quarta-feira, 31 de outubro de 2007

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

NOSSO DILEMA DO PRISIONEIRO

Periodicamente os brasileiros afirmam que vivemos numa democracia. Por democracia entendem a existência de eleições, de partidos políticos e da visão republicana dos três poderes, além da liberdade de pensamento e de expressão. Por autoritarismo, entendem um regime de governo em que o Estado é ocupado através de um golpe (em geral militar ou com apoio militar), não há eleições nem partidos políticos, o poder executivo domina o legislativo e o judiciário, há censura do pensamento e da expressão e prisão (por vezes com tortura e morte) dos inimigos políticos. Em suma, democracia e autoritarismo são vistos como algo que se realiza na esfera do Estado e este é identificado com o modo de governo.
Essa visão é inútil para algo profundo na sociedade brasileira: o autoritarismo social. Nossa sociedade é autoritária porque é hierárquica, pois divide as pessoas, em qualquer circunstância, em inferiores e superiores. Não há percepção nem prática da igualdade como um direito. Nossa sociedade também é autoritária porque é violenta: nela vigoram racismo, machismo, discriminação religiosa e de classe social, desigualdades econômicas das maiores do mundo, exclusões culturais e políticas. Não há percepção nem prática do direito à liberdade.
O autoritarismo social e as desigualdades econômicas fazem com que a sociedade brasileira esteja polarizada entre as carências das camadas populares e os interesses das classes abastadas e dominantes, sem conseguir ultrapassar carências e interesses e alcançar a esfera dos direitos. Os interesses, porque não se transformam em direitos, tornam-se privilégios de alguns. A polarização social se efetua entre os despossuídos e os privilegiados. Estes, porque são portadores dos conhecimentos técnicos e científicos, são os “competentes”, cabendo-lhes a direção da sociedade.
Assim, essas idéias ultrapassam uma esfera abstrata da nossa imaginação, e acaba desembocando nos nossos dias, de forma ativa e permanente. Não é difícil de perceber esta concepção. Enquanto, os cidadãos brasileiros não forem tratados como tal, ou seja, como INDIVÍDUOS, e que, portanto possuem direitos e deveres a cumprir, a sociedade permanecerá estagnada.
Nessa discussão então, surge aquela velha idéia, idéia que me lembra o pensamento dos marxistas mais “hard”. Pensamento diria linear, que imagina ser impossível um desenvolvimento, sem que antes a sociedade tenha passado por todas as etapas anteriores. Por exemplo, para se implantar o Socialismo, seria preciso passar pelo Feudalismo e Capitalismo, e claro, seus respectivos meios e forças de produção. Mas isso tudo foi apenas para lembrar, será que para a implantação da tríade de direitos (civis, políticos e sociais) é preciso um processo? Ou tais direitos podem ser amplamente e imensamente difundidos na sociedade sem nenhum tipo de problema?
È nesse ponto que aparece o nosso dilema do prisioneiro. Suponhamos que dois comparsas tenham sido presos. No entanto, leia-se quando for colocado comparsas, ou sinônimos, implantação, ou não, dos direitos citados anteriormente.
Tais personagens foram presos, mas os policiais não o podem condená-los por falta de provas. Mas com astúcia, os policiais separam os prisioneiros, e faz a seguinte proposta. Se por acaso, um dos dois depor, e o outro em silêncio ficar, o que depôs será liberto, enquanto que o “preso fiel” será condenado a cumprir uma prisão de 10 anos. Caso ambos fiquem em silêncio, a justiça só poderá ficar em posse deles por um período máximo de 6 meses. No entanto, se ambos se verem tentados a delatar o comparsa, os dois ficam por 2 anos na cadeia.
Agora percebam, tudo isto está acontecendo sem que os presos saibam quais são as atitudes do outro. Como se diz, eles estão jogando no escuro, e logo, o máximo que fazem são suposições sobre a atitude possivelmente tomada pelo outro. Então, o dilema ao qual ambos estão submetidos é, o que vai acontecer? Como cada prisioneiro irá se comportar diante da tentação de culpar o outro?
Assim, esse jogo poderá ser cooperativo, produzindo um resultado não ótimo. Ou então, o jogo poderá ser não-cooperativo, e ai há duas possibilidades. 1) Se um dos dois contar e o outro não, o outro será submetido a uma prisão de 10 anos. E esse seria o melhor resultado a ser alcançado, pensando-se individualmente. 2) Se ambos se acusarem os dois serão presos, produzindo um resultado menos ótimo, já que ambos ficaram presos por um período de 2 anos.
Toda essa história foi apenas para informar que realmente já está na hora de começarmos a tratar as pessoas como indivíduos. E que não importa se haverá implantações pausadas de direitos, o que importa é que eles comecem a ser implantados. Por isso, em abstrato, não importa os valores das penas, mas o cálculo das vantagens de uma decisão cujas conseqüências estão atreladas às decisões de outros agentes, onde a confiança e traição fazem parte da estratégia em jogo.
Enfim, enquanto não houver no Brasil, uma construção concreta, combinada de: liberdade, participação e justiça social, fatos como os quais convivemos diariamente continuarão a perseguir a nossa sociedade. Temos “liberdade”, alguma participação e muita desigualdade. A liberdade e a participação, para sobreviverem, precisam gerar igualdade. E esta igualdade seria então traduzida em: respeito à Constituição e aos Direitos Humanos, investimentos maciços em setores do bem-estar social (educação, lazer, saúde...) e uma visão de segurança pública institucionalizada que permaneça ao longo dos governos como política de Estado, e não como política de governo.

