sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A autocontemplação bakhtiniana no espelho


Li algo bem interessante nesta manhã de sexta-feira enquanto estudava um pouco para a prova de Português 4: o conceito de autor e autoria, de Bakhtin. A comparação que o filósofo-lingüista fez entre a autobiografia e a autocontemplação no espelho chamou a minha atenção pela reflexão interdisciplinar, coloco abaixo o trecho:

"O ato de autocontemplação no espelho motiva reflexão semelhante em Bakhtin. Pode parecer, numa abordagem superficial desse fenômeno, que estamos, de fato, nos vendo diretamente como os outros nos vêem. No entanto, diz Bakhtin, vemos no espelho uma face que nunca temos efetivamente na vida vivida: vemos apenas um reflexo do nosso exterior e não a nós mesmos em termos de nosso exterior, porque estamos em frente ao espelho e não no seu interior.
O que fazemos, então, quando em frente ao espelho, à falta dessa efetiva possibilidade (de nos vermos a nós mesmos inteiramente abarcados pelo nosso exterior) é nos projetarmos num possível outro peculiarmente indeterminado, com a ajuda de quem tentamos encontrar em uma posição axiológica em relação a nós mesmos. Nesse sentido, nunca estamos sozinhos frente ao espelho: um segundo participante está sempre implicado no evento da autocontemplação.
[...] É ingênuo pensar, diz ele, que no ato de olhar-se no espelho há uma fusão, uma coincidência do extrínseco com o intrínseco. O que ocorre, de fato, é que, quando me olho no espelho, em meus olhos olham olhos alheios; quando me olho no espelho não vejo o mundo com meus próprios olhos e desde o meu interior; vejo a mim mesmo com os olhos do mundo - estou possuído pelo outro.
Essas reflexões todas têm, como pano de fundo, o pressuposto bakhtiniano forte do primado da alteridade, no sentido de que tenho de passar pela consciência do outro para me constituir (ou, num vocabulário mais hegeliano, o eu-para-mim-mesmo se constrói a partir do eu-para-os-outros)."IT, Beth (org.) et al. Bakhtin: Conceitos-chave. 1. ed. São Paulo: Contexto, 2005. p. 43.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Nota sobre o Vaticano - II

"O filósofo Antonio Gramsci (foto ao lado), fundador do Partido Comunista italiano, encontrou a fé antes de sua morte em 1937, afirmou nesta terça-feira um prelado do Vaticano, dando um caráter oficial a velhos rumores que circulam na Itália onde Gramsci goza de um grande prestígio intelectual e moral."
A influência de Gramsci ultrapassou as fronteiras da Itália e da Europa dos anos 30. Até hoje, é citado nos meios acadêmicos e por ativistas políticos que não precisam ser comunistas necessariamente. Suas reflexões são sobre o papel dos intelectuais e de suas idéias na mobilização social e política; versam também sobre a hegemonia cultural como um meio de manipulação do Estado capitalista; e foi responsável por ampliar o conceito marxista de Estado, incluindo aspectos da cultura nas análises.
Preso pelo regime de Mussolini, quando solto, estava extremamente debilitado. Fundador do PC italiano e ateu (isso é quase uma redundância), soube-se hoje, que antes de morrer recebeu os sacramentos da Igreja Católica Romana, e morreu segurando uma foto de Santa Teresa e do Menino Jesus.
Obs.: Também vi uma matéria sobre isso no Jornal da Globo, e lá eles acabam a matéria da seguinte maneira. Falam sobre o binômio sempre seguido por Gramsci (IDÉIA & AÇÃO), ou seja, sua correção em suas atitudes. Com essa história de um ateu, no fim da vida ter abraçado a igreja, o jornal nos diz: "Se Gramsci redescobriu a fé católica, para o que não há confirmação em documentos, não seria uma contradição. A força das idéias da Igreja durou mais que a do comunismo." Desnecessário este comentário final.

