Nunca concordei com Caymmi quando ele dizia "Quem não gosta de samba, bom sujeito não é", até porque — ao contrário do que se pode pensar — só comecei a ouvir samba em meados deste ano. Então, esses dias, atrevi-me a conversar com um metaleiro e foi verdadeiramente interessante. Sem medir palavras e disposta a ouvir (ler) de tudo um pouco — de riff a power chord — desfrutei do que eu mais gosto de fazer, conversar. E, inesperadamente, o que menos se falou foi sobre heavy metal, até sobre Novos Baianos falou-se mais. Entre os assuntos mais discutidos, a sétima arte — incluindo o clássico O Poderoso Chefão e o novíssimo Bastardos Inglórios. É provável que isso seja inteligível para algumas pessoas, mas o clichê "inteligência é afrodisíaco" faz bastante sentido para mim; diálogo inteligente é algo que, de fato, desperta a minha atenção. Moral da história: diferentemente do cinema — na vida, trilha sonora não é assim tão fundamental, basta saber pronunciar Beauvoir.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
O que eu queria falar,
domingo, 11 de outubro de 2009
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Que tal um cineminha?
Mesmo com dezenas de páginas para ler, eu não tenho dispensado um cineminha à noite. Só esta semana — que ainda está na metade —, fui ao cinema duas vezes. Na última segunda-feira, assisti a A verdade nua e crua (The ugly truth) e ontem foi a vez do infantil Tá chovendo Hamburguer, (Cloudy with a Chance of Meatballs), ambos produções do cinema estadunidense. Além da coincidência no país de origem — algo não muito improvável, tendo em vista a grande produção cinematográfica dos Estados Unidos —, a temática dos filmes assemelha-se no tocante ao mote televisivo que ambos apresentam em seus roteiros.
Em A verdade nua e crua, a busca pela audiência leva a produtora Abby Richter (Katherine Heigl) a infringir seus princípios e aceitar as idéias malucas do apresentador Mike Alexander (Gerard Butler). Ele tem uma teoria bastante controversa acerca do mundo masculino, que, como sugere o poster do filme, está mais interessado em sexo e não liga para sentimentos. Mike é considerado, por Abby, um grande machista, mas com suas dicas "preciosas", ela conquista um verdadeiro gentleman e percebe que as teorias do apresentador fazem algum sentido.
O filme — não surpreendentemente — é repleto de clichês das "comédias românticas norte-americanas" e dos ensinamentos de livros de auto-ajuda, inclusive a impressão que se tem ao assisti-lo é de estar lendo algo como Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? E claro, o desfecho do longa-metragem não poderia ser mais óbvio. Com toda a carga de elementos negativos do filme, contudo, considero-o uma boa pedida para um fim de noite despretensioso, pois dispõe de certa graciosidade.
Acerca da proposta de Tá chovendo Hamburguer — adaptação de livro infantil escrito pelos próprios roteiristas do filme, Judi Barret e Ron Barrett — é possível tecer comentários mais positivos. Com produção da Sony Pictures, o filme estreou no último fim de semana e já lidera as bilheterias brasileiras, tendo, inclusive, superado o público de Up - altas aventuras, grande aposta dos estúdios Disney / Pixar para este ano.
Assinado por Phil Lord e Chris Miller, que também dirigiram Shrek Terceiro (Shrek the third), o longa conta a história do cientista bem intencionado Flint, capaz de fazer chover comida na sua cidade. Na tentativa de mudar a rotina dos moradores — que, há anos, alimentam-se exclusivamente de sardinha, — ele cria uma máquina para converter a água das nuvens em deliciosos lanches e guloseimas. A cidade inteira comemora a invenção de Flint, que passa a ser ícone do lugar e alvo dos interesses do ambicioso prefeito.
Com a mirabolante invenção, Flint fica a mercê dos desejos gastronômicos dos cidadãos, que exigem cada vez mais da máquina. A situação modifica o comportamento do clima e traz sérias conseqüências para a cidade. Tal fato atrai a cobertura da mídia, que no filme é representada pela (quase) jornalista Sam Sparks, estagiária de uma emissora de TV. Sam, à princípio vista como destrambelhada pelo âncora do telejornal, revela-se uma "nerd" que entende tudo sobre os fenômenos meteorológicos e a invenção de Flint; ou seja, alguém capaz de ajudá-lo na recuperação da normalidade do lugar. E, claro, ela é a mocinha da história por quem Flint vai nutrir certa paixão.
Mundo infantil à parte, uma visão atenta do filme revela um tom de crítica do roteiro à sociedade vigente — que tendendo ao consumo exagerado e à exploração do Meio Ambiente sofre, hoje, com o aquecimento global e as suas conseqüências. Uma inteligente e bem sucedida metáfora da situação do mundo atual que soa como Uma verdade inconveniente destinado ao público infantil. Uma boa sugestão para o Dia das Crianças que se aproxima.
Em A verdade nua e crua, a busca pela audiência leva a produtora Abby Richter (Katherine Heigl) a infringir seus princípios e aceitar as idéias malucas do apresentador Mike Alexander (Gerard Butler). Ele tem uma teoria bastante controversa acerca do mundo masculino, que, como sugere o poster do filme, está mais interessado em sexo e não liga para sentimentos. Mike é considerado, por Abby, um grande machista, mas com suas dicas "preciosas", ela conquista um verdadeiro gentleman e percebe que as teorias do apresentador fazem algum sentido.