sábado, 20 de outubro de 2007

Maconha por Gabeira


"Se a Cannabis sativa fosse uma família, teria dois filhos. São irmãos de sangue, com a diferença de que num deles os exames detectam níveis mais altos de THC --o tetraidrocanabinol. O cânhamo, que entra na produção de 20 mil produtos importantes para a humanidade, tem um nível de THC inferior a 3%. A partir daí, entra em cena sua irmã, a maconha, que produz toneladas de bons e maus sonhos, com um teor de THC em torno de 6%. Na maioria dos países, a plantação de cânhamo e de maconha é igualmente proibida, um irmão pagando pelo outro, o cordeiro pelo lobo.
Pensar que é ilegal plantar cânhamo nos Estados Unidos e que a Constituição dos Estados Unidos foi escrita em papel de cânhamo ajuda pelo menos a entender as grandes fogueiras que se fazem periodicamente para destruir a canábis. Já foi assim com os livros, com a diferença de que naquela época se queria matar a cultura e na nossa querem matar uma planta --sem perceber que se trata, também, de uma cultura, e não só de uma espécie vegetal que se possa levar à extinção. [...]
A ascensão social da maconha implicou numa guinada, pois era descrita como uma droga que impulsiona o crime e agora se tornava um fator de apatia e desmotivação. Grandes dirigentes mundiais, como Bill Clinton (que "não tragou") e Fernando Henrique (que não gostou), confessaram ter experimentado a planta. As atenuantes que apresentam servem para mostrar como se toleram os excessos de uma época, desde que desvencilhados deles para cumprir as funções sociais. [...]
Não confiar cegamente em pesquisas vale tanto para as que são contra quanto para as que são a favor. Resta a observação pessoal como um ponto de referência. Os efeitos mais comuns --relaxamento, alteração do humor, redução da agressividade-- nos autorizam a afirmar que a maconha leva a um estado contemplativo. Independentemente da presença de espiritualidade, é uma experiência humana para muitos indispensável.
Há gente, no entanto, que fuma o mesmo baseado diante do mesmo pôr-do-sol e reclama que nada de novo acontece. A maconha em si não é a resposta para isso. Ela tem de ser procurada no cotidiano da pessoa, em como enfrenta seus desafios, como capitula ou avança em suas decisões íntimas.É compreensível que se tome a maconha como um sujeito com responsabilidade própria, capaz de ser julgado por seus atos ou contra quem devemos fazer uma guerra. A maconha tem mil e uma utilidades. A milésima primeira é, precisamente, servir de bode expiatório para nossas dificuldades de encarar o real." [...]
*Trechos do primeiro capítulo do livro A Maconha de Fernando Gabeira
*O primeiro capítulo completo pode ser lido em:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u4313.shtml