sábado, 22 de novembro de 2008

Nota sobre o Vaticano

O Vaticano deu seu perdão a John Lennon, e ainda comemorou os 40 anos do álbum branco dos Beatles. Tudo isso por conta da frase do Lennon, onde afirmava que os Beatles eram mais famosos do que Jesus Cristo (o vídeo da entrevista onde Lennon diz isso está disponível no youtube). Essa frase, que para mim, tinha outro sentido, gerou esse cisma que só foi relevado agora. Segundo o ‘Osservatore Romano’, o órgão oficial do Vaticano - o porta-voz do Papa, a frase "Foi um arroubo de um jovem da classe trabalhadora inglesa que conquistou um sucesso inesperado". Por fim, o Vaticano ainda reconheceu que a dupla Lennon-McCartney continua sendo uma fonte de inspiração até hoje.

Ainda bem que não estamos mais na época da inquisição, por que caso contrário, primeiro matariam o Lennon, para depois reconhecer o valor dele.

O Mito dos Iguais

A vontade de escrever sobre esse tema surgiu ontem (20-11) enquanto assistia o Jornal da Globo. Nestas reportagens das quais falarei a seguir, fica clara a intenção da Globo de fazer valer a sua opinião enviesada sobre o tema das cotas em universidades públicas. Devo reconhecer, que quem edita esse jornal merece um prêmio pela sua engenhosidade. Aqui, fica bem claro o caráter naturalizador e sutil pelas quais ideologias são propagadas. Bom, vamos ao que interessa.

De maneira bem esquemática e partindo do Stuart Hall (2003), vou tentar falar sobre a criação do Mito de Barthes (1987). O intuito não é fazer uma análise das reportagens preso a esses autores, minha intenção é a de oferecer algumas idéias/conceitos, para que o próprio leitor tire suas conclusões.

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Inicialmente, para a construção ideológica, é preciso um aparato pautado nas relações sociais, neste caso específico, quem comporta as relações sociais, e gera a ideologia é o fazer jornalístico (meio de comunicação de massa). No entanto, para a divulgação ideológica, o discurso se faz necessário. Assim, é preciso que haja um meio (linguagem e imagens) composto por significados e mensagens sob a forma de signos. Se o sentido ideológico é apreendido, não ocorre o consumo. Ou seja, se você consegue decodificar o mito, ele não consegue ser naturalizado e passar novamente para o nível das relações sociais. A intenção é embutir várias idéias, sem que haja um processo reflexivo, visto que tal processo pode levar os indivíduos a criar outras maneiras de interpretar o mesmo fato.

O Mito dessa forma é um discurso que pretende ser objetivo e imparcial. Ou seja, é aquele que diz ser apenas composto por termos no sentido denotativo. São aqueles que dizem falar apenas como as coisas são, e não como deveriam ser. Assim se cria o Mito barthesiano, visto que todo discurso está encharcado não só por termos denotativos, mas principalmente, por certas visões de mundo, sentidos conotativos.

A seguir, mostro dois vídeos. Os dois têm como temática central a educação no Brasil. No entanto, o primeiro que nos foi apresentado tratava do tema da lei de cotas. E o segundo, mostrado na seqüência do primeiro, fala sobre o resultado do ENEM. Vejamos como a globo age.
No primeiro vídeo é tratado o tema da nova lei sobre cotas em universidades públicas. Aqui, a reportagem é estritamente técnica, mostrando como se dará o processo de inclusão de estudantes pobres, negros, índios ou pardos. Posteriormente, para a reportagem ser isenta de julgamentos de valor, o repórter mostra a opinião de vários deputados que são contra ou a favor do sistema de cotas. Até então, o debate é apenas denotativo, estamos na fase da codificação dos signos. Contudo, na reportagem que segue a essa primeira, o repórter trata do resultado do ENEM. É nessa reportagem que todo véu da imparcialidade é rompido. E é nesse momento que se tenta construir e vender o MITO. O mito/tese em questão é que estudantes do ensino público possuem condições de concorrer de igual para igual com os alunos do ensino particular. Logo, as cotas em universidades públicas são desnecessárias no atual estado da educação brasileira. Assim, o rapaz que estudou em escola pública representa a veracidade da tese da globo. Ora, o rapaz estudou em escola pública, e foi o primeiro colocado no ENEM, o que mostra que estudando ao ponto de “fazer bolhas nos dedos”, todos (alunos da escola pública e privada) têm as mesmas chances no sistema de competição. Ou seja, o problema não é do sistema educacional, mas sim, dos próprios estudantes. Perceba como há uma permuta em relação à responsabilização pelo fracasso dos estudantes no vestibular. Obs.: não que os alunos não tenham responsabilidades, mas como é bem sabido, o problema transcende ao aluno, ele está na forma como se pensa a educação pública neste país.