O filme — não surpreendentemente — é repleto de clichês das "comédias românticas norte-americanas" e dos ensinamentos de livros de auto-ajuda, inclusive a impressão que se tem ao assisti-lo é de estar lendo algo como Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? E claro, o desfecho do longa-metragem não poderia ser mais óbvio. Com toda a carga de elementos negativos do filme, contudo, considero-o uma boa pedida para um fim de noite despretensioso, pois dispõe de certa graciosidade.
Acerca da proposta de Tá chovendo Hamburguer — adaptação de livro infantil escrito pelos próprios roteiristas do filme, Judi Barret e Ron Barrett — é possível tecer comentários mais positivos. Com produção da Sony Pictures, o filme estreou no último fim de semana e já lidera as bilheterias brasileiras, tendo, inclusive, superado o público de Up - altas aventuras, grande aposta dos estúdios Disney / Pixar para este ano.
Assinado por Phil Lord e Chris Miller, que também dirigiram Shrek Terceiro (Shrek the third), o longa conta a história do cientista bem intencionado Flint, capaz de fazer chover comida na sua cidade. Na tentativa de mudar a rotina dos moradores — que, há anos, alimentam-se exclusivamente de sardinha, — ele cria uma máquina para converter a água das nuvens em deliciosos lanches e guloseimas. A cidade inteira comemora a invenção de Flint, que passa a ser ícone do lugar e alvo dos interesses do ambicioso prefeito.
Com a mirabolante invenção, Flint fica a mercê dos desejos gastronômicos dos cidadãos, que exigem cada vez mais da máquina. A situação modifica o comportamento do clima e traz sérias conseqüências para a cidade. Tal fato atrai a cobertura da mídia, que no filme é representada pela (quase) jornalista Sam Sparks, estagiária de uma emissora de TV. Sam, à princípio vista como destrambelhada pelo âncora do telejornal, revela-se uma "nerd" que entende tudo sobre os fenômenos meteorológicos e a invenção de Flint; ou seja, alguém capaz de ajudá-lo na recuperação da normalidade do lugar. E, claro, ela é a mocinha da história por quem Flint vai nutrir certa paixão.
Mundo infantil à parte, uma visão atenta do filme revela um tom de crítica do roteiro à sociedade vigente — que tendendo ao consumo exagerado e à exploração do Meio Ambiente sofre, hoje, com o aquecimento global e as suas conseqüências. Uma inteligente e bem sucedida metáfora da situação do mundo atual que soa como Uma verdade inconveniente destinado ao público infantil. Uma boa sugestão para o Dia das Crianças que se aproxima.
Marcadores:
A verdade nua e crua,
Cinema,
Filme,
Tá chovendo hamburguer
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Brasil, esquentai vossos pandeiros
Hoje, ao ler o blog de um rapaz que estou conhecendo, lembrei-me de que não comentei nada sobre a escolha da sede das Olimpíadas de 2016. Então, resolvi pronunciar-me.
Na sexta pela manhã, eu estava em casa revisando um dos mil trabalhos que o mesmo professor faz questão de pedir toda semana. Do quarto do meu irmão (onde fica o computador), era impossível ignorar os gritos da televisão contando toda a expectativa para a vitória do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016. Algo realmente surreal, minutos e minutos dedicados exclusivamente àquela expectativa, que aquecia a cidade de Copenhague.
Foi esse clima olímpico que encontrei, horas depois, na faculdade, onde vários estudantes disputavam uma melhor posição no aglomerado de gente que se formou em torno de uma pequena televisão. Tanta gente, algo só comparado aos dias em que a seleção brasileira está em campo. Realmente incrível.
As chances do Brasil eram enormes, além de ter apresentado a campanha mais cara, o Rio de Janeiro disputava com cidades cujos países já foram sedes — Chicago (Estados Unidos - 1904, 1932, 1984 e 1996), Tóquio (Japão - 1964) e Madri (Espanha - 1992). O fato da América do Sul nunca ter sido contemplada com uma Olimpíada também era um ponto a favor da cidade brasileira, que fez questão de destacá-lo com um mapa em que a disparidade da distribuição olímpica ficava latente.
Contra a campanha verde e amarela só havia o fato de que, dois anos antes das Olimpíadas, seremos sede da Copa de 2014. Como essa dobradinha não é inédita — vide México (1968 e 1970), Alemanha (1972 e 1974) e Estados Unidos (1994 e 1996) —, a vitória brasileira foi confirmada.
Chicago perdeu na primeira rodada, com dezoito votos. A cidade mais votada foi Madri, com vinte e oito, seguida do Rio de Janeiro com vinte e seis. Na segunda rodada, a cidade carioca saiu na frente, com quarenta e seis votos, e foi a vez dos japoneses darem adeus ao sonho olímpico. A final foi vencida pelo Rio com expressiva margem de diferença, sessenta e seis votos contra trinta e dois para Madri.
A vitória brasileira foi marcada por grande festa na areia de Copacabana. Em Copenhague, a emoção com a escolha do Rio de Janeiro ficou latente nas lágrimas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Rio 2016 entrou para o rol das conquistas do governo Lula, ou seja, mais uma para o discurso "Nunca na história desse país...".
Uma das preocupações com a escolha do Rio de Janeiro como cidade das Olimpíadas de 2016 — somada à escolha do Brasil como sede da Copa dois anos antes — é o alto investimento que país fará para custear todas as obras de instalações esportivas e de infra-estrutura que o Brasil não possui. Somente para a organização do evento olímpico estão previstos U$ 14,4 bilhões, o equivalente a R$ 25 bilhões. Por outro lado, Dilma Roussef — ministra-chefe da Casa Civil, — acalma (?) os brasileiros com "Vamos usar todos os recursos que o país tem. E temos muito, viu?".
