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quinta-feira, 3 de abril de 2008

O caráter cênico.

Semana passada lembrei do livro que ganhei indo ao teatro há, pelo menos, cinco anos, assistir à peça O Alienista, baseado na obra homônima de Machado de Assis. Falando em artes cênicas, estou sendo uma aluna exemplar na cadeira do velho Bigi, passei o fim de semana lendo ou tentando ler a tal A Mandrágora, do maquiavélico, a fim de me preparar para o seminário de Júlia, Talita e Pacífico, o traidor (por sempre boicotar a nossa tentativa de boicotar a aula de espanhol), na segunda. Se eu soubesse que Talita ia narrar a peça de forma tão extasiante, confesso que não teria sacrificado meu fim de semana de descanso para ler as intermináveis páginas. Confesso, ainda, que eu não sabia o que significava o verbete mandrágora e muito menos sabia do poder de tal planta. De qualquer forma, como eu já previa, conclui que o Teatro Renascentista é bem mais interessante que o Teatro Romano, tema do meu trabalho, que me "obrigou" a ler O Eunuco, de Terêncio. Inclusive, desde o primeiro dia de aula naquela bodega esse eunuco me estressou, após quase quatro anos sem apresentar um único trabalho, eu precisava dar um show de apresentação em apenas três semanas. E achando isso pouco, Daniel ainda ficava me assombrando. Dos males o menor, quase eu não consigo apresentar por "bloqueio de memória", mas depois deu tudo certo, aposto num dez (ironia visível). E o feitiço virou contra o feiticeiro Daniel, que trocou o nome do protagonista Parmenão por Parmesão, mas ele gosta tanto de aparecer que não duvido que tenha sido um equívoco proposital. Voltando às bandas de Itaguaí, Simão de Bacamarte me encantou bastante com toda a sua determinação ao negar o pedido do rei de Portugal de permanecer regendo a Universidade de Coimbra com a sublime frase: "A ciência é o meu emprego único; Itaguaí é o meu universo." As conclusões do doutor da Casa Verde, contudo, culminou em algo bem trágico, até porque definir loucura é algo, no mínimo, louco e a pobre Dona Evarista sofreu as conseqüências como um cão, como o João de Santo Cristo, desde as primeiras páginas do conto. Esse fim de semana, Shakespeare será o autor da vez, vou tentar dar uma lida no Teatro Inglês até 1800, assunto do próximo seminário. Estou bem interessada nessa tarefa, porque desde o Teatro Romano leio sobre as influências de Shakespeare e estou chegando à conclusão de que ele é um copista (ironia, claro), sobretudo com a peça A Comédia dos Erros, bastante influenciada por Terêncio e por renascentistas que não vou citar nomes para evitar que Daniel fale "fica decorando os nomes dos autores desconhecidos para citar na aula", como ele me disse segunda-feira. É bom salientar que essa cisma de Daniel passou dos limites saudáveis e agora é loucura mesmo, aposto que o mestre Simão adoraria estudar esse fenômeno, porque já fui até ameaçada, por pouco não acontece a Terceira Guerra Mundial, segundo Diogo. Por hora, é isso. Inclusive, o caráter vai-e-volta deste texto foi uma homenagem ao livrinho mega chato dos franceses Philippe Breton e Serge Proulx, espero que ter lido aquilo tenha rendido os esperados dois pontos.