Espero que agora vocês vejam os vídeos, tirem suas próprias conclusões, e nós posteriormente, podemos discutir via comentários.

Como não consegui baixar os vídeos, eles podem ser acessados nos links que mostro a seguir:
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Referências Bibliográficas
1) Hall, Stuart. (2003). Da Diáspora - Identidades e mediações culturais. - Organização Liv Sovik. Editora UFMG, Belo Horizonte, e Representação da UNESCO no Brasil, Brasília.
2) Barthes, Roland. (1987). Mitologias, 7ª edição.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Êxtase

I, I, I, I still believe in your eyes;
There is no choice,
I belong to your life.

Eu ainda acredito em seus olhos;
Não há escolha,
Eu pertenço a sua vida.
[Trecho de I'll fly with you, de Gigi D'Agostino]


[Foto de Henri Cartier-Bresson]

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Despedida

Você quer, ocê vá, cê nunca volte.
[Adaptação de trecho de Terceira Margem do Rio, de João Guimarães Rosa]

[Desenho de Banksy]

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Aos artistas

"Vocês, artistas [...],
Devem representar o que é
mas também insinuar o que poderia ser e não é
E seria bom que fosse ao representarem o que é.
Que a partir do seu retrato
a platéia aprenda a lidar com o que ali é retratado.
Que o aprendizado dê prazer.
[...] Ensinem como arte, pois praticar a arte dá prazer."

[BRECHT, Bertold. Sobre o Julgamento]

sábado, 1 de novembro de 2008

Conhecimento Jornalístico e a obrigatoriedade do diploma

A partir de um breve panorama histórico da prática jornalística e vislumbrando uma nova abordagem do Jornalismo enquanto forma de conhecimento, defendo a concepção jornalística dissociada da visão do senso comum, mas imbricada a um respaldo teórico, dando visibilidade à discussão da obrigatoriedade ou não do diploma na profissão.

Antes das Revoluções Burguesa e Industrial, o conhecimento que se tinha do mundo era bastante genérico e universal, baseado na realidade imediata, exemplificada por Eduardo Meditsch1 pela preocupação com a própria casa e com os vizinhos. O Jornalismo surge no contexto do desenvolvimento industrial e do capitalismo, sendo, inclusive, atribuído como conseqüência do modo de produção capitalista, em que as relações passaram a ter caráter universal e dinâmico, permitindo o conhecimento da humanidade a nível internacional.

Assim, diferentemente do que ocorria na Idade Média, o mundo não mais é baseado em relações singulares, como as com o vizinho. A partir da Revolução Industrial, as relações no mundo passam a exigir um caráter universal, em que todos podem, efetivamente, relacionar-se com todos. É diante de tal necessidade que o Jornalismo surge como forma de conhecimento capaz de possibilitar a interação do indivíduo com o mundo. Para Adelmo2, “o Jornalismo é uma forma de conhecimento baseado no singular, surgido a partir da Revolução Burguesa e que atingiu a maturidade com a industrialização.”

Sylvia Moretzsohn3, em Pensando Contra os Fatos, traz a importante lembrança de que, mesmo sendo considerado um pilar da democracia pela Constituição americana, o Jornalismo era, naquela época, alvo de contestações por parte da elite intelectual, por considerarem-no superficial e efêmero, rejeição que perduraria até o século XIX.