Ainda que haja dinheiro, não podemos deixar de lado a preocupação com o orçamento, vide os Jogos Pan-Americanos de 2007. As irregularidades nas contas do Pan elevaram em 793% o orçamento previsto (R$ 409 milhões), em 2002, para o evento. Assim, a fiscalização dos investimentos para a Copa e as Olimpíadas deverá ser rígida para evitar o superfaturamento das obras.
Além da preocupação com os gastos que o Brasil fará nos próximos anos para custear esses eventos, resta uma inquietação com a realidade do país. Impossível não perceber a discrepância entre o comportamento dos brasileiros em relação a dois âmbitos: Esporte e Política.
Durante o período de eleição do Congresso e da Câmara Federais — cujo resultado prático seria notório no dia seguinte, não em seis anos — não houve coberturas extensas sobre a votação e o assunto não teve grandes repercussões nos jornais do dia seguinte, ao menos em Pernambuco. E, diferentemente do Rio 2016, não rendeu um caderno especial no Jornal do Commercio nem a capa da revista Veja, veículos que pude acompanhar na época.
Percebo, ao observar tudo isso, que não há nenhuma anomalia no pensamento do professor Dacier Barros quando afirma que a única instituição com a qual brasileiro identifica-se é o Esporte. Afinal, defende-se o time mesmo quando ele está na quarta divisão — vide Santa Cruz — ou na beira do rebaixamento, como Náutico e Sport.
Partidos e Política são assuntos menores, não merecem caderno específico nos jornais. Não dão audiência, nem vendem. É, talvez seja mais útil eu também deixar a Política de lado e dedicar-me ao Jornalismo Esportivo. Enfim, vou indo. Preciso aprender tudo sobre Badminton até 2016.
Na sexta pela manhã, eu estava em casa revisando um dos mil trabalhos que o mesmo professor faz questão de pedir toda semana. Do quarto do meu irmão (onde fica o computador), era impossível ignorar os gritos da televisão contando toda a expectativa para a vitória do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016. Algo realmente surreal, minutos e minutos dedicados exclusivamente àquela expectativa, que aquecia a cidade de Copenhague.
Foi esse clima olímpico que encontrei, horas depois, na faculdade, onde vários estudantes disputavam uma melhor posição no aglomerado de gente que se formou em torno de uma pequena televisão. Tanta gente, algo só comparado aos dias em que a seleção brasileira está em campo. Realmente incrível.
As chances do Brasil eram enormes, além de ter apresentado a campanha mais cara, o Rio de Janeiro disputava com cidades cujos países já foram sedes — Chicago (Estados Unidos - 1904, 1932, 1984 e 1996), Tóquio (Japão - 1964) e Madri (Espanha - 1992). O fato da América do Sul nunca ter sido contemplada com uma Olimpíada também era um ponto a favor da cidade brasileira, que fez questão de destacá-lo com um mapa em que a disparidade da distribuição olímpica ficava latente.
Contra a campanha verde e amarela só havia o fato de que, dois anos antes das Olimpíadas, seremos sede da Copa de 2014. Como essa dobradinha não é inédita — vide México (1968 e 1970), Alemanha (1972 e 1974) e Estados Unidos (1994 e 1996) —, a vitória brasileira foi confirmada.
Chicago perdeu na primeira rodada, com dezoito votos. A cidade mais votada foi Madri, com vinte e oito, seguida do Rio de Janeiro com vinte e seis. Na segunda rodada, a cidade carioca saiu na frente, com quarenta e seis votos, e foi a vez dos japoneses darem adeus ao sonho olímpico. A final foi vencida pelo Rio com expressiva margem de diferença, sessenta e seis votos contra trinta e dois para Madri.
A vitória brasileira foi marcada por grande festa na areia de Copacabana. Em Copenhague, a emoção com a escolha do Rio de Janeiro ficou latente nas lágrimas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Rio 2016 entrou para o rol das conquistas do governo Lula, ou seja, mais uma para o discurso "Nunca na história desse país...".
Uma das preocupações com a escolha do Rio de Janeiro como cidade das Olimpíadas de 2016 — somada à escolha do Brasil como sede da Copa dois anos antes — é o alto investimento que país fará para custear todas as obras de instalações esportivas e de infra-estrutura que o Brasil não possui. Somente para a organização do evento olímpico estão previstos U$ 14,4 bilhões, o equivalente a R$ 25 bilhões. Por outro lado, Dilma Roussef — ministra-chefe da Casa Civil, — acalma (?) os brasileiros com "Vamos usar todos os recursos que o país tem. E temos muito, viu?".
Ainda que haja dinheiro, não podemos deixar de lado a preocupação com o orçamento, vide os Jogos Pan-Americanos de 2007. As irregularidades nas contas do Pan elevaram em 793% o orçamento previsto (R$ 409 milhões), em 2002, para o evento. Assim, a fiscalização dos investimentos para a Copa e as Olimpíadas deverá ser rígida para evitar o superfaturamento das obras.
Além da preocupação com os gastos que o Brasil fará nos próximos anos para custear esses eventos, resta uma inquietação com a realidade do país. Impossível não perceber a discrepância entre o comportamento dos brasileiros em relação a dois âmbitos: Esporte e Política.
Durante o período de eleição do Congresso e da Câmara Federais — cujo resultado prático seria notório no dia seguinte, não em seis anos — não houve coberturas extensas sobre a votação e o assunto não teve grandes repercussões nos jornais do dia seguinte, ao menos em Pernambuco. E, diferentemente do Rio 2016, não rendeu um caderno especial no Jornal do Commercio nem a capa da revista Veja, veículos que pude acompanhar na época.