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Varal

Desde criança, sinto uma certa liberdade diante de varais de quintal, com longos fios; um dia desses resolvi analisar essa fixação sem nexo. Sempre gostei de desenhar um varal com algumas roupas penduradas, roupas sempre coloridas, talvez representando que os donos das roupas eram felizes. Não fazia o desenho com o intuito de dizer que o varal pertencia a mim ou que as roupas do varal eram minhas, havia, inclusive, roupas masculinas e até femininas as quais eu nunca usei e talvez nunca usarei. Eu olhava atentamente cada traço do desenho, tentando fazê-lo parecer mais feliz possível, mesmo que não tivesse perfeito. Enfim, desenhava sempre um vestido, uma calça e uma camisa, acho que era uma forma de representar um casal feliz. Muitas vezes as roupas eram estravagantes, com cores berrantes. Nesses dias, porém, comecei a pensar sobre isso e conclui que talvez o varal não representasse essa liberdade, posto que as roupas balançam, mas não voam, não são livres para voar, estão presas. Assim, percebi que o varal não representa tanto essa liberdade na qual eu acreditava, talvez fosse até ingenuidade minha pensar desta forma. Enfim, ai comecei a voltar às minhas analogias e pensei que se as roupas representam as tais pessoas felizes, essas pessoas estavam presas. Aprofundei o raciocínio, de certo não muito elevado, e conclui que as pessoas, donas daquelas roupas aparentemente livres, não são livres, são prisioneiras. Não me referi a grades e presídios, mas a uma prisão mental. Depois conclui que não era apenas uma prisão mental, posto que elas estavam ali por imposição das mesmas pessoas felizes que as colocaram no varal. Lembrei que dependendo do vento, do "vento revolucionário", elas se soltam, mas em geral ficam presas mesmo. Não sei, mas de repente fiz uma analogia com a sociedade, que finge ou é enganada pela relativa autonomia, porém vive sempre presa no varal dos "bons costumes".

terça-feira, 16 de outubro de 2007

redação

Etanol: uma alternativa ambiental e econômica

A sociedade vigente usufrui de grande diversidade energética, as fontes são usadas em diferentes escalas em função do lugar a ser implantada. Devido à Revolução Industrial, o petróleo assumiu a liderança no fornecimento de energia. Desde então, as petrolíferas abastecem o mundo com o "ouro negro", responsável por crises e disputas. A Idade do Óleo Pétreo, porém, pode está próxima da derrocada.

Após a crise de 1973, propiciada pela Guerra de Yom Kippur, percebeu-se a extrema dependência mundial do petróleo assim, houve o recrudescimento das pesquisas em prol de novas fontes energéticas. No Brasil, implantou-se o Pró-Álcool, a fim de substituir em larga escala os combustíveis derivados do petróleo por etanol, a partir de 1975. O programa viabilizou-se através da baixo do preço do açúcar; na época, comercializar álcool tornava-se bem mais rentável.

Devido à recuperação da crise petrolífera, o projeto do governo Geisel começou a ruir. Questões anteriores, de dependência e crise, associadas a ímpetos ambientais, recolocaram o uso do etanol e de outras fontes renováveis em pauta. No caso brasileiro, especificamente, a utilização do combustível álcool poderá render grande crescimento econômico, em função do solo e clima propícios ao cultivo da cana-de-açúcar. É notório o maniqueísmo de tal questão, pois há, por parte dos ambientalistas, medo do provável desmatamento, semelhante ao ocorrido durante o Período Colonial, provocado pelas primeiras lavouras açucareiras.

É relevante o estudo das possíveis conseqüências do uso das novas fontes energéticas para saber quais as melhores alternativas e testar a viabilidade dos novos combustíveis. O Brasil, segundo o atual Presidente, agirá em função da economia e das questões ambientais. Salvo o problema da possível destruição das florestas, o etanol é uma alternativa bastante viável para o futuro; o fato de não influenciar no efeito estufa traz, portanto, uma enorme possibilidade de êxito.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

O ser humano é quiral!