Sobre o Jornalismo como produção de conhecimento, Adelmo Genro Filho refuta as orientações funcionalistas de conhecimento de — atrelado ao uso familiar e ao hábito, sem corresponder à produção sistematizada — e conhecimento acerca de — produto formal e criterioso de conhecimento, formulado teoricamente —, baseadas na filosofia de William James4 e proferidas por Robert E. Park5, por considerá-las reducionistas.

Discordando das diversas concepções teóricas existentes sobre o Jornalismo — desde as que consideram-no puramente comunicacional às que o vêem como meio de integração dos indivíduos à sociedade —, Adelmo propõe, através da filosofia hegeliana, a construção de um novo conceito de Jornalismo, distante do modo de pensamento positivista e próximo do marxismo, elucidando uma teoria marxista de Jornalismo.

Diferentemente do senso comum, o Jornalismo não deve ser considerado tão-somente uma atividade prática; pois, embasa-se teoricamente em estudos antigos que discutem o seu papel enquanto forma de conhecimento. E é através de um ensino superior alçado nesse propósito que o Jornalismo deixará, então, de ser visto como uma necessidade técnica e passará a ser reconhecido como teoria, partindo de conhecimento coeso e não de “achismos” redacionais.

Além proporcionar condição mais coerente de trabalho para os profissionais da área, pautando-se em um reconhecimento digno de qualquer ciência, o Jornalismo necessariamente vinculado ao ensino superior garante à sociedade uma prática jornalística mais responsável, que partirá da cotidianidade, será fundamentada na academia e retornará enriquecida à cotidianidade, desenvolvendo, assim, importância de ciência.


Notas:

[1] Professor-doutor em Ciências da Comunicação que tem se dedicado a estudos sobre a teoria do conhecimento em Jornalismo, autor de O Conhecimento do Jornalismo.

[2] Adelmo Genro Filho foi professor e mestre da UFSC, responsável por trabalho de referência na teoria do Jornalismo, posteriormente publicado na forma de livro, sob o título O Segredo da Pirâmide - Para uma teoria marxista do jornalismo.

[3] Especialista em modernas tendências da mídia e professora da UFF

[4] Psicólogo e filósofo norte-americano.

[5] Sociólogo norte-americano e um dos fundadores da Escola de Chicago que exerceu durante muito tempo a atividade jornalística.


Referências Bibliográficas:

GENRO FILHO, Adelmo. O Segredo da Pirâmide: por uma teoria marxista do jornalismo. Porto Alegre: Tchè, 1987. p. 54-68.

MEDITSCHI. Eduardo. O Conhecimento do Jornalismo. Florianópolis: Editora da UFSC, 1992. p. 23-34.

MORETZSHOHN, Sylvia. Pensando Contra os Fatos. Rio de Janeiro: Revan, 2007. p. 52-53; 122-130.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Saudade do meu Super Nintendo

Até o começo deste ano, eu fazia parte do grupo de órfãos do Super Nintendo, mas agora volta-e-meia mato a saudade do querido Mário jogando durante horas. Aproveitando o mês das crianças, alerto para a possibilidade de vocês, caros leitores, também desfrutarem novamente dos joguinhos da infância.

Dia desses, nerdando na internet, descobri que eu poderia reaver meu vídeo game e voltar a jogar meus jogos preferidos e tantos outros, caso quisesse, no computador. Numa comunidade do orkut (clique aqui), é possível adquirir tanto o Super Nintendo (e outros vídeo games) quanto as fitas, através de downloads gratuitos. Aproveitem!

Boas partidas de Mário Kart, Superstar Soccer, Donkey Kong, Street Fight, entre outros.

sábado, 25 de outubro de 2008

Novo Blog

Sim, isso é uma peça publicitária, mas poucas (ou nenhuma) peças publicitárias têm a relevância intelectual do meu objeto de publicidade.


Para a felicidade da comunidade blogueira, um novo blog foi criado com o intuito de incluir você, leitor, no mundo dos escritores.