Percebo, ao observar tudo isso, que não há nenhuma anomalia no pensamento do professor Dacier Barros quando afirma que a única instituição com a qual brasileiro identifica-se é o Esporte. Afinal, defende-se o time mesmo quando ele está na quarta divisão — vide Santa Cruz — ou na beira do rebaixamento, como Náutico e Sport.
Partidos e Política são assuntos menores, não merecem caderno específico nos jornais. Não dão audiência, nem vendem. É, talvez seja mais útil eu também deixar a Política de lado e dedicar-me ao Jornalismo Esportivo. Enfim, vou indo. Preciso aprender tudo sobre Badminton até 2016.
domingo, 4 de outubro de 2009
De coração
Desde cedo, discordo do verso "eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar". E por muitas vezes a vida provou-me que quantidade não significa muita coisa e que, às vezes, significa coisa alguma. Assim, cresci lendo as entrelinhas da vida. Nunca fui de contar namorados, mesmo porque não houve muitos, nem de achar que dinheiro é tudo. Lembro-me de que, quando eu era oitava série, um menino falou-me: não tenho melhor amigo, tenho amigos. Trouxe essa lembrança comigo e, desde então, não creditei esse título a nenhuma das minhas amizades para não ser injusta com nenhuma outra. Considero que existem pessoas com quem se divide certas afinidades e, provavelmente, em determinados momentos, elas estejam mais presentes; tal fato, contudo, não faz das outras menores. Podemos estar há quilômetros de distância ou sem contato há meses, mas sabemos nos reconhecer e carregamos a certeza de que temos pessoas em quem confiar. Ainda que poucas, sinceras.
Para Mayra Luna.
Para Mayra Luna.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Vamos roubar a prova?
A notícia do adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) fez-me recordar de um episódio semelhante, com suas devidas proporções, que vivi na época do colégio.
Durante os anos em que cursei o ensino médio, não eram raros os comentários como "vamos roubar a prova?". A idéia, invariavelmente, era de autoria dos alunos que achavam impossível aprender as lições de exatas em tão pouco tempo, visto que só se dedicavam aos estudos dessas disciplinas no fim do ano letivo, quando a "prova final" era a última chance para não ser reprovado. Em suma, desperdiçava-se horas de estudo para arquitetar planos infalíveis de como roubar a prova sem ser descoberto.
No segundo ano do ensino médio, o plano saiu do papel e foi executado por alguns alunos. Assim como o indivíduo do ENEM, os estudantes também não obtiveram êxito. Na tentativa de conseguir a prova, eles deixaram a coordenação (onde as provas eram guardadas) bastante bagunçada, com papéis por todo o lado. Provavelmente, ao perceber a aproximação de alguém, jogaram tudo no chão e fugiram. Então, a prova foi anulada.
Ao chegar no colégio, percebi uma movimentação diferente e ouvi um burburinho a respeito do roubo. Passos adiante, recebi a notícia oficial: não haveria prova de Física naquele dia. Eu fiquei contente pelo fato de que teria outros dias para estudar e triste porque sonharia com a prova de Física por mais algumas noites. É que — de tão ansiosa — eu sonhava, religiosamente, com uma provável questão. Inclusive, o sonho recorrente concretizou-se na prova.
Bem, foi apenas uma recordação do tempo em que eu achava que sabia o que era estudar. No mais, desejo boa sorte aos vestibulandos e gostaria de tranqüilizar cada um com o famoso ditado: o que é seu está guardado.

No segundo ano do ensino médio, o plano saiu do papel e foi executado por alguns alunos. Assim como o indivíduo do ENEM, os estudantes também não obtiveram êxito. Na tentativa de conseguir a prova, eles deixaram a coordenação (onde as provas eram guardadas) bastante bagunçada, com papéis por todo o lado. Provavelmente, ao perceber a aproximação de alguém, jogaram tudo no chão e fugiram. Então, a prova foi anulada.
Ao chegar no colégio, percebi uma movimentação diferente e ouvi um burburinho a respeito do roubo. Passos adiante, recebi a notícia oficial: não haveria prova de Física naquele dia. Eu fiquei contente pelo fato de que teria outros dias para estudar e triste porque sonharia com a prova de Física por mais algumas noites. É que —
Bem, foi apenas uma recordação do tempo em que eu achava que sabia o que era estudar. No mais, desejo boa sorte aos vestibulandos e gostaria de tranqüilizar cada um com o famoso ditado: o que é seu está guardado.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Sempre Gabriela
— [...] Está vendo como eu sou? (cara de insatisfação)
— Sim. E você queria ser como? (expressão de curiosidade)
— Assim mesmo.
— Sim. E você queria ser como? (expressão de curiosidade)
— Assim mesmo.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
E eu já gostava dele
Essa xilogravura de J. Borges ilustrou o panfleto da campanha "A diversidade é legal", em favor da livre expressão da sexualidade.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Lição de omelete
Mais um diálogo daqueles que rendem aprendizado.
— Me conta uma coisa boa.
— Acho que abri um ovo podre, isso é uma coisa boa?
— Humm, acho que não, né?
— Eita, é não. Ele tá ok.
Captei a mensagem!
— Me conta uma coisa boa.
— Acho que abri um ovo podre, isso é uma coisa boa?
— Humm, acho que não, né?
— Eita, é não. Ele tá ok.