Somos seres assimétricos!!!
Podem nos partir em qualquer dimensão, mas continuaremos assimétricos. Mesmo que nos partam ao meio do rosto, sempre um lado é diferente do outro, detalhes, porém é sempre diferente. E mesmo que fosse igual, ainda tem os órgãos, fígado e pâncreas, por exemplo, ficam em lados distintos. Até as funções do cérebro são diferentes em cada lado. Enfim, meros devaneios de uma aula de química, confesso.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

EL CHE

“Por que será que o Che
Tem este perigoso costume
De seguir sempre renascendo?
Quanto mais o insultam,
O manipulam
O atraiçoam
Mais ele renasce.
Ele é o mais renascedor de todos!
Não será por que Che
Dizia o que pensava e fazia o que dizia?
Não será por isso que segue sendo tão extraordinário,
Num mundo onde palavras e atos tão raramente se encontram?
E quando se encontram raramente se saúdam
Por que não se reconhecem? "
(Eduardo Galeano)


*Créditos ao parceiro Chico :)

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Discurso de Péricles, reproduzido por Tucídides

"Na crença de que não é o debate que é empecilho à ação, e sim o fato de não se estar esclarecido pelo debate antes de chegar a hora da ação."

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

6 Estados: O que pensar?

"Estão prontos para votação no Congresso projetos que prevêem a criação de mais seis Estados. Se aprovados, eles vão agravar o inchaço do Legislativo, abrindo 144 cadeiras de deputado estadual, 48 vagas de deputado federal e 18 de senador. Esses projetos de decreto legislativo, que prevêem a realização de plebiscito, foram aprovados nas respectivas Comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e podem ser inseridos na pauta a qualquer momento.
Os novos Estados em estudo são: Carajás e Tapajós no Pará; Mato Grosso do Norte em Mato Grosso; Rio São Francisco na Bahia; Maranhão do Sul no Maranhão e Gurguéia no Piauí. Em comparação, os Estados Unidos têm 50 Estados, com representação fixa no Congresso de 100 senadores e 435 deputados. Se forem criadas mais unidades da Federação, não haverá aumento do Parlamento, apenas a redistribuição das vagas.
O Brasil tem 26 Estados e 1 Distrito Federal. O Congresso abriga 513 deputados e 81 senadores. Aqui, ao contrário dos EUA, a configuração aumenta se houver novos Estados. Em média, a Assembléia Legislativa de um pequeno Estado, com 24 deputados, consome R$ 110 milhões ao ano.
Na maior parte, os projetos de criação de Estados são antigos e apresentam lacunas. Nenhum deles, por exemplo, inclui um estudo detalhado sobre a viabilidade econômica e os custos da medida. A criação de um Estado pressupõe a existência de um novo Executivo, um novo Judiciário e um novo Legislativo. Todos devem ser dotados de completa estrutura física, como prédios, veículos e equipamentos, e administrativa - governadores, secretários, servidores, juízes, promotores, deputados e assessores. As propostas tampouco apresentam solução para um problema crucial: quem arcará com os custos do plebiscito."
( jornal O Estado de S. Paulo)
http://br.noticias.yahoo.com/s/30072007/25/politica-projetos-criar-6-estados-inchar-legislativo.html

