idem, baby
gabi diz:
:P
gabi diz:
a vida é assim mesmo
gabi diz:
quanto mais a gente estuda, mais decobre q tem q estudar
manuca diz:
aoieoaeohaoehoaheoiajeojsoaheoaheshkhsohoaeohahaouhe
manuca diz:
pois éé!
manuca diz:
e eu nao gosto desses tipos de descobertas!
manuca diz:
:T
manuca diz:
aoijeoiaje
manuca diz:
haha;P
gabi diz:
pois é, inclusive acho q vou nessa, aproveitar essa conscientização e estudar algo
gabi diz:
ajshdkajshdjksadhkasjdas, mas é po, apoi vc vai cansar de descobrir isso,
gabi diz:
e perceber q nada de "crazy life crazy" enquanto não estudar
manuca diz:
aa vai não!
gabi diz:
manuela, vc quer me corromper, é???
manuca diz:
não me abandone gabizinha !
gabi diz:
akjshdjsakhdkjashdjsa
manuca diz:
nãããã~~aão!!!
gabi diz:
eu tenho q estudar pra garantir o feijão, po
manuca diz:
NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO!!
manuca diz:
aiuheiuahehaeohaeuaiehiahe
gabi diz:
shdjkahsdkjahsdkjashdkjas

terça-feira, 13 de novembro de 2007

"De que me vale ser filho da santa?"

Estou tentando sair do clima de mazela que a notícia da postagem anterior provocou-me, o que fez ressurgir em mim um grande paradoxo (Hobbes X Rousseau) a fim de descobrir se o homem é essencialmente mau ou se é a sociedade que o corrompe. Gostaria até de saber a opinião de maiores conhecedores do assunto. Enfim, por enquanto, vou tentar ludibriar a mente e fingir que está tudo bem.

domingo, 11 de novembro de 2007

arte ou lixo?

Vi no orkut e também achei um absurdo:

"Absurdo na arte - ASSINEM!!!
Um artista da Costa Rica, Guillermo Habacuc Vargas, expôs um cão vadio faminto numa galeria de arte. O cão estava PRESO NUMA CORDA CURTA. NINGUÉM ALIMENTOU OU DEU ÁGUA ao pobre cão, que MORREU durante a exposição. (ARTE OU LIXO??) Guillermo Habacuc Vargas foi o artista escolhido para representar o seu país na "Bienal Centroamericana Honduras 2008". Existe uma petição onde é pedido que ele NÃO RECEBA este prémio. Por favor assinem preenchendo o nome, email, Localidade e País. http://www.petitiononline.com/13031953/petition.html
PARA VER O QUE CHAMARAM DE ARTE ENTREM: http://www.marcaacme.com/blogs/analog/index.php/2007/08/22/5_piezas_de_habacuc
ou http://elperritovive.blogspot.com/
Absurdo, muito absurdo isso.... " (Yael Hoffenreich)
*Créditos à senhorita Yael que manifestou tal indignação no orkut.

"EU INTERCEDO PELOS ANIMAIS. EU HUMILDEMENTE SOLICITO QUE VOCÊS AJUDEM A PROTEGÊ-LOS DAS CRUELDADES DA MODA, DAS CRUELDADES COMETIDAS EM NOME DA CIÊNCIA E DA PESQUISA. ESSAS CRIATURAS MUDAS, NÃO NOS FIZERAM MAL. ELAS NÃO TÊM FORÇA PARA NOS RESISTIR. SÃO VÍTIMAS DA NOSSA TIRANIA E MALDADE. QUEM VIRÁ AO SEU SOCORRO." (Mahatma Ghandi)

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

20. Plátano

A professora do curso de espanhol disse para fazermos uma poesia falando sobre algum alimento, dai escolhi a famosa banana a fim de fazer uma "análise sociológica" da fruta. Tentar, eu tentei, mas não ficou muito bom não. O pior foi ter que ler isso na sala.

ODA AL PLÁTANO
Un platanero,
vários racimos de plátano dulce.
Fruta común en todas las mesas brasileñas,
pobre o rica.
Casa de buena gente, plátano siempre tiene.
“A precio de plátano”,
una fruta que no hace distinción monetaria.
En el desayuno,
plátano con miel.
En la comida,
plátano en la ensalada de frutas para postre.
En la cena,
plátano frito.
Plátano,
una fruta tropical de origen asiática,
que macacos adoram y la gente reverencia.
-
(tradução)
ODE À BANANA
Uma bananeira
vários cachos de banana doce.
Fruta comum em todas as mesas brasileiras,
pobre ou rica.
Casa de gente boa, banana sempre tem.
"A preço de banana",
uma fruta que não faz distinção monetária.
No café-da-manhã,
banana com mel.
No almoço,
banana na salada de fruta para sobremesa.
No jantar,
banana frita.
Banana,
uma fruta tropical de origem asiática,
que os macacos adoram e as pessoas reverenciam.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