Captei a mensagem!
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Inquietudes de hoje
Eu sei que o país está fervendo politicamente — vide Zelaya, Toffoli, TCU —, mas minhas crises existenciais merecem um espaço e a internet existe (também) para isso. Já dizia Pierre Lévy.
1) Não que eu seja a Metamorfose ambulante de Raul, mas tem dias em que a gente diz o oposto do que disse antes. Hoje, depois de ponderar muitas coisas que "aconteceram" nos últimos dias, cheguei à conclusão de que não penso como antes e de que não repetiria atitudes de outrora.
2) Nesta quarta-feira que está quase chegando ao fim, assisti a uma aula em que o professor mostrou-se completamente favorável à política de FHC, sobretudo em relação às privatizações. Questionado — por mim, inclusive — sobre os argumentos consistentes que são contra à essa prática política, ele disse que não há. Ao perceber minha inquietação, ele aconselhou-me a ler. Então, farei isso.
3) Dia 23 de setembro, além de ser o primeiro dia da primavera, é o Dia Nacional do Sorvete. Viva o Marketing. A frase de uma amiga ilustra bem o que fiz em relação a isso: Ah, se hoje não fosse o dia do sorvete, não estaríamos nessa sorveteria.
4) Por que Zelaya, lá de Honduras, vira capa do Jornal do Commercio e a eleição do Senado e da Câmara brasileiros não merece esse destaque?
1) Não que eu seja a Metamorfose ambulante de Raul, mas tem dias em que a gente diz o oposto do que disse antes. Hoje, depois de ponderar muitas coisas que "aconteceram" nos últimos dias, cheguei à conclusão de que não penso como antes e de que não repetiria atitudes de outrora.
2) Nesta quarta-feira que está quase chegando ao fim, assisti a uma aula em que o professor mostrou-se completamente favorável à política de FHC, sobretudo em relação às privatizações. Questionado — por mim, inclusive — sobre os argumentos consistentes que são contra à essa prática política, ele disse que não há. Ao perceber minha inquietação, ele aconselhou-me a ler. Então, farei isso.
3) Dia 23 de setembro, além de ser o primeiro dia da primavera, é o Dia Nacional do Sorvete. Viva o Marketing. A frase de uma amiga ilustra bem o que fiz em relação a isso: Ah, se hoje não fosse o dia do sorvete, não estaríamos nessa sorveteria.
4) Por que Zelaya, lá de Honduras, vira capa do Jornal do Commercio e a eleição do Senado e da Câmara brasileiros não merece esse destaque?
Marcadores:
FHC,
JC,
Manuel Zelaya,
Raul Seixas,
Sorvete
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Lucy in the sky with Sam
Fim de semana passado assisti a alguns filmes, todos bons, mas um realmente comoveu-me. I'm Sam (Uma Lição de Amor). Em cena, o mesmo Sean Penn digno do Oscar de melhor ator em 2008 pelo filme Milk - A voz da igualdade em parceria com uma garota adorável, Dakota Fanning, que recentemente esteve na telona com Crepúsculo. Ambos numa performace admirável, ele na pele de um pai com problemas mentais e ela no papel de uma filha suficientemente esperta para entender que nada é mais importante que o amor. De Kristine Johnson e Jessie Nelson, I'm Sam foi escrito e montado com muito bom gosto, do roteiro à trilha sonora — repleta de sucessos de The Beatles. O próprio nome da personagem interpretada por Dakota faz referência à banda, Lucy. O fime, lançado em 2001, se passa nos Estados Unidos e tem o clímax quando Lucy completa sete anos, superando a idade mental de Sam e passa a resistir ao aprendizado para não desapontar o pai. A partir de então, uma assistente social decide que a menina deve viver com uma família adotiva capaz de respaldá-la intelectualmente. A atriz Michelle Pfeiffer — interpretando a advogada Rita — entra em cena, neste momento, na defesa da dupla de pai e filha em grande sintonia, Sam e Lucy. O restante do filme mostra cenas emocionantes e provoca no expectador um grande debate em relação ao destino de Lucy. Vale muito a pena.
Marcadores:
Filme,
I'm Sam,
The Beatles,
Uma Lição de Amor
sábado, 19 de setembro de 2009
Lucros e dividendos
Arrumar o quarto tem sido uma atividade lucrativa. Hoje achei mais dinheiro enquanto dava aquela ajeitadinha na bagunça. No feriado do dia 7 de setembro, eu achei — entre Sobrados e Mucambos — seis reais; neste sábado descolei a mesma quantia. Bem, como, infelizmente, ainda não terminei a arrumação (sim, meu quarto está muito bagunçado), o consolo que fica é a esperança de desenrolar mais uma graninha.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Novas páginas
O PERIGO DA REVITIMIZAÇÃO NOS DEPOIMENTOS DE MENORES
Até o mês de junho, 377 casos de violência sexual contra menores foram registrados este ano pela Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA), que recebe todos os dias dezenas de menores — vítimas e acusados. Acompanhada pela mãe, Alice (nome fictício), adolescente de treze anos, foi uma das primeiras depoentes a chegar na GPCA na última quinta-feira. Vítima, ela foi à delegacia denunciar o namorado da avó, que, há quatro meses, a abusa sexualmente.
Até o mês de junho, 377 casos de violência sexual contra menores foram registrados este ano pela Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA), que recebe todos os dias dezenas de menores — vítimas e acusados. Acompanhada pela mãe, Alice (nome fictício), adolescente de treze anos, foi uma das primeiras depoentes a chegar na GPCA na última quinta-feira. Vítima, ela foi à delegacia denunciar o namorado da avó, que, há quatro meses, a abusa sexualmente.