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Medo

Emana de mim, notoriamente, um simplório vocábulo,
O medo, o qual me diz para negar-te o ósculo.
Procuro respaldo para os meus atos,
tento discernir meus sentimentos.
Sem plausíveis motivos, nego, supinamente, olhar-te.
O desvio de olhos demonstram-te o meu medo.
Renitente, tu sentes que tal atitude não condiz com os sentimentos carinhosos de outrora
Observas nos pormenores dos meus atos a, em vão, tentativa de evadir-me do clima,
Que as sorrateiras mãos tuas procuram as mãos minhas,
A fim de circundar-me em abraços,
Que o casmurro medo meu cisma e nega ceder-te.
Intrépido e de assaz perspicácia, tu percebes que o meu coração espera o insigne momento de beijar-te.
Eu, intermitente, interrompo o instante do ósculo.
Tu esperas o ensejo de oscular-me, mas sempre ponho óbices, protelando beijos,
Pensando, assim, sublevar meus sentimentos,
Mas em exato instante os arautos já percebem a medrosa atitude minha de esconder-me,
Atos inócuos cometidos por temer machucar-nos.
Tento esconder o que sinto,
Mas meus pensamentos já transferem para o papel os meus “nefelibatados” sonhos,
Tentar omitir desejos torna-se, portanto, irrefutável.
Na tentativa de ser fleumática contigo,
Acabo por não ser honesta com meus sentimentos.
Culpo o amor pelas minhas taciturnas reminicências,
Porque, ao sofrer, esqueço as alegrias de outrora.
Tento retargüir aos teus sinceros olhares,
Mas sinto-me confusa e faço com que minha vontade não seja proferida,
Tentando, de forma absurdamente debalde, fingir que não coíbo meus sentimentos.
Creio que meus disfarces não serão eternos,
Logo será impossível enganar a mim mesma
Assim, os protelados beijos, cansados da morosidade dos meus atos,
Procurarão tua boca para, finalmente, dar-te profundos e ovacionados ósculos.

terça-feira, 24 de julho de 2007

AS APARÊNCIAS E A GOTA D'ÁGUA

Foi ouvindo duas músicas que então resolvi escrever.
“Vamos celebrar nosso governo/E nosso Estado, que não é nação” Legião Urbana “Já dizia o General De Gaulle/ “Este país não é sério!”/Mais vale um craque de gol/Que dois de araque no Ministério,/mas que mistério!” Rita Lee/ Roberto de Carvalho
Para mim e acredito que para a maioria das pessoas sãs desse país, a sucessão de acontecimentos e os desdobramentos destes, nada mais são, do que o reflexo de um governo – corrupto e irresponsável -, e fundamentalmente, de uma população, em grande maioria, apática e mais do que isso, cidadãos que não reconhecem e, portanto, que não distinguem a diferença essencial que existe entre o que é público e o que é privado. Ser cidadão nessas circunstâncias é não ter conhecimento de seus direitos, e principalmente, dos seus deveres para com a coletividade. Sem fazer apologia, mas, em países onde há maior riqueza de informações, como nos Estados Unidos, põe Roberto da Matta no seu livro - Carnavais, malandros e heróis -, que ao contrário do que acontece no Brasil, eles, normalmente, usam uma expressão “Who do you think you are?”, enquanto que no nosso país, a mais conhecida é: “Você sabe com quem está falando?”. Na medida em que, a primeira caracteriza-se por recolocar os seus concidadãos de volta ao mundo real, reforçando as regras igualitárias, a segunda reafirma as pretensões hierarquizantes.
O que não se percebe, como nos adverte Sérgio Buarque é que, o Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda menos, de certas vontades particularistas. Logo, entre o familiar e o estatal, não há uma gradação, mas antes de tudo uma descontinuidade e até uma oposição.
De maneira mais concisa e em senso-comum, o que se faz em casa é de interesse particular e individual. No entanto, aquilo que se faz na rua é de interesse coletivo, e, portanto, deve estar passível de intervenções, críticas e controle social. O que quero dizer é que, enquanto nos tornamos por um lado, apáticos e incultos do nosso papel político, principalmente nas tomadas de decisão de interesse público, por outro lado alguns indivíduos comportam-se como a maximizar as suas necessidades, o que produz um resultado abaixo do previsto para a coletividade. Esta tensão é assim, aquilo que torna a vida política tênue. Em um país como o Brasil que poderia nas perspectivas sócio-político-histórica ser comparado a um rato-canguru ou a um ornitorrinco, animais encontrados na Austrália, que por serem tão estranhos, levaram Darwin a pensar que "Um incrédulo... poderia dizer que 'seguramente dois criadores diferentes estiveram em ação'". Criaturas que na linha da evolução biológica, pareciam estar no meio do caminho, entre duas classes. Ou seja, tendo o corpo adaptado para uma vida aquática ou terrestre, o ornitorrinco apesar de ser um mamífero, em vez de dar à luz às suas crias, põe ovos que são parcialmente chocados no interior do corpo. É fazendo essa analogia que se pode perceber o que é o Brasil. País onde crises políticas, não interferem na vida econômica. País que não possui infra-estrutura condigna a quem quer ser competitivo. Vide o caos aéreo, mas esse é apenas um pedaço do iceberg que já se preanunciava faz muito tempo. E como fica a crise na educação, saúde, transporte terrestre, a criminalidade que ninguém fala. Vivemos em um caos, e disfarçamos. Vivemos na verdade em um país de aparências. “Olha a voz que me resta /Olha a veia que salta/Olha a gota que falta pro desfecho da festa/Por favor/Deixe em paz meu coração/Que ele é um pote até aqui de mágoa/E qualquer desatenção, faça não/Pode ser a gota d'água/Pode ser a gota d'água.” Chico Buarque É isso.., estamos a uma gota d’água do suportável e, se nada for feito urgentemente, a tendência é que a situação piore cada vez mais. Não adianta esperar uma intervenção “divina”, se nada concreto for feito. Quem move a história são os homens, e logo, suas necessidades e seus interesses!