O endereço é: http://www.actodeler.blogspot.com
Boa leitura e escritura para todos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Às Crianças


"Será que desta vez cinco minutos vai ser muito ou pouco?" [Nathalia Pereira, quando criança]

Recomendações sobre o tema:
Filme: Pequena Miss Sunshine
Música: Saiba, de Arnaldo Antunes
Vídeo: Vida da Tamiris

Feliz dia das crianças (ainda que tardio) para todos nós!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A notícia

Entre trabalhos e mais trabalhos para a faculdade, hoje fiz o mais importante, até agora, para a minha vida profissional. Diferentemente dos trabalhos acadêmicos, como resenhas, resumos e apresentações no velho Power Point, deparei-me com a notícia.

O professor de Introdução ao Jornalismo incumbiu os alunos da seguinte tarefa: visitar uma conferência de comunicação (a IV Conferência de Mídia Cidadã) e escrever uma notícia com cerca de 30 linhas sobre o evento.

A princípio, achei bobinha a atividade, mas depois que tive que elencar as informações mais importantes, buscar maiores explicações e estruturar tudo em 30 linhas, senti o peso do jornalismo nas costas. Eis que o pior ainda estava por vir: escolher a manchete. Abaixo segue trecho de uma conversa sobre a dificuldade que senti (Torçam por mim!):

Dio. diz:
Lembre-se: o título faz a notícia.

Dio. diz:
Se o título não for bom, a notícia é péssima, pois não será lida.

gabriela diz:
caramba, como é difícil fazer isso, po.

gabriela diz:
depois que você começa a estudar, você vê que é mais sério do que você pensava.

Se um dia eu criar coragem, posto minha primeira notícia neste blog.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O pesadelo de Maradona - Publicidade incoerente

Hoje, procurando um recorte de jornal antigo para um trabalho, encontrei um texto de Roberto Pompeu de Toledo que eu havia guardado, há um tempo, por demonstrar o quanto a publicidade cria idéias um tanto incoerentes nas mentes dos destinatários. O trecho abaixo chamou bastante a minha atenção por isso. Antes de lê-lo, assista ao vídeo da propaganda (clique aqui) a qual o texto refere-se.

O campeonato dos comerciais tem momentos intrigantes. O festejado anúncio do guaraná Antarctica em que Maradona aparece com a camisa amarela, cantando o hino com os jogadores brasileiros, rendeu mais um momento de glória a seu criador, Duda Mendonça. Foi seu maior triunfo, depois das contas secretas que tanto lhe abalaram o prestígio. Mas, bem analisado, o que diz o anúncio? Maradona, depois da cena inicial, em que, ao lado de Ronaldo e de Kaká, entoa "e o sol da liberdade em raios fúlgidos", acorda e... "Caramba", diz. "Que pesadelo!" Ele atribui o sonho mau ao fato de estar bebendo muito guaraná Antarctica. Não há como fugir à conclusão de que o guaraná Antarctica dá pesadelos.
Texto na íntegra

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Lição de hoje: Quem critica, ouve crítica

Cobertura: Eliminatórias Microfonia 2008 - Primeiro dia

[...]
A puberdade é uma fase inglória mesmo. Que o diga o vocalista da Caravana do Delírio. Tão, mas tão, mas tão, mas tão, mas tão, mas tão, mas tão desafinado que só os hormônios da adolescência mesmo para justificar. Tudo bem assassinar “Eu Me Amo”, do Ultraje, pois o próprio Roger está longe de ser vocalista. O problema é sentir que a banda estava afundando seu repertório autoral mesmo. Um dia (espero que seja logo) eles ainda vão rir muito da noite de ontem no Uk Pub. Até lá, infelizmente, ela parecerá um interminável pesadelo. Relaxem e deixem o tempo passar. A adolescência é a pior fase da vida de qualquer um. Não seria diferente com vocês…
[...]

Gabriela disse,

em outubro 17, 2008 @ 11h42

Tão, mas tão, mas tão, mas tão, mas tão, mas tão, mas tão ruim essa crítica.