A mãe de Alice não desconfiava de nada até o dia em que atendeu uma ligação do padrasto no celular da filha e ouviu algo que a deixou apreensiva. A garota teve medo de contar o que estava acontecendo, mas falou o suficiente para que a mãe decidisse levá-la à delegacia para denunciar o agressor. “Eu não quis deixar isso impune não. Convenci ela a vir para a delegacia, que é o certo, independente de ser meu padrasto”, afirmou a mãe de Alice. “Eu estou agindo com ele como agiria com qualquer pessoa, não é porque ele é um conhecido que eu vou acobertar”, completou.
A história de Alice não é um caso isolado. O chefe da UNIAT da GPCA, José Rinaldo Carvalho, mostra dados estatísticos que apontam familiares e conhecidos como principais agressores, correspondendo a 82,5% de todos os crimes sexuais praticados contra menores de janeiro a junho deste ano. Por se tratar de um caso delicado, em que os depoentes são crianças e adolescentes e devido à proximidade da vítima com o agressor, as denúncias nem sempre chegam à delegacia e muitas vezes os crimes seguem impunes.
O colóquio é recente e seu resultado ainda não pode ser percebido; é possível notar, contudo, a consciência social de que o momento da denúncia não pode ser um novo constrangimento na vida da vítima. Nesse sentido, o projeto Depoimento Sem Danos (DSD) — implantado no Estado, em junho desde ano, pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco a partir de convênio com a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República — é um avanço. Idealizado pelo juiz José Antonio Daltoé Cezar, da 2ª Vara de Infância e Juventude de Porto Alegre, o DSD tem como principal objetivo promover a proteção psicológica do menor que sofreu violência sexual, impedindo o seu contato com o acusado e a repetição de interrogatórios. Assim, a vítima é ouvida uma única vez em uma sala reservada, evitando o enfrentamento com o acusado e a presença de advogado de defesa ou do próprio juiz.
De acordo com o delegado da GPCA, Reginaldo Gregório, as iniciativas do DSD estão restritas à esfera judiciária. Carolina Costa, lamenta essa situação, “O primeiro lugar que [o Depoimento Sem Danos] deveria ser implantado era a delegacia, que é onde a vítima vai no dia da agressão. Quando o caso vai para a justiça, já faz um ano que ocorreu”. Assim — na tentativa de suprir a não-implementação do DSD —, a GPCA dispõe de seis profissionais capacitados da UNIAT responsáveis por ouvir os depoimentos das crianças e adolescentes e repassá-los, por meio de relatórios, para o delegado responsável, sem que as vítimas precisem repetir o relato e recordar da agressão. A defasagem nesse processo é o fato de que desses seis profissionais da GPCA, apenas a metade possui formação em Psicologia.
A FAMÍLIA COLCHETE
Outra medida do projeto Depoimento Sem Danos para evitar constrangimento das vítimas é a utilização, nas delegacias responsáveis, da Família Colchete, bonecos de pano que dispõe de região genital. Elaborada por agentes do Centro de Referência Interprofissional na Atenção às Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência (Criar), a utilização da Família Colchete é recomendada durante o atendimento às crianças e adolescentes que sofreram abuso sexual. De acordo com os psicólogos da Criar, esse procedimento concede à vítima a liberdade de explicar a agressão por meio de gestos realizados com os bonecos. Carolina Costa, psicóloga da Unidade de Apoio Técnico (UNIAT) da Gerência Policial da Criança e do Adolescente (GPCA) afirma que mesmo dispondo da Família Colchete, não costuma utilizá-la durante os depoimentos. Ela prefere o uso dos próprios bonecos de pelúcia que enfeitam as salas. “Não se sabe o nível de contato que a criança sofreu durante a agressão e de repente os bonecos da Família Colchete podem assustá-la”, afirmou.
------------------------------------------------------------------------------
Gerência Policial da Criança e do Adolescente (GPCA)
Rua Benfica,1008 — Madalena — Recife, PE — CEP 50.720-001
Telefone: 3184.3582
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Lição de Hoje
É necessário ter o caos cá dentro para gerar uma estrela.
F. Nietzsche
F. Nietzsche
Há quem sambe muito bem V
As festas no bairro Cacique de Ramos, realizadas durante a década de 1980, foram marcadas por samba de temática mais alegre e ritmo mais acelerado. Aos tradicionais instrumentos, adicionou-se repique, banjo e tantã. Esses encontros deram origem ao pagode, que, a princípio, designava as festas de samba. Beth Carvalho foi madrinha desse movimento que revelou o grupo Fundo de Quintal e o cantor Zeca Pagodinho. Aproveitando o sucesso desse movimento, a indústria fonográfica batizou de pagode todo som realizado por grupos pop que faziam uso de instrumentos de samba.
Na década seguinte, com a repercussão da música sertaneja e o surgimento do axé music, as músicas de bamba foram deixadas de lado, restringindo-se, praticamente, às canções de Zeca Pagodinho. A crítica à desvalorização do sambista pelas escolas de samba — mais interessadas na “espetacularização” do desfile — perdurou também durante esses anos e ainda reverbera nos dias de hoje.