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Liberdade

"Se num primeiro momento a natureza se apresenta aos homens como destino, o trabalho será a condição de superação dos determinismos: a transcedência é propriamente a liberdade. Por isso, a liberdade não é alguma coisa que é dada ao homem, mas resultado da sua ação transformadora sobre o mundo, segundo seus projetos."

Ando num momento meio introspectivo,
uma mente inquieta
e um livro aberto

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Francisco Filosófico

"A política foi capaz de domar a economia "um exemplo de tal afirmação foi o advento dos sindicatos, representando uma intervenção política para deter a concentração de renda, intrínseca ao modo de produção capitalista. Com o passar do tempo, "o capitalismo elimina a política", tornando-a refém da economia; logo, algo, na prática, irrelevante, fazendo com que o papel do nosso voto seja de idêntica irrelevância. "Nosso voto vale coisa nenhuma", à medida que "o presidente da república tem pouco poder sobre o presidente do Banco Central", pelo fato do poder econômico ser o monopólio das decisões dentro de uma sociedade capitalista. Assim, o presidente do Banco Central acaba detendo um poder o qual não lhe foi conferido por nós, mas o qual influencia nossas vidas. Assim, as mazelas sociais continuam, posto que “pelas forças do mercado isso não se corrige". Então, votamos "pra quê? pra nada”, como diria Ascenso Ferreira.


*Os trechos entre aspas foram proferidos pelo sociólogo Francisco de Oliveira no “Café Filosófico”, 08/07/07 e estão num contexto, feito por mim, na medida do possível, plausível com as idéias ditas por ele no mesmo programa.
*Créditos para o amigo, Rodrigo, que me convidou para a palestra do Francisco de Oliveira durante o Congresso Brasileiro de Sociologia e que me alertou para a participação do sociólogo no “Café Filósofico” de ontem.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Saúde Pública: A sociedade precisa se mobilizar para que funcione?

Torna-se bastante notório, na sociedade vigente, o quão frágil é o sistema público de saúde brasileiro. O recrudescimento da adesão aos planos de saúde e a extrema procura aos hospitais da rede privada são provas incontestes do ruir dos serviços públicos. É, no mínimo, estranho não perceber, por parte da sociedade, uma maior e eficaz mobilização a fim de reverter tal caos. A omissão dos setores sociais, de fato, incondiz com a relevância da saúde para toda a população, além de corroborar o enfraquecimento das instituições públicas.
É incomensurável a decadência dos hospitais; as filas e as condições de higiene e respeito aos pacientes são de extrema vexatoriedade para um país o qual se considera tão desenvolvido e justo. Em momentos eleitorais, vê-se discussões acerca do assunto, após as eleições, contudo, os projetos são, infelizmente, abandonados. No âmbito político, a saúde pública é completamente ignorada, exceto quando há possibilidade de lucro, mesmo de forma ilícita; muitos parlamentares usam o erário do país para vangloriarem-se
com luxos, no mínimo, nefastos e extremamente em contrate com a pobreza reinante no país.
Todos os problemas ligados ao social são propiciados por negligência da própria sociedade, sobretudo dos mais abonados. Parcela da população ainda dispõe de recursos suficientes para submeter-se aos setores privados, por tal motivação omite-se quanto à melhoria dos serviços públicos, os quais não lhes são, na prática, necessários. A parte pobre da sociedade, sem força política e expressão econômica, fica excluída e submetida às condições impostas pelo governo, mesmo após sacrificar-se para pagar inúmeros e abusivos impostos.
A desonestidade de alguns políticos, a negligência da classe média, a alienação das camadas altas e a submissão do povo pobre propiciam as mazelas do social. As parcelas com representatividade política excluem-se do debate; enquanto não necessitam dos serviços públicos, preferem omitir-se dos fatos. A sociedade precisa unir-se, a fragmentação à qual está subordinada não garante benefícios sociais. É mister uma reivindicação política de todos, para, enfim, construir um sistema público mais eficaz e democrático; a saúde, pois, é direito de todo o cidadão.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