Bem, sobre ontem, não posso falar pelos demais shows, que não vi, mas quanto ao da banda A Caravana do Delírio, creio que foi bastante mal comentado nessa crítica. Não por falar mal da banda, algo completamente legítimo, afinal “cada cabeça é um mundo”, como diz o senso comum, e completando com Cartola, “o mundo é um moinho”, resumindo: Todos têm o livre direito de gostar ou não da banda ou ter gostado ou não do show. De fato, não preciso estender-me explicando o que vem a ser a tão deturpada democracia na qual vivemos; necessito, porém, explicar, infelizmente, o que vem a ser “parcialidade jornalística”. Concordo, respaldando-me nos direitos inalienáveis de todo cidadão, que cada um é livre para expor suas opiniões; discordo, no entanto, de que para isso seja preciso fazer uso de termos pejorativos e de extremo mau gosto. Assim, espero que tenha ficado clara a nada tênue diferença entre ser imparcial (algo impossível) e ser anti-ético (algo reprovável). Parabéns, Hugo, você é um excelente exemplo do jornalismo sensacionalista, que preza pela audiência em detrimento da qualidade dos próprios textos.

(Esse comentário foi postado ontem, mas, infelizmente, foi apagado por alguém maduro o suficiente para falar o que quer, mas que ainda encontra-se na puberdade e não agüenta ouvir o que não quer, assim é muito fácil falar mal das bandas, não?)

Vamos desenhar? (Parte 2)


Arte de: Gabriela Bezerra
Inspiração: Diogo Madruga

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Ato de Ler


Relaxe, você só está diante de um texto. Para lê-lo, deve estar, antes de tudo, com foco. Isso, solte os ombros. As primeiras linhas são um pouco mais lentas mesmo, é a parte de adaptação com o processo de escrita do autor. Depois, com alguma disposição (e uma ajudinha do talento do autor), você vai se acostumar mais fácil. Ache sua posição, não dê atenção ao som que a cadeira faz quando você se mexe. Sei que ler ao computador é mais difícil. Todas essas janelas piscantes e coloridas aí abaixo competem com as pequenas, fracas e insossas palavras diante de você. Mas acredite, o desafio maior está aqui, e vencê-lo dará um prazer inigualável a você. Ok, agora você parece mais focado, está querendo saber que diabos é esse desafio, certo? Eu, como escritor, poderia fazer um suspense e não dizer logo de cara, ou poderia dizer agora mesmo, poderia inventar outra história, sem desafio algum, e fazê-lo esquecer dessa: tenho o leitor nas mãos. Não! Não! Espere, sei que é o contrário, você tem o texto em mãos e olhos, pode finalizá-lo agora e ir se dedicar a outras coisas se quiser. Aquilo ali acima foi um recurso provocativo. Nós, escritores, subordinados a vocês, temos que confundi-lo a fim de envolvê-lo e, só então, esclarecê-lo.

Bem, então vamos mais diretamente ao assunto, certo? Vamos, porque eu ainda vou a ele também, escrevo à medida que você lê. Se você ainda não leu, não foi escrito. Escreve-se para quem lê. É dependência mesmo. Por isso alguns escritores são um tanto “enrolões”. Na verdade, é pura carência. Não saia agora, vou contar um causo então, não é um causo que você quer? Uma história, uma experiência? Eu conto. Acho impressionante como há pessoas que conseguem ler em situações totalmente adversas. Lembro-me do meu irmão. Durante o recreio, no colégio, juntavam-se as séries todas do colégio no pátio e tome a conversar, escutar a rádio do colégio, agüentar a berradeira dos mais novos ou dos mais exaltados. A quadra ficava ao lado do pátio, então ia pra ele também todo o barulho do futebol de trinta (variação do futebol, onde trinta pessoas jogam — todas contra todas, só pode ser — a fim de marcar um gol — em qualquer barra). Em meio a tudo isso, sentado, com o livro Xadrez, truco e outras guerras, de José Roberto Torero, está meu irmão, lendo. Lendo sem a mínima desconcentração. Eu e uns amigos, ao redor dele, falando muito alto; o rádio me incomodava porque competia comigo, e meu irmão impassível. Impressionante leitor que ele é, respeita o texto. Você deveria seguir o exemplo dele. Calma, não é uma repreensão, mas uma sugestão, talvez você já siga, ou mesmo seja melhor leitor ainda.

