Bastaram dois chopps para tudo mudar de órbita. Sendo do tipo "Fulano bebeu, fudeu", dá para calcular o perigo da presença etílica nas minhas veias. Após uma longa celebração requintadíssima de conclusão de curso dos estudantes da FDR, cedi ao álcool em plena segunda-feira, usando como pretexto a realização de um brinde. Um motivo deveras nobre, oras. A conseqüência, contudo, não merece a mesma adjetivação. Sentada numa mesa entre familiares, agi como uma ébria, para utilizar um vocábulo mais pomposo. Todos ficaram surpresos, nunca me viram ingerindo mais do que o tradicional champanhe no reveillon. De fato, eu não bebia. Tudo começou há cerca de seis meses de forma eventual e se tornou recorrente a partir das semanais festas (muito ótimas) da Copa Paulo Francis 2010, regadas a muita cerveja para garantir a alopração com tanta música de qualidade duvidosa. Ou o contrário. Que seja, desde então não hesito em aceitar o primeiro copo, que nunca mais foi também o único. Assim ocorreu naquele dia na companhia dos meus estimados parentes que logo perceberam a minha incontida alegria ao celebrar a chegada de mais um bacharel na família. A recomendação foi sábia e, sobretudo, rápida: suspendam o álcool para a menina! Acredito que até o garçom entendeu tudo e, por isso, não me serviu mais nenhuma tulipa. Haja comida! Isso ofereceram-me bastante. Sai do bar como quem dá prejuízo no rodízio. Ao chegar em casa, olhei-me no espelho e pensei como Chico, "Amanhã há de ser outro dia". Ledo engano. Além de embriagar-me de forma veloz, o álcool parece gostar de mim. Tem efeito (incrivelmente) prolongado sobre o meu organismo. No dia seguinte ainda conservava a perturbação mental da noite anterior e os acontecimentos daquela terça-feira pareciam corroborar para que tudo parecesse mesmo uma grande confusão. Felizmente, não precisei prometer de novo não beber nunca mais.
Mostrando postagens com marcador Rafael Bezerra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rafael Bezerra. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 30 de julho de 2010
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Meu pé de maracujá
Quando eu era criança e meus pais ainda estavam casados, morávamos numa casa pequena, que eu odiava. O meu ódio pela casa não era por causa do seu tamanho, claro, mas pelo que ela representava para mim: as brigas conjugais dos meus pais. Eu tinha pesadelos todas as noites com aquele lugar e vivia chorando sem algum motivo aparente, hoje até desconfio que tive depressão.
A vizinhança também não era das melhores. Seu Calixto, vizinho que morava na casa do lado direito da nossa, criava vários animais, como porcos, galinhas e cachorros e cultivava várias frutas, se achava o granjeiro, mas a casa tava mais para chiqueiro. Eu e meu irmão não gostávamos dele, pois todo o cheiro dos estercos desses bichos iam para a nossa casa; meus pais, entretanto, eram bastantes amigos do velho, a que, inclusive, chamávamos secretamente de Arraes, por parecer com o político. Do lado esquerdo, havia uma casa verde-escura na qual morava uma mulher de meia-idade muito mal-humorada que não gostava de mim por volta e meia eu roubar uma rosa da sua roseira para presentear a minha avó materna. Nessa época, eu era bastante apegada a ela.
Alguns dias, contudo, eram felizes nesse lugar. Um que recordo bem foi quando um grande maracujá — cujo pé ficava no muro entre a minha casa e a de seu Calixto — caiu no meu quintal. Eu e meu irmão estávamos “paquerando” aquele maracujá há alguns dias, mas nossa mãe impedia-nos de pegá-lo, pois o vizinho poderia perceber e ficar chateado. Até que um dia, sem que tivéssemos nos esforçado para isso, o maracujá, que já estava pendendo para o nosso lado, caiu no chão no momento em que eu brincava no quintal com o meu irmão. Corremos, então, felizes ao seu encontro e entregamos a fruta a Mainha para que fizesse um bom suco de maracujá, do qual ela já havia falado muito bem.
Foi o meu primeiro suco de maracujá. E estava delicioso.
Alguns dias, contudo, eram felizes nesse lugar. Um que recordo bem foi quando um grande maracujá — cujo pé ficava no muro entre a minha casa e a de seu Calixto — caiu no meu quintal. Eu e meu irmão estávamos “paquerando” aquele maracujá há alguns dias, mas nossa mãe impedia-nos de pegá-lo, pois o vizinho poderia perceber e ficar chateado. Até que um dia, sem que tivéssemos nos esforçado para isso, o maracujá, que já estava pendendo para o nosso lado, caiu no chão no momento em que eu brincava no quintal com o meu irmão. Corremos, então, felizes ao seu encontro e entregamos a fruta a Mainha para que fizesse um bom suco de maracujá, do qual ela já havia falado muito bem.
Foi o meu primeiro suco de maracujá. E estava delicioso.
Assinar:
Postagens (Atom)