739.827

Eu pergunto-me: quem são esses 739.827 eleitores e como adjetivá-los?
"Afastado de cargos públicos por dez anos, Paulo Maluf (PP-SP) é o deputado federal campeão de votos no país: 739.827. Maluf enfrenta processos e ações por evasão de divisas, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e improbidade administrativa (mau uso de dinheiro público). Em 2005, havia passado 40 dias preso. De perfil concervador, antagonista histórico dos petistas, Maluf agora integra a base de apoio do governo"

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Maio de 1968

“SEJAMOS REALISTAS, QUE SE PEÇA O IMPOSSÍVEL”, com esta frase um companheiro, deu início ao seu discurso, naquele dia pacato em Paris. Confesso ter ficado bastante entusiasmada com a idéia de poder pedir o impossível e, ainda assim, ser considerada realista. Era um tempo em que proibir era proibido, nós queríamos abraçar o mundo e transformá-lo num lugar melhor, mais justo. Lembro-me que esse companheiro proferiu tal frase com olhar distante, parecendo querer esta causa com todo o seu âmago; emocionei-me, estava, confesso, assustada com tudo o que estava ocorrendo e com medo do que estava por vir. Meus pais haviam impedido a minha ida à luta; eu fingi concordar, no entanto, mesmo extremamente assustada, deixei o ideal tomar conta da minha alma, não hesitei, junto aos amigos, resolvi participar intensamente desse "acontecimento revolucionário mais importante do século XX".
Hoje acordei lembrando daquele "episódio" de outrora, senti-me bastante orgulhosa e contei a meus netos essa difícil "aventura". Olhei para cada um deles, enquanto falava, observei cada expressão. Eles escutavam-me atentamente e entreolhavam-se em alguns momentos. Posteriormente, tentando descobrir o que minha história representava para eles, afinal eles são de outra geração bem distante daquela, para minha consternação, a sala virou uma grande galhofa. Eram três rapazes rindo da história da avó, diante da própria. Passei a vida, confesso, sendo considerada meio louca, em vários sentidos e por motivos diversos, enfim, não levaram muito a sério o que os contei. Almoçamos e cada um retornou a sua respectiva casa. Eu cá com meus bordados comecei a pensar e a cotejar o mundo da minha época e da época deles, perorei que falar em ideais, luta idealista e em impossível ser possível havia tornado-se, para muitos desta vigente sociedade, anacrônico. Com a conclusão em mente, perguntei-me, introspectivamente: Netos, o que dirão, vocês, ter feito de útil para a humanidade?

terça-feira, 5 de junho de 2007

intrigas

"Quem construiu Tebas de Sete Portas?
Nos livros estão nomes de reis.
Arrastaram eles os blocos de pedra?"
(BRECHT, Bertold)

O escrito supracitado é intrigante. A quem atribuir a construção de monumentos e por quê? Afinal a sociedade corrobora com todas as transformações ocorridas na própria sociedade, segundo o próprio ensinamento histórico, visto que a história não é feita por um homem ou herói, mas sim fruto de todo um povo.