NOSSO DILEMA DO PRISIONEIRO

Periodicamente os brasileiros afirmam que vivemos numa democracia. Por democracia entendem a existência de eleições, de partidos políticos e da visão republicana dos três poderes, além da liberdade de pensamento e de expressão. Por autoritarismo, entendem um regime de governo em que o Estado é ocupado através de um golpe (em geral militar ou com apoio militar), não há eleições nem partidos políticos, o poder executivo domina o legislativo e o judiciário, há censura do pensamento e da expressão e prisão (por vezes com tortura e morte) dos inimigos políticos. Em suma, democracia e autoritarismo são vistos como algo que se realiza na esfera do Estado e este é identificado com o modo de governo.
Essa visão é inútil para algo profundo na sociedade brasileira: o autoritarismo social. Nossa sociedade é autoritária porque é hierárquica, pois divide as pessoas, em qualquer circunstância, em inferiores e superiores. Não há percepção nem prática da igualdade como um direito. Nossa sociedade também é autoritária porque é violenta: nela vigoram racismo, machismo, discriminação religiosa e de classe social, desigualdades econômicas das maiores do mundo, exclusões culturais e políticas. Não há percepção nem prática do direito à liberdade.
O autoritarismo social e as desigualdades econômicas fazem com que a sociedade brasileira esteja polarizada entre as carências das camadas populares e os interesses das classes abastadas e dominantes, sem conseguir ultrapassar carências e interesses e alcançar a esfera dos direitos. Os interesses, porque não se transformam em direitos, tornam-se privilégios de alguns. A polarização social se efetua entre os despossuídos e os privilegiados. Estes, porque são portadores dos conhecimentos técnicos e científicos, são os “competentes”, cabendo-lhes a direção da sociedade.
Assim, essas idéias ultrapassam uma esfera abstrata da nossa imaginação, e acaba desembocando nos nossos dias, de forma ativa e permanente. Não é difícil de perceber esta concepção. Enquanto, os cidadãos brasileiros não forem tratados como tal, ou seja, como INDIVÍDUOS, e que, portanto possuem direitos e deveres a cumprir, a sociedade permanecerá estagnada.
Nessa discussão então, surge aquela velha idéia, idéia que me lembra o pensamento dos marxistas mais “hard”. Pensamento diria linear, que imagina ser impossível um desenvolvimento, sem que antes a sociedade tenha passado por todas as etapas anteriores. Por exemplo, para se implantar o Socialismo, seria preciso passar pelo Feudalismo e Capitalismo, e claro, seus respectivos meios e forças de produção. Mas isso tudo foi apenas para lembrar, será que para a implantação da tríade de direitos (civis, políticos e sociais) é preciso um processo? Ou tais direitos podem ser amplamente e imensamente difundidos na sociedade sem nenhum tipo de problema?
È nesse ponto que aparece o nosso dilema do prisioneiro. Suponhamos que dois comparsas tenham sido presos. No entanto, leia-se quando for colocado comparsas, ou sinônimos, implantação, ou não, dos direitos citados anteriormente.
Tais personagens foram presos, mas os policiais não o podem condená-los por falta de provas. Mas com astúcia, os policiais separam os prisioneiros, e faz a seguinte proposta. Se por acaso, um dos dois depor, e o outro em silêncio ficar, o que depôs será liberto, enquanto que o “preso fiel” será condenado a cumprir uma prisão de 10 anos. Caso ambos fiquem em silêncio, a justiça só poderá ficar em posse deles por um período máximo de 6 meses. No entanto, se ambos se verem tentados a delatar o comparsa, os dois ficam por 2 anos na cadeia.
Agora percebam, tudo isto está acontecendo sem que os presos saibam quais são as atitudes do outro. Como se diz, eles estão jogando no escuro, e logo, o máximo que fazem são suposições sobre a atitude possivelmente tomada pelo outro. Então, o dilema ao qual ambos estão submetidos é, o que vai acontecer? Como cada prisioneiro irá se comportar diante da tentação de culpar o outro?
Assim, esse jogo poderá ser cooperativo, produzindo um resultado não ótimo. Ou então, o jogo poderá ser não-cooperativo, e ai há duas possibilidades. 1) Se um dos dois contar e o outro não, o outro será submetido a uma prisão de 10 anos. E esse seria o melhor resultado a ser alcançado, pensando-se individualmente. 2) Se ambos se acusarem os dois serão presos, produzindo um resultado menos ótimo, já que ambos ficaram presos por um período de 2 anos.
Toda essa história foi apenas para informar que realmente já está na hora de começarmos a tratar as pessoas como indivíduos. E que não importa se haverá implantações pausadas de direitos, o que importa é que eles comecem a ser implantados. Por isso, em abstrato, não importa os valores das penas, mas o cálculo das vantagens de uma decisão cujas conseqüências estão atreladas às decisões de outros agentes, onde a confiança e traição fazem parte da estratégia em jogo.
Enfim, enquanto não houver no Brasil, uma construção concreta, combinada de: liberdade, participação e justiça social, fatos como os quais convivemos diariamente continuarão a perseguir a nossa sociedade. Temos “liberdade”, alguma participação e muita desigualdade. A liberdade e a participação, para sobreviverem, precisam gerar igualdade. E esta igualdade seria então traduzida em: respeito à Constituição e aos Direitos Humanos, investimentos maciços em setores do bem-estar social (educação, lazer, saúde...) e uma visão de segurança pública institucionalizada que permaneça ao longo dos governos como política de Estado, e não como política de governo.