O leitor é um sujeito temperamental e vaidoso. É um risco escrever sobre ele, sobre você. Você sempre espera que o texto o surpreenda, mas luta bravamente contra isso. “Sabia!”, fala, ao descobrir o mistério de Assassinato no Expresso do Oriente, de Agatha Christie. Mas ninguém sabia. Não havia como saber. Não importa. O leitor sabe. Ele tem o controle do texto, ele faz o texto. Ele pára de ler neste momento, responde uma pergunta de um amigo (seja na internet, seja o colega do lado) e volta a ler, quebrando o raciocínio do autor. Mas ele é piedoso. Ele volta no texto, retoma o raciocínio, e refresca a felicidade do autor. O ato de ler é mais importante que o de escrever. Porque ler é escrever. Escrever não implica necessariamente em ler. Tem gente que nunca lê o que escreveu — geralmente são os que escrevem mal, permitam-me falar como um leitor por um momento.

E então você vai chegando ao final do texto. Sempre há um ar de poeira baixando, de suspense pré-alívio. Às vezes o final não é feliz, mas e daí? O importante é que o texto acabou. Que alívio, que sensação de liberdade. Feliz é o final que acaba com o texto. Não importa o número de mortes, o volume de lágrimas derramadas, o importante é que a última palavra finalize o texto. É curioso escrever sobre ler, e mais curioso deve ser ler sobre ler. O leitor, no momento final de um texto como este, sente-se um titã, ele é o melhor, o contemplado, o homenageado. Mas, infelizmente para você, no fim das contas, a dependência escritor–leitor não é tão grande, pois daqui pra frente, graças ao escritor, se você seguiu todo o texto do começo ao fim, acaba aqui sua função de leitor nessa história. Pois daqui para baixo só há o branco, o escritor não te deu mais nada, você tem que criar. Agora é sua vez de depender de um leitor. Parabéns, você, agora, também é um escritor.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

TVbus, nada inofensiva

Na programação da TVbus, "os astros dizem" sobre o signo de áries:

Você precisa mudar sua vida financeira. Pense seriamente em gastar mais do que ganha [destaque meu].

Como assim? A TVbus quer levar todos os arianos para o SPC e o Cerasa?

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Vamos desenhar?

Há muito tempo, eu desenhava bastante. Minhas aulas preferidas, na escola, sempre envolviam a criatividade. Meus desenhos costumavam destacar-se, fazendo com que minhas professoras sentissem-se orgulhosas e saíssem da sala de aula para mostrar minhas "grandes obras" às demais "tias". Essa fase, além de estar bem longínqua, passou.

Com o tempo, as atividades com desenho, pintura e massinha foram tornando-se cada vez mais esparsas, até que se extingüiram. O meu jeito para a prática da arte foi, igualmente, definhando-se. Não lembro bem o motivo - alguma experiência como a do Pequeno Príncipe, talvez - mas, com o tempo, passei a desacreditar no meu potencial para o desenho.

Assim fui afastando-me do universo das cores e aproximando-me do das letras, o qual é a grande aposta para o futuro. A fase de transição entre tais universos pode ser tema para uma próxima conversa, mas agora não quero desviar-me do foco.

Na época que eu era sétima série, com a mudança de colégio, voltei a ter aula de artes. Lembro que eu achava bastante anacrônica a idéia de ter tal disciplina depois de "velha", mas gostei da idéia. Fiz alguns desenhos, um deles até foi pedido pelo professor, para ser exposto; sentia, no entanto, imensa dificuldade para retornar ao universo das cores.

Com a fase da bagunça e, posteriormente, a proximidade do vestibular, deixei, novamente, as bisnagas de tinta na gaveta.

Dia desses, fiquei surpresa comigo mesma, por estar desenhando no Paint, como gostava de fazer quando mais nova. Desenhei frutas e verduras; não simplesmente isso, produzi personagens baseadas na feira! Assim nasceu Uvolino, Limonudo, Seu Cenuro e Melancélia (vide foto).

Inspirada em uma das minhas frutas preferidas, fui pensando a personalidade e criando a aparência de Melancélia, uma charmosa melancia "cult".