O ressurgimento do samba na cena musical deu-se a partir de meados do ano 2000, com os shows de Teresa Cristina no bairro da Lapa. Inicialmente, possuía repertório composto por canções de músicos consagrados, como Candeia, hoje ela canta músicas próprias num estilo que não se restringiu ao que foi produzido na década de 1980, no Cacique de Ramos. Seguindo o caminho trilhado por Teresa Cristina, a potiguar Roberta Sá conquistou, em 2007, dois prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) — melhor álbum e melhor cantora — pelo seu segundo CD, Que Belo Estranho Dia Para Se Ter Alegria, que vendeu mais de cinqüenta mil cópias.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
BARBOSA, Orestes. Samba: Sua história, seus poetas, seus músicos e seus cantores. 2. ed. Rio de Janeiro: FUNARTE, 1978.
HISTÓRIA DO SAMBA. Editora Globo. Rio de Janeiro, 1998. 40 fascículos.
LOPES, Nei. Sambeabá: O samba que não se aprende na escola. 1. ed. Rio de Janeiro: Casa da Palavra: Folha Seca, 2003.
TINHORÃO, José Ramos. Pequena historia da musica popular: da modinha a lambada. 6. ed. São Paulo: Art, 1991.
O vil metal: O dinheiro na música popular brasileira in ANPOCS. Disponível em: http://www.anpocs.org.br/portal/publicacoes/rbcs_00_33/rbcs33_09.htm
Acessado em: 20/08/2009
Pequena história do samba in Geocities. Disponível em: http://br.geocities.com/biografiaschiado/HistoriaCuriosidades/HistoriadoSamba/Historiadosamba.htm
Acessado em: 25/08/2009
Na década seguinte, com a repercussão da música sertaneja e o surgimento do axé music, as músicas de bamba foram deixadas de lado, restringindo-se, praticamente, às canções de Zeca Pagodinho. A crítica à desvalorização do sambista pelas escolas de samba — mais interessadas na “espetacularização” do desfile — perdurou também durante esses anos e ainda reverbera nos dias de hoje.
O ressurgimento do samba na cena musical deu-se a partir de meados do ano 2000, com os shows de Teresa Cristina no bairro da Lapa. Inicialmente, possuía repertório composto por canções de músicos consagrados, como Candeia, hoje ela canta músicas próprias num estilo que não se restringiu ao que foi produzido na década de 1980, no Cacique de Ramos. Seguindo o caminho trilhado por Teresa Cristina, a potiguar Roberta Sá conquistou, em 2007, dois prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) — melhor álbum e melhor cantora — pelo seu segundo CD, Que Belo Estranho Dia Para Se Ter Alegria, que vendeu mais de cinqüenta mil cópias.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
BARBOSA, Orestes. Samba: Sua história, seus poetas, seus músicos e seus cantores. 2. ed. Rio de Janeiro: FUNARTE, 1978.
HISTÓRIA DO SAMBA. Editora Globo. Rio de Janeiro, 1998. 40 fascículos.
LOPES, Nei. Sambeabá: O samba que não se aprende na escola. 1. ed. Rio de Janeiro: Casa da Palavra: Folha Seca, 2003.
TINHORÃO, José Ramos. Pequena historia da musica popular: da modinha a lambada. 6. ed. São Paulo: Art, 1991.
O vil metal: O dinheiro na música popular brasileira in ANPOCS. Disponível em:
Acessado em: 20/08/2009
Pequena história do samba in Geocities. Disponível em: http://br.geocities.com/biografiaschiado/HistoriaCuriosidades/HistoriadoSamba/Historiadosamba.htm
Acessado em: 25/08/2009
sábado, 12 de setembro de 2009
Pão ou pães é questão de opiniães
Estávamos conversando no elevador quando um casal entrou e nos cumprimentou. Ficamos em silêncio por algum tempo, esperando as pessoas irem embora. Assim, o elevador parou no P2, eles se foram e nós continuamos a prosa. Aliás, puxei outro assunto antes de prosseguirmos com o anterior.
— Que fofo. Tu viu?
— Os convites, né?
— É, eles foram distribuir os convites de casamento deles.
— Rapaz, não sei se isso é fofo não.
— Os convites, né?
— É, eles foram distribuir os convites de casamento deles.
— Rapaz, não sei se isso é fofo não.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Happy Birthday to you!

Em clima de festa, como sugere a foto acima, escrevo sobre este blog. Ainda me recordo o dia em que Gabriela disse toda empolgada que queria fazer um. Foi algum dia há dois anos atrás por msn. Ficamos trocando idéias e resolvemos dividir o mesmo. Hoje em dia, já não estou mais em atividade nele, resolvi fazer um para mim. Mas, em comemoração às 200 postagens dele, vou escrever sobre alguns dados inéditos.
Os acessos ao blog são contados desde 22 de julho desse ano, e desde lá, já são mais de 730, média de 16 acessos por dia, desde então. Gabriela não acredita nisso, mas é verdade! Abaixo, pode-se ver o número de visitas ao blog, por mês, e de qual país se está acessando.
Os acessos ao blog são contados desde 22 de julho desse ano, e desde lá, já são mais de 730, média de 16 acessos por dia, desde então. Gabriela não acredita nisso, mas é verdade! Abaixo, pode-se ver o número de visitas ao blog, por mês, e de qual país se está acessando.
Julho/2009
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Há quem sambe muito bem IV
Na década de 1950, houve o apogeu do samba-canção, sub-gênero do samba que surgiu ainda na década de 1920, com o sucesso de Linda flor (Ai, Ioiô), de Henrique Vogeler, Marques Porto e Luís Peixoto. O samba-canção caracteriza-se pelo ritmo lento e cadenciado e pelas letras sentimentais e românticas. Cartola foi um dos compositores que se popularizou nessa época com composições como As rosas não falam e O mundo é um moinho. Conta-se que esta última foi composta na noite em que Cartola não dormiu após descobrir que sua filha, Creuza, prostituía-se.
Cartola foi um dos principais responsáveis pela fundação da Estação Primeira de Mangueira — uma das escolas de samba mais tradicionais do Rio de Janeiro —, sendo o seu primeiro mestre de harmonia. A palavra definitiva na escolha do nome e das cores da escola foi de Cartola; Estação Primeira porque era a primeira estação de trem depois da Central do Brasil, onde havia samba; as cores verde e rosa teriam surgido de uma referência a um rancho em Laranjeiras.
Alguns compositores exacerbaram o sentimentalismo do samba-canção, como Maysa e Dolores Duran, que foram enquadradas, por muitos, no que se apelidou de “samba-fossa”. Com músicas caracterizadas pelo tom “dor de cotovelo”, elas fizeram sucesso durante a década de 1950.
Com da política internacional de Juscelino Kubitschek — que buscou o estreitamento das relações entre Brasil e Estados Unidos — o jazz passou a influenciar mais fortemente a música brasileira; dessa maior influência nasceu a Bossa Nova. Com a mistura de samba e jazz, criou-se um gênero novo que teve como berço o bairro carioca de Copacabana, mais particularmente o apartamento de Nara Leão. A proposta do que se chamava “Revolução João-gilbertiana” era tornar o samba mais adequado aos estúdios, substituindo todos os instrumentos de percussão pela bateria.
Durante a década de 1960, na tentativa de resgatar o samba do morro, houve um movimento de revalorização de compositores antigos e a volta do samba de partido alto. Antes caracterizados pelo improviso, os versos desse sub-gênero passaram a adquirir maior estabilidade — seguindo a tendência da indústria fonográfica — a partir das canções de Martinho da Vila. Nessa época, sucessos como Coração Leviano e Dança da Solidão foram compostos por Paulinho da Viola.
Considerada uma das maiores intérpretes do país, Clara Nunes surgiu na cena musical brasileira na década seguinte. Ela foi a primeira cantora do Brasil a vender mais de cem mil cópias de disco. Entre suas canções mais famosas, Canto das três raças. Nessa época, a indústria fonográfica comemorou também o lançamento do primeiro disco de Cartola, em 1974. Nessa época, um novo jeito de fazer samba surgiu a partir da combinação do samba tradicional com piano e arranjos românticos. A esse sub-gênero — produzido, principalmente, por Benito de Paula — deu-se o nome pejorativo de “samba-jóia”, já que os críticos musicais considerava-o cafona.
Os críticos passaram a questionar também o desempenho musical das escolas de samba no fim da década de 1970. A preocupação com a indumentária e com o espetáculo cresceu em detrimento do cuidado na elaboração do samba-enredo, que perdeu a importância de outrora e passou a ser parte integrante do desfile.
Cartola foi um dos principais responsáveis pela fundação da Estação Primeira de Mangueira — uma das escolas de samba mais tradicionais do Rio de Janeiro —, sendo o seu primeiro mestre de harmonia. A palavra definitiva na escolha do nome e das cores da escola foi de Cartola; Estação Primeira porque era a primeira estação de trem depois da Central do Brasil, onde havia samba; as cores verde e rosa teriam surgido de uma referência a um rancho em Laranjeiras.
Alguns compositores exacerbaram o sentimentalismo do samba-canção, como Maysa e Dolores Duran, que foram enquadradas, por muitos, no que se apelidou de “samba-fossa”. Com músicas caracterizadas pelo tom “dor de cotovelo”, elas fizeram sucesso durante a década de 1950.
Com da política internacional de Juscelino Kubitschek — que buscou o estreitamento das relações entre Brasil e Estados Unidos — o jazz passou a influenciar mais fortemente a música brasileira; dessa maior influência nasceu a Bossa Nova. Com a mistura de samba e jazz, criou-se um gênero novo que teve como berço o bairro carioca de Copacabana, mais particularmente o apartamento de Nara Leão. A proposta do que se chamava “Revolução João-gilbertiana” era tornar o samba mais adequado aos estúdios, substituindo todos os instrumentos de percussão pela bateria.
Durante a década de 1960, na tentativa de resgatar o samba do morro, houve um movimento de revalorização de compositores antigos e a volta do samba de partido alto. Antes caracterizados pelo improviso, os versos desse sub-gênero passaram a adquirir maior estabilidade — seguindo a tendência da indústria fonográfica — a partir das canções de Martinho da Vila. Nessa época, sucessos como Coração Leviano e Dança da Solidão foram compostos por Paulinho da Viola.
Considerada uma das maiores intérpretes do país, Clara Nunes surgiu na cena musical brasileira na década seguinte. Ela foi a primeira cantora do Brasil a vender mais de cem mil cópias de disco. Entre suas canções mais famosas, Canto das três raças. Nessa época, a indústria fonográfica comemorou também o lançamento do primeiro disco de Cartola, em 1974. Nessa época, um novo jeito de fazer samba surgiu a partir da combinação do samba tradicional com piano e arranjos românticos. A esse sub-gênero — produzido, principalmente, por Benito de Paula — deu-se o nome pejorativo de “samba-jóia”, já que os críticos musicais considerava-o cafona.
Os críticos passaram a questionar também o desempenho musical das escolas de samba no fim da década de 1970. A preocupação com a indumentária e com o espetáculo cresceu em detrimento do cuidado na elaboração do samba-enredo, que perdeu a importância de outrora e passou a ser parte integrante do desfile.
Assinar:
Postagens (Atom)