Claro que esta postagem não tem (mesmo) a intenção de exibir uma obra de arte, longe disso. Mas julguei relevante apresentar a história de Gabriela e de Melancélia para o universo. Tanto o das cores, quanto o das letras.

No mais, desenhem!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Vaidade

Sábado resolvi fugir da rotina e ir a um salão de beleza para cortar e hidratar o tão maltratado cabelo que carrego. Querendo fugir ainda mais da mesmice, resolvi ir a um salão afro, por estar saturada de ouvir, das cabeleireiras, conselhos para alisar as minhas madeixas (absolutamente nada contra quem alisa o cabelo, até já alisei, mas quando eu resolver alisar eu peço, não precisa ficar tentando fazer lavagem cerebral toda vez, a fim de levar embora o meu rico dinheirinho). Então lá fui eu.

Imaginando um ambiente bem mais propício a mulheres que resolveram aposentar suas chapinhas, frustrei-me ao ver que as próprias cabeleireiras eram vítimas da "indústria do alisamento", que tenta das mais diversas maneiras convencer a todos de que cabelo bonito é cabelo liso. As clientes, diferentemente do que eu havia imaginado, não carregavam o cabelo afro, título do salão. E, para completar, não faltou a velha pergunta: Por que você não relaxa (alisa) seu cabelo?

Não teria ficado tão impressionada se fosse um salão qualquer, porque sempre ouço essas promessas tentadoras de que meu cabelo vai ficar uma belezura, mas ouvir isso da dona de um salão que se auto-denomina afro, foi bem estranho.

Alguns mais íntimos sabem que, há algum tempo, costumo não cortar meus cabelos em salão, por considerar um absurdo o exorbitante preço e por achar que sempre cortam demais. Sábado, entretanto, dei um novo voto de confiança aos profissionais da beleza(?).

Nossa, como estou arrependida, saí frustrada com o salão e estou frustrada com o meu cabelo, porque, como sempre, ELA CORTOU DEMAIS!!!

Enfim, salão é tudo igual.

domingo, 5 de outubro de 2008

Mito

Resposta referente à quinta questão (relacionar o filme Matrix ao Mito da Caverna de Platão) da prova de Filosofia, realizada em 03/10/2008:
O Mito da Caverna de Platão trata-se de uma alegoria para explicar a sociedade. Segundo Platão, a realidade expressa-se do lado de fora da caverna, sendo o Mundo das Idéias. Na visão platônica, todos tiveram acesso a tal mundo, mas após banhar-se no Rio do Esquecimento, as pessoas esqueceram-se de muitas das coisas, algumas mais e outras menos, passando a viverem no Mundo das Sombras, ou seja, a caverna. As sombras dispostas na caverna seriam não mais a realidade, mas a sua cópia.

No filme Matrix, as sombras da caverna foram substituídas pela matriz, sendo ela, portanto, a própria caverna a qual habitamos. Quando é dado a Neo a possibilidade de escolha entre duas pílulas, a azul e a vermelha, pode-se interpretar que a ele está sendo feita a seguinte pergunta, se compararmos com o mito platônico: Você quer sair da caverna (pílula vermelha), para conhecer a realidade, ou quer permanecer na caverna (pílula azul), para continuar no Mundo das Sombras?

A partir da analogia entre o mito e o filme, podemos entender que com as formas de controle social, as ideologias — idéias que o senso comum incorporou — produziram uma espécie de “cegueira” nos indivíduos. Assim, a alienação, propiciada por formas de controle, produziu ideologias na sociedade que a faz acreditar e perceber coisas que nem sempre condizem com a realidade. Dessa forma, enquanto seres humanos, nós ficamos de olhos abertos, mas não enxergamos, pois estamos cegos, sem perceber a verdadeira realidade. Para ilustrar esse raciocínio, o livro Ensaio sobre a Cegueira, de Saramago, revela-se uma grande explicação.

* Leia-se Matrix como Matrix 1.
* Houve adaptações no texto para o melhor entendimento do leitor.